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ABI lança publicação sobre a imprensa e recebe diploma da Presidente da República

O auditório do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) foi palco de dois grandes eventos em homenagem à imprensa baiana. Na tarde do dia 28.06, a contribuição dos jornais baianos no processo de independência do estado e do Brasil foi tema da mesa redonda, presidida por historiadores do assunto. O evento, idealizado pelo IGHB e Associação Baiana de Imprensa (ABI), comemorou os 190 anos da independência baiana com uma tarde de palestras abertas ao público, que atraiu pessoas de diversos segmentos. A anfitriã foi a historiadora Consuelo Pondé de Sena, presidente da Casa e, entre os presentes, o jornalista Walter Pinheiro, presidente da ABI.

O “A Imprensa na Independência” teve início com a palestra do professor Nelson Varón Cadena, que também é jornalista e destacou o trabalho dos periódicos nos episódios que antecederam a expulsão de portugueses das terras baianas. “Embora não tenham sido meios de comunicação populares, a imprensa a época foi muito importante por conseguir mobilizar a elite sobre a importância da independência”, explicou o especialista. Cadena também falou sobre a mudança da cobertura midiática nas comemorações da data. Ainda segundo ele, um dos periódicos mais completos e importantes para a abordagem e as mudanças da comemoração do 2 de julho é a revista do IGHB.

Como palestrante, Consuelo Pondé de Sena destacou a importância da comemoração do 2 de Julho para a cultura baiana e preservação da história do Brasil. A presidente do IGHB se diz decepcionada com a atual falta de participação popular nos cortejos. “Parece que perdemos a obrigação civil, a festa está morrendo a cada ano e o civismo está se acabando lentamente”, opinou. Ela chama atenção para o caráter reivindicatório do evento que marca a independência da Bahia e a participação de outros estados do nordeste na luta pela expulsão dos portugueses. “O monumento do Campo Grande deveria citar os alagoanos, paraibanos e outros guerreiros vizinhos que contribuíram para a independência”, finalizou.

Na oportunidade, a deputada federal Alice Portugal fez a entrega de um diploma, assinado pela presidente Dilma Rousseff. O documento – aprovação da Lei 12819/13 – finaliza um entrave de longas datas e integra o 2 de Julho nas datas históricas do calendário efemérides nacionais. “Esta conquista é a afirmação do nosso patrimônio, da nossa história que deve ser preservada”, disse a deputada.

 

O professor Pablo Magalhães fixou o discurso na figura do padre Inácio Loyola, que foi redator-chefe do primeiro periódico do país ‘Idade d’Ouro’ e sofreu diversas perseguições e teve que retornar para Portugal.

Já o docente Lucas de Farias Junqueira abordou o jornal Grito da Razão e da figura Vicente Ribeiro Moreira. O redator escreveu por muitos anos no periódico e recebeu perseguições em circunstâncias de suas ideologias.

No final do encontro, a palavra foi aberta ao público e perguntas foram feitas, inclusive do desembargador aposentado Eduardo Jorge Magalhães, que ficou interessado em saber como a censura acontecia à época, que foi explicado pelos palestrantes.

O presidente da ABI Walter Pinheiro encerrou o ciclo de palestras com o lançamento do livro 200 Anos de Imprensa Baiana, do pesquisador e jornalista Luís Guilherme Pontes Tavares. A obra reúne 16 textos entre artigos e outras publicações sobre o bicentenário da imprensa na Bahia, além de fatos que antecederam o lançamento do jornal ‘Idade d’Ouro’.

Fonte: Tribuna da Bahia

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