A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) recebeu, nesta quarta-feira (27), estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Católica do Salvador (UCSal) para uma aula de campo voltada à história da imprensa baiana, à preservação da memória e aos desafios contemporâneos da comunicação. A atividade proposta pelo professor Chico Araújo reuniu alunos de diferentes semestres, que participaram de uma visita guiada pela sede da instituição, conheceram o Museu de Imprensa e demais espaços culturais.
Durante o encontro, a jornalista e empresária Suely Temporal, presidente da ABI, compartilhou experiências acumuladas ao longo da trajetória profissional, marcada pela atuação em redações baianas e pela experiência em assessoria de comunicação. Ao falar sobre o exercício da profissão, destacou o papel social do jornalista na preservação da memória e na construção da informação pública.
A história da sede da ABI e sua relação com a transformação urbana de Salvador foram apresentadas pelo historiador Pablo Sousa, assistente do Museu de Imprensa. Segundo ele, o prédio da instituição concentra diferentes camadas da história da cidade e do jornalismo baiano.
“É um prédio que tem muita história, muito significado para a cidade, para os jornalistas e para o estado”, afirmou. Pablo explicou que a ABI lutou durante décadas para conquistar uma sede própria e relembrou as tentativas anteriores de construção até a consolidação do Edifício Ranulfo Oliveira, localizado na Praça da Sé. Ele também destacou o contexto histórico da Segunda Guerra Mundial, período em que o imóvel foi projetado com características que permitiriam funcionar como abrigo antiaéreo.
No Laboratório de Restauro e Conservação, a museóloga Renata Santos e a técnica em restauro Marilene Rosa mostraram o dia a dia dos cuidados com os acervos da instituição.
Entre os estudantes, a visita despertou reflexões sobre memória, ética profissional e perspectivas de carreira. Nicholas Costa, 21 anos, aluno do 1º semestre, contou que uma das falas de Suely Temporal mais lhe chamou atenção foi a definição do jornalista como “guardião da memória”.
“Isso ficou muito forte para mim porque a ABI é completamente recheada de memória da cidade, da imprensa local, da arte e da cultura. Existe aqui uma valorização do trabalho manual, dos documentos, livros e registros físicos, algo que o digital não consegue traduzir”, observou.
Nicholas afirmou ainda que a experiência reforçou seu interesse pela escrita e pelas áreas de jornalismo cultural, cidades e telejornalismo. “Estou vivendo uma espécie de degustação do universo da comunicação porque gosto de quase tudo”, disse.
Já a estudante Luana Cerqueira, 20 anos, do 2º semestre, destacou o impacto de conhecer a trajetória da primeira mulher a presidir a ABI. Para ela, a visita ampliou reflexões sobre espaço feminino e liderança na comunicação.
“Isso me fez pensar no meu futuro e perceber que nós mulheres ainda estamos construindo muitos espaços. Ver uma mulher presidindo uma instituição tão importante inspira”, afirmou.
Inicialmente interessada em fotojornalismo, Luana contou que passou a olhar a assessoria de imprensa de outra forma após ouvir o relato profissional de Suely Temporal.
“Muitas vezes as pessoas pensam que assessoria é apenas limpar imagem, mas eu entendi que existe ética profissional, que o assessor também precisa impor limites e valores ao cliente”, avaliou.
Entre os participantes da atividade, a estudante Marília Lomanto, 80 anos, chamou atenção pela trajetória acadêmica e profissional. Advogada, professora universitária e promotora de Justiça aposentada, ela retomou, em 2024, o sonho antigo de cursar Jornalismo.
“O jornalismo sempre me atraiu pelo amor à informação e pela força da comunicação na formação da opinião pública. Eu considero a comunicação um dos maiores poderes da sociedade”, declarou.
Marília também ressaltou a importância da troca de experiências com estudantes mais jovens e classificou o convívio universitário como “esperançoso” e “freiriano”.
“Eu partilho com eles a experiência que acumulei ao longo da vida e eles compartilham comigo as novas tecnologias e novas formas de comunicação. É uma troca preciosa”, afirmou.
Ao final da visita, os estudantes percorreram os espaços históricos da ABI e conheceram parte do acervo documental e artístico preservado pela instituição, reforçando o papel da entidade como guardiã da memória da imprensa e da história política e cultural da Bahia.












