ABI BAHIANA

Inteligência artificial e uso de dados no jornalismo são tema de painel promovido pela ABI

Mestre em Comunicação e Cultura, o professor e jornalista Yuri Almeida conduziu a discussão desta quarta-feira (13)

“Existem os lados positivos, os negativos e os lados que a gente precisa aprender a conviver. Olhar a tecnologia como uma vilã ou como algo que vai acabar com determinadas práticas jornalísticas não é muito inteligente”. Com essas palavras, o jornalista e professor Yuri Almeida reforçou a importância do uso das tecnologias e da inteligência artificial para o jornalismo.

O tema foi debatido na manhã desta quarta-feira (13), em um encontro na sede da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), localizada no Edifício Ranulfo Oliveira, no Centro Histórico de Salvador. Como parte da programação pelo seu aniversário de 93 anos, a entidade vem promovendo, desde o dia 17 de agosto, debates e encontros sobre o fazer jornalístico e as lutas da imprensa.

Intitulado “Ética em tempos de comunicação digital e inteligência de dados”, o painel apresentado por Almeida, integrou mais uma edição do Ciclo Temas Diversos, promovido mensalmente a cada reunião da diretoria executiva da entidade. O evento foi transmitido ao vivo pelo canal do YouTube da ABI.

“Quando a gente fala de tecnologia, a gente está falando de humanidade. Se formos pensar nos principais pensadores da comunicação, a tecnologia é extensão do homem, como diz McLuhan”, destacou o professor, citando o teórico da comunicação eternizado pela máxima “o meio é a mensagem”.

Além do painel, a agenda desta quarta-feira também teve outros momentos importantes: a reunião ordinária da diretoria executiva, presidida pela primeira vez por uma mulher, e o almoço com parceiros que apoiaram a celebração dos 93 anos da instituição.

O presidente da ABI, Ernesto Marques, destacou a programação de mais um dia de atividades. “Tivemos um importante momento com o professor Yuri Almeida sobre as implicações éticas da comunicação digital e a introdução da inteligência artificial como recurso acessível para todo mundo, porque isso também impacta o nosso trabalho”, disse.

Aplicações

Yuri Almeida falou sobre aplicações e conceitos para a inteligência artificial. Segundo ele, diariamente, as pessoas entregam seus dados gratuitamente às plataformas digitais. Assim, os usuários acabam deixando um rastro de consumo.

“Antes, a gente tinha a família se reunindo na frente da televisão ou do rádio e se informando sobre temas comuns. Hoje, cada um tem um feed completamente individualizado e não necessariamente as manchetes dos jornais têm tanto impacto na formação da agenda pública, como tinham antigamente”, pondera ele, que é mestre em Comunicação e Cultura.

De acordo com Almeida, ainda existe muita falta de conhecimento técnico e dificuldade para compreender o fenômeno da inteligência artificial, o que acaba levando a uma visão rasa de que robôs dominariam o mundo. Nos últimos meses, por exemplo, o ChatGPT despontou como um dos ícones da inteligência artificial.

No entanto, uma plataforma como ChatGPT, segundo ele, seria apenas a ponta do iceberg das possibilidades da inteligência artificial. É preciso, contudo, garantir que essas ferramentas sejam usadas com transparência. Daí a importância de os jornalistas também compreenderem o seu uso.

Alguns dos principais receios com a inteligência artificial incluem o medo de que essas tecnologias influenciem cidadãos a tomar atitudes contra si (a exemplo do suicídio), de que elas produzam fake news em larga escala e de uma chamada “alucinação das máquinas”, que é quando uma máquina começa a responder a comandos diversos dos definidos pelos humanos.

“Entra uma questão de que elas (ferramentas e empresas de tecnologia) precisariam de regulação. O capitalismo não vai resolver esse problema sozinho. Ainda existe gente impulsionando fake news e existe conteúdo malicioso circulando livremente. Se a gente acreditar que, sozinhas, as big techs vão regular isso, não vai acontecer”, sentencia o professor.

Ainda assim, Almeida acredita na possibilidade de que essas plataformas sejam usadas positivamente para o jornalismo. “Por que não usar a inteligência artificial para combater a própria fake news? Como a gente pode fazer isso para fortalecer o próprio jornalismo? Enquanto algumas pessoas enxergam como o fim do jornalismo, eu vejo como algo muito positivo para ser guardião da democracia. Precisamos entender melhor esses processos para a gente se apropriar deles, ganhar dinheiro, pensar novos negócios e garantir o princípio democrático”, acrescenta.

>> Assista ao painel “Ética em tempos de comunicação digital e inteligência de dados”, por Yuri Almeida:

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