Na manhã desta quarta-feira (16), a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) recebeu uma turma de estudantes de Jornalismo da Faculdade de Comunicação (Facom) da UFBA para uma aula aberta, ministrada pela presidente da associação, Suely Temporal, com o tema “Mulheres no Jornalismo”. A conversa aconteceu durante uma visitação à sede da ABI, no Edifício Ranulfo Alves. A atividade é parte da disciplina “História do Jornalismo”, ministrada pelo professor Fernando Conceição.

A realidade da violência de gênero no Jornalismo
No auditório, a presidente propôs uma conversa sobre a história das mulheres no mercado jornalístico, ressaltando a luta por voz, espaço e poder de decisão numa comparação ao gênero masculino.
“Nós estamos conversando sobre protagonismo, não sobre existência, porque as mulheres sempre existiram no Jornalismo. Elas, durante muito tempo, ou foram invisibilizadas ou não conseguiram alçar cargos de liderança. Não por falta de merecimento, mas apenas por serem mulheres”, afirma Suely.
Em 2025, a ABRAJI publicou o relatório “Ataques gerais e violência de gênero contra jornalistas no Brasil” que registrava 204 alertas de ataques contra jornalistas e meios de comunicação no Brasil. A violência de gênero esteve presente em 15,2% dos alertas. Mulheres representaram 30,2% das vítimas com gênero identificado. Entre os alertas com violência explícita de gênero, 77,4% envolveram comentários machistas, misóginos ou LGBTfóbicos, enquanto 16,1% corresponderam a atos discriminatórios diretos.

Ao abordar os desafios de cada geração dentro da profissão, Suely mencionou a atual transformação da prática jornalística por causa da inteligência artificial, das redes sociais, das novas formas de desinformação, dos influenciadores digitais como novos formadores de opinião e das formas emergentes de produzir e distribuir informação. “Mas há coisas que continuam essencialmente humanas: curiosidade, capacidade de perguntar, escuta, ética, coragem, sensibilidade e compromisso com a verdade factual”, defendeu.
A programação propôs orientar e trocar experiências entre profissionais da comunicação e estudantes recém chegados ao ambiente acadêmico. Também busca aproximar a ABI às universidades e incentivar conversas relevantes para o futuro do Jornalismo e dos profissionais em formação.
Sobre a visitação
A visita teve início no Museu de Imprensa, localizado no térreo do Edifício Ranulfo Oliveira, no Centro Histórico de Salvador. Depois, os convidados visitaram a Sala Afonso Maciel, onde a presidente discorreu sobre o propósito da associação. Durante o momento, o historiador Pablo Sousa, assistente do Museu de Imprensa, contou a história da ABI e em seguida apresentou a Biblioteca de Comunicação Jorge Calmon. Ao final, os estudantes se reuniram no auditório, com Suely Temporal, para a aula aberta.


