Teve início nesta segunda-feira (11), na sede da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), a oficina de Conservação e Restauro do projeto “Walter da Silveira: Acervo Digital – Etapa 2”. Realizada no Auditório Samuel Celestino, na Praça da Sé, a atividade reúne estudantes, pesquisadores, profissionais e interessados na preservação de acervos históricos, promovendo formação técnica e reflexão sobre a importância da memória cultural baiana.
Viabilizada pela Lei Paulo Gustavo, a oficina utiliza documentos originais do acervo de Walter da Silveira como base para as atividades práticas de higienização, diagnóstico e conservação documental. Considerado um dos principais nomes da crítica cinematográfica brasileira, Walter da Silveira teve papel decisivo na formação do pensamento cinematográfico na Bahia e no Brasil. Fundador do Clube de Cinema da Bahia, nos anos 1950, ele influenciou gerações de cineastas e intelectuais, ajudando a consolidar um ambiente fértil para o surgimento do cinema moderno baiano e para a valorização do audiovisual como expressão cultural e política.
Seu legado atravessa a história do cinema nacional. Foi mentor intelectual de realizadores como Glauber Rocha e figura central na construção de uma cultura cineclubista no estado, tornando a Bahia um dos polos mais ativos do debate cinematográfico brasileiro no século XX. O acervo preservado reúne milhares de documentos, entre críticas, correspondências, fotografias, recortes de jornais, anotações e materiais relacionados à história do cinema baiano.
A abertura da oficina contou com uma apresentação sobre a trajetória da ABI e sua atuação na preservação da memória da comunicação e da cultura na Bahia. O historiador Pablo Sousa, assistente do Museu de Imprensa, apresentou parte do acervo histórico da entidade e falou sobre os trabalhos de conservação desenvolvidos com jornais, fotografias e documentos raros ligados à imprensa baiana.
Durante o encontro, Pablo também destacou a relevância histórica do acervo Walter da Silveira e o impacto da preservação documental na manutenção da memória audiovisual do estado.
O projeto “Walter da Silveira: Acervo Digital – Etapa 2” foi desenvolvido por Cyntia Nogueira e Manuela Muniz, com suporte técnico de Júlia Batista. A iniciativa tem como proponentes responsáveis Renata Santos e Cyntia Nogueira, reunindo ações de preservação, digitalização e difusão do acervo.
Roteirista, diretora, preservadora audiovisual e produtora executiva do projeto, Júlia Batista ressaltou que a oficina busca também ampliar a formação de profissionais na área da preservação audiovisual e documental.
Segundo ela, além da conservação do próprio acervo, a proposta é contribuir para a capacitação de pessoas aptas a atuar na preservação audiovisual baiana, fortalecendo a memória cultural e o patrimônio histórico do estado.
As atividades práticas do primeiro dia foram conduzidas pela restauradora Marilene Rosa. Os participantes conheceram materiais utilizados em processos de higienização e conservação documental, além da ficha de diagnóstico empregada na identificação de danos e necessidades específicas de cada peça do acervo.
A etapa inicial foi dedicada às técnicas de limpeza a seco, ao uso de materiais específicos para documentos históricos e às orientações sobre manuseio adequado e conservação preventiva, fundamentais para evitar deteriorações futuras.
Estudante do terceiro semestre de Arquivologia da Universidade Federal da Bahia, Alexandra Marques destacou a importância da experiência para sua formação acadêmica e profissional.
“Hoje foi interessante porque é uma área que eu ainda não conhecia profundamente. Talvez até já praticasse alguns cuidados sem saber exatamente os procedimentos corretos. Estou ansiosa pelos próximos dias”, afirmou.
A programação segue até quinta-feira (14). Nesta terça-feira (12), os participantes terão contato com técnicas de pequenos reparos e restauro, incluindo tipos de papéis utilizados na restauração, desmontagem de livros e preparação da cola MC (Metil Celulose). As atividades serão conduzidas por Renata Santos e Marilene Rosa.
A oficina também contará com práticas de banho em documentos avulsos, procedimento utilizado nos processos de higienização e preservação documental, ampliando a experiência técnica dos participantes no cuidado com acervos históricos.


