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ABI lança livro “Esquerda x Direita e a sua convergência”

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) vai promover no próximo dia 26 de setembro, às 17h, o lançamento do livro “Esquerda X Direita e a sua convergência”. A obra é fruto do debate realizado pela entidade, em maio deste ano, com o empresário e membro da Academia de Letras da Bahia (ALB) Joaci Góes, do professor, engenheiro e escritor Fernando Alcoforado; do professor de Ciência Política, Paulo Fábio Dantas; e do jornalista e doutor em Filosofia, Francisco Viana, em comemoração ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

A publicação propõe uma reflexão sobre o papel da imprensa no contexto da democracia, apontando o respeito à pluralidade de opiniões e posicionamentos ideológicos como valores centrais da atividade jornalística e da liberdade de imprensa. “Se a sociedade é livre, a imprensa é livre”, disse Francisco Viana, um dos autores da publicação.

Leia também: “Esquerda x Direita e sua convergência” é tema de debate na ABI

O livro também destaca a crescente polarização política no país, a escalada da violência contra os profissionais de imprensa no Brasil e no mundo, que tornou a atividade de apuração um trabalho arriscado. Registra que, em muitos países, a censura de publicações, multas, suspensões, perseguições, detenções e até assassinatos têm se tornado frequentes.

Serviço

Lançamento do livro “Esquerda x Direita e a sua convergência”

Quando: 26 de setembro (quarta-feira), às 17h

Local: Sede da ABI, Rua Guedes de Brito, 1 – 2º andar – Centro Salvador – BA – CEP 40020-260

Informações: Tel.: 71 3322-6903

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Jornalistas palestram na ABI sobre a história da imprensa no Brasil

Para dar continuidade ao projeto “Temas Diversos”, série idealizada pela diretoria da ABI, com o intuito de discutir assuntos relevantes da relação entre a imprensa e a sociedade, a entidade abrigou na reunião desta quarta-feira (12) uma palestra sobre a história da imprensa no Brasil e o papel da Gazeta do Rio de Janeiro, fundadora e patrona da chamada imprensa áulica no Brasil. A palestra mediada por Luís Guilherme Pontes Tavares (leia aqui o texto “O pioneirismo da Bahia na indústria gráfico-editorial privada brasileira”), diretor da ABI, foi proferida pelos jornalistas Nelson Cadena e Jorge Ramos.

Jorge Ramos e Nelson Cadena – Foto: ABI

Jorge Ramos, diretor de Cultura da ABI, fez um resgate histórico sobre a invenção da imprensa – ainda no início do Século XV, pelo alemão Gutenberg -, o nascimento da imprensa no Brasil e a fundação da Gazeta do Rio de Janeiro. Segundo ele, a censura sempre esteve presente, principalmente nos países católicos. “Em Portugal ela foi maior ainda, nada podia ser impresso sem a autorização dos órgãos censórios. Isso foi inibidor do jornalismo lusitano, e, consequentemente, do aparecimento da imprensa no Brasil”, explicou. (Confira o texto “Pequena contribuição ao estudo da história da imprensa“, de Jorge Ramos)

Nelson Cadena falou da expressividade da Gazeta e sua importância para a história da imprensa no Brasil. “Durante muito tempo o Dia da Imprensa era celebrado em 10 de setembro, em referência à fundação da Gazeta. Mas isso mudou”. De acordo come ele, houve “um lobby muito poderoso entre a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais)”. (Leia o texto “Um baiano foi o primeiro jornalista brasileiro”, de Nelson Cadena

“A ANJ era presidida por Paulo Cabral, então diretor do Correio Braziliense. Ele tinha muito interesse em vincular o nome de seu jornal à publicação original de Hipólito da Costa. Por isso esse lobby foi tão bem sucedido. Pressionaram o presidente Fernando Henrique Cardoso e ele sancionou em 1999 a lei que transferiu o Dia da Imprensa para 1º de junho, que é a data de fundação do Correio Braziliense“, explicou.

Leia também: O pioneirismo da Bahia na indústria gráfico-editorial privada brasileira

Ele ressaltou “a presença de um jornalista baiano, o primeiro jornalista brasileiro, de fato: Manuel Ferreira Araújo Guimarães”. Segundo ele, o militar da marinha brasileira cursou matemática em Portugal, tendo ensinado astronomia ao regressar ao Brasil. Como jornalista, Manuel começou a atuar na Gazeta e, 1812 e foi o fundador do jornal literário O Patriota, em 1813. “Ele é considerado o primeiro jornalista profissional do Brasil”. Nelson Cadena destacou também o aspecto tecnológico da Gazeta, que, segundo ele, usava maquinário de ponta, semelhante ao da Europa. “Quando surgiu, era um jornal compatível com qualquer jornal do mundo”.

Número 1 da Gazeta do Rio de Janeiro, publicado em 10 de setembro de 1808 – Foto: Biblioteca Nacional

Pioneirismo – Lançada a 10 de setembro de 1808, no Rio de Janeiro (RJ), a Gazeta do Rio de Janeiro foi o órgão oficial do governo português durante a permanência de Dom João VI no Brasil. Tendo circulado às quartas-feiras e aos sábados, foi editada primeiro pelo frei Tibúrcio José da Rocha e, depois, redigida pelo primeiro jornalista profissional do Brasil, Manuel Ferreira de Araújo Guimarães. Precursora do Diário Oficial da União, foi o segundo jornal da história da imprensa brasileira, sendo, no entanto, o primeiro a ser redigido e publicado totalmente no Brasil, pela Impressão Régia, com máquinas trazidas da Inglaterra – o primeiro periódico nacional, o Correio Braziliense, editado por Hipólito José da Costa em postura contrária à Coroa, foi lançado cerca de três meses antes, totalmente editado em Londres. Até a década de 1820, apenas publicações da Impressão Régia e de poucos impressores ligados ao poder tinham licença para circular no Brasil. Todavia, com a Independência, a publicação da Gazeta do Rio de Janeiro acabou sendo suspensa, sendo sua edição nº 157, de 31 de dezembro de 1822, a derradeira. Manuel Ferreira de Araújo Guimarães não atuou na Gazeta do Rio de Janeiro até o período final do jornal. Com a eclosão do movimento constitucionalista português, em meados de 1821, ele abandonou a publicação para criar O Espelho, suspenso após um ano e meio de atividades. (Saiba mais no site da Biblioteca Nacional).

Notícias

Abraji lança ferramenta que revela políticos citados em ações judiciais

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) acaba de lançar o portal Publique-se, uma plataforma que permite consultar políticos citados em processos judiciais. O site bastante útil na busca por informações relacionadas a candidatos a cargos nas próximas eleições, em outubro, tem mais de 9 mil nomes mencionados em 30 mil processos e é considerado pela Abraji o maior com número de ações relacionadas a candidatos a cargos públicos no Brasil.

A ferramenta é gratuita, pode ser usada por qualquer pessoa e visa facilitar a vida do jornalista na investigação sobre nomes que pedem votos da população nas Eleições 2018.

A partir de downloads automatizados dos bancos de dados de processos eletrônicos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Publique-se identifica o CPF de cidadãos que se candidataram a qualquer eleição desde 2006. Desta maneira, é possível encontrar qualquer político citado em processos apenas digitando o nome dele.

“Houve um imenso esforço de captura e tratamento de dados para possibilitar a busca dentro desses documentos. O que você vai achar ali não são apenas processos que têm determinado político como réu ou investigado, mas todas as referências àquele político dentro de documentos em diferentes processos – mesmo que ele não seja parte naquele processo. Certamente há muita pauta escondida ali”, diz Tiago Mali, coordenador do projeto.

*As informações são do Portal IMPRENSA e da Abraji.

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O pioneirismo da Bahia na indústria gráfico-editorial privada brasileira

Por Luis Guilherme Pontes Tavares*

O 10 de setembro não é mais o Dia Nacional da Imprensa. Esse destaque dado à data de estreia da Gazeta do Rio de Janeiro, periódico oficial da Corte Portuguesa no Brasil, criado em 1808, não se sustentou diante da primazia reclamada para o Correio Braziliense; ainda que não se conteste que a Gazeta é, de fato, o primeiro periódico impresso em território brasileiro. O outro foi impresso no estrangeiro. No 10 de Setembro, agora, se comemora o Dia do Gordo.

A decisão do Governo Fernando Henrique Cardoso – Lei 9.831, sancionada em 13 de setembro de 1999 – de distinguir o 1º de Junho como Dia da Imprensa foi fruto do lobby gaúcho que objetivou estabelecer que o pioneirismo do jornalismo impresso brasileiro foi de Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça (1774-1823) com o seu Correio Braziliense ou Armazém Literário, impresso na Inglaterra entre 1808 e 1822. O jornalista Hipólito da Costa nasceu em Colônia do Sacramento, quando essa povoação ainda pertencia a Portugal. Tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, Colônia integra o território Uruguai, de modo definitivo, desde 1828.

A decisão de Fernando Henrique Cardoso de sancionar, em 1999, a Lei aprovada no Senado Federal no ano anterior, agradou tanto os gaúchos como ao segmento de comunicadores avesso a tudo que tem sinete oficial.

A propósito de pioneirismo na linha do tempo deste jovem Brasil, somo, desde o final da década de 1980, meus esforços à luta para fixar na nossa história que o português Manoel Antonio da Silva Serva (nascido em Trás-os-Montes, norte de Portugal, no meado da segunda metade do século XVIII, e falecido no Rio de Janeiro em 03 em agosto de 1819) é o pioneiro da indústria gráfico-editorial privada brasileira. O seu periódico Idade d’Ouro do Brazil, lançado em Salvador em 14 de maio de 1811, é o terceiro jornal brasileiro, antecedido apenas pelo Correio Braziliense, impresso em Londres a partir de 01 de junho de 1808, e pela Gazeta do Rio de Janeiro, iniciada em 10 de setembro de 1808, por decisão da Corte Portuguesa refugiada no Brasil. A Gazeta é o embrião do Diário Oficial da União, publicado pela Imprensa Nacional, em Brasília.

Os estudos sobre Manoel Antonio da Silva Serva foram retomados nos últimos anos, de modo mais visível a partir de 2008 e 2011 quando transcorreram, nesta ordem, o bicentenário da Imprensa brasileira e da Imprensa baiana.

Na segunda metade do século XX, foram lançados, nesta sequência, os estudos do bibliógrafo baiano Renato Berbert de Castro (1924-1999) – A primeira imprensa da Bahia e suas publicações: Tipografia de Manoel Antonio da Silva Serva, 1811-1819. Salvador: Departamento da Educação Superior e Cultura (DESC/SEC), 1969 –; dos professores cariocas Cybelle e Marcello de Ipanema – A primeira tipografia do Brasil. Rio de Janeiro: Instituto de Comunicação Ipanema, 1977 –; e da professora luso-brasileira Maria Beatriz Nizza da Silva – A primeis gazeta da Bahia: Idade d’Ouro do Brazil. São Paulo: Cultrix/MEC, 1978.

Na década atual, surgiram duas relevantes publicações sobre a vida e a obra de Manoel Antonio da Silva Serva. A primeira, o fac-símile da revista As Variedades ou Ensaios de Literatura. Salvador: Fundação Pedro Calmon (FPC); Associação Bahiana de Imprensa (ABI); Núcleo de Estudos da História dos Impressos da Bahia (NEHIB); Empresa Gráfica da Bahia (EGBA), 2012, mais um pioneirismo de Silva Serva, datado de janeiro de 1812. É a primeira revista publicada no Brasil; e a segunda, a biografia do pioneiro da indústria gráfico-editorial privada brasileira de autoria de seu descendente e jornalista Leão Serva – Um tipógrafo na Colônia: vida e obra de Silva Serva. São Paulo: Publifolha, 2014. Somam-se a essas iniciativas auspiciosas, os vários artigos que o professor Pablo Iglesias Magalhães, da Universidade Federal do Oeste de Bahia (UFOB), tem publicado em revistas nacionais e internacionais e que revelam aspectos novos da atuação de Silva Serva, sobretudo a ligação dele com a Maçonaria.

Em 03 de agosto de 2019, portanto dentro de menos de um ano, a Bahia e o Brasil deveriam lembrar os 200 anos da morte do empresário Manoel Antonio da Silva Serva, que ingressou na nossa história como empreendedor pioneiro na fabricação de periódicos e livros, uma audaciosa iniciativa num país que ainda hoje convive com taxas ínfimas de leitura.

Em 1969, quando dos 150 anos da morte de Silva Serva, o bibliógrafo Renato Berbert de Castro organizou exposição das obras e lançou a primeira parte de seu levantamento sobre as Servinas, neologismo que ele criou para identificar as obras impressas pelas tipografias da família Silva Serva entre 1811 e 1846. A segunda parte, prossegue inédita. Em 2008, a Editora da Universidade de São Paulo (EDUSP) aceitou a sugestão para publicar nova edição, agora completa, da obra de Berbert de Castro com o catálogo dos produtos editoriais da Typographia Silva Serva e suas decorrentes. A família, todavia, estabeleceu impasse e não autorizou a impressão.

Informo, neste final, que, desde o primeiro semestre de 2018, venho mantendo contatos com pessoas e instituições baianas e de outros estados com o propósito de amealhar apoio para a realização de evento itinerante – Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo – em agosto de 2019 a fim de rememorar a inestimável contribuição do português Manoel Antonio da Silva Serva à indústria e à cultura brasileiras. A minuta do projeto foi repassada para todos e me darei muito satisfeito se conseguir, pelo menos, trazer um dos convidados internacionais, quer seja o professor português Manoel Cadafaz de Matos, diretor do Centro de Estudos da História do Livro e da Edição (CEHLE), e/ou o também professor português Arthur Anselmo, autor de vários estudos sobre história da imprensa, e/ou o professor inglês Laurence Hallewell, autor do clássico O livro no Brasil (2.ed. revista e ampliada. São Paulo: EDUSP, 2005).

A luta continua. Vamos em frente!

* Jornalista, produtor editorial e professor universitário. É Doutor em História Econômica pela FFLCH/USP. Integra a diretoria da Associação Bahiana de Imprensa (ABI).