ABI BAHIANA

Retrospectiva ABI 2019

Preparamos uma revista online para relembrar os acontecimentos mais marcantes da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) em 2019. Confira!

Geral

49 jornalistas foram mortos em 2019

Ameaças, agressões, assassinatos. O calendário está prestes a marcar um ano novo, mas uma coisa permanece inalterada: As notícias não são boas se o tema for a violência contra jornalistas e comunicadores. De acordo com o relatório da Repórteres sem Fronteiras (RSF), o jornalismo segue como uma atividade perigosa, apesar de o número de mortes registrado ser o menor dos últimos 16 anos. O documento divulgado pela entidade aponta que apenas este ano 49 jornalistas foram mortos em todo mundo, 389 estão presos e 57 são reféns. Em relação a 2018, houve uma redução de 44% no número de mortes.

“Esse número historicamente baixo, quando comparado à média de 80 mortes registradas nas duas últimas décadas, reflete essencialmente o declínio no número de jornalistas mortos em conflitos armados. A cobertura dos conflitos na Síria, no Iêmen e no Afeganistão mostrou-se, assim, duas vezes menos letal para os jornalistas: 17 foram mortos nos três países em 2019, em comparação com 34 no ano anterior”, diz nota.

Embora o número de jornalistas mortos em conflitos armados tenha caído muito, o número de jornalistas mortos em países “em paz” segue alto. Segundo o relatório, a América Latina se tornou um local tão “letal” quanto o Oriente Médio, com 14 mortes. Foram 10 óbitos apenas no México. “Agora há, proporcionalmente, mais mortes em países em paz (59%) do que em regiões em conflito e um aumento de 2% no número de jornalistas assassinados ou deliberadamente executados”, afirma a entidade.

O secretário geral da RSF, Christophe Deloire, disse que a fronteira entre os países em guerra e em paz está desaparecendo. Outro fato preocupante é que o número de jornalistas presos arbitrariamente no mundo continua a crescer.

Brasil – O Brasil se encontra agora na 105a posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa estabelecido pela organização. Segundo a RSF, o Brasil continua sendo um dos países mais violentos da América Latina para a prática do jornalismo. Em 2018 ao menos quatro jornalistas foram assassinados no país em decorrência da sua atividade. Na maioria dos casos, esses repórteres, locutores de rádio, blogueiros e outros comunicadores mortos cobriam e investigavam tópicos relacionados à corrupção, políticas públicas ou crime organizado, particularmente em cidades de pequeno e médio porte em todo o país, nas quais estão mais vulneráveis.

O Brasil aparece na zona laranja, enquadrado em “Situação sensível”, segundo o relatório – Foto: reprodução/RSF

“A eleição de Jair Bolsonaro em outubro de 2018, após uma campanha marcada por discursos de ódio, desinformação, violência contra jornalistas e desprezo pelos direitos humanos, é um prenúncio de um período sombrio para a democracia e a liberdade de imprensa”, destaca nota da instituição. A RSF também ressalta que o horizonte midiático ainda é “bastante concentrado” no Brasil, sobretudo ao redor de grandes famílias, com frequência, próximas da classe política. “O direito ao sigilo das fontes já foi questionado em diversas situações no país e muitos jornalistas e meios de comunicação são alvos de processos judiciais abusivos”, afirma.

O relatório é realizado desde 1995 e os dados são coletados entre 1º de janeiro e 1º de dezembro do ano da publicação. Para fazer parte do relatório, a detenção, o sequestro, o desaparecimento ou a morte do jornalista precisa ser uma consequência direta do exercício de sua atividade.

Alerta vermelho – O estudo “Quem controla a mídia na América Latina?”, lançado no Brasil pelas organizações Repórteres sem Fronteiras e Intervozes, indica que, na América Latina, os meios de comunicação estão sob o controle do setor corporativo e de famílias empresariais que “se vinculam às elites econômicas e políticas e usam sua capacidade de influenciar a opinião pública como capital”. O estudo analisou a concentração dos meios de comunicação do Argentina, Brasil, Colômbia, México e Peru. A pesquisa integra uma ferramenta de transparência global, o Media Ownership Monitor (MOM).

Segundo as organizações, no Brasil, o resultado indica alerta vermelho. Foram analisados 50 veículos em quatro segmentos (TV, rádio, mídia impressa e online), que pertencem a 26 grupos de comunicação. Nem crescimento da internet, nem esforços regulatórios ocasionais limitaram a formação de oligopólios no país.

“Apesar de toda a diversidade regional existente no Brasil e das dimensões continentais de seu território, os quatro principais grupos de mídia concentram uma audiência nacional exorbitante em cada segmento analisado, ultrapassando 70% no caso da televisão aberta, meio de comunicação mais consumido no país”, destaca a pesquisa. (Clique aqui para acessar o site da pesquisa)

Geral

Especialista detalha o mercado de drones e as exigências para a pilotagem profissional

A pilotagem de drones profissionalmente está longe de ser uma tarefa fácil. Em voos acima de 400 pés (121 metros), mesmo o equipamento com menos de 25 kg, o piloto deve ter licença, habilitação e um certificado especial. A operação só pode ser feita a 30 metros entre o veículo e pessoas não envolvidas no voo. Além disso, os equipamentos precisam não operar nas zonas de aproximação e decolagem de aeródromos. É também proibida a utilização de aeromodelos motorizados próximos às áreas ou instalações urbanas sensíveis a ruído, como hospitais, templos religiosos, escolas e outros. Essas são as regras básicas, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), órgão federal responsável por supervisionar e normatizar a atividade de aviação civil no Brasil. 

Márcio Santos, produtor em audiovisual com experiência de 30 anos, alerta sobre os inúmeros documentos necessários para quem quer se profissionalizar na área. Segundo ele, são seis: Seguro Obrigatório, Registro da ANATEL, ANAC, Manual de Voo, Solicitação de Voo Aprovada do SARPAS (Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas) e um documento de Avaliação de Risco Operacional. “Todos esses papéis têm que acompanhar o piloto durante a operação”, detalha um dos pioneiros em operação de drones na Bahia. 

O modelo de drone tal como conhecemos hoje foi desenvolvido em 1977 por Abraham (Abe) Karem, engenheiro espacial israelita. Na época, eram necessárias 30 pessoas para controlar um único veículo. Atualmente, o uso do instrumento está classificado em dois diferentes tipos de uso: o recreativo e o profissional. No uso recreativo, enquadram-se atividades como filmar viagens e lugares diversos vistos de cima; já o uso profissional é aquele realizado para filmagens de longa-metragem, podendo ser utilizado em mapeamento agrícola, monitoramento geográfico, dentre outros fins. 

Para uso recreativo, a procura por drones quase triplicou. A ANAC regulamentou o uso dos drones, no entanto, irá rever as regras devido ao desenvolvimento no setor. Desde a regulamentação, em 2017, 40 mil equipamentos foram registrados, e mesmo com algumas restrições do uso por empresas, o órgão considerou o crescimento um saldo positivo para o desenvolvimento da aviação civil. Para uso profissional, entre 2018 e 2019, o registro de drones teve um aumento de 51%. Saltou de 18.389 para 27.665.  

O mercado além do mercado 

Além das vendas diretas de drones, existem também outras áreas de mercado dentro do atual e amplificado sistema de comercialização de veículos aéreos não tripulados (e que continua a crescer). Dois exemplos chamam atenção: a formação técnica de pilotos e co-pilotos de drones, bem como o interesse de outros públicos, não apenas homens da área audiovisual. 

Em uma busca através do Google Trends, é possível verificar que a procura pelos termos “curso para pilotos de drones” e “curso de drones” no Google Pesquisa oscilou entre nenhuma e cem buscas no mês de outubro, por exemplo. Justamente naquele período, a empresa “Semear Innovation”, espaço de coworking de Belo Horizonte, realizou um curso de formação de pilotos de drones DJI para iniciantes. Na busca “curso de drone”, o estado que vence o ranking de interesse por região é o Pará. As informações dialogam com o que afirma Márcio Santos: as escolas de formação em pilotos e co-pilotos de drones ainda são raras no Brasil.

Gabriel Andrade, diretor-chefe de Tecnologia da DronesApps, conta que a startup de tecnologia surgiu a partir da necessidade de dar identidade de pessoa jurídica ao Projeto Arena Drones ocorrido nos anos de 2015 e 2016, que teve como objetivo “planejar o desenvolvimento, implementação e integração da inovadora tecnologia dos drones no Estado da Bahia”. Sua empresa atua na prestação de serviços de inspeção, fiscalização, monitoração e mapeamento de ambientes externos ou internos, utilizando aeronaves remotamente pilotadas (drones) e tecnologias da informação e comunicação (TICs). 

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Já Márcio Santos criou a MSTV Soluções em Audiovisual, uma empresa especializada em vídeos para produtos, vídeo clipes de banda, programas de televisão, dentre outros serviços. Através da MSTV, montou cursos para turmas corporativas, já ministrou curso para turmas em instituições filantrópicas, emissoras de TV, além de ser colaborador do Curso de Operador de Aeronaves Remotamente Pilotadas (Corpas), promovido pelo Grupamento Aéreo (Graer) da Polícia Militar da Bahia, curso reconhecido pelo Ministério da Defesa. Em outubro, o Blog do Leo Santos noticiou que policiais do Esquadrão Falcão finalizaram o Corpas. Segundo o jornalista, o uso da “ferramenta tecnológica [drone] nas atividades da autarquia, ganha papel de destaque em ações de fiscalização”. 

Para quem deseja se profissionalizar no uso de drones para a captação de imagens aéreas, Santos dá um conselho. “A primeira coisa é ter consciência que drone não é brinquedo!”, exclama. E disso Larissa Primo tem certeza. A estudante de cinema e audiovisual é videomaker e diretora de fotografia em trabalhos freelancers. Por falta de dinheiro para investir em um curso de pilotos e de oportunidade na área do audiovisual, Larissa começou a fazer aulas com o pai, o produtor em audiovisual Dior Silva, a fim de garantir o investimento em sua faculdade. Segundo ela, a diária de uma captação de imagem aérea, mesmo fora da altura considerada como uso profissional, supre essa necessidade. 

Enquanto não consegue custear as despesas da formação em pilotagem de drones, ela segue conduzindo o veículo dentro dos limites do uso recreativo. A expectativa de Larissa em se profissionalizar é grande e ela vem juntando dinheiro, já que o valor médio de um curso intensivo como o da DronesApps é de R$ 1.000,00. “Estou ciente da necessidade da regulamentação e dos valores, mas, com toda a realidade de desemprego que vem acontecendo no Brasil, a maior parte do dinheiro que eu recebo vai para ajudar na minha casa”, afirma.

*Edição: Joseanne Guedes 

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Orquestra da Camerata Acadêmica encerra a Série Lunar 2019

Com olhos brilhantes e ouvidos bem atentos, ela observava o passear dos arcos sobre as cordas. Vez ou outra, a contadora Rosemeire Rodrigues, de 53 anos, se colocava de pé para aplaudir os músicos que se apresentaram ontem (11) à noite no Auditório Samuel Celestino, durante a sétima edição da Série Lunar. O ciclo 2019 da Série foi encerrado pela encantadora apresentação da Orquestra da Camerata Acadêmica da Universidade Federal da Bahia.

“Excelente projeto, nota 10. A apresentação foi maravilhosa”, destacou Rosemeire. Ela se define como “amante de boa música” e sai do bairro do Imbuí para prestigiar a Série Lunar desde a quinta edição. “Pena que não fiquei sabendo antes. Quando soube, não perdi mais. Participarei em 2020”, afirmou.

Fruto de uma parceria entre a Associação Bahiana de Imprensa e a Escola de Música da UFBA (EMUS), o projeto contou com apresentações da Orquestra de Violões da UFBA, Quarteto Gamboa, Ana Paula Albuquerque, do grupo de canto coral Madrigal da UFBA, Grupo de Violoncelos da UFBA e do violonista Mario Ulloa.

Novos espaços – De acordo com o diretor da EMUS, professor José Maurício Brandão, sua gestão busca pluralizar os espaços de escoamento de produção da escola. “Temos a própria Universidade, mas acabamos não atingindo outros públicos. Numa cidade como Salvador, com sérios problemas de mobilidade, é complicado as pessoas virem até nós. Então, é necessário criar capilarização, para que produtos da universidade cheguem à sociedade”, destacou.

José Maurício (à esquerda) ao lado do grupo

Brandão também enfatizou a necessidade de fortalecimento das relações institucionais. “Através desse projeto, estamos estreitando relações com a ABI, assim como fazemos com outras instituições, em projetos diversos. Isso fortalece a sociedade. Deixamos de ser um monte de gente empurrando a pedra, sem saber para que lado iremos. No momento em que damos as mãos, os efeitos tendem a ser mais sólidos”, defendeu o professor.

Por último, ele ressaltou a importância histórica do prédio da ABI e a relação entre imprensa e arte. “Este espaço se relaciona com o ambiente histórico da cidade”. Segundo ele, a Série conseguiu conjugar aspectos históricos, sociais, naturais e culturais. “Muitos elementos que se juntam nessas quartas-feiras, uma vez por mês. É fundamental que façamos esse tipo de evento para fortalecer nosso tecido cultural. Ao final, o objetivo é que vivamos numa sociedade melhor”, concluiu.

Ernesto Marques, vice-presidente da ABI, avaliou como positivo o saldo do projeto. “Um sucesso de crítica. Estamos todos muito felizes com o que conseguimos fazer aqui e muito animados para a próxima temporada, com essa programação de qualidade”, destacou. Ele observou o fato de grande parte do público ter conhecido a ABI por causa da Série. “Isso tudo nos anima a fazer em 2020 um ciclo muito melhor do que foi em 2019. Vamos trabalhar para que mais pessoas tenham acesso”, garantiu o dirigente, acompanhado pelo diretor de Patrimônio da ABI, Luís Guilherme Pontes Tavares.

Camerata – Para o violonista Alexandre Casado, um dos coordenadores da Camerata, a parceria é de “extrema importância” porque leva a um público novo a oportunidade de ouvir música de concerto. “Escolhemos um repertório de clássicos populares, acessível à maioria das pessoas e que facilitam a ambientação”, explicou. Ele agradeceu a oportunidade e colocou a Camerata à disposição para participar das próximas edições. “É uma bela sala e uma vista maravilhosa. Um espaço muito adequado para concerto. Voltaremos!”, adiantou o coordenador da Camerata.

O grupo se apresentou com dois violinos, uma viola, um contrabaixo e um violoncelo. “A espinha dorsal de uma orquestra”, afirmou Casado. O grupo formado há cerca de 15 anos é reconhecido pela liderança artística compartilhada, onde as apresentações ocorrem, na maioria dos concertos, sem regência. Além de Alexandre Casado, colaboram como organizadores, as professoras Suzana Kato e Laura Jordão, e participam do grupo alunos da graduação, pós-graduação e técnicos da Escola de Música.

A Camerata Acadêmica nasceu quando um grupo de professores, inspirados na legendária Camerata Fiorentina, resolveu reunir artistas para discutir e executar especificamente música. A Fiorentina em seu apogeu, entre os anos 1577 e 1582, diferentemente, discutia além de música, literatura, ciências e artes em geral. Foi assim que o até então laboratório de cordas tornou-se a “Orquestra da Camerata Acadêmica”, com inspiração no grupo de aristocratas do período de 1500, porém, com propósito um pouco diferente. Além de professores, foram convidados ao grupo, os mais notáveis estudantes de música da UFBA, bem como profissionais que atuavam fora da academia.

Série Lunar 2019 – 1ª temporada (atrações)

– 18 de junho: Orquestra de Violões

– 17 de julho: Quarteto Gamboa 

– 14 de agosto: Ana Paula Albuquerque

– 11 de setembro: Madrigal da UFBA

– 16 de outubro: Grupo de Violoncelos 

– 13 de novembro: Mario Ulloa 

– 11 de dezembro: Orquestra da Camerata