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Estado Islâmico executa refém japonês e pede troca por vida de jornalista

O Estado Islâmico executou um dos dois reféns japoneses e divulgou uma foto em que o segundo refém, o jornalista Kenji Goto, aparece segurando a foto do empresário decapitado Haruna Yukawa. De acordo com a EFE, uma voz atribuída a Goto diz no áudio que acompanha a imagem que o grupo terrorista não quer mais dinheiro, como havia solicitado anteriormente, e propõe libertá-lo em troca da liberação de Sajedah Rishawi, condenada à morte na Jordânia. “Eles não querem mais dinheiro, então você não precisa se preocupar em financiar terroristas”, declara, em inglês.

Protesto em Tóquio a favor do jornalista Kenji Goto, o segundo refém japonês que o grupo terrorista ameaça decapitar - Foto: EFE
Protesto em Tóquio a favor do jornalista Kenji Goto, o segundo refém japonês que o grupo terrorista ameaça decapitar – Foto: EFE

O governo japonês disse no último domingo (25/01) que segue com a análise do áudio e da fotografia que anunciam a execução de Yukawa pelo grupo radical. O ministro porta-voz do Executivo, Yoshihide Suga, afirmou que a imagem que acompanha o áudio é “quase certo autêntica”. Ele disse também que o Japão trabalha com a Jordânia e outros países para libertar Goto. Em entrevista à emissora pública NHK, o primeiro-ministro Shinzo Abe reiterou que a imagem de Yukawa executado parece “altamente crível”. No início da semana passada, o EI havia divulgado um vídeo exigindo 200 milhões de dólares para libertar os dois reféns no prazo de três dias para o pagamento que expirou no último sábado (24/01), sem notícias sobre o que havia acontecido.

Yukawa, de 42 anos, foi capturado por militantes do Estado Islâmico em Agosto depois de ir para a Síria para abrir uma empresa de segurança. Goto, de 47 anos, foi para a Síria no final de Outubro para assegurar a libertação de Yukawa, de acordo com os amigos. O novo vídeo, divulgado no YouTube no sábado e que foi de seguida apagado, mostrava uma imagem de Goto, emagrecido, numa t-shirt laranja.

Negociações

A retaliação dos radicais muçulmanos impõe postura mais firme do Japão no combate ao terrorismo. No entanto, em entrevista a Gustavo Aguiar, a professora de Relações Internacionais Cristina Pecequillo avalia que o Japão não deve negociar com os terroristas. O Japão já ofereceu 200 milhões de dólares na guerra contra o Estado Islâmico, mas preferiu assumir uma postura de coadjuvante no combate ao terror. Manuel Furriela, coordenador do curso de Relações Internacionais da FMU, acredita que o povo japonês cobrará uma ação mais contundente de seu governo.

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Shinzo Abe disse nesta segunda-feira que fará “todo o possível” para alcançar uma colaboração internacional e conseguir a libertação do jornalista japonês. “Empregaremos todos os meio possíveis e buscaremos a cooperação de outros países”, afirmou Abe durante uma reunião de seu partido, o liberal-democrata (LPD), segundo a agência japonesa “Kyodo”.

A alta representante para a política externa da UE, Federica Mogherini, condenou o anúncio de execução do cidadão japonês Haruna Yukawa pelas mãos dos jihadistas do EI. Para a chefe da diplomacia europeia, essa execução é “outra demonstração de que a organização terrorista atua na total quebra dos valores e direitos universais”. Mogherini reivindicou, além disso, a libertação imediata do segundo refém japonês em mãos do EI, Kenji Goto.

 Informações do Portal IMPRENSA, Rádio Jovem Pan e Público (Pt).

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