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Fotojornalismo baiano perde o talento de Luciano Andrade

Por Simone Ribeiro

Foi a paciência que deu a Luciano Andrade o Prêmio Esso de fotografia de 1985. Ano da redemocratização. Luciano de campana no Congresso Nacional. Esperou até que capturou o “instante decisivo”, o flagrante do “pianista”.

Prêmio Esso 1985: Em “Fraude Em Votação”, Luciano Andrade denunciou parlamentares que votavam por colegas ausentes

O conceito criado por Henri Cartier-Bresson (1908-2004) foi lembrado pelo fotógrafo Xando Pereira ao falar do amigo e parceiro, morto nesta terça-feira (23), vítima de um câncer de próstata, segundo informou a família. O corpo será cremado no Jardim da Saudade.

“Luciano foi uma pessoa muito importante na minha vida, fizemos trabalhos juntos, e ele tinha aquela paciência que todo repórter fotográfico tem que ter. As fotos dele falam, são mais tranquilas, parece que ele não está presente, que os personagens estão ali sem vê-lo, ele tem muito de Cartier Bresson, a tranquilidade dele é impressionante”.

Luciano atuou como cinegrafista na década de 70 e trabalhou com cinema 35mm. Dedicou-se à fotografia jornalística nos veículos A TARDE, onde foi editor de fotografia (2006/2007) e Tribuna da Bahia, além das principais redações do país: Folha de São Paulo, Isto é, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, Veja, Carta Capital. Recebeu os prêmios fotográficos Abril(1983), Nikon e Esso (ambos em 1985). Em 2009, lançou o banco de imagens Photobahia.

Nas redes sociais, a fotógrafa Margarida Neide falou com admiração do colega, que ela conheceu no período em que trabalhou na Tribuna, antes mesmo de entrar para a faculdade. “Já era considerado um grande profissional”. 

A jornalista Amália Casal Rey, diretora da ABI, comentou: “Grande perda. Luciano Andrade deixa uma lacuna e um grande exemplo como profissional e ser humano”. A jornalista Mariluce Moura também manifestou sua tristeza em relação à partida do fotógrafo e lembrou uma geração de talentos.

“Meu amigo e doce colega, grande fotógrafo, prêmio Esso de fotografia de 1985!!! Éramos então todos (Bob Fernandes, Eliane Cantanhede, José Negreiros, Teodomiro Braga, Dodora Guedes, falecida, Vanda Célia, Kleber Praxedes, Gilberto Dimenstein, falecido, Tania Fusco, Teresa Cardoso, Fernando Martins, José Varela, grande fotógrafo também já falecido, Sergio Leo, Nelson Torreão, Maria Luiza Abott, Ney Flavio, Kido Guerra, falecido, Rodolfo Fernandes, falecido, Carolina Fernandes, e tantos, tantos outros bons jornalistas, sob o comando de Ricardo Noblat e João Santana) profissionais da sucursal de Brasília do JB. Tempos animados da redemocratização, com os “pianistas” do Congresso aprontando suas fraudes e Luciano tentando, tentando, até que conseguiu flagrá-los!!!”

Bob Fernandes escreveu: “Queridíssimo amigo de décadas, parceiro de centenas de reportagens. Na Veja, JB, Folha, Isto É, Carta Capital, e no Canal no YouTube. Excepcional fotógrafo, fotojornalista, amigo. Solidariedade e carinho para família e amigos”.

Em 2017, no Dia do Jornalista (7 de abril) Luciano Andrade participou de uma homenagem aos grandes Mestres do Fotojornalismo, numa iniciativa do Sinjorba com as Faculdades FTC.