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Grupo jihadista EI reivindica pela primeira vez ataque nos EUA

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou nesta terça-feira pela primeira vez um ataque nos Estados Unidos, cujos dois autores foram mortos depois de atirar em um evento considerado anti-islâmico no Texas, e advertiu que realizará novos atentados. “Dois soldados do califado realizaram um ataque contra uma exposição de caricaturas contra o profeta (Maomé) em Garland, Texas”, disse em sua emissora de rádio a organização, que proclamou um califado nos territórios que controla no Iraque e na Síria. “Dizemos à América que o que está sendo preparado será mais importante e mais amargo. Verão coisas horríveis dos soldados do Estado Islâmico”, afirmaram os jihadistas. No entanto, a Casa Branca disse nesta terça-feira (5) que ainda é “muito cedo para dizer” se os dois homens armados mortos pela polícia eram ligados ao Estado Islâmico, que já que grupos militantes são conhecidos por reivindicar crédito por ataques nos quais não estavam envolvidos.

Na noite de domingo, os dois homens desceram de um veículo e atiraram com fuzis contra um guarda em frente ao centro cultural onde acontecia um concurso de caricaturas de Maomé, organizado pela associação ‘American Freedom Defense Initiative’ (AFDI), considerada abertamente anti-islâmica. Mas depois de ferir o guarda com um tiro no tornozelo, ambos foram mortos por um policial com seu revólver de serviço. Um deles havia sido investigado pelo FBI por ter expressado sua intenção de se unir à jihad, segundo documentos judiciais aos quais a AFP teve acesso. De acordo com a imprensa americana, os dois supostos islamitas eram Elton Simpson, de 31 anos, e Nadir Soofi, de 34, e dividiam uma casa em Phoenix (Arizona, sudoeste). A CNN divulgou imagens de agentes do FBI entrando no apartamento. Investigadores vasculham as comunicações eletrônicas enviadas e recebidas pelos dois atiradores em busca de evidências de contatos entre eles e grupos militantes estrangeiros.

Há cinco anos, Simpson havia sido condenado a três anos de liberdade condicional por ter mentido ao FBI sobre a motivação de uma suposta viagem de estudos à África, mas as autoridades suspeitavam que estava relacionada com sua intenção de se somar a uma rede islamita da Somália. Na época a justiça de Phoenix considerou que não havia provas sólidas contra ele e optou por deixá-lo em liberdade vigiada. Ele teria publicado um tuíte antes do ataque com a hashtag “#texasattack”. “Que Alá nos aceite como mujahideen (‘santos guerreiros’)”, dizia a mensagem. O pai de Simpson disse à rede de televisão ABC News que seu filho, que havia trabalhado como auxiliar em um consultório de dentista, “fez uma escolha ruim”. “Somos americanos e acreditamos nos Estados Unidos. O que meu filho fez é muito ruim para minha família”, disse Dunston Simpson.

 Prêmio divide opiniões

Na esteira dos atentados terroristas, o episódio lembrou o de Paris em janeiro passado contra o semanário satírico francês Charlie Hebdo, que publicou diversas vezes caricaturas do profeta Maomé, cuja representação está proibida pelo Islã. Quatro meses após o ataque que matou 12 pessoas na redação do jornal, entre eles cinco caricaturistas, a publicação recebeu nesta terça-feira (5) o prêmio “Coragem e liberdade de expressão” do PEN American Center, a associação internacional de escritores. A homenagem, no entanto, não é unânime e gerou polêmica no meio literário. Seis escritores convidados para a cerimônia realizada no Museu de História Natural de Nova York decidiram boicotar a noite de gala, alegando que o jornal satírico é racista, representa a “intolerância cultural” e a cultura francesa é “arrogante”.

Editor-chefe Charlie Hebdo fala após receber premiação. Foto- Jemal Countess-Getty Images-Via AFP Photo
Gérard Biard, editor-chefe da Charlie Hebdo, fala após receber premiação – Foto: Jemal Countess/AFP

Como os homenageados são alvos do terrorismo radical, a organização do evento optou pela cautela. Sob forte esquema de segurança, motivado principalmente pelo recente ataque no Texas, o redator-chefe da publicação francesa, Gérard Biard, e o crítico de cinema da revista, Jean-Baptiste Thoret, compareceram à cerimônia e enviaram uma mensagem clara para os autores do ataque: “Eles não querem que debatamos e nós devemos debater”. “A missão de satirizar os temas sagrados permanece. Estar impressionado é parte do debate democrático. Ser atacado a tiros, não”, explicou Biard.

Sobre a inevitável relação entre os atentados, Biard afirma que “não há comparação possível”. “Nós não organizamos concursos. Só fazemos nosso trabalho. Comentamos a informação. Quando Maomé marca a informação, desenhamos Maomé, e se não, não. Combatemos o racismo e não temos nada a ver com esta gente”, disse ele no programa de Charlie Rose, transmitido pela rede americana de televisão pública (PSB) na noite de segunda-feira. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou que estes atos criminosos “não têm nada a ver com a religião nem com as crenças”, disse seu porta-voz, Stephane Dujarric.

*Informações da Agence France-Presse (via Diário de Pernambuco), Reuters (via G1) e EFE

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Estado Islâmico recruta assessores de imprensa em lista de ‘postos de trabalho’

Deu no BRASIL POST – Um grupo jihadista britânico do Estado Islâmico na Síria divulgou uma lista de “postos de trabalho” para os adeptos à causa, mas que não querem lutar. De acordo com o jornal britânico The Independent, um homem chamado Abu Sa’eed Al-Britani insistiu que aversão à batalha é um “sinal de fé fraca”, mas disse que há vagas para assessores de imprensa, personal trainers, preparadores de bombas, cozinheiros, mecânicos, professores, entre outros.

A lista, que conta com 10 vagas, são para voluntários que queiram doutrinar crianças em território ocupado pelo Estado Islâmico, cuidar de combatentes feridos, prepará-los fisicamente, cozinhar para eles e ajudar na fabricação de bombas. Já os assessores de imprensa trabalharia no “media center” do EI, divulgando vídeos e notas que mostram assassinatos cruéis de reféns ou propaganda para recrutar mais pessoas.

“Imagine a recompensa em ver um carro cheio de explosivos com um irmão detonar nas linhas inimigas. Você teria a mesma recompensa que ele, mandando 50 infiéis para o inferno”, escreveu Al-Britani, ressaltando as “qualidades” de se juntar ao EI. “Imagine a recompensa ensinar uma criança à presença de Alá e da jihad.”

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Jihadistas treinam crianças e mulheres para combater na Síria e no Iraque

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou nesta terça-feira (24) que o grupo extremista Estado Islâmico (EI) já treinou cerca de 400 crianças para combater na Síria, noticia a France-Presse. “Os jihadistas submetem as crianças, a quem chamam de `filhos dos leões do Califado”, a intensivos treinos militares e religiosos nos territórios que controlam na Síria”, afirma a Organização Não-Governamental com sede em Londres. “O chocante é que não escondem que usam crianças, ao contrário, se orgulham disso”, denuncia, por sua vez, Nadim Hury, diretor adjunto para o Oriente Médio da Human Rights Watch. Denúncias de tortura, estupro e emprisionamento de mulheres também vieram à tona. Apesar disso, cerca de 550 mulheres, segundo levantamento da consultoria de segurança The Soufan Group, com sede nos Estados Unidos e no Reino Unido, engrossam o exército dos terroristas na Síria e no Iraque.

A ação do grupo, que também recruta jovens na América Latina, deixou de ser algo distante e já se estende ao Brasil, de acordo com informações divulgadas no último domingo pelo jornal O Estado de S.Paulo. De acordo com a publicação, setores de inteligência do governo brasileiro teriam detectado tentativas de atração de jovens do país pelo Estado Islâmico (EI). O jornal apurou que o Palácio do Planalto recebeu relatórios de órgãos diferentes alertando para o problema e que os órgãos de inteligência vêm trocando informações. A estratégia do governo brasileiro é se antecipar aos possíveis movimentos do grupo, detectando as formas de cooptação. Fontes envolvidas afirmaram à reportagem que o tema foi alvo de discussão na última semana na Casa Civil, da qual participaram representantes de nível operacional do Ministério da Justiça e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Leia também:Estado Islâmico tenta recrutar jovens brasileiros, afirma governo federal

Vários vídeos difundidos nas redes sociais, em contas ligadas ao EI, mostram crianças carregando escopetas, disparando e rastejando no chão em treinamento de guerrilha. Nas imagens, as crianças também são vistas estudando textos religiosos em torno de uma mesa redonda. O grupo radical sunita já utilizou dez crianças como terroristas suicidas na Síria. O diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, indicou que os adolescentes têm a possibilidade de se tornar combatentes pagos. “O EI tenta atrair as crianças com dinheiro e armas. Quando atingem a idade de 15 anos, esses meninos têm a opção de virar verdadeiros combatentes que recebem salário”, acrescentou, explicando que as crianças não são obrigadas a lutar, porém é o que acabam por fazer já que não vão à escola, nem trabalham. “Trata-se de uma lavagem cerebral”, completa o diretor.

Recrutamento de mulheres

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Mulheres empunham metralhadoras em foto divulgada em uma rede social do EI – Foto: Reprodução/Twitter

O islamismo praticado no EI é interpretado como hostil às mulheres, de inteira submissão aos maridos e também aos líderes do próprio grupo terrorista, que muitas vezes determinam quando e com quais guerrilheiros elas devem se casar, de acordo com relatos de pessoas que escaparam da milícia. Apesar disso, o número de dissidentes ocidentais que se juntam ao grupo aumentou bastante nos últimos anos – em torno de 3.400, de acordo com autoridades do Exército americano, em balanço de fevereiro.

UOL coletou informações de estudos e opiniões de especialistas, divulgadas em entrevistas ou em artigos à imprensa, para explicar as razões e circunstâncias que levam algumas mulheres a escolher o caminho do extremismo. O site mostrou que, dentro de sua estrutura de recrutamento de estrangeiros, o Estado Islâmico possui diferentes estratégias para atrair as mulheres, e, muitas vezes usam a idolatria e a ingenuidade como ingredientes. Os militantes utilizam Twitter, Facebook e outras redes para criar uma relação de confiança com as jovens mulheres e coletar informações sobre elas, como a aparência física, utilizada como instrumento de motivação aos guerrilheiros solteiros, e o histórico de relacionamento das garotas com a família e pessoas próximas. Em busca de aproximar mulheres que queiram participar efetivamente do conflito armado, o grupo até sinaliza que elas podem fazer parte do exército –fotos de mulheres com metralhadoras aparecem eventualmente em postagens nos perfis ligados ao grupo nas redes sociais.

*Informações da France-Presse, Bahia Notícias, Estadão e UOL.

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Estado Islâmico tenta recrutar jovens brasileiros, afirma governo federal

O Estado Islâmico, que já recruta jovens na América Latina, estende seu proselitismo ao Brasil. Setores de inteligência do governo brasileiro teriam detectado tentativas de atração de jovens do país pelo Estado Islâmico (EI), informa o jornal O Estado de S. Paulo. Os recrutados atuariam como “lobos solitários” — pessoas que não integram listas internacionais de terroristas e têm maior mobilidade para realizar atentados isolados em diferentes países. O jornal apurou que o Palácio do Planalto recebeu relatórios de órgãos diferentes alertando para o problema e que os órgãos de inteligência vêm trocando informações. A estratégia do governo é se antecipar aos possíveis movimentos do grupo, detectando as formas de cooptação.

Um dos objetivos dos relatórios é alertar a presidente Dilma Rousseff de que, apesar da tranquilidade até agora do governo brasileiro, há um “fator de risco” que não pode ser desprezado. Envolvidos na discussão dizem que “a luz amarela está acesa”. A principal preocupação da Casa Civil, responsável pela coordenação das discussões internas sobre a questão, é a Olimpíada de 2016. Fontes envolvidas afirmaram à reportagem que o tema foi alvo de discussão na última semana na Casa Civil, da qual participaram representantes de nível operacional do Ministério da Justiça e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Pelas investigações, apesar de o Brasil não ter histórico de terrorismo, o interesse do EI é ampliar o espectro de recrutamento de novos militantes, hoje concentrado na Europa, para a América do Sul. Policiais europeus já estiveram em Brasília no mês passado para troca de informações com o governo brasileiro. Conforme o Estadão, a Casa Civil confirmou, em nota, que a prevenção ao terrorismo foi tratada em reunião do grupo de trabalho de segurança pública em grandes eventos na semana passada. No entanto, o governo negou que o recrutamento de brasileiros pelo EI fez parte do encontro.

Hoje, milhares de europeus sem vínculo original com o islamismo participam de ações terroristas na Síria e no Iraque. Trata-se de uma espécie de fenômeno cultural maligno. Parece que o relativismo que tomou conta da cultura ocidental — ambiente que tende a considerar todas as escolhas justificáveis e igualmente válidas — empurra frações da juventude para a busca de um valor absoluto, ainda que seja o terror.

*Informações do Estadão, Zero Hora e Veja.