Na última sexta-feira (11), a presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Suely Temporal, e a diretora de cultura da associação, Yara Vasku, se reuniram com representantes da associação artístico-cultural Pivô Salvador, a diretora executiva, Carolina de Sá, e a gerente de projetos da instituição, Estela Santana, numa visitação entre as sedes das instituições.
O encontro é parte do plano de aproximação da ABI às instituições que se conectam ao propósito da associação e se localizam próximas à sede: o Edifício Ranulfo Oliveira, na esquina da Rua Guedes de Brito com a Rua José Gonçalves.
A associação conheceu as atividades da Pivô Salvador e apresentou alguns dos programas institucionais a fim de estruturar, colaborativamente, os pontos de sinergia e pensar projetos futuros. Um dos resultados foi o convite para a próxima visitação da requalificação do Complexo da Ladeira da Misericórdia, projetado por Lina Bo Bardi na década de 1980, uma ação da Prefeitura de Salvador (PMS) em parceria com o Instituto Bardi e a associação cultural Pivô.
“Esse primeiro contato abre uma perspectiva muito positiva de diálogo e aproximação entre duas instituições que valorizam a cultura, a memória e a circulação de ideias. Nos permitiu conhecer melhor nossas atuações e identificar possibilidades de colaboração, conectando comunicação, arte e cultura em iniciativas de interesse da sociedade”, declarou a presidente da ABI sobre a parceria.
Visitando a Pivô Salvador
A visitação teve início na sede da Pivô, o casarão histórico chamado de Boulevard Suiço, ou a casa do Boulevard, situada em Nazaré – Salvador, um marco histórico da cidade. Construída em 1934, ela foi o projeto do pintor baiano Presciliano Silva e do arquiteto Lycério Schreiner, inspirada na arquitetura dos anos da Belle Époque. O artista viveu 31 anos na casa, onde também residia seu atelier, com sua companheira, a pianista e cantora lírica Alice Moniz e a filha do casal, a atriz Maria Moniz, que ainda vive no local.
Ao longo das décadas de 30 a 50, a casa se tornou um ponto de referência na cena cultural da época, ambiente propício para o intercâmbio de ideias e o florescimento da arte. Nos anos 60, ela ganhou destaque ao receber artistas como Tom Zé, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, entre outros. A história dela se estende até os anos 80, quando o espaço se transformou em Atelier Bar, um espaço underground com apresentações de Blues e Jazz. Nos anos 2000, o espaço abrigou uma exposição imersiva e foi cenário de filme.
Atualmente, a casa do Boulevard continua a desempenhar um papel relevante na cena cultural de Salvador por meio de exposições, filmagens e eventos.
Pivô na ABI
Posteriormente, na sede da ABI, a Pivô foi apresentada à equipe da instituição e percorreu os principais espaços da sede. A visita começou pelo hall de entrada, onde está exposto o quadro de Ruy Barbosa feito por Presciliano Silva, bisavô da diretora da Pivô, Carolina. Depois, a visita seguiu para a Biblioteca Jorge Calmon, onde o museólogo Pablo Sousa apresentou parte do acervo da ABI e explicou o trabalho de preservação desenvolvido pela instituição.
O roteiro seguiu para a Sala de Reuniões Afonso Maciel, onde são realizadas as reuniões mensais da diretoria da entidade. Em seguida, visitou a Sala de Cinema Roberto Pires e o Auditório Samuel Celestino, espaço que abriga o acervo de Ruy Barbosa, composto por quadros, documentos e arquivos de relevância histórica.
Durante a visita, todas percorreram as instalações do edifício onde funcionam órgãos da Prefeitura de Salvador, entre eles a Secretaria de Governo (Segov), a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) e a Prefeitura-Bairro Brotas/Centro. A presidente mostrou ainda o espaço compreendido entre o 6º e o 7º andares, onde funcionou o plenário da Assembleia Legislativa da Bahia antes de ser transferida para o atual edifício no Centro Administrativo da Bahia, e o painel de Mário Cravo Jr. que fica na parte externa do prédio.
Ao final da visita, a programação incluiu o Museu de Imprensa da ABI. No local, foram apresentados o acervo documental, responsável por preservar parte significativa da memória do jornalismo baiano, além das iniciativas que o laboratório de restauro propõe.







