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Observatório da Imprensa faz vaquinha virtual para não fechar

Com 20 anos de presença regular na internet, completados em maio, o Observatório da Imprensa, projeto de crítica de mídia idealizado e encabeçado pelo jornalista Alberto Dines, corre o risco de fechar e pede socorro, via financiamento coletivo.

Nos últimos meses, perdeu suas principais fontes de receita, com o corte dos patrocínios do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, em decisão anunciada em junho pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Antes, na virada do ano, já não havia sido renovado o contrato com a Empresa Brasil de Comunicação, da TV Brasil, na qual Dines apresentava um programa semanal do Observatório.

Em julho, o Projor (Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo), associação mantenedora do Observatório da Imprensa, tornou pública a crise financeira. Ao mesmo tempo, lançou uma campanha de “crowdfunding” (financiamento coletivo) no dia 8 de agosto, junto com o editorial “O Observatório da Imprensa pede socorro”, fixado desde então no alto do site. Nele, informa que o trabalho “está ameaçado de desaparecer” e o esforço agora é para “manter o Observatório vivo e operando”.

No site de “crowfunding” Kickante, acrescenta que o financiamento coletivo visa “bancar os custos de produção do site, hospedagem e administração”. O endereço é kickante.com.br/campanhas/crowdfunding-observatorio-da-imprensa. Até o momento, o Observatório arrecadou pouco mais de 10% da meta de R$ 250 mil, na campanha a ser encerrada no início de outubro. Outras fontes de receita estão sendo aventadas, como fundações filantrópicas.

“Desde 1996, o Observatório da Imprensa é o único veículo jornalístico focado na crítica da mídia brasileira. Ao longo dos últimos 20 anos, nossos artigos têm sido oferecidos gratuitamente ao público. Mas o Observatório não é imune à crise econômica, que tem cortado os nossos patrocínios. E também somos atingidos pela revolução digital, que tem reduzido o faturamento publicitário da imprensa como um todo. O momento é grave. Para voltar a publicar regularmente, o Observatório precisa da sua ajuda. Sua contribuição é necessária para bancar os custos de produção do site, hospedagem e administração”, diz o texto da campanha.

Carioca, 84 anos, Dines foi editor-chefe do “Jornal do Brasil” nos anos 1960 e, em 1975, lançou na Folha a coluna de crítica de mídia “Jornal dos Jornais”. No início do ano, foi hospitalizado, por doença não divulgada, mas já está em casa, em fisioterapia, e voltou a escrever. “O Observatório da Imprensa é uma peça de museu”, afirma Dines à Folha. “No conteúdo, formato e feitio, é único, talvez no mundo. Por isso mesmo, peça de museu para ser preservada.” Acrescenta: “Por enquanto, só pega no tranco. Precisamos de um [caminhão] Mack para alavancar e não deixar morrer tudo o que o Observatório vem semeando nos últimos 20 anos on-line e 18 no ar”.

*Informações de Nelson de Sá para o jornal Folha de S.Paulo.

ABI BAHIANA Notícias

ABI articula reabertura do Museu de Imprensa

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) está prestes a devolver o Museu de Imprensa à sociedade. Fechado ao público desde 2010, o equipamento criado para preservar a história da imprensa passará por reestruturação completa, de acordo com o diretor de Patrimônio da ABI, Luis Guilherme Pontes Tavares. O novo museu está sendo gestado através de uma parceria da ABI com a Universidade Salvador (Unifacs) e a Ingepot (Instituto de Gerenciamento de Projetos e Tecnologias). Encontro realizado no auditório daquela instituição de ensino, na última sexta (26), representa um passo importante no caminho de reabertura de mais um espaço cultural no Centro Antigo de Salvador.

Luis Guilherme, que esteve acompanhado pela museóloga Renata Ramos e pelo superintendente da ABI, Márcio Müller, fez uma apresentação sobre a entidade e sua sede, no Edifício Ranulfo Oliveira (Praça da Sé). O dirigente afirmou que, através da parceria, os alunos serão responsáveis pela elaboração dos projetos a serem escolhidos pelo corpo docente da Unifacs. Caberá ao conselho diretor da ABI eleger o projeto final.

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Foto: Arquivo/ABI

A museóloga da ABI, Renata Ramos, explicou as necessidades do museu, que terá lugar no térreo do prédio da associação, como divisão entre visitantes e pesquisadores, construção de uma área destinada à reserva técnica, além de realizar o detalhamento de seu rico acervo – composto por periódicos antigos, volantes, obras e objetos pertencentes a jornalistas. Já o superintendente da ABI, Márcio Müller, ressaltou o desafio da interação de alocar as propostas do acervo físico com o digital através de plataformas multimídias.

Ao longo dessa semana, a ABI receberá turmas para visita do espaço destinado ao museu. Na próxima reunião da ABI, no dia 14 de setembro, a diretoria, que já examinou os termos, deverá aprovar o texto do convênio tripartite. Em seguida, a documentação será assinada pelo jornalista Wealter Pinheiro, presidente da ABI, pela reitora da Unifacs, professora Márcia Pereira Fernandes de Barros, e pela diretoria executiva da Ingepot, a empresária Francisca Mathilde Bittencourt Vasconcelllos.

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O histórico Palace Hotel vai reabrir na mais antiga rua do Brasil

Foi um dos grandes hotéis de luxo do Brasil, um símbolo de glamour entre os anos 30 e os anos 60 do século XX, o lugar onde todos queriam ser vistos e onde os paparazzi se acotovelavam à porta para apanhar a melhor foto dos famosos. E até personagens de ficção, como a Dona Flor, criada por Jorge Amado, sonhavam ir lá. Agora, o icônico Palace Hotel de Salvador da Bahia, situado na Rua Chile – a mais antiga do Brasil, fundada em 1549 – prepara-se para reabrir, em setembro, depois de profundas obras de recuperação.

Inaugurado em 1934 e desativado há cerca de dez anos, o Palace, que ocupa todo um quarteirão, foi inspirado no Flatiron Building de Nova Iorque e nos seus tempos de glória recebeu personalidades como Pablo Neruda, Orson Welles ou Carmen Miranda.

São mais de seis mil metros quadrados de área construída distribuídos por dez andares, em um investimento ascende aos 50 milhões de reais. O hotel terá 81 quartos, dos quais 12 são suítes, e ainda dois restaurantes (um dos quais, O Adamastor, no piso térreo), bares, salão de festas, salas de conferências e piscina, solário e ginásio no último piso, com vista para a Baía de Todos-os-Santos. Nas obras, iniciadas em 2014, foram recuperadas as 434 janelas de madeira do prédio e os mais de 200 adornos Art Déco, além do soalho e dos mármores originais.

O projeto de recuperação, que pretende manter o edifício o mais próximo possível do original, foi confiada ao arquitecto dinamarquês Adam Kurdahl, segundo o empresário brasileiro Antonio Mazzafera, da Fera Investimentos. Salvador é apenas o ponto de partida daquilo que a Fera pretende que venha a ser uma rede de “hotéis boutique diferenciados, misturando serviço personalizado com um produto com arquitetura e design únicos, sempre integrados com a cultura local”. Os investimentos serão feitos em “regiões subaproveitadas e com potencial de revitalização através de projetos inovadores”.

Para a cidade de Salvador, este promete ser também o início da revitalização de uma rua histórica, que entrou em decadência na década de 70, quando a cidade começou a crescer noutras direções. Há ainda muita gente que se recorda dos tempos áureos da Rua Chile, símbolo de requinte e elegância, onde se situavam as melhores lojas – entre as quais os dois grandes armazéns, a Sloper e a Casa Duas Américas – teatros como o de São João, famoso pelas festas de Carnaval e que foi destruído por um incêndio em 1923, e cinemas como o Glória ou o Guarani.

*Com informações de Alexandra Prado Coelho para o Blog FugasHotéis (Público.pt)

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Imprensa repercute morte do jornalista Geneton Moraes Neto

O anúncio da morte do jornalista Geneton Moraes Neto rapidamente repercutiu nas redes sociais. O nome dele, que também era escritor e documentarista, figurou entre os assuntos mais comentados no Twitter, onde colegas de profissão lamentavam a perda e prestavam homenagens. Geneton tinha 60 anos e estava internado desde maio na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio. Ele sofreu um aneurisma na aorta e teve diversas complicações em seguida. O velório será quarta-feira (24) no Memorial do Carmo, Rio, onde o corpo será cremado.

Com mais de 40 anos de carreira, ele trabalhava na Globo desde o início dos anos de 1980. Foi editor do RJTV, editor-executivo e editor-chefe do Jornal da Globo, editor do Jornal Nacional, repórter e editor-chefe do Fantástico. Desde 2006, produzia reportagens especiais para a GloboNews. Em agosto de 2009, estreou um blog no G1, que manteve atualizado até abril de 2016, pouco antes de ser hospitalizado.

Foto: Blog Biografias da Comunicação
Foto: Blog Biografias da Comunicação

 

Pernambucano, nasceu, como gostava de enfatizar, “numa sexta-feira 13 (de julho), num beco sem saída, numa cidade pobre da América do Sul: Recife”. Saiu do referido beco sem saída para ganhar o mundo fazendo jornalismo. Seus primeiros passos na profissão foram dados aos 13 anos de idade, escrevendo artigos para o “Diário de Pernambuco” onde, poucos anos depois, conseguiu seu primeiro emprego.

Ganharia o Brasil e o mundo com uma visão original e eclética dos fatos e uma predileção pela convergência entre jornalismo e História. “Todo profissional precisa de uma bandeira. Escolhi uma: fazer jornalismo é produzir memória. É o que me move” — registrou, em entrevista para o acervo da TV Globo. Geneton colecionaria uma longa lista de encontros com personalidades, que inclui seis presidentes da República, três astronautas que pisaram na Lua, os prêmios Nobel Desmond Tutu e Jimmy Carter, os dois militares que dispararam as bombas sobre Hiroshima e Nagasaki, a mais jovem passageira do Titanic e o assassino de Martin Luther King: páginas de uma notável galeria.

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Geneton Moraes Neto (à dir.) entrevista o escritor Ariano Suassuna (1927-2014) na GloboNews – Foto: Divulgação

Geneton conseguiu entrevistas históricas com um dos agentes alemães que participaram da tentativa frustrada de resgate de atletas da delegação de Israel durante as Olimpíadas de Berlim. A lista de entrevistas marcantes no Brasil também não é pequena. Vai desde generais aos presidentes do pós-regime ditatorial, passando por dezenas de diálogos com artistas, escritores, jornalistas…

Em 2011 interromperia a carreira na TV para dirigir o documentário em três partes “As canções do exílio/Uma labareda que lambeu tudo”, exibido pelo Canal Brasil, onde conta as histórias do exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil durante o regime militar. A ideia partiu de uma foto em que, com apenas 15 anos, aparece entrevistando os músicos baianos para o “Diário de Pernambuco”. No ano seguinte, recebeu a Medalha João Ribeiro concedida pela Academia Brasileira de Letras (ABL) a personalidades que se destacam na área de cultura.

Comoção

Colegas de profissão, artistas, políticos e intelectuais lamentaram o falecimento de Geneton. Alguns deles utilizaram as redes sociais para prestar homenagens e se solidarizar com os familiares e amigos. “Consternado com a passagem do amigo e jornalista dos mais talentosos que conheci. Obrigado Geneton Moraes Neto! #RIP”, registrou o jornalista André Trigueiro. “Geneton Moraes Neto se foi. Deve estar fazendo perguntas lá em cima. Não se surpreenda se ele surgir com respostas: ele sempre as conseguia”, disse Flávio Fachel.

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Caetano Veloso e Geneton, durante entrevista – Foto: Reprodução/Facebook

O cantor e compositor baiano Caetano Veloso recordou a entrevista concedida ao pernambucano após jejum de dois anos sem conversar com repórteres. “Escolhi falar com ele, e só com ele, para reiniciar um diálogo normal com a confusão dos cadernos B. A impressão que o garoto pernambucano me causara e a percepção de sua inteligência honesta só fizeram crescer ao longo dos anos. Se o jornalismo brasileiro tem algo de que se orgulhar, Geneton o representa melhor que ninguém – se não for exemplo único. Eu o adorava. Fiquei tristíssimo hoje ao saber que ele tinha morrido”, lamentou ele.

Em de abril deste ano, Geneton esteve na Universidade Católica de Pernambuco, para participar de uma conversa com estudantes de Jornalismo sobre os desafios da profissão e bastidores de entrevistas (confira matéria de Daniel França). A instituição divulgou nota em que lamenta a morte do jornalista.

Além de reportagens, publicou diversos livros, dentre eles “Hitler/Satalin: o Pacto Maldito”, “Nitroglicerina Pura”, “O Dossiê Drummond: a Última Entrevista do Poeta”, “Dossiê Brasil”, “Dossiê 50: os Onze Jogadores Revelam os Segredos da Maior Tragédia do Futebol Brasileiro”, “Dossiê Moscou, “Dossiê História: um repórter encontra personagens e testemunhas de grandes tragédias da história mundial” e “Dossiê Gabeira”.

*Com informações de O Globo, G1 Rio e Jornal do Commercio.