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Bahia festeja centenário do professor e jornalista Luiz Henrique Dias Tavares

O centenário de nascimento do professor doutor, historiador e jornalista Luís Henrique Dias Tavares será lembrado no próximo domingo (25/01), com missas e homenagens em Salvador e Nazaré das Farinhas, sua terra natal.

Comemorações acontecem no dia do seu nascimento, com a primeira celebração religiosa às 9h na Igreja da Vitória. A segunda homenagem será na cidade de Nazaré das Farinhas, onde representantes da cultura local mandam rezar missa no mesmo dia, às 20H, na Igreja Nossa Senhora da Purificação de Nazaré.

O professor Luís Henrique Dias Tavares é autor de dezenas de livros, entre ele o “História da Bahia”, considerado referência bibliográfica pela sua ampla e detalhada pesquisa, e “Independência do Brasil na Bahia”, que reposiciona o 2 e Julho como importante data no calendário nacional.

Outra importante contribuição da sua rica bibliografia é a “História da Sedição Intentada na Bahia em 1798” , sobre a Revolta dos Alfaiates, também chamada de Revolta dos Búzios, ocorrida no final do século XVIII.

Falecido em 22 de junho 2020 o professor Luiz Henrique teve intensa presença na vida cultural e acadêmica da Bahia e do Brasil. Membro da Academia de Letras da Bahia desde 1968, sempre foi envolvido em movimentos culturais com parceiros como o amigo Jorge Amado, Ariovaldo Matos e o historiador José Honório Rodrigues.

Autor de dezenas de livros, deixou um rico acervo, tanto de estudos sobre História, como trabalhos de ficção, além de trabalhos, palestra e participações em universidades na Europa e Estados Unidos.

O professor Luís Henrique Dias Tavares também teve presença importante na imprensa baiana desde os anos 1940. Foi um dos fundadores do Jornal da Bahia, do Jornal O Momento e da revista Evolução.

Bibliografia

Luis Henrique Dias Tavares nasceu na cidade de Nazaré das Farinhas, Estado da Bahia, a 25 de janeiro de 1926, filho de Luiz e Elza Dias Tavares. Fez o curso primário com o professor Edilberto Costa Santos. Iniciou o ginásio no Clemente Caldas, então sob a direção do poeta e novelista regional Anísio Melhor. Continuou os estudos no Colégio Nossa Senhora da Vitória (Irmãos Maristas), e concluiu o segundo ciclo médio no Colégio Estadual da Bahia.

Ainda ginasiano fundou, com Clóvis Neiva Noya, O Parlapatão, jornal onde publicou o seu primeiro trabalho literário (1942). Em 1944 participou da revista Evolução, juntamente com Isaac Edelsteyn, Darwin Brandão, Ariovaldo Matos e Boris Tabacof.

Nesse mesmo ano tomou parte no Teatro de Estudantes da Bahia (TEB) e representou em várias peças. De 1945 a 1950 trabalhou no jornal O Momento. Em 1948 participou da revista Cadernos da Bahia. Em dois dos seus números publicou o conto “Sábado, o dia dos das” e a peça de teatro de um ato “O homem de gravata grená”.

Sempre atuante em defesa das liberdades, foi um dos fundadores do Jornal da Bahia, onde manteve até 1962 a coluna “Cidade, Homens e Bichos”, que o consagrou cronista literário.

Luis Henrique Dias Tavares diplomou-se pela Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia (1951) no curso de Geografia e História. Fez concurso para professor do ensino médio do Estado da Bahia, sendo aprovado em primeiro lugar (1953).

Contratado pelo Centro Regional de Pesquisas Educacionais, órgão do Ministério da Educação, realizou as pesquisas e os textos que permitiram o livro Fontes para o Estudo da Educação- Bahia. No Governo Juracy Magalhães (1959-1963), ocupou o cargo de Diretor do Arquivo do Estado da Bahia, no qual permaneceu dez anos e seis meses.

Ao lado de José Honório Rodrigues, representou o Brasil no Primeiro Congresso Inter-Americano de Diretores de Arquivos, reunido em Washington (1961) sob o patrocínio do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Nesse período já possuía três livros publicados, um dos quais, Moça sozinha na sala (crônicas), [com o qual] ganhou o Prêmio Carlos de Laet da Academia Brasileira de Letras.

Prestou concurso (1961) para a Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia e obteve o título de Doutor em História e a cátedra de História do Brasil. Com bolsa do governo português, esteve realizando pesquisas históricas em Lisboa, Portugal, durante os seis primeiros meses de 1966 – pesquisas utilizadas no livro História da Sedição Intentada na Bahia em 1798.

No Governo Luís Vianna Filho (1967-1971), respondeu pelo Departamento da Educação Superior e da Cultura, órgão da Secretaria de Educação, no período de abril de 1967 a janeiro de 1969.

Em junho de 1968 foi eleito para a cadeira número 1 da Academia de Letras da Bahia. Em janeiro de 1976 visitou os Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado, ocasião em que pronunciou conferências nas Universidades de Colúmbia e Yale.

Com bolsa do CNPq, realizou pesquisas históricas no Public Record Office, Londres, Inglaterra, de outubro de 1977 a setembro de 1978, das quais resultou o livro Comércio proibido de escravos (1988). É sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.” Também tem Pós-doutorado pela Universidade de Londres.

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