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Confusão durante entrevista repercute entre jornalistas baianos

Episódio ocorreu em rádio de Vitória da Conquista; organizações locais realizaram um ato de repúdio contra os comunicadores envolvidos

Um episódio lamentável chamou a atenção da sociedade e dos comunicadores de Vitória da Conquista, na última segunda-feira (21/03). Durante uma entrevista na Rádio Clube FM, os radialistas Humberto Pinheiro e Washington Rodrigues, apresentadores do programa Sudoeste Agora, discutiram com as entrevistadas da edição, as professoras Elenilda Ramos e Greissy Leoncio Reis. A confusão se agravou no decorrer da conversa e o episódio gerou uma série de manifestações contra a atitude dos entrevistadores. As docentes são dirigentes do Sindicato do Magistério Municipal Público de Vitória da Conquista (SIMMP). Entidades locais realizaram um ato na manhã de hoje (25/03).

Ao responder a pergunta dos apresentadores sobre a nova portaria assinada pelo presidente Jair Bolsonaro – que aumenta o piso salarial para os professores da Educação Básica – a professora Elenilda afirmou que o presidente “não fez isso porque é bonzinho”, mas foi interrompida por um dos apresentadores. Humberto Pinheiro declarou haver por parte delas uma “injustiça” quanto à análise feita da atuação do governo federal. A discussão começou a escalonar e terminou com os radialistas expulsando as duas entrevistadas do estúdio aos gritos. Durante a briga, Humberto e Washington também realizaram críticas pessoais às sindicalistas e as chamaram de “militantes”. 

O SIMMP repercutiu uma nota de repúdio sobre o caso em suas redes sociais, onde se afirma que a atitude dos comunicadores foi uma total “falta de profissionalismo e doses cavalares de machismo e tentativa de silenciamento às professoras”.

Os profissionais de comunicação da cidade também demonstraram apoio às sindicalistas. Em uma nota de repúdio assinada por 21 jornalistas e publicada nos veículos locais, se afirma que “atos misóginos atacam diretamente a nossa categoria, formada por muitas mulheres, que estão, principalmente, no processo de produção”, criticam os jornalistas. 

“Com relação à Rádio Clube, é de conhecimento da sociedade conquistense que nos últimos anos a emissora, por intermédio destes dois comunicadores, virou palco de disseminação de mentiras a respeito de diversos temas, sobretudo ligados à saúde, como a defesa de medicamentos sem comprovação científica para suposta cura da Covid-19”, continua o documento, afirmando ainda que os dois comunicadores fazem um “uso ideológico da rádio”. 

Segundo Washington Rodrigues, antes do fechamento do programa, houve um pedido de desculpas aos ouvintes pela briga. No entanto, o radialista reitera que o equívoco foi de ambas as partes. “As professoras vieram com a intenção de arrumar confusão. Já haviam feito acusações graves aos apresentadores antes, no sentido de que eles são pagos. Elas já chegaram exaltadas e houve também uma exaltação por parte dos apresentadores”, argumenta. “Não tem nada a ver com machismo, com misoginia. Foi uma discussão entre seres humanos, e que era anterior [ao caso]”. 

Para o jornalista e radialista Ernesto Marques, presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), o ocorrido não pode ser considerado uma entrevista e não há defesa para a atitude dos comunicadores. “Ninguém pode em lugar algum, em circunstância nenhuma, tratar outra pessoa daquela forma”, declara. O presidente da ABI pede cautela em relação ao julgamento feito quanto à Rádio Clube FM, uma das mais tradicionais do município. 

“No caso específico da Rádio Clube, tenho uma preocupação especial, porque tenho convicção de que as empresas de comunicação, especialmente as mais antigas, têm uma coisa que as distingue de todas as outras empresas. Quando uma empresa dessa morre, uma parte da identidade da gente morre também. A Rádio Clube de Conquista tem muito isso. Ela é uma das empresas mais importantes de comunicação baiana. Inclusive por ter sido a rádio que fez de Herzem um fenômeno da comunicação”, completa o radialista, referindo-se ao jornalista e radialista Herzem Gusmão, ex-prefeito de Vitória da Conquista.

Manifestação – Às 8h desta sexta-feira (25) ocorreu um ato público, promovido pelo Fórum Sindical e Popular de Vitória da Conquista, em frente à Câmara Municipal do município. Segundo informações veiculadas nas redes sociais, o ato é uma manifestação contra o desrespeito e ataques ao exercício e ao direito de informação e expressão.