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Sinjorba e ABI criam comitê de defesa dos jornalistas do sul da Bahia

A criação de um comitê permanente de defesa dos jornalistas e radialistas foi um dos resultados do “Seminário de Jornalismo do sul da Bahia – Realidade e desafios no combate a Fake News”, ocorrido na manhã de quinta-feira (30), no auditório da Coopec/Sicoob, em Itabuna. O evento reuniu imprensa, empresários e estudantes, e contou com a participação do senador Ângelo Coronel, da deputada Lídice da Mata, do advogado Fábio Santos, dos jornalistas Moacy Neves, presidente do Sinjorba, e Ernesto Marques, vice-presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI).

Inédito na Bahia, o comitê criado tem o objetivo de conscientizar, em curto prazo, a sociedade sobre a importância do trabalho dos jornalistas e combater a crescente onda de notícias falsas nas redes sociais, que vem prejudicando a imagem do jornalista e toda a sociedade. A realização de eleições limpas no sul da Bahia é uma das metas do comitê, que é aberto à sociedade e pretende mobilizar, dentre outras instituições, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Ministério Público, Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sindicato das Agências de Propaganda do Estado da Bahia (Sinapro) e universidades.

Foto: Divulgação

De acordo com o jornalista Ernesto Marques, é necessário combater o fenômeno das fake news, sobretudo, por questões éticas. Ele ratificou a importância de ações mais efetivas. “Fake news não é uma prática nova, porém, o grande avanço da tecnologia, como o uso das redes sociais e aplicativos de mensagens, viabilizou o seu crescimento e facilita a sua propagação”, analisou. Marques e o diretor de Patrimônio da ABI, Luís Guilherme Pontes Tavares, representaram a entidade.

Em vídeo exibido no local, a deputada Lídice da Mata, relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News do Congresso Nacional, e o advogado Fábio Santos, especialista em Direito Digital, também explanaram sobre o tema proposto. Lídice apontou o seminário como uma das iniciativas mais importantes ocorridas hoje em toda Bahia e destacou que a CPMI “se concentra em discutir, especialmente, a ‘desinformação’, mais conhecida com fake News na vida da sociedade brasileira, nas eleições e no ataque à democracia e instituições democráticas, entre elas os meios de comunicação”.

Foto: Divulgação

O senador Ângelo Coronel, presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News, destacou os avanços da CPMI no combate às notícias falsas. Ele elencou suas propostas para intensificar os resultados, dentre elas, a aplicação de multas e reclusão, responsabilização das empresas, proteção dos dados pessoais, exigência do CPF ou CNPJ para os usuários em serviço de interação, educação digital como item obrigatório dos currículos da Educação Básica, entre outras propostas.

Foto: Divulgação

O evento foi uma realização conjunta da AM3 – Assessoria e Consultoria, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia – Sinjorba, da Associação Bahiana de Imprensa – ABI e do Sindicado das Agências de Propaganda da Bahia – Sinapro. Apoiaram o seminário a Coopec/Sicoob, Visão Propaganda, Gráfica Mesquita, RCM Propaganda, Rede Portal Mix, Itabuna Palace Hotel, a Câmara de Vereadores de Itabuna, UniFTC.

*Informações de Lane Fonseca.

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Outra senhora Conceição para chamar de nossa

Rua Santa Clara do Desterro, 85. Mais que um logradouro, este endereço representa esperança para dezenas de pessoas que tiveram suas vidas unidas ao HIV/AIDS (sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana). Na entrada do Instituto Beneficente Conceição Macêdo – IBCM, “Tia Conça” traz um sorriso de gratidão e sua inseparável medalhinha da Santa Dulce dos Pobres, para receber os diretores da Associação Bahiana de Imprensa (ABI). A auxiliar de enfermagem encarou há 30 anos o desafio de fundar a organização que leva seu nome. O instituto atua na prevenção do HIV, na adesão ao tratamento e mantém uma creche que beneficia diretamente 72 crianças em situação de vulnerabilidade socioeconômica, órfãs e vivendo ou convivendo com o HIV/AIDS, além de auxiliar suas famílias.

Do corredor vestido por uma estante de livros infantis, é possível ouvir a alegria pulsante que envolve o lugar. A meninada corre e agarra a gestora. “Calma, gente, que os meus 76 anos não aguentam”, diz, entre risos, Conceição Macêdo dos Santos. A servidora aposentada teve sua trajetória retratada no livro “Tia Conça: A nossa senhora, Conceição”, organizado pelo Padre Alfredo Dórea e pela escritora Nalini Vasconcelos. A obra – inspiração para o título deste texto – faz alusão à padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição, e traz depoimentos de personalidades e pessoas amigas que testemunharam a trajetória da fundadora da instituição, como a enfermeira Fátima Mendonça, ex-primeira dama do Estado.

Foi Fátima Mendonça, através das Voluntárias Sociais da Bahia, a responsável pela aquisição do prédio no bairro de Nazaré, em Salvador. Conceição Macêdo conta que a amizade entre as duas surgiu lá atrás, quando trabalhavam na mesma unidade de saúde. “Eu comecei alugando quartos para abrigar pacientes que recebiam altas lá do hospital. Saíamos para cuidar dessas pessoas”, relembra.

Além do apoio das Voluntárias Sociais, o IBCM conta com ajuda da Prefeitura de Salvador. “O prefeito se sensibilizou com a possibilidade de encerramento de nossas atividades e o município passou a arcar com a folha de pagamento dos funcionários”, afirmou Conceição. De acordo com ela, as doações da sociedade também são fundamentais para a manutenção da casa. “Precisamos de toda a ajuda possível, desde material de limpeza até cestas básicas, porque recebemos muita gente necessitada”, destaca.

Ao 76 anos, Conceição Macêdo mora em um lar para idosos e manifesta preocupação com a continuidade do instituto que leva o seu nome

Preocupação – Na creche, a equipe realiza reforço escolar, atividades lúdico-terapêuticas e específicas à condição soropositiva das crianças. O atendimento é feito de 8h às 17h, de segunda a sexta-feira. As crianças, todas com idade entre 2 e 5 anos, chegam pela manhã e voltam para casa no final do dia. Atualmente, 30 famílias têm o aluguel de casa mantido pelo projeto. Além de se dedicar ao trabalho com pessoas que vivem com o HIV/AIDS, a instituição apoia mulheres chefes de família, jovens em situação de vulnerabilidade social, egressas de estabelecimentos prisionais e profissionais do sexo.

“Essas pessoas são marginalizadas e não recebem atenção em outros locais. Irmã Dulce acolhia sem olhar cor ou religião. Cuidávamos, por vezes, dos mesmos pacientes. Ela colaborou muito com o trabalho que eu fazia e está comigo até hoje. Foi uma inspiração”, revela Conceição. “Uma vez, ela me falou da preocupação sobre quem continuaria o seu trabalho. Felizmente, sua sobrinha Maria Rita [superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce – OSID] assumiu. Eu também me preocupo, porque estou idosa e não há muita gente disposta a estar à frente disso aqui. Tem que ser por amor”, defende.

Campanhas perdem força – O Padre Alfredo Dórea, administrador do IBCM, destaca que as campanhas de conscientização estão perdendo força. “Precisamos fortalecer a necessidade de prevenção e espalhar informações consistentes, principalmente entre os jovens. Aquelas campanhas massivas foram esquecidas e quase não ouvimos falar. É como se o vírus não existisse mais”, ressaltou. Pe. Dórea pediu ajuda à imprensa, para reforçar a prevenção, incentivar a adesão ao tratamento antirretroviral e mostrar que é possível alguém viver com HIV e ser saudável, ter relacionamentos, filhos, exercer seus direitos. “Eu apelo a vocês, profissionais da imprensa. Quando vamos às ruas realizar ações e distribuição de preservativos, as pessoas estão ávidas também por informação”, afirmou.

Diretores da ABI em visita ao IBCM

Walter Pinheiro, presidente da ABI, lembrou que há alguns anos, “quando alguém recebia o diagnóstico, era como uma sentença de morte. Hoje, com os medicamentos disponíveis, as pessoas ficaram confiantes. Aquele temor ajudava a combater e ele cessou’, analisou o dirigente. “Dentro de poucos dias, teremos o Carnaval e não vemos mais as campanhas tão fortes”. Acompanhado pelo diretor de Patrimônio, Luís Guilherme Pontes Tavares, e pelo superintendente da ABI, Márcio Müller, o dirigente destacou o aspecto social da ABI e a importância da união entre as entidades que atuam a serviço da sociedade.

O Brasil tem uma das maiores coberturas de tratamento antirretroviral (TARV) entre os países de renda média e baixa. Mesmo com os medicamentos disponíveis, existem quase 200 mil pessoas diagnosticadas com HIV que não estão em tratamento. Dados do Boletim Epidemiológico de HIV 2019, divulgado pelo Ministério da Saúde, aponta que o número de casos de AIDS entre jovens de 15 a 24 anos cresceu nos últimos dez anos. No país, no período de 2000 até junho de 2019, foram notificadas 125.144 gestantes infectadas com HIV, das quais 8.621 no ano de 2018, com uma taxa de detecção de 2,9/1.000 nascidos vivos.

Se quiser ajudar o Instituto Beneficente Conceição Macêdo, ligue para (71) 3450-9759.

Instituto Beneficente Conceição Macêdo – IBCM
Rua Santa Clara do Desterro, 85 – Nazaré – Salvador
http://www.ibcmaids.org.br/ | @crecheibcm
E-mail: [email protected]

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Conhece o Mapa do Jornalismo Independente no Brasil?

A Agência Pública mantém um projeto que lista informações sobre iniciativas de mídia independente de todo o Brasil. O mapa é dividido em duas abas: a primeira traz a seleção da Agência Pública e a segunda permite que o leitor selecione as iniciativas de que mais gostar. No mapa interativo disponibilizado pela agência, foram selecionados veículos que nasceram na rede, fruto de projetos coletivos e não ligados a grandes grupos de mídia, políticos, organizações ou empresas.

Um dos objetivos deste projeto é permitir a compreensão do funcionamento e da sustentabilidade dessas inciativas, através de uma construção coletiva. “A ideia é ambiciosa, mas cada vez mais necessária neste momento de ruptura e renascimento que o jornalismo vive”, afirma o texto de apresentação do projeto.

Segundo a coordenadora, Andrea Dip, blogs não entraram na lista “porque geralmente são iniciativas individuais, com tom pessoal, não necessariamente jornalístico, e sem a pretensão de se tornarem veículos autossustentáveis, uma das marcas desta geração que está surgindo no jornalismo nacional”. O grupo reconhece ter deixado “um monte de gente bacana de fora”, mas explica: “Era urgente ter critérios claros que nos guiassem nessa empreitada. Assim, a lista é apenas inicial, mas feita com cuidado: traz um panorama colorido, inovador e esperançoso”.

A lista iniciada pelos jornalistas Marina Dias e Thiago Aguiar não é fechada. “Queremos que ela aumente a cada dia com sugestões de vocês”, ressaltam. Quem quiser colaborar com novos nomes e novas ideias, ou até sugerir a exclusão de alguma iniciativa que esteja na lista (caso tenha alguma informação que justifique a alteração), deve escrever para a Agência através deste formulário aqui.

Confira a lista completa no site (clique aqui).
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Ataques à imprensa no Brasil sobem 54% em 2019, segundo a Fenaj

Ataques contra veículos de comunicação e jornalistas no Brasil aumentaram 54% em 2019 em relação ao ano anterior, de acordo com os dados gerais do relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), publicados no último dia 14. De acordo com a entidade, foram registradas 208 ocorrências em 2019 – no ano anterior, foram 135. O relatório agrupou as ocorrências em dez categorias: assassinatos; agressões verbais; ameaças e intimidações; agressões físicas; censura; cerceamento à liberdade de imprensa por meios judiciais; impedimentos ao exercício profissional; injúria racial; violência contra organização sindical; e descredibilização da imprensa.

Para elaborar o documento, a Fenaj contabiliza todos os casos que chegam ao conhecimento da entidade, seja por meio de denúncia da própria vítima, notas veiculadas pela imprensa e até publicações nas redes sociais. Antes de incluir os dados no relatório, a Fenaj verifica a veracidade dos relatos.

“Sabemos que há uma subnotificação, porque muitos profissionais ainda não perceberam a importância de denunciar. Às vezes, uma agressão não parece ser grave, mas, somada às outras, caracteriza um clima de desrespeito à atividade profissional. Por isso é preciso denunciar, para que a categoria como um todo pense na sua atuação, em medidas protetivas, e cobre do Estado brasileiro ações de garantia do exercício profissional”, disse a presidente da Fenaj, Maria José Braga, ao Centro Knight. Ela destaca que, mesmo com a subnotificação, 208 ocorrências é “um volume alarmante”.

Do total, 121 casos são de falas do presidente Jair Bolsonaro contra jornalistas específicos ou contra a imprensa. Por isso, em 2019, a Fenaj decidiu criar uma nova categoria, a de descredibilização da imprensa, para agrupar os ataques recorrentes do chefe do Executivo.

“Até 2018, a categoria de agressões físicas era a mais predominante, mas agora é a de descredibilização da imprensa. Foram as falas do presidente que pesaram na balança para esse aumento em 2019. Ele, sozinho, é responsável por 58% das agressões, e isso é extremamente preocupante. Houve uma institucionalização dos ataques à imprensa, o que nunca tinha ocorrido antes”, diz Braga.

Dos 121 ataques feitos por Bolsonaro, sete foram contabilizados como agressões diretas a jornalistas. “As falas do presidente estão divididas entre categorias como descredibilização da imprensa, quando são gerais, e ameaças ou intimidação, como foi contra o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept, por exemplo”, afirma Braga. Em julho de 2019, Bolsonaro disse que o jornalista tinha cometido um crime e que “talvez pegue uma cana aqui no Brasil“.

Braga espera que o aumento em 2019 não se configure em uma nova tendência para os próximos anos e cobra medidas de proteção por parte das empresas de comunicação e do governo. “A Fenaj defende a criação de comissões de segurança nas redações, para avaliar os riscos e medidas mitigatórias. A Rede Globo no Rio, por exemplo, já criou essas comissões, mas é preciso que isso seja adotado por outras empresas. E elas precisam cobrar ações do governo brasileiro também”, afirma.

O total de ocorrências em 2019 representa um pico de registros no histórico do relatório, que é realizado ao menos desde 1998 com diferentes periodicidades. De acordo com Braga, houve uma explosão de agressões em 2013, durante as manifestações de rua no país, com 189 ocorrências. “Foi um ano atípico, mas ainda assim foi um total menor do que o registrado em 2019”, diz ela.

Um ponto positivo destacado pelo relatório foi a diminuição das agressões físicas – tipo de violência mais comum até 2018. Foram quinze casos em 2019, contra vinte profissionais. Em 2018, foram 33 ocorrências. “As agressões têm se tornado mais verbais com o advento das redes sociais, mas quinze casos ainda é um número muitíssimo elevado para uma democracia”, afirma Braga.

Por outro lado, o número de assassinatos cresceu. Os jornalistas Robson Giorno e Romário da Silva Barros, que trabalhavam em Maricá (RJ), foram mortos. No ano anterior, havia ocorrido um assassinato e, em 2017, nenhum. Da mesma forma, houve um aumento de injúrias raciais contra jornalistas. Em 2019, foram duas, contra nenhuma em 2018.

*Publicado originalmente no blog Jornalismo nas Américas (Knight Center/Universidade do Texas)

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