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O último adeus a Maurício Azêdo

Foi enterrado na tarde deste sábado, 26 de outubro, no Cemitério São Francisco Xavier, Zona Norte do Rio de Janeiro, o corpo de Maurício Azêdo, Presidente da ABI. O jornalista, de 79 anos, faleceu em decorrência de uma parada cardíaca na última sexta, dia 25, enquanto estava internado no Hospital Samaritano. O velório, celebrado no Memorial do Carmo, reuniu políticos, colegas de profissão e admiradores da trajetória de Azêdo, que dedicou sua vida à defesa da liberdade de expressão e dos direitos humanos.

Amigos e familiares prestaram suas últimas homenagens a Azêdo. O diretor de arte e cultura da ABI, Henrique Miranda Sá Neto, lembrou da amizade de mais de 60 anos com Maurício Azêdo. “Ele é um exemplo a todas as gerações, como profissional e como cidadão. O desaparecimento dele deixa uma lacuna para todos nós”, disse emocionado.

Para Mário Augusto Jakobskind, diretor da Comissão de Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI, Maurício Azêdo marcou seu nome na história do jornalismo brasileiro. “Ele foi um exemplo de jornalismo combativo. Ele se foi, mas suas bandeiras continuam sendo erguidas pela ABI, que segue adianta com a memória do que ele representa para nós”, conta.

O jornalista Daniel Mazola, também integrante da Comissão de Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI, relembrou sua atuação mais recente. “Maurício Azêdo sempre esteve ao lado dos interesses populares, atendendo à demanda da população. Nunca se esquivou das lutas necessárias, especialmente nos dois últimos anos, quando vinha intensificando a defesa do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, a defesa dos direitos humanos e da dignidade das pessoas, entre outras frentes”, comentou.

Ancelmo Gois, colunista do jornal O Globo, lembrou um traço marcante da personalidade do jornalista: o altruísmo. “Ele representa para mim mais do que um amigo. Ele me deu meu primeiro emprego como jornalista quando cheguei ao Rio de Janeiro vindo do Nordeste. Para o País, ele representou um grande servidor público, que dedicou sua vida à defesa da liberdade de expressão, do jornalismo e dos Direitos Humanos”, lembrou.

Saturnino Braga, ex-Governador do Rio, relembrou a atuação de Maurício Azêdo como secretário de Desenvolvimento Social na sua gestão. “Como secretário e como vereador, Azêdo deixou um importante legado, com a criação de diversos programas sociais. Nossa união foi de muita amizade e comunhão política”, afirmou.

O deputado federal Miro Teixeira (PDT/RJ) lembrou que Maurício Azêdo foi um dos pioneiros na luta pela liberdade de expressão. “Ele foi um lutador de várias frentes. Ele lutou pela Anistia, lutou pela denúncia de casos de tortura, lutou pelo estabelecimento da democracia no País e pela liberdade de expressão. Uma luta que ganhamos no Supremo Tribunal Federal, com o fim da Lei de Imprensa”, analisou.

Entidades lamentam a perda

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – Abert enviou nota manifestando pesar pela morte do jornalista: “Aos 79 anos, Azêdo deixa-nos exemplo de coragem na defesa das liberdades, seja como jornalista, vereador e dirigente sindical. À frente da Associação Brasileira de Imprensa, foi uma voz contundente em favor da liberdade de imprensa e de expressão no país. A Abert se solidariza com a sua família”, escreveu o presidente da entidade, Daniel Pimentel Slaviero.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro – SPMRJ também lamentou o falecimento do jornalista. “Maurício sempre esteve à frente das lutas em defesa da categoria e da sociedade brasileira. Perdemos hoje um grande companheiro”, disse o comunicado.

Helena Chagas, Ministra-Chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República também manifestou seu pesar. “À frente da entidade, Azedo liderou incansável luta em defesa dos direitos humanos e da livre prática do jornalismo. Foi de grande relevo também sua atuação no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, sempre incansável e movido pelos mais altos ideais”.

Fonte: Igor Waltz – Associação Brasileira de Imprensa

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