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Copa divide brasileiros entre entusiasmo e revolta

Para a alegria ou para a revolta da população, a Copa do Mundo no Brasil começa hoje. Jornalistas do mundo inteiro estão mobilizados para cobrir o evento cuja cerimônia de abertura está marcada para as 15h desta quinta-feira (12), no Itaquerão (SP). Cerca de 20 mil profissionais de TV, rádio, jornal e internet devem circular pelo país, um recorde de todas as Copas. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), apenas 20% são brasileiros. No Riocentro, a Fifa montou um centro de mídia credenciada, com redações e estúdios para quem detêm os direitos das transmissões. Em meio ao material de trabalho dos correspondentes de agências como a AFP, há um colete à prova de balas, o mesmo utilizado na cobertura de guerras em muitos países.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters
Foto: Paulo Whitaker/Reuters

No Brasil, o povo se divide entre o entusiasmo e a revolta com o Mundial. Para alguns, o evento é um símbolo de tudo o que está errado com o governo. Mesmo os apaixonados pelo futebol desaprovam os gastos com estádios, considerados um “desperdício” em meio a tantos investimentos necessários nas áreas de educação e saúde. E muita gente vê o Mundial como um evento elitista, que deixou o povo do lado de fora, por causa dos preços proibitivos dos ingressos. Nem a cúpula do governo descarta uma reação negativa por parte da torcida.

Para evitar vaias durante a abertura do evento, a presidente Dilma Rousseff será blindada. No ritual definido pela Fifa, não haverá discursos nem declaração oficial de Dilma. Nem sequer a apresentação de autoridades, incluindo a presidente, estava prevista no cronograma da abertura que circulou nesta quarta (11) no governo. Isso tudo para evitar o mesmo constrangimento da Copa das Confederações de 2013, quando, as boas-vindas às autoridades brasileiras presentes, arrancou uma sonora vaia da plateia, ao mencionar o nome Dilma – posicionada ao lado do presidente da Fifa, Joseph Blatter.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Em junho passado, as pessoas foram às ruas porque estavam cansadas da situação do país. Cerca de 40 milhões ascenderam à classe C em 12 anos via consumo, mas eles não cabem no transporte público, nos hospitais… Cada indivíduo, grupo, centena ou milhar tinha razões até bastante comuns para estar ali. No primeiro dos quatro protestos marcados para hoje em São Paulo, houve confronto entre manifestantes e policiais. Em ato anti-Copa marcado para as 10h próximo à estação Carrão do metrô, a PM dispersou manifestantes com o uso de bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e balas de borracha. Jornalistas estrangeiros acompanhavam o protesto.

No entanto, para quem torcia por um novo ‘tsunami’ neste ano de Copa e eleições, a coisa vai mal. Há quem acredite que não dá para misturar futebol e política. A hora, então, seria de torcer pelo Brasil e dar uma força para a seleção, apesar da decepção com os atrasos nas obras e a insatisfação com a economia em marcha lenta. Mesmo porque, defendem, agora não dá mais tempo de mudar. Resta agora torcer pelo Brasil.

*Informações de Fernando Cazian e Patrícia Campos Mello para a Folha de S. Paulo, com Correio Braziliense.