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Entre risos e choros, a arte de Bruno Aziz

Baiano vencedor de prêmio internacional de artes gráficas fala sobre suas influências e aprendizados

Uma imagem vale mais que mil palavras e Bruno Aziz consegue expressar mais de mil imagens em uma tirinha. O chargista baiano foi vencedor na categoria HQ/Tirinhas da 48ª edição do tradicional Salão Internacional de Piracicaba, um dos principais eventos de artes gráficas do mundo. 

“É importante porque é um salão icônico, com mais de meio século. É um salão que passou todo mundo que ficou conhecido, Angeli, Laerte, só nomes importantes da arte”, comenta Aziz. Esse é o seu primeiro prêmio internacional, que se junta ao reconhecimento da Secretaria de Educação do Governo da Bahia, concedido em 2014, por seu trabalho como autor e ilustrador do livro infantil “O ponto no céu”.

Foto: Sandra Travassos

A tira vencedora expressa a linha que vem desenvolvendo o seu trabalho, entre o triste e o bem humorado. “A HQ tem um traço mais lúdico, mas na verdade é uma história pesada. Muito simples, mas muito triste, porque expõe uma hipocrisia. Isso é uma marca do meu trabalho”. Há mais de 40 anos no mercado de trabalho, Azizi é atualmente ilustrador no Jornal A Tarde e atua como artista gráfico de forma independente. 

Agora, ele integra, junto com seus colegas de redação Simanca e Cau Gomez, o lugar de quadrinista baiano já reconhecido pelo salão de Piracicaba. Mas a trajetória nessa forma de arte vem desde antes. “Os quadrinhos são uma influência muito forte na minha vida desde cedo. Eu sou da geração que  veio do pós ditadura militar. Acompanhava [os cartunistas], ia comprar em banca o Laerte, Angeli, o Glauco, Chiclete com Banana. Isso influencia não só o trabalho, mas minha forma de ver o mundo”, reflete.

O Salão Internacional é uma iniciativa criada em 1974, em meio à ditadura, idealizada por jornalistas, artistas e intelectuais. A edição deste ano selecionou obras de 349 artistas vindos de 49 países diferentes. Entre os mais de 2 mil trabalhos recebidos, a organização do concurso destacou a predominância dos temas voltados à pandemia, política, redes sociais e crise dos refugiados. 

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