ABI BAHIANA Imprensa e História

A imprensa e os 100 anos da EGBA

[Por Luis Guilherme Pontes Tavares*] – Avalio que o governador J. J. Seabra escolheu o Dia da Independência do Brasil – o Sete de Setembro – para inaugurar, em 1915, a Imprensa Oficial do Estado – IOE (denominada Empresa Gráfica da Bahia – EGBA – desde o meado da década de 1970) – porque isso emprestaria ao novo órgão público um certo ar de liberdade. Fez mais. Nomeou o médico e jornalista José de Aguiar Costa Pinto para a direção-geral da IOE. Suponho que essa decisão de J. J. Seabra firmou tradição na Imprensa Oficial, de modo que a maioria de seus diretores-gerais foi escolhida entre jornalistas. Milton Santos, famoso geógrafo brasileiro, por exemplo, foi diretor da Imprensa Oficial no período em que exercia o jornalismo em A Tarde.

O Diário Oficial, razão prioritária da inauguração da IOE em 1915, é, desde às origens, um produto jornalístico. Havia então, nas primeiras páginas do DO, a seção “Diversas Notícias”. Pude recompor a passagem do príncipe italiano Umberto di Savoia por Salvador em 1924, durante o Governo de Góes Calmon, confiando apenas no noticiário detalhado daqueles dias publicado no Diário. “Diversas Notícias” pode e deve ser objeto de pesquisa com o propósito inicial de indexá-las.

selo EGBA 100 anos

A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – IMESP – realizou há alguns anos o levantamento dos fatos mais relevantes publicados no DO ao longo do século XX e publicou livro a respeito. Que a EGBA se empenhe em fazer o mesmo, quiçá, numa primeira etapa, cobrindo o período de 1915 a 1965. Portanto, os primeiros 50 anos da antiga IOE. Pode seguir uma outra iniciativa da IMESP, fruto de trabalho orientado por sua bibliotecária Ivone Tálamo, que foi o levantamento de todos os títulos ali impressos desde a inauguração em 1891. Será difícil repetir a performance, mas, com a mesma metodologia adotada por Ivone, é possível tentar alcançar êxito semelhante. Ambos os trabalhos poderiam ter sido definidos como metas para o primeiro centenário da EGBA que ora comemoramos neste 07 de setembro de 2015.

Ressalte-se que o fundo editorial da EGBA, formado, sobretudo, pelos títulos impressos na primeira metade do século XX, a exemplo de importantes obras de história e geografia, constituem bibliografia fundamental para o estudo da Bahia. A atividade editorial poderia ser o esteio da EGBA, mas os seus fluxos e refluxos prejudicam o aperfeiçoamento da equipe e a ocupação de uma posição no mercado. Tive oportunidade de aproximar-me do problema quando escrevi a dissertação “A continuidade define a linha” – a produção editorial da EGBA entre 1915 e 1990 –, para o mestrado de Comunicação da Universidade de São Paulo – USP.

A propósito do centenário da EGBA, tenho participado de alguns aniversários da inauguração dessa empresa desde 1995, quando auxiliamos a organização de mesa-redonda, realizada na Academia de Letras da Bahia, sobre o gráfico Arthur Arezio da Fonseca, primeiro diretor técnico da Imprensa Oficial, disso resultando a publicação de Arezio, mestre baiano das Artes Gráficas (Salvador: IBL; ALB; EGBA, 1995). Dez anos depois, em 2005, quando a empresa comemorou os 90 anos, mais uma vez participamos e de novo a EGBA homenageou o seu primeiro diretor técnico, desta vez publicando a sua biografia, o meu livro Nome para compor em caixa alta: Arthur Arezio da Fonseca (Salvador: EGBA, 2005), que oferece razões para a antiga Imprensa Oficial homenageá-lo.

Quando a EGBA comemorou 95 anos, em 2010, mais uma vez a instituição lembrou Arthur Arezio ao publicar o fac-símile do seu Diccionario de termos graphicos, livro de quase 600 páginas,  publicado em 1936. Prêmio Caminhoá em 1938. O valor do Diccionario… cresceu nos últimos 10 anos porque está provado que essa obra de Arthur Arezio é o primeiro dicionário de Artes Gráficas em idioma português. O fac-símile é acompanhado de encarte explicativo. As duas peças são acomodadas numa caixa.

A maior homenagem, no entanto, que a EGBA poderia prestar aos funcionários que, sucessivamente, deram continuidade ininterrupta aos serviços iniciados em 1915 é manter a empresa sadia e na vanguarda de seu segmento.

*Jornalista, produtor editorial e professor. lulapt2@gmail.com. O original deste artigo foi publicado em A Tarde, edição de 07 de setembro de 2010, encimado com o título “A imprensa e os 95 anos da EGBA”. A atualidade do texto autorizou sua republicação com o novo título e poucas modificações.

Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI).

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