A memória de um dos principais críticos e ensaístas do cinema brasileiro ganha um novo capítulo de preservação e acesso público. No próximo dia 22 de julho (quarta-feira), data em que se celebra o aniversário do crítico de cinema, ensaísta, cineclubista e advogado baiano Walter da Silveira (1915-1970), será lançada a segunda etapa do projeto Acervo Digital Walter da Silveira, que passará a contar com 1,3 mil documentos, com destaque para a documentação do Clube de Cinema da Bahia, espaço de formação e de agitação cultural fundamental para o surgimento de um movimento de crítica e realização cinematográfica na Bahia entre 1950 e 1970. A nova versão do site dedicado ao projeto será apresentada às 14h, no auditório da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), em Salvador.
Durante o evento, será realizada a conferência “A história do cinema vista pelo cineclubismo: Clube de Cinema da Bahia, arquivos e cultura cinematográfica”, ministrada pela pesquisadora Izabel de Fátima Cruz Melo, professora do curso de História da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e autora do livro Cinema, circuitos culturais e espaços formativos – novas sociabilidades e ambiência na Bahia (1968-1978). Antes, ocorrerá uma mesa-redonda com a equipe do projeto, para a apresentação da segunda etapa do Acervo Digital Walter da Silveira, que passará a contar, também, com recursos de acessibilidade e nova identidade visual, além de depoimentos de personalidades como o cineasta Orlando Senna, o ator Antonio Pitanga e a atriz Helena Ignez sobre a importância do Clube de Cinema da Bahia, da ação e do pensamento de Walter da Silveira.
O acervo completo é composto por mais de 5 mil itens documentais que abrangem diferentes áreas de atuação do crítico e intelectual baiano. Em 2015, o acervo foi doado pela família Silveira para o Museu de Imprensa da ABI. Em 2020, surgiu o projeto Acervo Digital Walter da Silveira, com o objetivo inicial de digitalizar a documentação sobre arte cinematográfica. Na primeira etapa, em 2021, foram disponibilizados 317 itens documentais (cartas e fotografias do cinema brasileiro). A partir de 2024, ampliou-se o recorte documental a ser digitalizado. Idealizado e coordenado por Cyntia Nogueira, professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e organizadora do livro Walter da Silveira e o cinema moderno no Brasil: críticas, artigos, cartas, documentos (2020), o projeto teve em sua segunda etapa a consultoria técnica do preservador Hernani Heffner, gerente da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e de Maíra Salles, professora de Arquivologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Dada a importância da documentação relacionada ao cineclubismo no Brasil, foi criado um banco de dados específico para o Clube de Cinema da Bahia, fundado em 1950 por Walter da Silveira e Carlos Coqueijo da Costa, com a disponibilização de 799 itens documentais desse acervo, além de 376 fotografias e cartões-postais do cinema internacional e 202 fotografias do cinema brasileiro. Com isso, o projeto passa a reunir e disponibilizar on-line 1.377 documentos, acessíveis por meio do site www.walterdasilveira.com.br.
Do ponto de vista histórico do cinema brasileiro, o acervo permite acompanhar o desenvolvimento da cultura cinematográfica na Bahia e no país entre as décadas de 1950 e 1970. Segundo Nogueira, além de formar gerações de críticos e realizadores baianos, o clube contribuiu para a criação de redes de sociabilidade dentro e fora do Brasil, estimulando a formação de um circuito de exibição e produção de filmes na Bahia e no Nordeste. “Também foi decisivo para a construção de um corpo crítico sobre o cinema brasileiro, com grande importância na formação do Cinema Novo a partir de Salvador, quando a Bahia assume um protagonismo inédito no debate sobre os caminhos do cinema nacional”, destaca.
O projeto Acervo Digital Walter da Silveira propõe higienizar, restaurar, classificar, catalogar, digitalizar e disponibilizar de forma on-line milhares de itens documentais que constituem o acervo do crítico baiano, sob a salvaguarda do Museu de Imprensa da ABI. “A preservação salvaguarda essa documentação e memória. O Acervo Digital Walter da Silveira representa um passo importante nesse processo, mas o trabalho de conservação é contínuo. Agora, esse patrimônio passa a estar disponível ao público em formato digital, com recursos que facilitam a pesquisa e ampliam o acesso”, explicou Renata Santos, museóloga e coordenadora de Acervos da ABI.
Realização e ficha técnica
O projeto envolveu diversos profissionais em uma força-tarefa multidisciplinar. Na ABI, as ações de conservação e restauro foram coordenadas por Renata Santos (museóloga e coordenadora de acervos) e Marilene Rosa (restauradora). A etapa de catalogação, classificação e digitalização foi realizada por Marygloria Santos (arquivista), Anna Bella Almeida (estagiária de arquivologia), Adolfo Gomes (pesquisador) e Pablo Sousa (pesquisador e assistente do Museu de Imprensa da ABI). O site e o banco de dados, desenvolvido com software livre Tainacan, foi criado por Vinícius Souza (programação e acessibilidade) e Eduarda Dellamagna (direção de arte), com produção de conteúdo feita pelo jornalista e pesquisador Euclides Santos Mendes.
A segunda etapa do projeto Acervo Digital Walter da Silveira foi contemplada nos Editais da Lei Paulo Gustavo Bahia. O projeto conta com o apoio financeiro do governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura e o Governo Federal, no âmbito da Lei Complementar nº 195/2022.
Serviço
Lançamento da segunda etapa do projeto Acervo Digital Walter da Silveira
Data: 22 de julho (quarta-feira)
Horário:14h
Local: Auditório da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), rua Guedes de Brito, nº 1, Praça da Sé, Salvador, Bahia


