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Comissão da Verdade afirma que Juscelino Kubitschek foi assassinado

A Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog – constituída pela câmara municipal de São Paulo para rever e investigar casos e crimes da ditadura – divulgou ontem (10) um documento com evidências de que o ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) foi assassinado durante viagem de carro na rodovia Presidente Dutra, e não morto em um acidente, como registra a história oficial. No documento, a comissão afirma que Kubitschek foi vítima de um complô orquestrado pelo regime militar (1964-1985).

O relatório de 29 páginas reúne 90 indícios, “evidências, provas, testemunhos, circunstâncias, contradições, controvérsias e questionamentos” que concluem que a morte do ex-presidente não foi acidente. “A comissão declara o assassinato de Juscelino Kubitschek de Oliveira, vítima de conspiração, complô e atentado político na rodovia Presidente Dutra em 22 de agosto de 1976”, diz o documento sobre a morte do presidente conhecido pelos brasileiros como JK.

Foto: AP Photo

A conclusão do inquérito põe em causa a versão oficial da História, segundo a qual JK, que tentava articular a volta da democracia ao País, teria morrido após o automóvel em que viaja colidir com um veículo que seguia na direção contrária, na estrada que liga a cidade de São Paulo ao Rio de Janeiro.

“Não foi um acidente”, disse o vereador Gilberto Natalini, que vai fazer a seguir o relatório da comissão de São Paulo para a Presidente da República, Dilma Rousseff, e o presidente do Congresso, Renan Calheiros, em Brasília, e também para Pedro Dalari, o coordenador da Comissão Nacional da Verdade criada pelo Governo em 2012. De acordo com o vereador, o objetivo é retificar a versão oficial do Governo brasileiro e reconhecer o assassinato de Kubitschek. Os vereadores da comissão também deverão ir ao Senado para explicar o resultado das investigações, segundo informou a Subcomissão Permanente da Memória, Verdade e Justiça, vinculada à Comissão de Direitos Humanos.

Indícios – Entre os novos indícios recolhidos, a comissão destacou o depoimento de motorista Ademan Jahn, testemunha do acidente e cujo relato dá força à tese de que o condutor do Opala de Kubitscheck foi baleado na cabeça. Como se lê no relatório, Jahn viu Geraldo Ribeiro “debruçado, com a cabeça caída entre o volante e a porta do automóvel, não restando dúvida de que o condutor se encontrava desacordado e inconsciente, e já não controlava o veículo antes do impacto”.

Notícias anteriores diziam que os laudos notavam a existência de um fragmento de metal de sete milímetros no crânio de Geraldo Ribeiro. A comissão solicitou uma nova perícia, mas foi informada que “o laudo original e os materiais solicitados [o fragmento metálico] não foram localizados”. “Conforme as autoridades, estavam desaparecidos das dependências da Polícia Civil tanto o laudo oficial com o resultado da exumação da ossada de Ribeiro, quanto a análise original do fragmento metálico”, notam os relatores.

JK – Juscelino Kubitschek de Oliveira, o primeiro Presidente do Brasil nascido no século XX, é um dos políticos mais admirados no país. Médico de profissão, iniciou a sua atividade política nas fileiras do Partido Progressista, tendo depois estado na fundação do Partido Social Democrático. Foi presidente da câmara de Belo Horizonte, deputado federal e governador do seu estado, Minas Gerais – no final do mandato, renunciou ao cargo para concorrer à presidência.

Foi eleito em outubro de 1955 com 35% dos votos, a pior votação de todos os presidentes eleitos entre 1945 e 1960. Mas atualmente é considerado o melhor Presidente da História do Brasil. Nos chamados “anos dourados” do seu mandato, lançou o “Plano de Metas” para o desenvolvimento do país e foi o responsável pela construção de Brasília, a capital federal e símbolo da integração e progresso do Brasil.

Fonte: Carta Capital, Público (Portugal), com informações do Portal de Notícias do Senado Federal

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