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Charlie Hebdo não voltará a publicar caricaturas de Maomé

Mais de sete meses depois do atentado que dizimou a redação do semanário satírico Charlie Hebdo em Paris, o novo diretor anuncia que a publicação francesa não voltará a publicar caricaturas do Profeta dos muçulmanos. “Desenhamos Maomé para defender o princípio de que se pode desenhar o que se quiser”, diz Laurent Sourisseau, argumentando que esse trabalho está feito. Riss, como assina o também cartunista, defendeu numa entrevista à revista alemã Stern que o Charlie Hebdo não foi monopolizado pela crítica aos fundamentalistas muçulmanos, como aqueles que estiveram por trás do ataque de 7 de Janeiro, que fez 12 mortos . “Os erros que apontamos ao islão também se encontram nas outras religiões. Fizemos o nosso trabalho. Defendemos o direito à caricatura. É estranho, espera-se que exerçamos uma liberdade de expressão que mais ninguém se atreve a exercer”, concluiu Riss.

charlie hebdo
Luz, principal do jornal satírico francês atacado por islamistas, abandona a publicação em Setembro – Foto: Philippe Wojazer/Reuters

O anúncio do fim das caricaturas de Maomé nas páginas do Charlie Hebdo segue-se à decisão do principal cartunista do semanário, Luz, de não voltar a desenhar o Profeta e de abandonar o jornal. É de Luz a primeira página que se seguiu aos atentados, onde Maomé surgia com um cartaz escrito “Je Suis Charlie” (Eu Sou Charlie), o slogan adotado por todo o mundo em solidariedade com as vítimas, debaixo da frase “tudo está perdoado”. Foram impressos oito milhões de exemplares, quando o jornal vendia habitualmente 60 mil. Depois de meses de trabalho sem os seus colegas, Luz concluiu não ter condições para continuar: numa entrevista ao Libération – que acolheu o Charlie Hebdo nas suas instalações –, anunciou que deixará o jornal satírico em Setembro. “Por razões muito pessoais”, explicou, “para poder reconstruir-me e recuperar o controle sobre mim mesmo”.

Novo estatuto

Os últimos meses têm sido marcados por divisões entre os jornalistas e cartunistas sobre a gestão do jornal, que é agora detido por Sourisseau (70%) e pelo diretor financeiro Eric Portheault (40%), depois de ambos terem comprado os 40% detidos pela família de Charb, o antigo diretor. De acordo com Sourisseau, o Charlie Hebdo vai se tornar o primeiro jornal a adotar o novo estatuto de “empresa solidária de imprensa”, criado por uma lei de abril, na sequência dos ataques. Assim, a empresa passa a ser obrigada a reinvestir 70% dos seus lucros anuais – os acionistas decidiram que não receberão dividendos dos restantes 30%, que ficarão bloqueados num fundo.

Transformado num símbolo mundial da liberdade de imprensa, o semanário satírico tem recebido milhões de euros de doações, para além de ter aumentado para 210 mil o número de subscritores e de estar a vender 100 mil em banca. Mais do que suficiente para ter uma “tesouraria positiva”, explica Sourisseau. Será preciso gastar dinheiro numa nova redação e em novas medidas de segurança, no momento em que colaboradores do Charlie pedem, muitas vezes, para publicar sob anonimato. “Quando vendíamos menos, estávamos mais tranquilos”, diz Sourisseau. “Agora, toda a gente olha para nós, tantas pessoas esperem que desempenhemos um papel, e é possível que tudo se repita. Mas não podemos abandonar este jornal. Se parássemos seria uma catástrofe para a democracia.”

*As informações são do Público (Portugal), com agências.

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Grupo jihadista EI reivindica pela primeira vez ataque nos EUA

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou nesta terça-feira pela primeira vez um ataque nos Estados Unidos, cujos dois autores foram mortos depois de atirar em um evento considerado anti-islâmico no Texas, e advertiu que realizará novos atentados. “Dois soldados do califado realizaram um ataque contra uma exposição de caricaturas contra o profeta (Maomé) em Garland, Texas”, disse em sua emissora de rádio a organização, que proclamou um califado nos territórios que controla no Iraque e na Síria. “Dizemos à América que o que está sendo preparado será mais importante e mais amargo. Verão coisas horríveis dos soldados do Estado Islâmico”, afirmaram os jihadistas. No entanto, a Casa Branca disse nesta terça-feira (5) que ainda é “muito cedo para dizer” se os dois homens armados mortos pela polícia eram ligados ao Estado Islâmico, que já que grupos militantes são conhecidos por reivindicar crédito por ataques nos quais não estavam envolvidos.

Na noite de domingo, os dois homens desceram de um veículo e atiraram com fuzis contra um guarda em frente ao centro cultural onde acontecia um concurso de caricaturas de Maomé, organizado pela associação ‘American Freedom Defense Initiative’ (AFDI), considerada abertamente anti-islâmica. Mas depois de ferir o guarda com um tiro no tornozelo, ambos foram mortos por um policial com seu revólver de serviço. Um deles havia sido investigado pelo FBI por ter expressado sua intenção de se unir à jihad, segundo documentos judiciais aos quais a AFP teve acesso. De acordo com a imprensa americana, os dois supostos islamitas eram Elton Simpson, de 31 anos, e Nadir Soofi, de 34, e dividiam uma casa em Phoenix (Arizona, sudoeste). A CNN divulgou imagens de agentes do FBI entrando no apartamento. Investigadores vasculham as comunicações eletrônicas enviadas e recebidas pelos dois atiradores em busca de evidências de contatos entre eles e grupos militantes estrangeiros.

Há cinco anos, Simpson havia sido condenado a três anos de liberdade condicional por ter mentido ao FBI sobre a motivação de uma suposta viagem de estudos à África, mas as autoridades suspeitavam que estava relacionada com sua intenção de se somar a uma rede islamita da Somália. Na época a justiça de Phoenix considerou que não havia provas sólidas contra ele e optou por deixá-lo em liberdade vigiada. Ele teria publicado um tuíte antes do ataque com a hashtag “#texasattack”. “Que Alá nos aceite como mujahideen (‘santos guerreiros’)”, dizia a mensagem. O pai de Simpson disse à rede de televisão ABC News que seu filho, que havia trabalhado como auxiliar em um consultório de dentista, “fez uma escolha ruim”. “Somos americanos e acreditamos nos Estados Unidos. O que meu filho fez é muito ruim para minha família”, disse Dunston Simpson.

 Prêmio divide opiniões

Na esteira dos atentados terroristas, o episódio lembrou o de Paris em janeiro passado contra o semanário satírico francês Charlie Hebdo, que publicou diversas vezes caricaturas do profeta Maomé, cuja representação está proibida pelo Islã. Quatro meses após o ataque que matou 12 pessoas na redação do jornal, entre eles cinco caricaturistas, a publicação recebeu nesta terça-feira (5) o prêmio “Coragem e liberdade de expressão” do PEN American Center, a associação internacional de escritores. A homenagem, no entanto, não é unânime e gerou polêmica no meio literário. Seis escritores convidados para a cerimônia realizada no Museu de História Natural de Nova York decidiram boicotar a noite de gala, alegando que o jornal satírico é racista, representa a “intolerância cultural” e a cultura francesa é “arrogante”.

Editor-chefe Charlie Hebdo fala após receber premiação. Foto- Jemal Countess-Getty Images-Via AFP Photo
Gérard Biard, editor-chefe da Charlie Hebdo, fala após receber premiação – Foto: Jemal Countess/AFP

Como os homenageados são alvos do terrorismo radical, a organização do evento optou pela cautela. Sob forte esquema de segurança, motivado principalmente pelo recente ataque no Texas, o redator-chefe da publicação francesa, Gérard Biard, e o crítico de cinema da revista, Jean-Baptiste Thoret, compareceram à cerimônia e enviaram uma mensagem clara para os autores do ataque: “Eles não querem que debatamos e nós devemos debater”. “A missão de satirizar os temas sagrados permanece. Estar impressionado é parte do debate democrático. Ser atacado a tiros, não”, explicou Biard.

Sobre a inevitável relação entre os atentados, Biard afirma que “não há comparação possível”. “Nós não organizamos concursos. Só fazemos nosso trabalho. Comentamos a informação. Quando Maomé marca a informação, desenhamos Maomé, e se não, não. Combatemos o racismo e não temos nada a ver com esta gente”, disse ele no programa de Charlie Rose, transmitido pela rede americana de televisão pública (PSB) na noite de segunda-feira. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou que estes atos criminosos “não têm nada a ver com a religião nem com as crenças”, disse seu porta-voz, Stephane Dujarric.

*Informações da Agence France-Presse (via Diário de Pernambuco), Reuters (via G1) e EFE

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Político paquistanês oferece recompensa para quem matar novo diretor da “Charlie Hebdo”

DEU NO PORTAL IMPRENSA – O ex-ministro paquistanês, Ghulam Ahmad Bilour, anunciou que pagará uma recompensa de US$ 200 mil para quem matar o novo diretor da revista satírica Charlie Hebdo, o cartunista Laurent Sourisseau, que assina suas charges como Riss. Segundo RFI, Riss estava na redação no dia do massacre, que levou à morte de 12 pessoas. No atentado, o cartunista levou um tiro no ombro, mas escapou da morte ao se esconder embaixo de uma mesa.

Laurent Sourisseau (Riss) - Foto: reprodução
O extremista Bilour oferece US$ 200 mil para quem assassinar o  novo diretor da Charlie Hebdo, Laurent Sourisseau (foto), sobrevivente do atentado à sede da publicação satírica  – Foto: reprodução

Bilour, que oferece um prêmio pelo assassinato do chargista, é um extremista do Partido Nacional Awami (ANP), uma formação ultraconservadora. Em 2012, ele ofereceu US$ 100 mil dólares de recompensa pela morte dos autores do curta-metragem “A Inocência dos Muçulmanos”, que caçoava do profeta Maomé e foi divulgado no YouTube.

Leia também: Edição histórica do satírico francês ‘Charlie Hebdo’ chega ao Brasil

O ex-ministro quer a morte de Riss por causa das novas caricaturas de Maomé publicadas no número histórico do Charlie Hebdo, que chegou às bancas após a morte de seus principais chargistas. Atualmente, ele é deputado e anunciou que dará US$ 100 mil às famílias dos terroristas responsáveis pelos ataques em Paris.

 

 

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Edição histórica do satírico francês ‘Charlie Hebdo’ chega ao Brasil

A primeira edição da revista satírica francesa Charlie Hebdo após o ataque terrorista que matou 12 pessoas no último dia 7, em Paris, chega ao Brasil na próxima segunda-feira (26), em francês. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os 10 mil exemplares da publicação que será distribuída pela Abril poderão ser encontrados em redes de livrarias como Saraiva, Cultura e Fnac, além de bancas de São Paulo, do Rio de Janeiro e de outras 15 capitais. O preço previsto é R$ 29,90. A edição especial também está à venda em outros 30 países, com tiragem internacional de 130 mil. No dia 17 (sábado), o jornal anunciou que voltaria a ampliar sua tiragem de cinco para sete milhões, superando em muito os habituais 60 mil exemplares.

“Na França ele custava cerca de € 3, mas para trazer temos outros custos, como frete, logística e importação. Nós tentamos trazer uma parte em inglês também, mas não estava disponível. A procura de outros países estava grande”, afirma Rodrigo Agmont, gerente comercial da Dinap. Em comunicado divulgado pela Dinap, braço de distribuição da Abril, o diretor geral Bruno Tortorello conta que muitos pontos de venda no país foram questionados por clientes procurando um exemplar do jornal satírico. “Os brasileiros estão cada vez mais engajados e, com a chegada da edição histórica do Charlie Hebdo, terão acesso a esta grande mobilização mundial pela liberdade de expressão.”

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Quando foi lançada na França, no último dia 14, a primeira edição publicada após o ataque à redação da revista se esgotou em minutos nas bancas de jornais do país. Em Londres, na sexta (16/01), houve filas em livrarias e bancas já nas primeiras horas da manhã, para comprar exemplares em apoio ao semanário satírico. Na capa desta edição, o profeta Maomé é retratado chorando e segurando um cartaz com a frase “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), sob os dizeres “Tout est pardonné” (Tudo está perdoado), o que gerou novos protestos violentos ao redor do mundo.

Líderes muçulmanos criticaram o que consideram uma nova provocação do periódico. Manifestações contrárias à última edição da Charlie Hebdo começaram no Paquistão e se espalharam rapidamente para a Turquia e para o Oriente Médio. No Níger, país do Norte da África, dez pessoas morreram e igrejas cristãs foram incendiadas no último domingo, 18 de janeiro. Os ataques contra a sede da publicação e contra um mercado judaico, em Paris, entre os dias 7  e 9 de janeiro, deixaram 19 mortos, foi reivindicado pela Al-Qaeda no Iêmen, que atribuiu a ação a uma ‘vingança’ pelas caricaturas do profeta Maomé.

*Informações do Portal IMPRENSA, Folha de S. Paulo e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).