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Mídia empresarial está nua

Emiliano José*

Pode haver jornalismo, cobertura equilibrada se um veículo se manifesta sem arrodeios contra a candidatura do atual presidente?
Estadão (15/05), em editorial, foi cristalino: necessário encontrar um sujeito da direita, distante da tanta sujeira da famiglia Bolsonaro, modo a não permitir a eleição de Lula.

Até aqui, Bolsonaro, o filho candidato, passava bem, com tapete vermelho e tudo.
Fora feita uma maquiagem pela própria mídia.
Chegaram até a torná-lo íntimo: Flávio.
Sem o sobrenome.

Até acontecer Jornalismo, algo desconhecido da grande mídia.
Até o Intercept aparecer.
Mostrar como se faz jornalismo investigativo.
Melou.

A maquiagem melou.
Derreteu.
E o novo velho rosto, simbiose vorcariana bolsonarista, surgiu, num acesso disruptivo, a ocupar as telas, as páginas, as ondas do rádio.
Casa do sem jeito: não havia como esconder.
Fácil sentir no ar o constrangimento.
Por nada, não: é que isso favorecia o Lula.
Pesquisas das últimas horas revelam isso.

Como é impossível cobertura equilibrada, como a mídia comercial atuará como partido político contra o atual presidente, a luta em favor da verdade será muito maior.
Lula sabe disso, certamente.
Todas as forças democráticas e de esquerda, também.

Ganham importância os veículos independentes, os que não admitem a volta à barbárie, golpistas ocupando o poder.
Terão importância, ainda, os jornalistas insurgentes, capazes de nas brechas da mídia empresarial, revelar a verdade.

Será eleição em defesa da.democracia, entendida como modo político a rimar com igualdade.
Democracia a rimar com liberdade.
Com direitos humanos.
Será um ano decisivo para a vida de toda nossa gente.
E um ano, outro, a pôr o jornalismo à prova.

* Emiliano José é Jornalista, escritor, professor. Membro do Conselho Consultivo da Abi.

Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)
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