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Desfile do “2 de julho” faz homenagem especial a Consuelo Pondé de Sena

Por Luana Velloso*

O desfile do 2 de Julho deste ano fará uma homenagem especial a Consuelo Pondé de Sena, ex-diretora da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), que faleceu em maio. Galhardetes estamparão uma foto da historiadora, com a inscrição Guerreira na Preservação da História da Bahia. Às 16h, o cortejo fará uma parada em frente ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), instituição que Consuelo dirigiu por quase 20 anos.

O Presidente do IGHB, Eduardo Morais de Castro, disse que essa é uma das muitas homenagens que Consuelo tem recebido e de forma merecida. “Este ano a festa homenageia as guerreiras da independência e Consuelo foi uma guerreira da cultura. Ela brigava para preservar a cultura da Bahia, pela festa do 2 de julho e pelo Instituto Geográfico”, completou.

Consuelo Pondé foi uma grande incentivadora e responsável por manter a tradição dos desfiles da independência da Bahia.  Em uma entrevista para o A Tarde Educação, Consuelo falou sobre a tradição e da atuação do IGHBA para a preservação do 2 de julho: “A festa tem perdido muito prestígio. Lá na Lapinha continua o mesmo entusiasmo, mas a segunda etapa da tarde caiu muito. No Campo Grande é melhor, pois tem música. Mas o 2 de Julho ainda não se transformou em um carnaval, graças a Deus. De qualquer maneira, essa casa tem sido a guardiã de tradições que a gente não pode deixar morrer. Todo povo tem que ter a sua história e manter a sua tradição”.

Na mesma oportunidade ela falou sobre o desejo de implantar um memorial sobre o 2 de Julho. “Queria que houvesse um memorial que ficasse aberto à visitação pública. Poderíamos fazer uma réplica das estátuas dos caboclos para que desfilassem, e as estátuas antigas ficariam guardadas”.

Guerreiras da independência

Este ano, o tema do Desfile do 2 de Julho será Guerreiras da Independência, lembrando as mulheres que participaram da luta pela independência da Bahia e do Brasil, representadas por Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa. O evento, promovido pela Fundação Gregório de Matos (FGM), contará com decoração especial assinada pelo artista plástico Euro Pires em todo o percurso e programação cultural. Uma mulher também será responsável por acender a pira que vai abrigar o Fogo Simbólico da Independência, instalada no Campo Grande. A função ficará a cargo da maratonista Marily dos Santos, que é alagoana radicada na Bahia e foi representante do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2008.

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Reinvenção e tradição nas comemorações do Dois de Julho

Ao longo das ruas, ladeiras e praças, os baianos resgatam anualmente a história de luta que culminou na Independência da Bahia, comemorada desde 1824, um ano após a conquista da liberdade do julgo de Portugal Colônia. Além de ser feriado estadual e efeméride nacional, o 2 de Julho passou a ser considerado Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia desde 26 de Junho de 2006, por motivos sócio-antropológicos, históricos e simbólicos. No feriado da Independência, as tradicionais fanfarras, o desfile de colégios estaduais, de militares, dos movimentos sociais, de políticos dos mais diversos partidos, dos grupos de samba e batucadas compõem o heterodoxo cenário do cortejo, que cada vez mais incorpora novos elementos e se reinventa.

Ala das tradicionais fanfarras/Foto: Joseanne Guedes/ABI
Ala das tradicionais fanfarras/Foto: Joseanne Guedes/ABI

Já há algum tempo, ao caráter histórico-cívico da festa juntam-se manifestações de grupos religiosos, além de ter espaço para as mais diversas reivindicações das chamadas minorias sociais. No Dois de julho de 2014 não foi diferente. Quem foi ver os carros do Caboclo e da Cabocla passarem, assistiu a um cortejo de fé e celebração democrática de um espaço para a presença de todas as legendas políticas, manifestações religiosas e de gênero, além de trabalhadores de diversos segmentos profissionais, que aproveitam a grande visibilidade do ato cívico para levar à sociedade suas reivindicações.

Balões, faixas e pirulitos exibem antigas e necessárias reivindicações da população, como educação, saúde e moradia. Partidos políticos e coligações desfilaram em uma ala, o que não evitou confrontos entre militantes. Além dos candidatos ao governo do estado, postulantes ao Palácio do Planalto marcaram presença este ano na festa baiana. E se receberam aplausos, também não escaparam das vaias de uma população descontente e indignada com os desvios da representação política, sobretudo a corrupção, que frequenta diariamente as páginas dos jornais.

Quem coordena a programação do 2 de julho, um dos eventos mais esperados do calendário baiano, é a Fundação Gregório de Matos, organizadora da festa que se estende por dias. Logo no dia 1º, o Fogo Simbólico chega a Pirajá, no dia seguinte, há a Alvorada na Lapinha, a saída do Cortejo pelas ruas do Centro Histórico em direção à Praça Tomé de Souza, o concurso que elege a fachada mais bonita entre as casas que se enfeitam no trajeto, a retomada do Cortejo durante a tarde, o hasteamento de bandeiras no Campo Grande e acendimento da Pira. A comemoração só termina no dia 5, com o desfile que marca a volta do Caboclo e da Cabocla ao Pavilhão da Lapinha.

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Contudo, é no miolo destas comemorações que se nota a mescla do caráter histórico e oficial com as manifestações e protestos culturais populares. A atenção dos baianos e dos turistas que desembarcam em Salvador, em especial em um ano que coincide com o evento Copa do Mundo FIFA, é o caráter de protesto da festa, que não é uma novidade.

O antropólogo Roberto Albergaria lembra que, no contexto da independência, a pauta de reivindicações sociais foi desrespeitada pelo Império. “A mitologia baiana construiu e magnificou o 2 de Julho, transformando-o em um mito de origem. Ele nasceu com os protestos contra a quebra de acordos no pós-guerra, sendo que as imagens dos caboclos representavam os combatentes anônimos do povo que tiveram papel importante na libertação. Era uma festa do Recôncavo, uma festa popular, mas o crescimento das cidades se encarregou de dividir em tribos. Até que virou uma prévia de muitas coisas, inclusive das eleições e das paradas gays, perdendo o sentido cívico”.

E tudo caminha nesse sentido. O 2 de Julho, em ano eleitoral, indica quem tem ou não prestigio eleitoral e, de certa forma, é um momento de aferição para futuros vencedores e vencidos nas próximas urnas. Para os políticos, um teste no trânsito do corpo a corpo sob apupos ou vaias, fora das blindagens da TV.

Personagens dos caboclos são reinterpretados e assimilados como entidades a serem cultuadas pelos adeptos de religiões de matiz africana - Foto: Joseanne Guedes/ABI
Ao longo dos anos, as personagens dos caboclos foram reinterpretadas e assimiladas como entidades a serem cultuadas pelos adeptos de religiões de matiz africana – Foto: Joseanne Guedes/ABI

Mas, Albergaria destaca pelo menos dois elementos incorporados à festa que, para ele, mostram que a cultura é reciclada e está em constante transformação. “Dois fatores fundamentais estão sendo assimilados pelo cortejo. O primeiro é a ressignificação das personagens dos caboclos, que foram reinterpretados pelo nosso ‘umbandomblé’ difuso, a ponto de religiosos levarem oferendas e bilhetes para depositarem nos carros. Então, o caboclo, antes símbolo da baianidade, deixa de ser lembrado pela luta e passa a ser visto como entidade a ser cultuada. O outro ponto é a intensa e polêmica participação de gays nas fanfarras colegiais, que se transformaram em um espaço de expressão e ponto de encontro para gays, lésbicas e simpatizantes. Na última década, a nova tradição das balizas acrobatas se incorporou ao balaio-de-gatos que é o cortejo 2 de julho”.

Na linha crítica de certas interpretações do 2 de Julho, o  historiador baiano Luís Henrique Dias Tavares, autor do livro “Independência do Brasil na Bahia”, assinala esta data à presença de heróis na construção do imaginário popular baiano. Em entrevista à jornalista Mariluce Moura, Dias Tavares lembra que a Bahia saiu muito pobre da guerra e construiu o 2 de julho de 1823 como uma data da independência, que era da Bahia, mas que era também do Brasil. A obra de Tavares destaca equívocos como as homenagens ao General Labatut e a imagem de uma Maria Quitéria com um saiote escocês, com uma linda farda e com arma na mão. “Ela esteve realmente em vários instantes de luta, mas esfarrapada, com o que restava em cima do corpo, porque foi parte desse exército brasileiro”.

A cenografia do cortejo

Aspecto importante no cortejo, a ornamentação de fachadas é tema do concurso cultural “Decoração da Fachada – 2 de Julho” e integra a programação da Secretaria de Cultura (Secult) para as comemorações dos 191 anos da Independência da Bahia. Este é o segundo ano consecutivo que o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), com os apoios da Fundação Gregório de Mattos e prefeitura de Salvador, organiza a competição, depois de um hiato entre 2010 e 2012.

Temática cívica, preservação do patrimônio, criatividade, originalidade, preocupação com meio ambiente são os elementos avaliados pela comissão julgadora, formada por artistas plásticos, arquitetos, jornalistas e técnicos do Ipac. Esta é uma forma de estimular e convocar a participação dos moradores no embelezamento das fachadas de suas casas e a marcarem presença nas janelas e sacadas.

D. Maria de São Pedro e sua filha Nea Santttana exibem orgulhosas sua fachada decorada com as cores da Bahia e do Brasil - Foto: Joseanne Guedes/ABI
D. Maria de São Pedro e sua filha Nea Santttana exibem orgulhosas sua fachada decorada com as cores da Bahia e do Brasil – Foto: Joseanne Guedes/ABI

Na Rua Direita do Santo Antônio, há 38 anos mora D. Maria de São Pedro, 74 anos, que faz aniversário em meio aos festejos da independência. Ela é uma das moradoras que capricham nas fachadas das casas. Há 20 anos, com o auxílio da família, ela ajuda a contar a história do 2 de Julho, através de cenários que envolvem personagens históricos e elementos da fauna e da flora brasileira. Na frente da casa de número 34, encontramos Maria Quitéria e Castro Alves, representados pelos netos da carismática D. Maria. Quem também já fez parte desse elenco no papel de Maria Quitéria foi sua filha, a estilista Nea Santtana. “É uma data muito importante para nosso estado. Todo o artesanato é feito por nós com muito amor. No ano passado, vencemos o concurso de fachadas”.

A professora D. Noêmia Cerqueira ornamenta sua casa há quase cinco décadas - Foto: Joseanne Guedes/ABI
A professora D. Noêmia Cerqueira ornamenta sua casa há quase cinco décadas – Foto: Joseanne Guedes/ABI

Rua do Carmo, número 7. Esse é o endereço da professora aposentada Noêmia Cerqueira, 64 anos, que desde os 18 anos também ornamenta a fachada de sua casa em comemoração ao 2 de Julho. “Comecei a decorar na época em que eu ensinava nos colégios públicos de Salvador e nunca mais parei. Eu queria mostrar a importância da data, chamar a atenção para a nossa história e reforçar o sentido patriota da festa”, conta a educadora.

Durante todo o percurso, famílias acenavam das janelas que se tornaram camarotes com vista privilegiada para o espetáculo de cores, em um dia repleto de manifestações artísticas, culturais e religiosas. Quem faz de tudo para não perder o desfile é a advogada baiana Magnólia Regis, que mora na cidade do Rio de Janeiro há mais de 30 anos, “Estudei no Colégio Severino Vieira, em Nazaré, e defendo o ensino dos nossos hinos nas escolas brasileiras. Temos que manter essa belíssima tradição das fanfarras e não deixar a história de perder. O apagamento do nosso passado e a ignorância do povo é conveniente para quem está no poder”.

Com isso concorda a diretora Eliete Silva, responsável pela Fanfarra do Colégio Estadual Duque de Caxias (Fanduc), localizado no bairro da Liberdade. “Nosso grupo é tradicional, histórico. Passamos o ano nos preparando para participar do cortejo, que é uma forma de valorizar nossa história. Através da música, da arte, resgatamos jovens para o convívio escolar”, ressalta.

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Presidente da ABI vai receber Comenda Dois de Julho da Assembleia Legislativa

Antonio Walter Pinheiro, presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)

A Assembleia Legislativa da Bahia aprovou por unanimidade projeto de resolução que concede  a Comenda Dois de Julho ao diretor-presidente da Tribuna da Bahia e presidente da Associação Bahiana de imprensa (ABI), Antonio Walter Pinheiro, “não só pelos seus serviços às comunidades menos favorecidas como integrante de várias instituições filantrópicas e de beneficência, mas, sobretudo, como uma maneira de o Poder Legislativo homenagear toda a imprensa baiana na passagem do Dia do Jornalista”.

Assinado pelo deputado Euclides Fernandes, o projeto tem a seguinte justificativa: “Em 1931, a Associação Brasileira de Imprensa decidiu que o dia Sete de Abril será considerado como o Dia do Jornalista, como uma forma de homenagear o jornalista e médico Libero Badaró, assassinado no dia 22 de novembro de 1830, em São Paulo, por alguns dos seus inimigos políticos.

O movimento popular que se gerou por causa do seu assassinato levou a que D. Pedro I abdicasse em 1831, no dia 7 de abril. Este Projeto de Resolução além de homenagear o presidente da ABI, jornalista Walter Pinheiro, em reconhecimento ao seu intenso e incansável trabalho como integrante de entidades filantrópicas e beneficentes e o lídimo representante da classe jornalistica, o que pretendemos, também, é que o Poder Legislativo homenagei todos os integrantes da categoria profissional também denominada de Quarto Poder.

Para isso, precisamos do apoio e participação de todos os meus pares para que esta proposição esteja aprovada a tempo de ter sua solenidade de entrega marcada para o dia Sete de Abril, Dia do Jornalista. Além de presidente da Tribuna da Bahia, Walter Pinheiro já integrou a diretoria da Santa Casa da Misericórdia, o Conselho Definidor da Casa Pia e colégio de Órfãos de São Joaquim,  é membro do Instituto Movimenta Salvador e dos conselhos da Associação Brasil-Portugal, da FIEB e do conselho de Desenvolvimento Econômico e social do Estado da Bahia.

Em reconhecimento às suas atividades já foi agraciado com a Ordem do Mérito rio Branco; Medalha Tomé de Souza; além de agraciado pelas três Forças Armadas e mais a Polícia Militar da Bahia”.

FONTE: Tribuna da Bahia

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Data baiana poderá se tornar novo feriado nacional

O Dia da Independência da Bahia, em 2 de julho, poderá ser uma data comemorada nacionalmente

O Senado aprovou na última quarta-feira, por meio de votação simbólica no plenário, o projeto de lei da Câmara (PLC 61/2008) que oficializa o dia 2 de julho como data histórica no calendário nacional, gerando um novo feriado. O movimento de independência na Bahia, que começou em 1821 e terminou em 2 de julho de 1823, é considerado um precursor da independência nacional, que viria em 7 de setembro de 1822, segundo informações da Agência Senado.

Ao contrário da proclamação de independência pacífica do Brasil, o movimento baiano foi sangrento, com forte participação civil na luta contra a opressão portuguesa. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) disse que, com a aprovação da matéria, o Senado ajuda a resgatar a história brasileira. O senador Romero Jucá (PMDB-RR), que presidia a sessão, parabenizou o povo baiano e a todos os que lutaram pela independência do País.

Para o senador Walter Pinheiro (PT-BA), a data é de suma importância para a memória do Brasil. “Este projeto resgata a história e faz com que esse ato possa circular nos diversos cantos do País e nas escolas, para que o povo brasileiro tenha acesso à sua história, dando aos verdadeiros heróis o merecido destaque”, afirmou ele. A matéria seguiu para sanção da presidente Dilma Rousseff.

Fonte: Terra