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Gazeta do Povo ganha Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa após processos

Os repórteres do jornal paranaense Gazeta do Povo, que foram alvo de mais de quarenta ações movidas por juízes e promotores do estado, receberam o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa 2016 na última quarta-feira (28/9). No início deste ano, o jornal divulgou diversas reportagens que expuseram os “supersalários” de membros do Judiciário e do Ministério Público do Paraná. Segundo a Gazeta, que teve como base dados públicos do Portal da Transparência, os magistrados receberam R$ 527 mil e R$ 507 mil, quando o teto é de R$ 411 mil.

Insatisfeitos, os juízes apresentaram uma série de ações em várias cidades do estado, obrigando os jornalistas a viajar milhares de quilômetros para comparecer às audiências. Em julho, em decisão liminar, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou suspender as ações.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) premiou o veículo e os jornalistas Chico Marés, Euclides Lucas Garcia e Rogerio Galindo, o infografista Guilherme Storck e o analista de sistemas Evandro Balmant, responsáveis pelas reportagens.

O presidente da ANJ, Marcelo Rech, falou sobre os últimos ataques à liberdade de imprensa ocorridos no Brasil, como a violência praticada por um grupo de mais de 30 homens que recolheu o suplemento São Gonçalo, do Jornal Extra e de O Fluminense, em pontos de distribuição e bancas, em São Gonçalo e Niterói (RJ), na última terça-feira (27), devido às matérias desses jornais que traziam denúncia do Ministério Público Federal contra o candidato local Eduardo Gordo.

“Uma imprensa livre e profissional nunca foi tão necessária às sociedades inundadas por desinformações disseminadas principalmente pelas redes sociais”, disse Rech, acrescentando que hoje há oferta abundante de notícias e comentários de toda ordem, mas são os veículos profissionais, organizados em redações profissionais e independentes, que produzem “o bem mais escasso deste novo mundo: informação confiável”.

Francisco Mesquita Neto, vice-presidente da ANJ e responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão, reafirmou a enorme importância do Poder Judiciário na garantia das liberdades individuais e coletivas, e da liberdade de imprensa em particular, nos termos da Constituição,  mas enfatizou que “ninguém, nenhuma instituição, contudo, pode se pretender acima da Lei”.

Segundo Mesquita, o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa 2016, é uma honraria que representa um justo reconhecimento às melhores práticas jornalísticas e à determinação de um jornal de cumprir com a missão de serviço público. Ele destacou também que há um elemento de apreensão no reconhecimento aos premiados, “pois foram e ainda são objeto de assédio judicial praticado por juízes e procuradores sob a forma de 48 processos em decorrência de uma série de reportagens sobre a remuneração do Judiciário e de membros do Ministério Público do Paraná”.

Guilherme Döring Cunha Pereira, presidente executivo do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM), que edita a Gazeta do Povo, afirmou nutrir respeito pelos juízes, mas criticou o corporativismo que levou ao ajuizamento de várias ações. “As pessoas que, imersas numa cultura de forte corporativismo, ficaram talvez hipersensibilizadas, cegas mesmo, quando nossas matérias, bem feitas, com boa carga informativa, mas triviais, no sentido de não fazermos outra coisa além de expor com boa sistematização o que já constava no Portal da Transparência, questionou sua remuneração. A nosso ver, remuneração privilegiada ou no mínimo destoante da realidade social brasileira”, disse.

Criado em 2008 pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), o “Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa” tem por objetivo homenagear pessoas, jornais ou instituições que tenham se destacado na promoção ou na defesa da liberdade de imprensa.

 

 

 

 

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Ações violentas marcam reta final das eleições

Com a proximidade das eleições municipais 2016, que acontecem no próximo domingo, 2 de outubro, em todo Brasil, dois casos de violência chamaram a atenção nesta semana. O primeiro deles foi a ação de um grupo de 30 homens que recolheu o suplemento ‘Mais São Gonçalo’, do jornal carioca Extra, na madrugada desta terça-feira (27) em diferentes pontos de distribuição. O veículo reportava na capa uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente da Câmara Aristeo Eduardo Teixeira da Silveira (PMDB), conhecido como Eduardo Gordo. E o segundo foi o assassinato do candidato a prefeito da cidade de Itumbiara, José Gomes da Rocha (PTB), conhecido como Zé Gomes, de 58 anos, em um atentado durante uma carreata nesta quarta-feira (28), na região sul de Goiás.

Sobre o recolhimento do suplemento do Jornal Extra, a Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu um inquérito para investigar a ação do grupo. O suplemento do jornal EXTRA, que não pode ser vendido separadamente e trazia na capa uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o candidato a vereador de São Gonçalo, Eduardo Gordo, que é acusado de fraudes na saúde que somam R$35 milhões, em 2005.  De acordo com o MPF, o político e três empresários integravam um esquema de falsificação de guias para receber verba do SUS por serviços nunca prestados. Ele teria arrecadado um total de R$ 57 mil, em três ocasiões. O filho do político, Aristeu Raphael Lima da Silveira, também foi acusado de receber propina destinada ao pai.

Em sua edição desta quarta-feira (28/9), o jornal Extra divulgou a capa do suplemento ‘Mais São Gonçalo’ e destacou na manchete: “Liberdade de imprensa não se compra”. Em sua página no Facebook, a publicação reforça que “não vai se intimidar com as ameaças e, por isso, republica a matéria – e estampa a capa em nome da liberdade de imprensa”. “O ‘Fluminense’ nunca havia sido alvo desse tipo de ação orquestrada. Havia a clara intenção de que o jornal não circulasse, o que para a gente demonstra que foi um atentado contra os preceitos constitucionais de liberdade de imprensa”, afirmou a diretora de Jornalismo Multimídia do Grupo Fluminense, Liliane Souzella. A edição digital do jornal, restrita aos assinantes, foi aberta a todos os internautas.

A capa também traz o repúdio de entidades, como o da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em relação ao episódio. “A ABI expressa profunda preocupação com a violência contra o Extra. Fato grave por entender que se trata de violação de acesso à informação”.

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) destacou que “recolher o jornal não muda os fatos e constitui crime contra a liberdade de imprensa”. A entidade acrescentou que “a população de São Gonçalo tem o direito de conhecer seus candidatos” e disse que espera que as autoridades do Rio de Janeiro trabalhem para identificar os responsáveis pela ação.

A ANJ classificou o episódio como “atitude violenta e antidemocrática”. “A inconformidade diante da missão da imprensa e o recurso a ações típicas do crime organizado são incompatíveis com a convivência democrática, pois sonegam à sociedade o direito de fazer opções políticas informadas”, afirmou o vice-presidente da ANJ, Francisco Mesquita Neto.

Morte em carreatajose-eliton-atirador-4

O candidato à prefeitura de Itumbiara, Zé Gomes (PTB), foi duas vezes prefeito da cidade e tentava o terceiro mandato. Ele foi morto durante uma carreata na cidade nesta quarta-feira (28). Um atirador atingiu quatro pessoas e foi morto por seguranças do governo. O cabo da PM Vanilson João Pereira, de 36 anos, e o atirador, identificado como Gilberto Ferreira do Amaral, de 53 anos, funcionário da prefeitura, também morreram. Já o vice-governador de Goiás, José Eliton (PSDB) e o advogado Célio Rezende, ficaram feridos.

Conforme a assessoria de imprensa do Governo de Goiás, o atirador parou na frente do veículo onde Eliton e Zé Gomes estavam e efetuou vários disparos. Zé Gomes morreu no local. Eliton foi socorrido e levado para o Hospital Municipal Modesto de Carvalho, em Itumbiara. Uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea de Goiânia transportou o vice-governador e o advogado Célio Rezende para a capital, onde foram encaminhados para o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol). Os dois permanecem internados em estado regular.

O delegado regional de Itumbiara, Ricardo Chueire, afirma que ainda não se sabe a motivação do crime. “Fizemos a perícia no local e no carro do atirador, mas ainda não há pistas do que pode ter motivado o crime”.

*Informações G1, UOL, Extra e Portal Imprensa.

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STJ decide que acusados pela morte de cinegrafista vão a júri popular

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, nesta terça-feira (27), que os dois acusados de acender e atirar o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade, quando trabalhava cobrindo uma manifestação na Central do Brasil, no Centro do Rio, em 6 de fevereiro de 2014, devem ir a júri popular pelo crime e responder por homicídio qualificado e com dolo eventual, quando se assume o risco de matar.

Foto: TV Globo/Reprodução
Foto: TV Globo/Reprodução

Os promotores afirmam que durante os protestos na Central do Brasil, os manifestantes Caio Silva de Souza e Fábio Raposo Barbosa sabiam do risco que a conduta deles poderia causar e não se importaram com isso, assumindo os riscos ao acender o rojão que acabou tirando a vida do cinegrafista da TV Bandeirantes. Caio Souza e Fábio Raposo, de 24 anos, estão soltos desde o dia 20 de março de 2015, porque a Justiça do Rio entendeu que eles não tiveram intenção na morte – a decisão do STJ contraria esse entendimento. Se condenados, os dois podem pegar de 12 a 30 anos de prisão.

Apesar da decisão contrária aos réus, o tribunal “abrandou” a acusação feita pelo Ministério Público, que listava três agravantes para a morte. O MP pedia que a pena fosse aumentada pelo uso de explosivo, por motivo torpe e pela impossibilidade de defesa do cinegrafista. Desses quesitos, apenas o uso de explosivos foi mantido.

O relator do processo no STJ, ministro Jorge Mussi, votou para que os réus sejam julgados pelo Tribunal do Júri.“Utilizaram o rojão sem a vara que lhe dá direção, circunstância que antes de afastar dolo eventual e suas condutas, indica que pode ter assumido risco de causar a lesão, já que o artefato poderia tomar qualquer direção”, disse.

Os outros quatro ministros votaram com o relator. O ministro Ribeiro Dantas disse que o crime foi por motivo torpe, repugnante. “Eu quero como cidadão ter o direito de trabalhar, exercer meu ofício de cinegrafista, de repórter, numa manifestação popular, sem a necessidade de utilizar capacete ou armadura, que me parece que são equipamentos próprios para um correspondente de guerra”, afirmou.

Vanessa Andrade, filha do cinegrafista, acompanhou o julgamento. Ela disse que a justiça começa a ser feita.“Pensar que eles vão responder pelo crime de homicídio e que eles vão a júri popular para mim já é a maior vitória, a vitória da minha família”, afirmou.

Nesta terça-feira (27), logo depois do julgamento em Brasília, os promotores disseram que vão tentar reverter a decisão do Tribunal de Justiça do Rio, para que os dois réus esperem pelo júri popular atrás das grades.

Os advogados de Fábio e Caio disseram que vão recorrer ao Supremo Tribunal Federal, e que o ato não foi doloso, e sim culposo. Com isso, o caso passaria a ser julgado por um único juiz, e não pelo júri popular. O MP informou que não vai ao STF para recompor os três agravantes.

Morte trágica

foto-cinegrafista santiago-manifestação_Foto-Domingos PeixotoO repórter cinematográfico Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, foi atingido na cabeça por um rojão durante uma manifestação durante um protesto contra o aumento das passagens de ônibus, que acontecia próximo ao terminal da Central do Brasil, no Centro do Rio no dia 6 de fevereiro de 2014. Ele teve morte cerebral quatro dias depois, aos 49 anos. A explosão foi registrada por fotógrafos, cinegrafistas e câmeras de vigilância perto da Central do Brasil.

Logo após ser ferido, Santiago foi socorrido por profissionais de imprensa, tendo sido submetido a uma neurocirurgia para estancar o sangramento e estabilizar a pressão intracraniana.  De acordo com o boletim médico, além de afundamento craniano, o cinegrafista perdeu parte da orelha esquerda durante a explosão.

No início deste mês, passados 2 anos e 7 meses do crime, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo lamentou a demora e disse que a incapacidade do Judiciário de responsabilizar culpados é um convite a que ameaças e agressões contra a imprensa persistam.

*Informações Jornal Nacional e G1.

 

 

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Folha é o 1° jornal brasileiro a ter circulação digital maior que a impressa

A Folha de S. Paulo é o primeiro jornal a ter circulação digital maior do que a impressa no Brasil. Sua edição digital alcançou em agosto mais da metade do total, segundo levantamento feito pelo Instituto Verificador de Comunicação (IVC).  De acordo com o veículo, dos 316,5 mil exemplares de média diária em agosto, 161,8 mil (51%) foram relativos ao digital, contra 154,7 mil (49%) da impressa. Os números de participação digital também subiram nos jornais O Globo (48%), O Estado de S. Paulo (39%) e Zero Hora (36%), fator que aponta uma tendência.

O diretor de circulação e marketing da Folha, Murilo Bussab, disse que este marco já era esperado para meados deste ano já que “as pessoas estão muito mais conectadas, pela velocidade e pelo custo menor de se informar digitalmente”. Ele ressaltou ainda, que o desafio agora é transformar uma parte maior, do total de 20 milhões de leitores digitais do jornal, em leitores pagantes. Atualmente a Folha tem 160 mil padigital-folhagantes no digital.

Ele lembra que, até a adoção do “paywall” (muro de pagamento em tradução literal do inglês, ou seja, a cobrança pelo acesso às edições digitais) flexível do jornal, em janeiro de 2012, ninguém pagava para ler digitalmente. Com o “paywall” o acesso gratuito se limitou a um determinado número de textos por mês, no momento são dez. Para ler mais é preciso fazer um cadastro que dá direito a mais dez ou fazer uma assinatura. “Durante quase 20 anos de Folha na internet, como em todas as empresas jornalísticas do mundo, o acesso foi gratuito. E tem uma mudança cultural que é preciso fazer, que vai demorar, mas é possível. O modelo do “paywall” foi o que se mostrou mais inteligente para isso, até agora”, explicou.

Bussab lembra que “o impresso continua tendo espaço”. Que “existe um público que não abre mão, e ele tem e sempre terá vantagens” como a leitura mais agradável do que em telas digitais ou a portabilidade – qualidades que pesaram, por exemplo, na estabilização do mercado de livros, entre impressos e eletrônicos. Mas ele volta a sublinhar que “o segredo , o objetivo, o norte”, agora é convencer uma parcela maior dos 20 milhões de leitores digitais da folha a ” remunerar de alguma maneira o trabalho jornalístico”.

Métricas

O IVC, segundo seu presidente, Pedro Silva, “começou a medir a edição digital dez anos atrás, e naquele começo, até porque o acesso era só por computador e a velocidade de conexão era mais baixa, a adoção não foi rápida”. O quadro começou a mudar há cerca de cinco anos, quando surgiram os “pawalls” e essa faixa chegou aos dois dígitos. O avanço é resultado natural da resposta dos jornais “à mudança do consumidor de notícias para outras plataformas”, diz Silva. “A internet fez com que os veículos se adaptassem aos novos ambientes de entrega de informações” acrescenta, lembrando ainda o crescimento relativamente recente dos smartphones.

Não há dados sobre a circulação digital por aparelho, mas Silva lembra que outro levantamento do instituto restrito à audiência dos sites de jornais, mostra que em agosto a maioria dos acessos (57%) foi através de smartphones, com os computadores (desktops, notebooks) respondendo por 39%.

Ele explica que, pelas regras do IVC, cada assinatura digital equivale a uma assinatura do impresso. “Quando a assinatura é um combinado de impresso e digital, a digital também pode contar, desde que o desconto dado não seja alto” acrescenta. “Traduzindo, o assinante precisa efetivamente ter pagado pela edição digital.”

*Informações Folha de S. Paulo.