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Comunicação baiana perde o cinegrafista José Raimundo Alves

Um grupo de aplicativo de mensagens instantâneas de ex-funcionários da TV Bahia, animado por centenas de mensagens diárias, congelou na manhã de hoje (5) com a notícia do falecimento do cinegrafista José Raimundo Alves. Boca de Piranha, como era apelidado pelos colegas, era um repórter cinematográfico experiente, com participações em diversos programas da Rede Globo, como Jornal Nacional, Fantástico e Domingão do Faustão, além de coberturas de grandes eventos, pela TV Bahia.

Zé Raimundo, xará do consagrado repórter baiano, estava internado num hospital de campanha de Salvador, mas não resistiu à violência do novo coronavírus por ser hipertenso e diabético, comorbidade que, associada a anos de exposição à radiação do visor da câmera de vídeo, lhe causou o comprometimento da visão. Ele deixa esposa e filhos.

Amigos e familiares utilizaram as redes sociais para prestar homenagens. Uma das manifestações foi feita pela jornalista e apresentadora Wanda Chase, amiga de Zé Raimundo. “Aos poucos, vou assimilando. Não posso ficar com a minha imunidade baixa. Mas que é cruel, é. A dor da perda”, lamentou.

Cristina Costa pela lente de José Raimundo Alves | Foto: reprodução

“Juntos (com João Castro) fomos uma equipe da TV Bahia durante um bom tempo. José Raimundo era um dos cinegrafistas com quem eu mais gostava de trabalhar. Ele sabia me aturar e às minhas loucuras. Ríamos muito. Tínhamos nossos códigos (uma boa equipe sempre tem) e nos entendíamos com poucas palavras. Zé, vai com Deus e muita Luz. Estou arrepiada escrevendo isto. Um texto que você já teria me mandado parar: -Bora, bora, bora”, escreveu a jornalista Cristina Costa.

ABI BAHIANA

ABI lamenta a morte do professor Edivaldo Boaventura

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) lamenta a morte do Professor Edivaldo Machado Boaventura, presidente do Conselho Consultivo da instituição. O escritor e ex-diretor do jornal A Tarde faleceu aos 84 anos, na madrugada desta quarta-feira (22), por complicações de um cateterismo realizado na tarde desta terça, 21. Ele deixa a esposa Solange e os filhos Lídia e Daniel Boaventura. O sepultamento será no Cemitério Jardim da Saudade, nesta quinta-feira (23), às 15h.

O presidente da ABI, Walter Pinheiro, ressalta as contribuições do professor para as áreas da educação e da cultura. “Ele é uma figura muito reverenciada em nossa comunidade, em face do seu talento como professor, homem público, jornalista, escritor e imortal, membro da Academia de Letras da Bahia. Uma personalidade merecedora de reverências na sociedade baiana pela idoneidade e dignidade com que sempre atuou, seja em favor da educação, cultura e jornalismo em nosso Estado”.

O dirigente lembrou do convívio com o colega na ABI. “Extremamente cordial, como era da personalidade do professor Edivaldo. Estou abalado com a notícia, mas ele deixa todo esse legado, principalmente em favor da educação e também pela prática da verdade e do bom jornalismo, como sempre lutou, na medida em que esteve à frente do jornal A Tarde. Perdemos mais um grande nome. Prestamos nossas condolências a Solange Boaventura e à família”, completa Pinheiro.

Edivaldo Boaventura nasceu na cidade de Feira de Santana, no dia 10 de dezembro de 1933. Cursou o ensino secundário no Colégio Antônio Vieira, em Salvador, formou-se em direito e ciências sociais, e obteve a livre docência pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Era mestre e PhD em educação pela Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA).

A trajetória desse semeador de ideias, descrito por Jorge Amado como “o baiano que possui o mais impressionante curriculum vitae”, está registrada no livro “Um cidadão prestante”, do jornalista, poeta e professor Sérgio Mattos. A obra é uma rica entrevista biográfica, na qual Edivaldo Boaventura reafirma o magistério e a educação como objetivos.

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Jornalismo baiano perde Vily Modesto, aos 78 anos

O sul da Bahia vive o luto por um dos mais renomados comunicadores da região. O jornalista, radialista e publicitário Vily Modesto (78) faleceu na noite desta quinta-feira (5), vítima de infarto. A partida dele causa comoção entre colegas de trabalho e admiradores. O corpo de Vily erá sepultado às 14h desta sexta-feira, no Cemitério Campo Santo, em Itabuna.

Por mais de 40 anos ele foi um dos mais respeitados jornalistas do interior do estado, tendo chefiado por 29 anos a sucursal do jornal A Tarde. O diretor da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Eliezer Varjão, foi seu colega no período de A Tarde e lamentou a perda. Varjão chefiou a redação do jornal e lembrou a época em que trabalharam juntos. “Uma pessoa excelente e profissional competente, criterioso. Ele tinha o conceito de bom jornalista, implantou e incrementou o A Tarde no sul e extremo-sul do estado. Escrevia, mandava matérias de qualidade no tempo em que o jornal ia para o interior e havia apuração. Hoje, o jornalista faz tudo online, consulta o Google”.

Vily ingressou no rádio em Itabuna em 1967, na antiga Rádio Clube. Trabalhou também na Rádio Difusora e se destacou na Rádio Jornal de Itabuna, com os programas ”Órbita 70”, aos domingos, e “Show Messias”, diariamente a partir das seis da manhã.De gosto refinado e voz marcante, Vily deixou uma marca na comunicação regional. O bordão “Durma com o Jô e acorde com o Vily”, estampado em um anúncio do Diário Bahia, certa vez chegou à produção do programa Jô Soares, na Rede Globo.

*Com informações do Diário da Bahia.

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Baianos se despedem do carnavalesco Orlando Tapajós

Dodô e Osmar são os pais do trio elétrico, com a criação da Fobica, em 1950. Mas, foi graças a Orlando Tapajós (85) que o trio virou o espetáculo que é hoje. Do simples caminhão às megacarretas, com geradores e amplificadores. Orlando colocou o mundo da eletrônica a serviço do Carnaval baiano e brasileiro. Não por acaso a morte do carnavalesco, neste domingo (17), causou tanta comoção entre os baianos, tendo ampla cobertura da imprensa. O construtor de trios elétricos estava internado em Salvador desde a última terça-feira (12), após sofrer um infarto. Seu corpo foi velado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico da capital baiana, e será sepultado na tarde desta segunda-feira (18), no Cemitério Jardim da Saudade, às 14h.

O corpo de Tapajós deixou o palácio no veículo do Corpo de Bombeiros e foi seguido por três trios elétricos. Durante a homenagem, o músico Armandinho, filho de Osmar (da dupla Dodô e Osmar), tocou o Hino ao Senhor do Bonfim na Guitarra Baiana. O cortejo de despedida seguirá pela Rua Chile, Rua Carlos Gomes, Casa d’Itália, retornando pela Avenida Sete de Setembro.

Foto: Arquivo/Rede Bahia

Em uma mistura de mecânico eletricista e engenheiro de som, Tapajós foi responsável pela revolução estética no trio elétrico. Tudo começou nos anos 60, quando ele foi modernizando os trios. Foi ele quem montou, pela primeira vez, a estrutura que deu origem ao modelo atual do trio com a Caetanave. Ela saiu pela primeira vez em 1972, no carnaval de Salvador, para homenagear Caetano Veloso, que estava voltando do exílio em Londres durante a ditadura militar. “Ele foi inventor das grandes transformações de performances de trios. Ele levou o trio elétrico para o Brasil, divulgando Salvador, trazendo turistas, desbravando”, afirma Paulo Leal, da Associação Baiana de Trios Elétricos.

Tapajós foi homenageado no carnaval de 2015, e no mesmo ano um circuito do carnaval de Salvador ganhou o nome dele. O circuito Orlando Tapajós compreende o trecho do Clube Espanhol ao Farol da Barra, no contrafluxo do circuito Barra-Ondina (Dodô). O circuito fica em operação durante as festas pré-carnavalescas como o Pipoco e Furdunço.

Comoção

Artistas, autoridades e estudiosos lamentaram a morte de Tapajós e lembraram o seu legado. Por meio de nota, o governador da Bahia, Rui Costa e o prefeito de Salvador, ACM Neto, se solidarizaram com os familiares de Orlando Tapajós e lembraram do legado deixado pelo carnavalesco. Artistas como Bell Marques e Daniela Mercury também homenagearam Tapajós. “Ele sempre foi inovador dos trios elétricos. Desenvolveu isso lindamente para a Bahia e faz parte da história dos trios”, reconheceu Armandinho em entrevista à Rede Bahia.

César Rasec, jornalista e pesquisador da música baiana, tem todos os LPs da banda Trio Tapajós. Ele ressalta a importância dessa figura fundamental para a projeção do Carnaval de Salvador. “Ao abrir espaços para os artistas, seu Orlando possibilitou que fizessem o seu som. O principal deles é Luiz Caldas, que foi diretor musical do Trio Tapajós, onde ele criou ‘acordes verdes’, a música que revolucionou a musicalidade da Bahia. Depois disso, Luiz vem com o disco ‘Magia’, quando ele deixa o trio e faz essa coisa maravilhosa, bonita, que é a axé music”.

*Com informações de Dalton Soares (Jornal da Manhã) e Thaís Borges (Correio*)