ABI BAHIANA

Noite de chorinho abre a Série Lunar 2026 na ABI

Núcleo de Choro da Emus/UFBA emocionou o público, com repertório marcado por improviso, interação e homenagens aos mestres do gênero

A abertura da temporada 2026 da Série Lunar, nesta quarta (06), transformou o Auditório Samuel Celestino, na sede da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), em um encontro da música brasileira. O público acompanhou a apresentação do Núcleo de Choro da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, em uma noite marcada pela emoção, improviso e reverência ao Dia Nacional do Choro, celebrado no dia 23.

A roda formada por estudantes e professores da Emus/UFBA envolveu o público desde os primeiros acordes, com interpretações vibrantes de clássicos associados a mestres como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Chiquinha Gonzaga. A dinâmica espontânea entre os músicos, característica central do choro, foi um dos pontos mais elogiados da noite prestigiada pela professora Teca Godim, vice-diretora da Emus.

Primeira vez na Série Lunar, Celeste Maltez afirmou ter ficado encantada com a noite. Ao comentar a importância da iniciativa cultural no Centro Histórico, Celeste avaliou que projetos como esse estimulam a população a voltar a frequentar a região, muitas vezes cercada por receios relacionados à segurança. “A presença de organização e segurança no evento transmite confiança ao público e fortalece a ocupação cultural do espaço”, destacou a farmacêutica, que foi acompanhada pela amiga Vera Lúcia. 

Há pouco tempo em Salvador, a mineira Vera Lúcia avaliou a experiência como “ótima”. Admiradora de chorinho, ela ressaltou a qualidade dos músicos e afirmou que aprecia o caráter mais intimista do gênero. “São encontros mais aconchegantes e próximos do público. Achei fantástico”, elogiou a advogada. 

O músico Zendo Melo e sua esposa, a musicista Lory Bruno, demonstraram interesse em retornar para as próximas edições, inclusive para acompanhar apresentações de outros estilos e formações musicais. Segundo ele, o evento cria um diálogo sem barreiras entre quem se apresenta e quem assiste, promovendo uma comunicação musical, cultural e espontânea. Ele aproveitou para apresentar a própria banda, a Our Garden Machine, grupo de rock formado na Itália e atualmente em atividade em Salvador, participando de eventos e apresentações em diferentes casas de show da cidade.

Jornalista e ex-coordenadora da Série Lunar, Amália Casal definiu a abertura da temporada 2026 como “surpreendente” e avaliou que o projeto já alcançou maturidade e raízes sólidas. Para ela, a chegada de uma nova coordenação representa uma renovação positiva, trazendo novos olhares e dinâmicas. Amália acredita que a diretora de Cultura, Yara Vasku, contribuirá para fortalecer ainda mais a iniciativa.

Ela destacou que a Série Lunar já possui um público fiel, além do apoio constante da Escola de Música da Universidade e de colaboradores ligados à cena cultural. Para Amália, iniciar a temporada com chorinho reforça a valorização da música de raiz e acompanha um movimento crescente de jovens interessados em aprender e tocar o gênero. 

A ex-diretora também relembrou a importância de músicos como Edison Sete Cordas e o grupo Os Ingênuos para a formação de novas gerações de chorões em Salvador. Segundo ela, após um período de enfraquecimento do movimento, o chorinho voltou a ganhar força entre músicos e admiradores. Amália defendeu ainda a criação de uma sede dedicada ao gênero na capital baiana, especialmente no Centro Histórico, espaço que considera ideal para abrigar um clube de choro, a exemplo do que ocorre em Brasília. 

Coordenado por Tadeu Maciel, o Núcleo de Choro demonstrou a força de um trabalho que vem se consolidando desde 2019 dentro da Emus/UFBA, ampliando ações de formação, circulação musical e valorização do gênero em Salvador. Além de Maciel (pandeiro), participaram da apresentação os estudantes Caio Brandão (violão), Jarder Ryan (clarinete) e a convidada Camile Bueno (flauta transversa). 

Realizada pela ABI em parceria com a Emus/UFBA, a Série Lunar segue consolidada como um dos projetos culturais mais relevantes do Centro Histórico de Salvador, promovendo encontros entre música, memória e formação artística em um ambiente de valorização da cultura brasileira. 

Desde 2024, a iniciativa conta com o apoio de empresas e instituições comprometidas com cultura e educação. Esta edição é apoiada pelo Sistema Faeb/Senar, que trabalha para fortalecer o setor agropecuário baiano, defendendo os interesses e direitos dos produtores rurais do nosso estado, além de capacitar e profissionalizar a mão de obra rural. A próxima apresentação acontece no dia 03 de junho.

Fotos: Marina Silva/ABI

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