A oficina de Conservação e Restauro do projeto “Walter da Silveira: Acervo Digital – Etapa 2” foi concluída nesta quinta-feira (14), na Associação Bahiana de Imprensa. Realizada entre os dias 11, 12 e 14, no Auditório Samuel Celestino, na Praça da Sé, a atividade reuniu estudantes, pesquisadores e profissionais interessados na preservação de acervos históricos, promovendo aprendizado prático sobre conservação documental e preservação da memória audiovisual baiana.
Viabilizada pela Lei Paulo Gustavo, a oficina utilizou documentos originais do acervo de Walter da Silveira durante as atividades de higienização, diagnóstico, conservação e restauro. Walter da Silveira foi um dos principais nomes da crítica cinematográfica brasileira e teve papel importante na formação do pensamento sobre cinema na Bahia e no Brasil, influenciando cineastas, pesquisadores e profissionais do audiovisual.
O projeto “Walter da Silveira: Acervo Digital – Etapa 2” foi desenvolvido por Cyntia Nogueira e Manuela Muniz, com suporte técnico de Júlia Batista. A iniciativa tem como proponentes responsáveis Renata Santos e Cyntia Nogueira, reunindo ações de preservação, digitalização e difusão do acervo ligado à história do cinema baiano.
Ao longo dos três dias de oficina, os participantes aprenderam diferentes técnicas de preservação de documentos históricos, passando por processos de limpeza, pequenos reparos e conservação preventiva. O último dia foi voltado para práticas mais aprofundadas de restauro.
Durante as atividades desta quinta-feira, os participantes utilizaram papel japonês de diferentes gramaturas, cola metilcelulose e técnicas de obturação em documentos danificados pelo tempo. A programação também contou com demonstrações de banho em documentos e do processo de laminação, utilizado na recuperação de folhas mais comprometidas.
A museóloga e uma das responsáveis pela oficina, Renata Santos explicou que o projeto busca preservar o acervo de Walter da Silveira e aproximar estudantes e profissionais das práticas de conservação documental.
Segundo ela, a oficina foi pensada para que estudantes de Arquivologia, História, Museologia, Cinema e áreas relacionadas possam ter contato direto com os documentos históricos e com técnicas que muitas vezes não são ensinadas na prática durante a graduação. “A oficina veio com esse objetivo de mostrar na prática como é feito esse processo de restauro aqui na ABI. Além da preservação da memória do cinema baiano, a gente também quer mostrar a importância de conservar esses documentos e ensinar como esse trabalho é realizado”, afirmou.
Renata também destaca que a iniciativa ajuda a dar mais visibilidade ao trabalho de preservação realizado pela Associação Bahiana de Imprensa. “Para a equipe da ABI, esse projeto trouxe uma visibilidade na questão da preservação e dos cuidados que a instituição tem com sua documentação e com todo o seu acervo”, disse.
Participante da oficina, a autônoma Antônia Ramos, que trabalha com eventos e atualmente participa de um projeto no Arquivo Público, contou que a experiência foi importante para relembrar conhecimentos que já tinha aprendido anteriormente e também conhecer novas técnicas.
“Para mim está sendo muito gratificante porque eu já tenho uma base, mas quanto mais conhecimento a gente adquire melhor. Estou revivendo coisas que aprendi há anos e também conhecendo novas técnicas com as trocas entre colegas e professores”, contou.
Antônia explicou que possui um curso técnico realizado há cerca de oito anos, mas comentou que esta foi a primeira vez participando de uma oficina prática de conservação e restauro.
Além das atividades práticas, a oficina também abriu espaço para discussões sobre preservação de memória e conservação de documentos históricos ligados ao cinema e à comunicação na Bahia. O projeto reforça o papel da ABI no cuidado com acervos históricos e na valorização da memória cultural baiana.


