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Debate resgata história do nascimento da imprensa na Bahia

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) reuniram na tarde desta sexta-feira, 14 de maio, jornalistas e pesquisadores para discutir as circunstâncias históricas que determinaram a implantação do Idade D’Ouro do Brazil, o primeiro jornal que existiu na Bahia e o segundo no Brasil, e o Diário Constitucional, primeiro jornal no país a fazer oposição ao governo. Transmitido pelo Youtube do IGHB, o evento online marcou os 210 anos da imprensa na Bahia, trouxe curiosidades sobre a imprensa da época e homenageou Manoel Antonio da Silva Serva, pioneiro da indústria gráfico-editorial privada brasileira.

Já na abertura, o jornalista e radialista Ernesto Marques, presidente da ABI, destacou sua expectativa com a parceria entre as entidades proponentes do encontro, ressaltando a importância de se conhecer a história do nascimento da imprensa no estado. “É uma honra muito grande participarmos junto com uma instituição tão importante quanto o IHGB. Esperamos que essa parceria seja muito profícua e produza outros encontros como esse”, afirmou Marques, ao entregar a mediação do evento para o jornalista Jorge Ramos, pesquisador do IGHB e diretor da ABI, responsável pelo Departamento Museu Casa de Ruy Barbosa.

Como debatedores, a mesa contou com o jornalista Leão Serva, o historiador Pablo Magalhães e o publicitário e jornalista Nelson Varón Cadena, diretor de Cultura da ABI. Os pesquisadores presentearam a audiência com abordagens aprofundadas do conteúdo das edições e analisaram os impactos da imprensa na sociedade colonial da Bahia.

Em mais de 40 anos de jornalismo, Leão Serva atuou nos principais órgãos de imprensa do país e hoje dirige o Departamento de Jornalismo da TV Cultura de São Paulo. Ele é tataraneto de Manoel Antonio da Silva Serva, fundador e dono da tipografia onde era impresso o Idade D’Ouro do Brazil, jornal que começou a circular em 14 de maio de 1811. Além de imprimir o Idade D’Ouro do Brazil e depois outros jornais, ela produzia formulários e outros impressos, como a revista As Variedades ou Ensaios de Literatura, a primeira publicação na área cultural do Brasil, surgida em 1814. “Dizem que o Brasil não tem memória, mas uma pequena lembrança persistiu da história da fundação da imprensa na Bahia por Manoel Antonio da Silva Serva”, comentou. Segundo ele, foi um livro de Berbert de Castro que lhe fez conhecer melhor a história do seu antepassado e foi o professor Luís Guilherme Pontes Tavares, vice-presidente da ABI, quem o atraiu para a pesquisa histórica.

Leão Serva ressaltou o pioneirismo que a Bahia costuma ter ao longo da história do Brasil e traçou paralelos entre a imprensa de ontem e de hoje. “Existem momentos na história em que encontramos fatos muito parecidos com os do passado. Em seu tratado sobre a história da Idade D’Ouro, a professora Nizza da Silva destaca o fato de que era um jornal sem reportagens, do gênero opinativo ou de uma reflexão de fatos em segunda mão. E hoje, estamos assistindo a uma retração muito acentuada da dimensão noticiosa dos jornais e uma acentuação do jornalismo opinativo. Olhando aqueles jornais do passado, eu tenho aprendido muito nessa reflexão de para onde vai o jornalismo no século XXI”, analisou o professor universitário, autor do livro “Um tipógrafo na Colônia: vida e obra de Silva Serva, precursor da imprensa no Brasil e das fitas do Bonfim”.

O historiador Pablo Magalhães, professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), falou dos impactos do Idade D’Ouro na sociedade da época e as origens do jornal. Ele dedicou os últimos 12 anos para estudar Silva Serva, um comerciante nascido entre outubro e novembro de 1761. Magalhães rebate pesquisadores que entendem o Idade D’Ouro como um jornal áulico. De acordo com ele, a imprensa na Bahia é estabelecida entre a Conjuração Baiana de 1798 e a Guerra da Independência.

“Considerar esses dois episódios históricos significa entender a importância da imprensa entre um e outro. Era um momento de absolutismo monárquico. Doze anos antes da Idade D’Ouro surgir, quatro pessoas foram decapitadas em Salvador por desafiar a autoridade colonial”, argumenta Pablo. “Aquela imprensa foi instituída sobre um mecanismo de censura. Para a tipografia ser criada, teve que existir uma comissão de censura. E o governador interferia nisso. Dizer que o jornal é áulico seria simplificar”, explica. O pesquisador também detalhou o perfil biográfico da família serva e falou sobre a atuação dos primeiros jornais em processos históricos decisivos, como a expansão do discurso emancipacionista.

O Idade D’Ouro que começou a circular em 14 de maio de 1811

“É na Tipografia Serva também que começa a trajetória de um jornal que acabou se transformando em três títulos diferentes: Diário Constitucional, que circulou de agosto de 1821 até março de 1822; O Constitucional (abril a agosto de 1822); e finalmente se torna Independente Constitucional. “Ele foi o segundo jornal diário e o primeiro jornal de oposição no Brasil e também o primeiro a sofrer agressões”.

De acordo com Cadena, o Diário começou com a proposta de ser imparcial. “Mas nunca foi. Não existe jornal de oposição nem de situação imparcial. Quando um jornal diz que é imparcial é porque é muito parcial”, opinou. “O que favorece o surgimento do Diário Constitucional é o fim da censura. A partir de 1821 até 1823 surgiram pelo menos 15 jornais”, disse.

Ao contrário do Idade D’Ouro, o Diário Constitucional não era autofinanciável. ‘A gente não sabe quem sustentava o jornal. Era muito comum na época os assinantes não pagarem e esse foi o fim da maioria dos jornais que circulavam”, observou o pesquisador. Por seu caráter opositor, o jornal foi empastelado por soldados portugueses.

A live está disponível no YouTube do IGHB e pode ser conferida abaixo:

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ABI e IGHB promovem debate sobre nascimento da imprensa na Bahia

Em 14 de Maio de 1811, circulou o Idade D’Ouro do Brazil, o primeiro jornal que existiu na Bahia e o segundo no Brasil. Para marcar o 210° aniversário da imprensa na Bahia, a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) promovem no próximo dia 14 de maio, às 15h, um debate  virtual (live), reunindo jornalistas e pesquisadores para discutirem as circunstâncias históricas que determinaram a implantação dos primeiros jornais, uma análise do conteúdo das suas edições e os efeitos que a imprensa causou na sociedade colonial da Bahia.

A live será transmitida a partir do Youtube do IGHB, instituição coorganizadora do evento, e terá a participação do jornalista Leão Serva, descendente em linha direta de Manoel Antonio da Silva Serva, criador do primeiro jornal e pioneiro da indústria gráfico-editorial privada brasileira, fundador e dono da tipografia onde era impresso o Idade D’Ouro do Brazil; do historiador Pablo Magalhães, da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB); do jornalista Nelson Varón Cadena, diretor de Cultura da ABI; e do também jornalista Jorge Ramos, que, na condição de pesquisador do IGHB, fará a moderação.

Jorge Ramos explica que o primeiro jornal do Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro, começou a circular em 10 de setembro de 1810 e se destinava a publicar, entre notícias copiadas de jornais europeus, os atos oficiais e administrativos emitidos pelo Príncipe Regente, Dom João, que ocupava o trono do Reino de Portugal em lugar da mãe, a Rainha Dona Maria I, afastada por incapacidade mental. Já o Idade D’Ouro do Brazil, embora fosse um empreendimento privado, anunciava que tinha “autorização do Governo da Bahia” (conforme epígrafe).

Primeira página do Idade D’Ouro | Foto: Reprodução

“Ele também publicava os atos oficiais, defendia os interesses da monarquia e tinha uma equipe de redatores que era, ao mesmo tempo, os próprios censores do jornal. Media 17 centímetros, tinha quatro páginas e era publicado duas vezes por semana. Durante a guerra pela Independência do Brasil, se posicionou contra os brasileiros e sintomaticamente circulou até junho de 1823”, destaca o jornalista.

Jornal independente

No evento, Nélson Cadena vai abordar a história de outro jornal baiano da mesma época, o Diário Constitucional, que surgiu há 200 anos, em 04 de agosto de 1821. Foi o primeiro órgão de imprensa no Brasil a atuar na oposição ao governo, atacando o comandante das Armas, brigadeiro Madeira de Melo, e a Junta de Governo da Bahia na época. Ao contrário da Idade D’Ouro, pregava a união das províncias em torno de dom Pedro, o Príncipe Regente que governava o Brasil em nome do pai, o rei dom João VI. Essa posição chocava-se com as decisões do Parlamento (“Côrtes”), que em Lisboa preparava a primeira constituição portuguesa e não queria o Brasil independente.

O Diário Constitucional defendia também a Liberdade de Imprensa e a existência de um governo autônomo no Brasil, comandado por dom Pedro. O seu redator, Francisco Gomes Brandão Montezuma, foi perseguido, ameaçado de prisão e o jornal empastelado por soldados portugueses em 21 de agosto de 1822, episódio que viria a ser o primeiro atentado à liberdade de imprensa no Brasil.

O jornalista Leão Serva irá participar de São Paulo, onde mora. Ele descende em linha direta de Manoel Antonio da Silva Serva, que introduziu a primeira tipografia da Bahia. Além de imprimir o Idade D’Ouro do Brazil e depois outros jornais, ela produzia formulários e outros impressos, como a revista As Variedades ou Ensaios de Literatura, a primeira publicação na área cultural do Brasil, surgida em 1814.

O historiador Pablo Magalhães, professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), possui vários trabalhos de pesquisa sobre esse tema e vai falar sobre as circunstâncias históricas da implantação da imprensa na Bahia, traçar um perfil biográfico de Silva Serva e falar sobre a atuação dos nossos primeiros jornais durante a campanha pela Independência.

Serviço

Live “Nascimento da imprensa na Bahia”

Data: 14 de maio, às 15h

Transmissão: Youtube do IGHB (www.youtube.com/ighbba)

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469 anos de Salvador: ABI parabeniza a capital da Bahia

São Salvador da Bahia de Todos os Santos, cidade de tantos epítetos, comemora 469 anos neste 29 de março. A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) parabeniza a todos os cidadãos pelo aniversário da capital baiana, a primeira capital do Brasil e uma das mais antigas das Américas.

Nossa cidade se notabilizou por um expressivo conjunto de manifestações culturais, desde a sua gastronomia, passando pela música, arquitetura, pintura, cinema, literatura, artes cenográficas, entre outros elementos responsáveis por sua singularidade. Continuaremos lutando para que Salvador guarde no seu seio as tradições e preserve a memória do seu povo. A ABI segue pronta para denunciar e despertar o interesse da população a conhecer sua história e preservar seu patrimônio.

Lembramos que a data ‘29 de março’ foi definida pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), após a prefeitura solicitar, em 1945, um estudo para definir o marco, já que nunca foi encontrado um documento que revelasse a data de fundação da cidade. Após pesquisa apurada, historiadores membros do instituto fixaram a data simbólica em que hoje comemoramos o aniversário de Salvador.

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IGHB e ABI promovem seminário e lançamento de livro sobre impressos baianos

Em parceria com a Associação Bahiana de Imprensa (ABI), o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia vai realizar nesta quinta (23/11), às 17h, o seminário “Panorama histórico dos impressos baianos”. O encontro seguirá com o lançamento do livro “Anotações sobre Cincinnato Melchiades e a sua Typographia Bahiana” (Salvador: e.a., 2017), do jornalista Luis Guilherme Pontes Tavares. O autor participará da mesa, ao lado da professora Vanilda Salignac Mazzoni, e dos jornalistas e pesquisadores Nelson Varón Cadena e Jorge Ramos. Na ocasião, o livro será vendido por R$ 20,00.

O IGHB é uma das 15 instituições apoiadas pelo programa Ações Continuadas a Instituições Culturais, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) através do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA).

Programação completa:

17h – Seminário “Panorama histórico dos impressos baianos”

  • Professora Vanilda Mazzoni
    “Contribuição da Memória & Arte a preservação dos impressos raros da Bahia”
  • Jornalista Nelson Varón Cadena
    “A construção da História da Imprensa da Bahia”
  • Jornalista Jorge Ramos
    “Jornais e jornalistas cachoeiranos”
  • Jornalista Luis Guilherme Pontes Tavares
    “Cincinnato José Melchiades e a sua Typographia Bahiana”

18h – Lançamento do livro Anotações sobre Cincinnato Melchiades e a sua Typographia Bahiana, de Luis Guilherme Pontes Tavares.

Local: IGHB – Avenida Joana Angélica, 43
71 3329 4463/6336 – www.ighb.org.br