Enquanto aguarda a estreia, em 04 de abril, da série ‘Maria e o Cangaço’ (Disney+), protagonizada por Ísis Valverde e Júlio Andrade, Sérgio Machado se prepara para vir a Salvador participar da homenagem que vai receber na 20ª edição comemorativa do Panorama Internacional Coisa de Cinema. Reconhecido internacionalmente por dirigir filmes de ficção, como ‘Cidade Baixa’ (2005) e, mais recentemente, a animação ‘Arca de Noé’ (2024), o cineasta baiano terá uma mostra especial no festival, com parte da sua produção documental.
O Panorama começa na próxima quarta-feira, 02 de abril, em Salvador e Cachoeira. A mostra que leva seu nome acontece de 03 a 09 de abril. Ele estará presente nas primeiras exibições, e depois parte para a Espanha, onde concorre aos Prêmios Platinos (mais importante premiação de cinema ibero-americano) como diretor de ‘A Arca de Noé’ e roteirista de ‘Cidade de Deus’ (2002).
Durante o festival baiano, serão apresentados os documentários ‘A Luta do Século’ (2016), ‘Neojiba – Música que Transforma’ (2020), ‘3 Obás de Xangô’ (2024) e ‘A Bahia me fez Assim’ (2025). Os dois últimos ainda estão inéditos e serão exibidos pela primeira vez para o grande público.
Assim como a edição comemorativa do Panorama, o ano de 2025 representa também alguns marcos na trajetória de Sérgio Machado, a exemplo dos 20 anos da estreia de ‘Cidade Baixa’, seu primeiro longa como diretor de ficção, bem como consolida sua parceria com os realizadores do evento, Cláudio Marques e Marília Hughes.

“Minha trajetória, de algum modo, se confunde com a do festival e do Cláudio Marques. Nós começamos na mesma época e me lembro dele como jornalista, acompanhando as filmagens no set de ‘Central do Brasil’ (1998), longa que marcou o início da minha vida no cinema _(Sérgio foi diretor de elenco e assistente de direção no filme de Walter Salles)_. Depois disso, participei do festival inúmeras vezes e acho que todos os meus filmes já passaram por aqui. Marília e Cláudio, ao longo dos anos, se tornaram uma referência na Bahia como cineastas e organizadores do festival e, sempre que posso, venho prestigiar”, afirma.
Marília Hughes ressalta a importância do cineasta baiano para o evento: “Sérgio Machado está presente no festival desde a primeira edição, então não poderia ficar de fora da nossa 20ª edição, um Panorama muito especial. A abertura do primeiro Panorama foi com ‘Onde A Terra Acaba’, obra de estreia de Sérgio, que, desde então, realizou grandes filmes, de diferentes gêneros. O recorte no documentário nos interessou, uma vez que, ao longo do tempo, Sérgio tem nos presenteado com uma produção extremamente relevante e que diz muito de nós enquanto território e cultura”
Outra grande parceira do cineasta é Cláudia Lima, diretora da produtora baiana Janela do Mundo, e que atua na divulgação de alguns dos seus filmes já há duas décadas. “Faz 20 anos que lancei o meu primeiro longa de ficção, ‘Cidade Baixa’. Foi nessa época que iniciei uma parceria com Cláudia Lima, o que se tornou fundamental para o sucesso do filme em Salvador. Desde então, criou-se uma relação de trabalho e amizade que resultou em vários filmes, entre eles, os quatro que vão ser exibidos na mostra”, destaca Sérgio.
Claudia Lima enfatiza o olhar de Sérgio Machado para “as coisas da Bahia”: “É muito bom trabalhar, ao longo desses 20 anos, com ele, um diretor consagrado nacional e internacionalmente, que continua interessado nos conteúdos da Bahia. A gente tem isso em comum, o fato de estar sempre pesquisando e olhando coisas da Bahia, que precisam, de alguma forma, ecoar para a própria Bahia, para o Brasil e para fora dele. É muito prazeroso para a Janela do Mundo, uma produtora baiana, ter um parceiro com essa visão, que está no topo do cinema nacional, mas que está sempre aqui, trabalhando com uma equipe local, valorizando os profissionais baianos. Isso é muito importante”.
O Panorama Coisa de Cinema acontece entre 2 e 9 de abril em Salvador e entre 2 e 6 de abril em Cachoeira. Mais informações: panorama.coisadecinema.com.br .
DOCUMENTÁRIOS DA RETROSPECTIVA SÉRGIO MACHADO
- ‘A Bahia me fez Assim’ (2025), ainda inédito, com direção musical de Alê Siqueira, apresenta encontros entre artistas de diferentes gerações – Rachel Reis, Afrocidade, Iuri Passos, Larissa Luz, Attooxxa, Ganhadeiras de Itapuã, Yayá Muxima, Tiganá Santana, Ilê Aiyê, entre outros – e acompanha o processo de elaboração de releituras para composições clássicas da Bahia. Terá sua primeira exibição no Panorama.
- ‘3 Obás de Xangô’ (2024) aborda a icônica amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé e mostra como a união desses três gênios ajudou a construir a identidade da Bahia como é conhecida hoje em dia. Foi premiado no Festival do Rio, Mostra de São Paulo e Festival de Tiradentes, está iniciando uma trajetória em festivais internacionais, e será lançado nos cinemas nos próximos meses.
- ‘Neojiba – Música que Transforma’ (2020), dirigido em parceria com George Walker Torres, sobre a trajetória do Neojiba (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia), um dos mais bem sucedidos projetos de inclusão social do Brasil. Foi lançado e premiado no Panorama Coisa de Cinema, bem como no festival musical In-Edit.
- ‘A Luta do Século’ (2016), premiado como melhor documentário no Festival do Rio, mostra a maior rivalidade da história do boxe brasileiro, entre os pugilistas pernambucano Luciano Todo Duro e baiano Reginaldo Holyfield. Uma curiosidade é que Sergio Machado está transformando essa história em um filme de ficção.
PROGRAMAÇÃO:
- ‘A Bahia me fez Assim’ (2025): 04/04, 16h30, Cine Theatro Cachoeirano; 18h, Cine Glauber Rocha, sala 1; 09/04, 14h10, Cine Glauber Rocha, sala 2
- ‘3 Obás de Xangô’ (2024): 03/04, 18h, Cine Glauber Rocha, Sala 1; 05/04, 15h, Sala Walter da Silveira
- ‘Neojiba – Música que Transforma’ (2020): 04/04, 15h, Sala Walter da Silveira; 08/04, 21h20, Cine Glauber Rocha, sala 2
- A Luta do Século (2016): 03/04, 15h, Sala Walter da Silveira; 09/04, 21h25, Cine Glauber Rocha, sala 4.