Nesta noite de quinta-feira (05), excepcionalmente, a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) promoveu uma Série Lunar especial para o Dia Nacional da Cultura e da Ciência, instituido desde 1970, em homenagem ao nascimento do político, advogado e jornalista brasileiro, Ruy Barbosa, o “Águia de Haia”. O evento começou às 19h, no Auditório Samuel Celestino, com abertura do Quinteto da Bahia, grupo de orquestra formado entre 2019 e 2020, em Salvador, no ambiente acadêmico da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O encerramento foi por conta da casa, com uma apresentação exclusiva de exemplares dos acervos da ABI sobre a vida e obra de Ruy e de Walter da Silvera, jornalista, advogado e crítico de cinema, falecido na mesma data. Nessa noite temática, o Nordeste e a Bahia ganharam destaque ao recordar compositores, diferentes paisagens sonoras e figuras soteropolitanas centenárias.
Yara Vasku, diretora de cultura da ABI, deu as boas-vindas ao evento, agradeceu aos parceiros que o possibilitam, a Emus/UFBA e a Associação Cultural Brasil–Estados Unidos (ACBEU), fez o anúncio da próxima Série Lunar, também em Novembro, no dia 25, próximo à lua cheia, segundo o calendário lunar local. Por fim, chamou ao palco os integrantes do Quinteto da Bahia: Edivonei Gonçalves (violino), Lírida Lima (violino), Laís Guimarães (viola), Ítalo Nogueira (violoncelo) e Rodolfo Lima (contrabaixo).

Para a apresentação inicial, o Quinteto fez o convite, sem retorno, ao público: uma viagem com embarque no sertão e desembarque no recôncavo da Bahia. Nas composições instrumentais, o conceito do itinerário se iniciava no sertão nordestino, com a peça “Voo Seridó”, autoria do contrabaixista Rodolfo Lima, inspirado na ave carcará, até a chegada no recôncavo baiano, com um medley (peça musical contínua que junta trechos de duas ou mais músicas diferentes) de canções populares memoráveis, como “Reconvexo”, de Caetano Veloso.
O grupo tem como objetivo tocar música brasileira, seja ela popular ou de concerto, aproximando os ouvintes através da identificação cultural do território. Por isso, elas foram escolhidas a dedo a fim de memorar a região Nordeste e suas expressões artísticas. Na prática, mais peças tocadas evidenciaram o propósito, entre elas “Eterno cantador”, canção de Luiz Gonzaga.
Entre as novidades trazidas pelo Quinteto, esteve a referência a compositores que ousaram em suas obras: fosse agregando elementos percursivos nas orquestras, como o triângulo, marcante em canções nordestinas, fosse trazendo composições que homenageiam o movimento armorial – iniciativa cultural brasileira idealizada pelo escritor paraibano Ariano Suassuna, em 1970, no Recife (Pernambuco).
O Quinteto da Bahia começou sua história no mestrado de música da UFBA. Com o reconhecimento dos professores, o grupo foi incentivado a continuar em atividade, mesmo após a formação acadêmica, por consideração à conexão entre os integrantes e à qualidade da performance sonora. “A gente continuou fazendo, porque é outra versão de tocar. Somos músicos de orquestra e a orquestra segue certos padrões. A gente decidiu fazer algo diferente”, esclareceu Lírida Lima, violinista do Quinteto e da Orquestra Sinfonica da Bahia (OSBA), natural de João Pessoa.

Posteriormente, com a finalização da apresentação do Quinteto da Bahia, a ABI ainda brindou os convidados com aperitivos e bebidas quentes disponíveis aos interessados. Durante a noite, o encantamento do público com as melodias e os arranjos também se fez presente com a vista do Edifício Ranulfo Oliveira para a Praça da Sé, no Centro Histórico de Salvador.

Realizada pela equipe de conservação e preservação da ABI, Art Marie Rebouças, estagiária de Museologia, e Ian de Santana, estagiário de História, a apresentação da amostra exclusiva de exemplares dos acervos de Walter da Silvera e de Ruy Barbosa deu continuidade ao momento cultural.
A apresentação tornou acessível informações sobre o acervo da Casa Ruy Barbosa, como a história sobre o busto de Ruy Barbosa, material recuperado pela associação, bem como sobre o acervo digital de Walter da Silveira, salvaguardado pela entidade e disponível ao público em walterdasilveira.com.br. Dedicatórias assinadas, imagens de bastidores de longa-metragens e de peças de teatro, além de escritos sobre o cinema brasileiro são alguns dos materiais preservados e pesquisados na ABI.

Este evento integra a programação da Série Lunar, projeto que nasceu da parceria entre a ABI e a Emus/UFBA. Desde 2019, a iniciativa promove concertos com professores, servidores técnico-administrativos e estudantes ligados à instituição, transformando o Auditório Samuel Celestino em espaço de encontro entre a produção acadêmica, a cena musical e o público de Salvador. Em 2026, o projeto tem o apoio da Associação Cultural Brasil–Estados Unidos (ACBEU), parceira que tem contribuído para a manutenção da programação.












