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Edição especial do ‘Charlie Hebdo’ se esgota em poucos minutos nas bancas de Paris

Ainda estava escuro em Paris quando muitas bancas exibiam cartazes dizendo “Não temos a Charlie Hebdo”. Estabelecimentos de várias regiões da capital francesa despertaram com longas filas e venderam em poucos minutos nesta quarta-feira (14) todos os exemplares disponíveis da histórica edição do jornal satírico Charlie Hebdo. É a primeira edição a circular uma semana após dois atiradores invadirem o escritório da publicação e matarem 12 pessoas, incluindo dois policiais e quatro cartunistas. A demanda acima do esperado fez com que a já recorde tiragem da publicação fosse ampliada de três para cinco milhões de exemplares, número mais de 80 vezes maior que a circulação normal de 60 mil.

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Pessoas formaram filas em frente às bancas para adquirir o número 1.178 do Charlie Hebdo, que só ficou pronto pela solidarização de outros veículos aos colegas de profissão - Foto: AFP
Pessoas formaram filas em frente a bancas para adquirir o número 1.178 do Charlie Hebdo, que só ficou pronto pela solidarização de outros veículos aos colegas de profissão – Foto: AFP

A busca pela edição, que circulou em seis idiomas – incluindo inglês, árabe e turco – foi impulsionada não apenas pelo choque provocado na França e no resto do mundo pelos ataques, mas também pelo fato de que o dinheiro das vendas será repassado às famílias das vítimas. Em três bancas na área da Praça da Bastilha, as filas começaram por volta de 6h20 (3h20, horário de Brasília), ainda escuro e debaixo de um frio de 5º. Às 6h40, não havia mais exemplar disponível. Cada banca dessa região recebeu, em média, 60 jornais.

Uma delas limitou a venda a um exemplar por pessoa, mas não adiantou muito: o estoque acabou em 10 minutos. Outras duas foram mais generosas e venderam no máximo dois jornais para cada cliente. Os que chegaram tarde demais foram avisados que uma nova remessa do “Charlie Hebdo” deve chegar entre quinta (15) e sexta-feira (16).

Capa

Charlie (1)
O desenho de capa foi feito pelo cartunista Renald Luzier (Luz), que se atrasou para a reunião no dia do atentado. Á esquerda, o editor-chefe Gerard Briard, e à direita o jornalista Patrick Pelloux – Foto: reprodução

A capa do jornal, que tem oito páginas, mostra uma caricatura do profeta Maomé chorando e segurando um cartaz em que se lê “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), frase que virou símbolo depois do atentado que matou quatro cartunistas. Os irmãos Cherif e Said Kouachi, mortos pela polícia dois dias mais tarde, foram motivados pelas polêmicas charges do profeta Maomé feitas pela revista. Na edição atual, acima do desenho do profeta, está escrito “Tudo é perdoado”. O cartunista Renald Luzier (Luz) chorou nesta terça (13) na apresentação da nova edição, editada nas dependências do jornal francês “Libération”. “É antes de tudo um homem que chora”, disse Luz ao explicar o desenho de Maomé que ilustra a capa.

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A imagem do profeta do islamismo fica restrita à primeira página. Outras páginas fazem uma sátira com jihadistas. Um editorial faz homenagem aos mortos no ataque de 7 de janeiro. A edição apresenta ainda charges e textos publicados anteriormente pelos cartunistas e jornalistas que morreram. O jornal deve ser traduzido em cinco línguas e distribuído em mais de 20 países.

*Informações de El País, Folha de S. Paulo e UOL.

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