ABI BAHIANA

Bem-vindo, 2019! Otimismo como profissão de fé

OTIMISMO COMO PROFISSÃO DE FÉ

Concluímos 2018, ano em que a nossa Associação Bahiana de Imprensa completou 88 anos de existência. E temos o que comemorar.
A despeito das imensas dificuldades atravessadas pelo Brasil, a ABI manteve-se forte, seja em termos patrimoniais, seja no cumprimento dos deveres estatutários. Importante protagonista na missão de defender o Direito à Liberdade de Informação, a nossa Associação fez-se presente em diversos momentos no decorrer do exercício, para protestar contra atos e fatos que pudessem representar qualquer ameaça à Democracia e aos Direitos Humanos, promovendo reuniões, emitindo notas, cobrando das autoridades a prevalência dos ditames Constitucionais.
Vários eventos foram realizados para a difusão de ideias, reverência a personalidades e discussão de temas do interesse nacional, objetivando o aprimoramento da sociedade.
E a ABI manteve-se atuante no desenvolvimento cultural e na preservação dos mais relevantes valores para a prática do jornalismo.
Chegamos a 2019, um ano que se espera de transformações. Grande é a expectativa pelo novo governo que se inicia. As promessas são muitas, direcionadas à retomada do crescimento econômico e ao fortalecimento dos predicados morais, em busca de uma Nação mais séria, mais justa e mais humana.
Para isso, a Associação Bahiana de Imprensa continuará vigilante, como guardiã das liberdades democráticas, acompanhando a implantação das reformas de que o Brasil necessita.
Façamos do otimismo uma profissão de fé, afinal, todos reconhecem as imensas potencialidades deste país, “gigante pela própria natureza”, e que tem tudo para progredir e ocupar o espaço a ele reservado no cenário das Nações desenvolvidas.

Os obstáculos são grandes, mas nós seremos maiores. Feliz 2019!

Walter Pinheiro
Presidente da ABI

  • Relembre nossos principais fatos em 2018:

ABI promove ação solidária às Obras Sociais Irmã Dulce

A ABI transformou novamente a tradicional brincadeira do “amigo-secreto” natalino em uma ação solidária à obra fundada pela freira baiana. Ao invés de trocarem presentes entre si, os diretores optaram por doar cestas básicas e fraldas geriátricas à instituição.

July Isensée recebe moção de aplausos da ABI

Por unanimidade, a diretoria da ABI aprovou uma moção de louvor e aplausos para a colunista Julieta Miranda Isensée, ‘July’, em razão da passagem dos 106 anos do jornal A Tarde. A homenagem foi proposta pelo diretor Eliezer Varjão.

ABI recebe TJBA em visita ao Museu Casa de Ruy Barbosa

Instituições planejam organizar um calendário comemorativo para o ano de 2019. A programação, ainda sem data definida, prevê uma exposição sobre os 410 anos do TJ, além da celebração dos 170 anos de nascimento de Ruy Barbosa e os 70 anos do fórum que leva o nome do jurista.

ABI exibe “Sem Descanso” nos 70 anos da Declaração dos Direitos Humanos

Documentário reconstrói a jornada de Jurandy de Santana em busca do filho Geovane, torturado e morto por policiais militares em agosto de 2014, em Salvador. A obra lançada no Panorama Internacional Coisa de Cinema foi exibida pela ABI, para lembrar o aniversário de 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Especialista avalia condições do acervo do Museu Casa de Ruy Barbosa

A convite da diretoria da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), o professor José Dirson Argolo, restaurador de obras de arte e especialista em preservação de monumentos e bens históricos, esteve no museu para avaliar as condições em que se encontram o prédio e o acervo da instituição.

Museóloga e artista plástica Lygia Sampaio é homenageada pela ABI

Solenidade de outorga da Medalha Ranulfo Oliveira à artista plástica e museóloga Lygia Sampaio, de 90 anos. A homenagem havia sido proposta pelo jornalista e vice-presidente da ABI, Ernesto Marques, e acatada pela diretoria da entidade presidida por Walter Pinheiro.

ABI recebe documento raro com discurso de Ruy Barbosa na Conferência de Haia

O exemplar do documento “Conferência de Haia”, de autoria do jurista, jornalista e também diplomata Ruy Barbosa, é de 1952. Agora aos cuidados da equipe da ABI, a doação segue para o processo de catalogação e reparos, antes de ficar disponível para o público.

ABI e UniRuy discutem ações após assalto ao Museu Casa de Ruy Barbosa

Instituições possuem um convênio para administrar o equipamento cultural desde 1998. Na reunião, foram abordadas a situação do imóvel localizado no Centro de Salvador e sua vulnerabilidade, bem como ações para reinserir o espaço no circuito cultural.

Associação Bahiana de Imprensa divulga nota sobre as Eleições 2018

O documento destaca o zelo da ABI pela livre manifestação do pensamento e plena liberdade de informação, e pede que os presidenciáveis “pugnem pelo respeito ao povo brasileiro”.

Palestra de Manoel Castro na ABI celebra 30 anos da Constituinte

A ação integrou as atividades da série “Temas Diversos”, que acontece todos os meses como parte da reunião da diretoria.

Assaltantes furtam parte do acervo da Casa de Ruy Barbosa

O Museu Casa de Ruy Barbosa, no Centro de Salvador, foi assaltado no último final de semana. Os criminosos levaram peças da casa onde nasceu o jurista baiano Ruy Barbosa (1849-1923).

Patrimônio em movimento: ABI recebe dissertação sobre carrinhos de café em Salvador

Uma invenção típica dos ambulantes de Salvador, os carros de cafezinho viraram tema da dissertação de mestrado do museólogo Eduardo Araújo Fróes, com o título “Um patrimônio em movimento: os carrinhos de café nas ruas de Salvador”. O trabalho foi apresentado na sede da ABI.

Livro sobre convergência entre esquerda e direita é lançado pela ABI

A ABI lançou o livro “Esquerda X Direita e a sua convergência”. A obra é fruto do debate realizado pela entidade, em maio deste ano, com o jornalista e advogado Joaci Góes; do professor, engenheiro e escritor Fernando Alcoforado; do professor de Ciência Política, Paulo Fábio Dantas; e do jornalista e doutor em Filosofia, Francisco Viana, em comemoração ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

Assembleia Geral aprova reforma do Estatuto da ABI

O dia 26 de setembro foi histórico para a Associação Bahiana de Imprensa (ABI). O Conselho de Diretoria e associados se reuniram para dar continuidade à reforma do estatuto da instituição. A Assembleia Geral que aprovou o texto foi presidida pelo jornalista e professor Florisvaldo Mattos. Como suplente do órgão deliberativo, coube a ele substituir o presidente Samuel Celestino, impedido de comparecer por motivo de saúde.

ABI entrega Medalha Ranulpho Oliveira a Gervásio Baptista em Brasília

Numa cerimônia marcada pelo carinho, reverência e muita emoção, a ABI entregou ao lendário fotojornalista baiano Gervásio Baptista, 95 anos, a Medalha Ranulpho Oliveira, a mais alta homenagem prestada pela ABl a um profissional de imprensa que tenha exercido a profissão no estado.

ABI lamenta a morte do jornalista Luís Augusto Gomes

A entidade se solidarizou com familiares e amigos do editor do blog Por Escrito, um dos mais notáveis espaços baianos de informação política. Luís Augusto, atuante defensor da liberdade de imprensa, em mais de uma ocasião se juntou à ABI.

Museu de Imprensa da ABI realiza curso de paleografia

O Curso de Paleografia, oferecido de forma gratuita pelo Museu de Imprensa da ABI integrou a programação da 12ª Primavera dos Museus, ação promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) entre os dias 17 a 23 de setembro.

Jornalistas palestram na ABI sobre a história da imprensa no Brasil

Para dar continuidade ao projeto “Temas Diversos”, série idealizada pela diretoria da ABI, com o intuito de discutir assuntos relevantes da relação entre a imprensa e a sociedade, a entidade abrigou uma palestra sobre a história da imprensa no Brasil e o papel da Gazeta do Rio de Janeiro. 

ABI oficializa doação do acervo de Berbert de Castro

Uma cerimônia formalizou a doação do acervo do jornalista, comentarista e cinematógrafo José Augusto Berbert de Castro, falecido em 2008. A assinatura do termo aconteceu durante a reunião mensal da ABI.

NOTA: ABI expressa indignação após incêndios no Museu Nacional e no Centro Histórico de Salvador

A ABI se somou à indignação das demais entidades culturais e científicas do Brasil perante o incêndio que consumiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro e seu acervo de cerca de 20 milhões de itens.

Assembleia Geral da ABI aprova contas do exercício 2017/2018

Na pauta da reunião estavam o Relatório da Anual da Diretoria; o Parecer do Conselho Fiscal sobre prestação de contas do exercício administrativo 2017/2018 e respectivas contas da Caixa de Assistência, que foram aprovadas pelo órgão com função deliberativa.

ABI lamenta a morte do professor Edivaldo Boaventura

A entidade lamentou a morte do Professor Edivaldo Machado Boaventura, presidente do Conselho Consultivo da instituição. O escritor e ex-diretor do jornal A Tarde faleceu aos 84 anos, por complicações de um cateterismo.

Associação Bahiana de Imprensa chega ao seu 88º aniversário

Florisvaldo Mattos anuncia segunda edição de livro sobre a Revolta dos Búzios

O professor, poeta e jornalista Florisvaldo Mattos participou da reunião da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), para homenagear o transcurso dos 220 anos de um movimento emancipacionista que agitou a então capitania da Bahia, na última década do século XVIII: a Revolta dos Búzios, também chamada de Conjuração Baiana, Revolta dos Alfaiates ou Revolta das Argolinhas.

ABI e Fundação Pedro Calmon debatem preservação da memória da imprensa

Instituições discutiram medidas de preservação do acervo sobre a imprensa no estado. As atividades dão continuidade ao acordo de cooperação técnica firmado entre as duas instituições, como parte da produção do projeto “Memória da Imprensa na Bahia”.

ABI outorga medalha ao fotojornalista baiano Gervásio Baptista

A diretoria da ABI outorgou ao fotógrafo baiano Gervásio Baptista a Medalha Jornalista Ranulpho Oliveira. A entrega, em Brasília, foi realizada no mês de setembro.

Em reunião da ABI, Marcelo Gentil fala sobre a reativação da Aberje na Bahia

Waldir Pires – ABI emite nota de pesar

A ABI mostrou-se consternada com o falecimento deste grande baiano, vereador, deputado federal, secretário de Estado, ex-governador e ministro da República, Waldir Pires, ressaltando sua inexcedível luta pela liberdade de imprensa, pelo Estado de Direito e pela Democracia.

ABI lamenta a morte do jornalista e professor José Marques de Melo

José Marques de Melo, um dos principais teóricos da Comunicação no Brasil, faleceu em São Paulo, vítima de um enfarto fulminante.

Museu de Imprensa da ABI conclui oficina de conservação documental

“Esquerda x Direita e sua convergência” é tema de debate na ABI

Museu de Imprensa da ABI realiza oficina gratuita de conservação documental

Palestra na ABI expõe impactos das fake news turbinadas pelas redes sociais

A jornalista Suely Temporal, sócia da empresa de comunicação integrada ATcom, ministrou palestra sobre as chamadas “fake news”. O evento inaugurou o projeto “Temas Diversos”, uma série de debates idealizada pela diretoria da ABI.

Filme sobre liberdade de expressão marca o Dia do Jornalista na ABI

As mais de cinco décadas de atuação do jornalista João Carlos Teixeira Gomes (82 anos) foram reverenciadas com o lançamento do documentário “A luta pela liberdade de expressão”.

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ABI promove ação solidária às Obras Sociais Irmã Dulce

Uma atmosfera de amor e solidariedade envolveu a visita da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) à sede das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), na última sexta-feira (28) de 2018. Esta é a segunda vez que a ABI transforma a tradicional brincadeira do “amigo-secreto” natalino em uma ação solidária à obra fundada pela freira baiana. Ao invés de trocarem presentes entre si, os diretores optaram por doar cestas básicas e fraldas geriátricas à instituição, que realiza mais de 3,5 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano a idosos, pessoas com deficiência, crianças e adolescentes, além de indivíduos em situação de vulnerabilidade social.

A superintendente das Obras Sociais e sobrinha de Irmã Dulce, Maria Rita Pontes, foi representada pelo diretor Milton Carvalho. “Essa doação da ABI representa muito para nossa instituição. São alimentos básicos para nossos pacientes, isso ajuda diretamente no custeio da obra. Muito grato pela atenção de vocês”, agradeceu o gestor da OSID, premiada em 2018 como a melhor organização não governamental da Região Nordeste do país, pelo Instituto Doar, em parceria com a Rede Filantropia.

A instituição é considerada pelo Ministério da Saúde o maior complexo de atendimento 100% gratuito em saúde do Brasil e responsável pelo maior volume de atendimentos em toda a estrutura do setor na Bahia.

O presidente da ABI, Walter Pinheiro, promoveu a doação acompanhado pelo diretor de Patrimônio da ABI, Luís Guilherme Pontes Tavares e pelo diretor de Divulgação, Valber Carvalho. Eles recordaram episódios da caminhada de Irmã Dulce – cujo processo de canonização está em andamento –, e ressaltaram a importância das Obras Sociais. Pinheiro confirmou o desejo de continuar ajudando. “Fica renovada a missão da ABI de estar junto, contribuindo para esse trabalho altamente meritório. A inspiradora solidariedade dela nos mostra que esse período do ano vai muito além de uma troca de presentes. É tempo de pensar no outro”, completa o dirigente.

De Maria Rita a Irmã Dulce – Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes nasceu em 26 de maio de 1914, em Salvador. Segunda filha de do dentista Augusto Lopes Pontes, professor da Faculdade de Odontologia, e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes. Maria Rita nasceu na Rua São José de Baixo, 36, no bairro do Barbalho, na freguesia de Santo Antônio Além do Carmo. Aos sete anos, em 1921, perde sua mãe Dulce, que tinha 26 anos. No ano seguinte, junto com seus irmãos Augusto e Dulce (Dulcinha), faz a primeira comunhão.

Aos 13 anos, Irmã Dulce passou a acolher mendigos e doentes em sua casa, transformando a residência da família – na Rua da Independência, 61, no bairro de Nazaré, num centro de atendimento. Nessa época, ela manifesta o desejo de se dedicar à vida religiosa. Em 08 de fevereiro de 1933, entra para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Sergipe. Em 13 de agosto de 1933, recebe o hábito de freira das Irmãs Missionárias e adota o nome de Irmã Dulce, em homenagem a sua mãe. Passou a dar assistência a comunidades pobres, abrigar doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Em 1959, é instalada oficialmente a Associação Obras Sociais Irmã Dulce e no ano seguinte é inaugurado o Albergue Santo Antônio.

Irmã Dulce morreu em 13 de março de 1992, aos 77 anos. A fragilidade com que viveu os últimos 30 anos da sua vida – tinha 70% da capacidade respiratória comprometida – não impediu que ela construísse e mantivesse uma das maiores e mais respeitadas instituições filantrópicas do país.

A causa da Canonização de Irmã Dulce foi iniciada em janeiro de 2000. A validação jurídica do virtual milagre presente no processo foi emitida pela Santa Sé em junho de 2003. Em abril de 2009, o Papa Bento XVI reconheceu as virtudes heroicas da Serva de Deus Dulce Lopes Pontes, autorizando oficialmente a concessão do título de Venerável à freira. A fase de canonização do processo foi iniciada. Isto significa que qualquer graça ocorrida a partir desta data pode vir a ser analisada pelo Vaticano como o potencial milagre de sua santificação ou canonização. Em maio de 2011, ocorreu a Cerimônia de Beatificação de Irmã Dulce. A histórica celebração coroou a primeira beata nascida na Bahia. Após 11 anos de espera, a freira, conhecida por todos como o Anjo Bom do Brasil, passou a se chamar Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, tendo o dia 13 de agosto como data oficial de celebração de sua festa litúrgica. (Informações disponíveis no site da OSID)

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Evento na FACOM analisa relações entre jornalismo e fake news

Palavras-chave como desintermediação, política e fake news deram o tom da roda de discussão ocorrida na manhã de sexta-feira (21), na Faculdade de Comunicação (Facom) da UFBA. O debate mediado pela diretora da unidade, Suzana Barbosa, reuniu o professor Wilson Gomes, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD) e o jornalista Bob Fernandes. Entre as temáticas que movimentaram a participação do auditório lotado, estiveram os desafios do jornalismo para o futuro, frente à crise que avança sobre o setor, e o papel das falsas notícias como arma política nas eleições de 2018.

O pesquisador Wilson Gomes comentou que desde os anos de 1960 havia um crescente desinteresse pela política, situação que mudou radicalmente a partir de 2013. Para explicar o cenário de retomada desse interesse e polarização política exacerbados no pleito eleitoral de 2018, Gomes utilizou a metáfora do esporte. “O brasileiro estava preparado para disputar futebol, agora ele é um torcedor político, ele absorve a mesma atitude de torcedor para a política e se comporta do mesmo jeito. Um time azul, um time vermelho, escolho qual a cor que eu vou jogar”, avalia. A disseminação de informações falsas, segundo o professor, funciona para reforçar o ponto de vista dos adversários, independentemente da veracidade.

Foto: Fernando Franco/ABI

Para ilustrar o estado de espírito que mobilizou os militantes dos partidos de direita e esquerda no WhatsApp, o coordenador do INCT.DD comparou com uma guerra. “Ganhar é mais importante do que qualquer coisa, o interesse pela verdade, por fatos, tudo isso é secundário, o importante é a afirmação do meu ponto de vista. É uma luta por vontade de potência, de poder. E as fake news, nesse sentido, são uma arma conveniente”. Ele acredita ainda que o engajamento político foi comprometido pela falta da razoabilidade das argumentações. “As pessoas estão participando muito intensamente de política, elas passaram a se ocupar desesperadamente, enlouquecidamente com política, como vimos agora em 2018”.

Ainda ao refletir sobre os acontecimentos das eleições deste ano, em que a disseminação de falsas notícias encontrou no mensageiro WhatsApp seu principal manancial, Wilson Gomes afirmou que atualmente “o jogo político se joga em outras arenas. Arenas digitais”. Na avaliação dele, os partidos de direita souberam utilizar as ferramentas digitais de comunicação com mais eficácia que seus opositores, denominando o fenômeno mundial de “Direita 2.0”.

Leia também: Pesquisadores criam métodos para estudar os usos do WhatsApp nas eleições 2018

Com ascensão dos governos de direita, outro fenômeno, a desintermediação, tomou forma e os políticos passaram a falar diretamente nos canais de comunicação, como o Twitter, dispensando o papel de porta-voz das assessorias de imprensa. Gomes lembra que esse comportamento iniciado por Trump, nos Estados Unidos, tem sido reproduzido pelo presidente eleito no Brasil, Jair Bolsonaro. “A fakenização do adversário ou da imprensa é uma forma de desqualificá-los, pois, nesse contexto, a fake news é a news que não me beneficia, que desafia minha posição. Bolsonaro também passou a adotar a mesma coisa, tudo ‘é fake news’”, explica Gomes.

Ele acredita que o trabalho das agências de checagem é de grande relevância no “momento em que mais se precisa de jornalismo”, contudo, elas não têm condições de dar conta do volume e velocidade com que as fake news são produzidas e disseminadas. Wilson Gomes explica que a viralização das fake news se justifica pela busca dos leitores por conteúdos que reforcem seus pontos de vista, em detrimento do jornalismo como fonte de informação válida. “Não é fácil produzir jornalismo num momento em que as pessoas parecem não preferir uma informação do tipo X, de melhor qualidade, do que uma informação do tipo Y, que sirva para reforçar meu ponto de vista”, comentou.

Diante da crise que afeta o atual modelo da indústria da notícia, o jornalista Bob Fernandes defende uma “regulação capitalista dos meios de comunicação”, capaz de reverter a concentração dos meios de comunicação nas mãos de políticos, entidades religiosas e das elites. O jornalista também acredita que o caminho para o enfrentamento do fenômeno das fake news esteja na educação. Regulação da mídia e educação comporiam, na opinião de Bob, os “anticorpos” ou “antivírus” capazes de refrear o fenômeno que desencadeou a crise no jornalismo.

*Texto de Fernando Franco, sob a supervisão de Joseanne Guedes

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2019: Projeto da Abraji e Farol traz projeções para o jornalismo no Brasil

Pela terceira vez, Farol Jornalismo e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) convidaram jornalistas e pesquisadores para projetar o jornalismo no ano que se aproxima. Os profissionais foram desafiados a pensar 2019 em um momento no qual a poeira do pleito eleitoral estava longe de assentar. O resultado da nova edição do especial O jornalismo no Brasil é um quadro que contempla parte do cenário complexo de 2018. De acordo com a série, o jornalismo enfrentará agravamento da desintermediação e credibilidade em baixa.

O jornalista Moreno Osório, professor de jornalismo na PUCRS e cofundador do Farol, diz que o horizonte é de desafios, mas também de oportunidades. Para aproveitá-las, segundo ele, será preciso acordar. “As eleições de 2018 ofereceram uma prévia do cenário a ser enfrentado pelo jornalismo brasileiro em 2019. As campanhas eleitorais, em especial a do presidente eleito, Jair Bolsonaro, aceleraram um processo de desintermediação característico da internet social. Impôs-se de maneira decisiva a máxima de que a informação precisa cada vez menos de mediadores tradicionais para circular, abalando a já fragilizada credibilidade do jornalismo”.

Para o professor, beneficiada por um cenário de polarização, intolerância e agressividade, a lógica de conexão ponta a ponta construiu uma realidade que muitas vezes esteve alheia aos fatos. “Nesse novo ecossistema, atores políticos, de um lado, apresentam cenários que mais lhes interessam. Do outro, o público recebe uma narrativa que melhor representa o seu modo de pensar. Tudo isso passando ao largo do jornalismo e sua função mediadora”, avalia.

“Expor as entranhas das plataformas sociais será essencial”, enfatiza. Osório alerta, no entanto, que isso não será o suficiente para convencer novamente a sociedade da importância do nosso trabalho. Para responder à desintermediação, o jornalismo precisará aprofundar a sua relação com o público. A resposta à desconfiança da imprensa será aumentar a transparência e investir mais em diversidade e colaboração.

A transparência também permeia a reflexão do jornalista e editor do Projeto Comprova, Sérgio Lüdtke, sobre desinformação. Frente a um ecossistema marcado por bolhas de paredes cada vez mais espessas, para conter a desinformação, é imperativo que os atuais esforços de fact-checking sejam mantidos. Mas não bastará que os jornalistas sigam apenas expondo o problema. Será preciso convencer as pessoas de que a narrativa jornalística busca o bem comum. Para isso, o jornalismo necessita de “novo contrato de confiança com a sociedade”.

Esse novo contrato passa por um esforço maior para conhecer o público. No caso da checagem de fatos, a jornalista do Filtro Fact-Checking e pesquisadora Taís Seibt sugere a adoção de formatos que conversem melhor com os ambientes onde o brasileiro costuma se informar. Ela acredita que checagens em vídeo ou em áudio podem ter mais chance de circular no WhatsApp, por exemplo.

As informações contidas nesse texto foram extraídas da série O Jornalismo no Brasil em 2019.