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Recorrência de ataques a profissionais da imprensa preocupa entidades

Virou rotina, principalmente no período de enfrentamento à Covid-19, assistir a cenas de violência contra profissionais da imprensa no Brasil. Dessa vez, o alvo foi uma equipe de reportagem da TV Integração, afiliada da Rede Globo em Minas Gerais. Associações e sindicatos se manifestaram contra as agressões sofridas pelo repórter cinematográfico Robson Panzera.

Virou rotina, principalmente no período de enfrentamento à Covid-19, assistir a cenas de violência contra profissionais da imprensa no Brasil.  Dessa vez, o alvo foi uma equipe de reportagem da TV Integração, afiliada da Rede Globo em Minas Gerais, atacada nesta quarta-feira (20). Associações e sindicatos se manifestaram contra as agressões sofridas pelo repórter cinematográfico Robson Panzera, através de notas de repúdio que poderiam – com uma troca de nomes – ter sido reaproveitadas de episódios recentes. A recorrente abordagem violenta contra trabalhadores da notícia tem preocupado entidades profissionais, por representar, em última análise, uma ameaça à democracia.

Robson Panzera fazia imagens externas da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena, para uma reportagem sobre o surto de Covid-19 entre militares, quando Leonardo Rivelli desceu do carro e passou a agredir o profissional. O agressor, um empresário local do ramo alimentício, de 54 anos, atingiu Robson com o tripé da câmera e chutou os equipamentos já no chão, enquanto o repórter tentava reaver o material e se defender dos golpes. A jornalista Thaís Fullin, que acompanhava Robson Panzera na cobertura, registrou o momento da agressão que deixou o cinegrafista com fratura do dedo e cortes na mão.

Leonardo Rivelli foi conduzido à delegacia e liberado após o pagamento de fiança | Foto: Reprodução/TV Integração

Segundo reportagem do R7, a Polícia Civil de Barbacena informou que Rivelli foi preso em flagrante e levado para a delegacia para prestar depoimento, sendo liberado depois de pagar fiança. Ao G1, o advogado de Rivelli, Pedro Possa, disse que o cliente preferiu não se pronunciar. O profissional também informou que a defesa irá se manifestar somente em inquérito ou em um possível eventual processo.

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Além de publicar um relato no próprio Instagram, Thaís Fulin explicou o episódio a Guilherme Amado, da revista Época. “O agressor passou de carro xingando e filmando o cinegrafista. Até estamos acostumados com os xingamentos, infelizmente”, disse. No vídeo divulgado por ela, a repórter pergunta ao agressor “o que é isso, velho? A câmera é cara. Você tá doido? (sic)”.

“O momento atual já demonstra um descompasso político, econômico e social no Brasil que, somados a uma pandemia, não torna fácil o trabalho para nenhum profissional. No entanto, nós, profissionais da impresa, temos sofrido agressões diárias pelo simples exercício de disseminar a informação”, lamentou Thaís em post no Instagram:

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Hoje, eu e o repórter cinematográfico Robson Panzera sofremos agressão durante o nosso trabalho para aTV Integração, afiliada da Rede Globo. @robsonpanzera @tvintegracao O momento atual já demonstra um descompasso político, econômico e social no Brasil que, somados a uma pandemia, não torna fácil o trabalho para nenhum profissional. No entanto, nós, profissionais da impresa, temos sofrido agressões diárias pelo simples exercício de disseminar a informação. Até quando continuaremos sofrendo com esta ignorância que beira a censura?! Até quando nós, profissionais da imprensa, continuaremos sendo historicamente agredidos?! Sim, não são tempos fáceis para ninguém, mas só o que pedimos é respeito para que possamos exercer nossa profissão, que, apesar de não agradar a toda a população, é de extrema importância para que a informação chegue a todos. #NãoVamosNosCalar

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Repúdio

Diversas entidades enviaram notas de repúdio e também de solidariedade para a TV Integração. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) disse que repudia o ocorrido. No texto, a associação diz que “nada justifica tamanha violência contra um cidadão, em especial, quando se trata de um profissional da imprensa, em pleno exercício da atividade jornalística”. A associação também pede às autoridades “uma rigorosa apuração do caso e punição do agressor”.

O Sindicato de Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e a Federação Nacional dos Jornalistas também soltaram nota na qual manifestam “total repúdio e indignação contra mais um ato de violência praticado contra um profissional da imprensa”. As entidades prestaram solidariedade à equipe da TV Integração e a toda a categoria, e lembrou que não se trata de um ato isolado.

Profissionais de imprensa da região do Campo das Vertentes emitiram uma nota de repúdio sobre o ocorrido. Segundo pronunciamento, “é com indignação que os veículos de Barbacena e região receberam a notícia que a equipe da TV Integração foi alvo de agressões físicas”. Segundo os profissionais, “discordar faz parte do jogo democrático, a imprensa nunca foi e nunca será imune ao erro, por mais que use critérios rigorosos na apuração através de seus manuais de redação. Para toda insatisfação, há a pluralidade […] A agressão nunca é alternativa”.

A Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt) também emitiu nota repudiando a agressão. A associação lembrou que “o numero de agressões contra profissionais de imprensa subiu 54, 07% de 2018 para 2019, sendo o Sudeste a região com mais casos registrados. A entidade não aceita que mais casos como este fiquem impunes em nosso país e pede que as autoridades tomem todas as medidas cabíveis para mudar esse cenário”.

*Com informações do G1/TV Integração.