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Especialista detalha o mercado de drones e as exigências para a pilotagem profissional

Em voos acima de 400 pés (121 metros), mesmo o equipamento com menos de 25 kg, o piloto deve ter licença, habilitação e um certificado especial. Para quem deseja se profissionalizar no uso de drones para a captação de imagens aéreas, Márcio Santos dá um conselho. “Drone não é brinquedo!”, exclama.

A pilotagem de drones profissionalmente está longe de ser uma tarefa fácil. Em voos acima de 400 pés (121 metros), mesmo o equipamento com menos de 25 kg, o piloto deve ter licença, habilitação e um certificado especial. A operação só pode ser feita a 30 metros entre o veículo e pessoas não envolvidas no voo. Além disso, os equipamentos precisam não operar nas zonas de aproximação e decolagem de aeródromos. É também proibida a utilização de aeromodelos motorizados próximos às áreas ou instalações urbanas sensíveis a ruído, como hospitais, templos religiosos, escolas e outros. Essas são as regras básicas, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), órgão federal responsável por supervisionar e normatizar a atividade de aviação civil no Brasil. 

Márcio Santos, produtor em audiovisual com experiência de 30 anos, alerta sobre os inúmeros documentos necessários para quem quer se profissionalizar na área. Segundo ele, são seis: Seguro Obrigatório, Registro da ANATEL, ANAC, Manual de Voo, Solicitação de Voo Aprovada do SARPAS (Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas) e um documento de Avaliação de Risco Operacional. “Todos esses papéis têm que acompanhar o piloto durante a operação”, detalha um dos pioneiros em operação de drones na Bahia. 

O modelo de drone tal como conhecemos hoje foi desenvolvido em 1977 por Abraham (Abe) Karem, engenheiro espacial israelita. Na época, eram necessárias 30 pessoas para controlar um único veículo. Atualmente, o uso do instrumento está classificado em dois diferentes tipos de uso: o recreativo e o profissional. No uso recreativo, enquadram-se atividades como filmar viagens e lugares diversos vistos de cima; já o uso profissional é aquele realizado para filmagens de longa-metragem, podendo ser utilizado em mapeamento agrícola, monitoramento geográfico, dentre outros fins. 

Para uso recreativo, a procura por drones quase triplicou. A ANAC regulamentou o uso dos drones, no entanto, irá rever as regras devido ao desenvolvimento no setor. Desde a regulamentação, em 2017, 40 mil equipamentos foram registrados, e mesmo com algumas restrições do uso por empresas, o órgão considerou o crescimento um saldo positivo para o desenvolvimento da aviação civil. Para uso profissional, entre 2018 e 2019, o registro de drones teve um aumento de 51%. Saltou de 18.389 para 27.665.  

O mercado além do mercado 

Além das vendas diretas de drones, existem também outras áreas de mercado dentro do atual e amplificado sistema de comercialização de veículos aéreos não tripulados (e que continua a crescer). Dois exemplos chamam atenção: a formação técnica de pilotos e co-pilotos de drones, bem como o interesse de outros públicos, não apenas homens da área audiovisual. 

Em uma busca através do Google Trends, é possível verificar que a procura pelos termos “curso para pilotos de drones” e “curso de drones” no Google Pesquisa oscilou entre nenhuma e cem buscas no mês de outubro, por exemplo. Justamente naquele período, a empresa “Semear Innovation”, espaço de coworking de Belo Horizonte, realizou um curso de formação de pilotos de drones DJI para iniciantes. Na busca “curso de drone”, o estado que vence o ranking de interesse por região é o Pará. As informações dialogam com o que afirma Márcio Santos: as escolas de formação em pilotos e co-pilotos de drones ainda são raras no Brasil.

Gabriel Andrade, diretor-chefe de Tecnologia da DronesApps, conta que a startup de tecnologia surgiu a partir da necessidade de dar identidade de pessoa jurídica ao Projeto Arena Drones ocorrido nos anos de 2015 e 2016, que teve como objetivo “planejar o desenvolvimento, implementação e integração da inovadora tecnologia dos drones no Estado da Bahia”. Sua empresa atua na prestação de serviços de inspeção, fiscalização, monitoração e mapeamento de ambientes externos ou internos, utilizando aeronaves remotamente pilotadas (drones) e tecnologias da informação e comunicação (TICs). 

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Já Márcio Santos criou a MSTV Soluções em Audiovisual, uma empresa especializada em vídeos para produtos, vídeo clipes de banda, programas de televisão, dentre outros serviços. Através da MSTV, montou cursos para turmas corporativas, já ministrou curso para turmas em instituições filantrópicas, emissoras de TV, além de ser colaborador do Curso de Operador de Aeronaves Remotamente Pilotadas (Corpas), promovido pelo Grupamento Aéreo (Graer) da Polícia Militar da Bahia, curso reconhecido pelo Ministério da Defesa. Em outubro, o Blog do Leo Santos noticiou que policiais do Esquadrão Falcão finalizaram o Corpas. Segundo o jornalista, o uso da “ferramenta tecnológica [drone] nas atividades da autarquia, ganha papel de destaque em ações de fiscalização”. 

Para quem deseja se profissionalizar no uso de drones para a captação de imagens aéreas, Santos dá um conselho. “A primeira coisa é ter consciência que drone não é brinquedo!”, exclama. E disso Larissa Primo tem certeza. A estudante de cinema e audiovisual é videomaker e diretora de fotografia em trabalhos freelancers. Por falta de dinheiro para investir em um curso de pilotos e de oportunidade na área do audiovisual, Larissa começou a fazer aulas com o pai, o produtor em audiovisual Dior Silva, a fim de garantir o investimento em sua faculdade. Segundo ela, a diária de uma captação de imagem aérea, mesmo fora da altura considerada como uso profissional, supre essa necessidade. 

Enquanto não consegue custear as despesas da formação em pilotagem de drones, ela segue conduzindo o veículo dentro dos limites do uso recreativo. A expectativa de Larissa em se profissionalizar é grande e ela vem juntando dinheiro, já que o valor médio de um curso intensivo como o da DronesApps é de R$ 1.000,00. “Estou ciente da necessidade da regulamentação e dos valores, mas, com toda a realidade de desemprego que vem acontecendo no Brasil, a maior parte do dinheiro que eu recebo vai para ajudar na minha casa”, afirma.

*Edição: Joseanne Guedes