Notícias

Narrativas do futuro pautam edição especial do AT360 na Arena Fonte Nova

Com apoio institucional da Associação Bahiana de Imprensa, encontro promovido pela ATcom debateu os impactos da inteligência artificial na comunicação, na reputação e na produção de narrativas

A transformação provocada pela inteligência artificial no universo da comunicação esteve no centro das discussões da edição especial do AT360° Geração de Conhecimento, realizada nesta terça-feira (26), na Arena Fonte Nova, em Salvador. Promovido pela ATcom Comunicação Corporativa em parceria com a IAFluence, o encontro celebrou os 10 anos do projeto AT360 e reuniu clientes, parceiros, jornalistas, publicitários e representantes de entidades do setor para refletir sobre os desafios e as possibilidades das novas tecnologias na construção das narrativas contemporâneas.

Com o tema “Narrativas do Futuro — Como dados e IA estão reescrevendo a reputação das marcas e as estratégias de negócios”, o evento contou com o apoio institucional da Associação Bahiana de Imprensa, além de entidades como ABRACOM Bahia, ABERJE Bahia, ABAP Bahia, ABMP, Sinapro Bahia e Grupo de Mídia da Bahia.

Às vésperas de completar 30 anos de atuação, as sócias-diretoras da ATcom, Suely Temporal e Cinthya Medeiros destacaram a trajetória da agência e o propósito do projeto, criado há uma década para estimular debates sobre tendências e transformações no mercado da comunicação.

Foto: Ulisses Dumas

Ao dar as boas-vindas aos convidados, Suely emocionou o público ao falar sobre o significado da empresa em sua trajetória profissional e pessoal. “A maior conquista da minha vida é a ATcom, que pretendo deixar de legado para a sociedade”, afirmou a presidente da ABI.

A jornalista lembrou que o AT360 nasceu com a proposta de ampliar o olhar sobre a comunicação de forma transversal e conectada às mudanças do mundo contemporâneo. Segundo ela, ao longo dos últimos dez anos, o projeto reuniu mais de 500 participantes e cerca de 40 palestrantes de diferentes áreas do conhecimento.

Com a palestra “Dados como Fonte de Criatividade e Reputação”, a head de Inteligência de Mercado da ATcom, Juliana Montenegro, provocou reflexões sobre o impacto da cultura analítica nas profissões ligadas à comunicação e à criatividade. Em uma apresentação marcada por referências à transformação digital e às mudanças culturais provocadas pela IA, Juliana defendeu que a criatividade permanece essencial, ainda que os processos estejam sendo profundamente modificados.

Juliana Montenegro

“A fórmula da criatividade não muda. Criatividade é muito mais que dom. É leitura. Dados são pistas. São histórias que ainda não foram contadas”, afirmou. Para ela, o avanço das inteligências artificiais não elimina o papel humano, mas exige novas competências dos profissionais. “A IA não vai nos substituir, ela é mais um instrumento. Quem sabe ler dados cria antes”, disse.

Durante a palestra, Juliana também abordou o sentimento de insegurança que atravessa o mercado diante da automação crescente de atividades intelectuais e criativas. Segundo ela, o mundo vive uma “era de ruptura”, marcada por transformações profundas na percepção da realidade, na forma como as pessoas acessam conhecimento e nos valores que orientam a sociedade.

Ao refletir sobre o impacto dessas mudanças no jornalismo e na assessoria de comunicação, ela destacou que as novas tecnologias desafiam diretamente áreas tradicionalmente ligadas à apuração factual e à credibilidade. “Não mudou apenas o mercado. Mudou a realidade, o que entendemos como verdade e aquilo que importa para as pessoas”, observou.

Ainda assim, Juliana ressaltou que determinadas capacidades permanecem essencialmente humanas. “O que resiste é a empatia, a adaptabilidade e a capacidade de contar histórias. A emoção continua. O processo é que evolui”, afirmou, ao defender que o uso inteligente de dados pode ampliar a precisão das estratégias sem eliminar a sensibilidade humana.

Na segunda palestra da manhã, o estrategista digital e fundador da IAFluence, Allysson Raia, apresentou reflexões sobre reputação de marcas em ambientes de inteligência artificial e os riscos relacionados às interpretações produzidas por plataformas generativas como ChatGPT, Gemini e Claude.

Raia apresentou a IAFluence como uma plataforma de inteligência GEO e visibilidade em IA, voltada ao monitoramento da forma como marcas são percebidas pelas inteligências artificiais. Segundo ele, as plataformas já interpretam empresas e instituições a partir de conteúdos, fontes, sinais digitais e relações construídas na internet.

“O risco não é apenas não aparecer. É ser interpretado por uma narrativa que você não está acompanhando”, alertou.

Ao longo da apresentação, o especialista explicou como o monitoramento contínuo dessas narrativas pode ajudar organizações públicas e privadas a fortalecer autoridade digital e ampliar presença qualificada nas respostas produzidas pelas IAs.

Além das palestras, os participantes também tiveram acesso a uma experiência exclusiva na Arena Fonte Nova, incluindo visita ao gramado do estádio, em um momento de integração entre convidados, profissionais e representantes do mercado baiano de comunicação.

publicidade
publicidade