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TV UESB entra na era digital e vai fortalecer jornalismo conquistense

Quando o calendário marcar o dia 5 de dezembro, o sinal analógico de TV deixará de funcionar em Vitória da Conquista, no Centro-Sul da Bahia. A transmissão será obrigatoriamente digital. Para cumprir a determinação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, a comunicação da Universidade Estadual do Sudoeste Baiano (UESB) já fez os ajustes no Sistema UESB de Rádio e Televisão Educativas (Surte). Desde quarta-feira (18), a TV UESB e a Rádio Uesb FM, emissoras públicas, operam em SD Digital.

O assessor geral de comunicação e diretor do Surte, Rubens Sampaio, destaca os efeitos da digitalização para o jornalismo conquistense. “A grande importância está em oferecer uma opção diferenciada de informações, sem as amarras da necessidade comercial e voltada para a educação, a cultura e as necessidades sociais da comunidade”, avalia. Sampaio também é professor do curso de Jornalismo da UESB e reforça a necessidade de ofertar conteúdos que não são abarcados pela mídia tradicional. “Faremos um jornalismo que primeiro foca no formar e, depois, no informar. Nossas pautas são diferentes e a abordagem também.”

“Com a digitalização da TV, o conteúdo produzido chegará a mais pessoas com maior qualidade. A Universidade, enquanto instituição pública, tem um compromisso social muito grande. É uma preocupação nossa oferecer serviços de qualidade para a população, não só em extensão, mas também no ensino e na pesquisa”, afirma a professora Gleidi Magali Lemos, pró-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários da instituição.

Ampliação – A digitalização amplia o sinal da UESB FM, que passará a ser a emissora de rádio da região Sudoeste com maior alcance. O sinal das emissoras chegará até Poções, Planalto, Aracatu, Barra do Choça, Tremedal, Belo Campo dentre outros municípios num raio de 100 km. A segunda etapa da digitalização da TV UESB será operar em Full HD. Para isso, está previsto um investimento na estrutura interna da emissora, com melhoria nas ilhas de edição, estúdio e câmeras. A previsão é que essa etapa seja finalizada até dezembro deste ano.

Durante os próximos 90 dias, a emissora entra em caráter experimental, aumentando progressivamente a potência do sinal até atingir 1.250 watts. Agora, o Surte conta também com um gerador próprio na torre de transmissão, que garante maior estabilidade na manutenção da TV UESB e UESB FM no ar. Para ter acesso à programação da TV UESB em sinal digital, é necessário ter o conversor instalado em sua televisão e ressincronizar no canal 4.1. As duas emissoras privadas que transmitem a partir de Vitória da Conquista, a TV Sudoeste e a TV Cabrália já fizeram as mudanças necessárias para a migração definitiva. (Com informações da ASCOM/UESB)

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Jornalistas lançam livro sobre a história da televisão no Brasil

Alguns dos mais importantes profissionais da TV foram entrevistados pelos jornalistas Flávio Ricco e José Armando Vannucci, para compor o livro Biografia da Televisão Brasileira – um painel amplo desse veículo que desde 1950 cativa corações e mentes brasileiros, e que se tornou um símbolo da cultura nacional. De acordo com a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o livro traz em dois volumes de 464 páginas cada provavelmente a maior, mais extensa e significativa pesquisa sobre a história da televisão no Brasil, com conhecimento, diversão e informação.

A obra recém-lançada pela Matrix Editora não segue uma ordem cronológica da primeira até a última página, mas o faz dentro de cada assunto tratado ao longo de seus 54 capítulos.

No primeiro volume, entre outros temas estão os pioneiros e sonhadores da TV. O aparecimento da Tupi, Record, Excelsior, Globo e Bandeirantes. Como as emissoras acabaram direcionando suas primeiras programações para o público feminino. Como eram exibidos os programas em cidades diferentes, num tempo em que não havia satélite, e como a força das novelas ajudou a moldar a programação, fazendo o sucesso de atores e atrizes.

No segundo volume, a evolução do jornalismo televisivo e das transmissões esportivas. Os programas de rádio tornam-se o grande referencial das emissoras de TV, fornecendo conteúdos e formatos. A evolução da teledramaturgia. Quem foram e quem são os grandes comunicadores. A chegada dos seriados, dos reality shows e das novas tecnologias, entre tantos outros assuntos importantes. A capa é de autoria de Hans Donner.

*Informações da Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

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“Não tem notícia sem gente”, afirma Rose Nogueira, homenageada do Prêmio Vladimir Herzog

“A palavra mais importante hoje no jornalismo é humanização. Não tem notícia sem gente. É preciso questionar: do ponto de vista humano, o que isso representa?”, avalia Rose Nogueira (71), homenageada da 39.ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. A jornalista aposentada há quatro anos, depois de mais de 50 dedicados ao ofício da notícia, passou por empresas como a “Folha da Tarde”, Editora Abril, Rede Globo e TV Cultura. Ela concedeu ao Portal IMPRENSA uma entrevista em que reflete sobre jornalismo e sociedade, e faz duras críticas às coberturas jornalísticas atuais. Uma delas é a escassez de grandes reportagens.

Foto: reprodução/Rede Globo
Foto: reprodução/Rede Globo

Para ela, “a primeira aula de jornalismo não deveria ser ‘quem’, ‘como’, ‘quando’, ‘onde’ e ‘por quê’, mas ‘eu sei’, ‘você sabe’ e ‘ele não sabe’”, afirma a jornalista, que protesta contra a falta de reportagens mais elaboradas na TV. “Os programas estão reduzidos, você coloca as pessoas conversando no estúdio e cadê as matérias? Parece que você é obrigado a se informar em outro veículo para, então, poder assistir ao jornal, que só tem comentários. Falta reportagem na TV”, diz. Segundo ela, os comentaristas de estúdio ajudam a fomentar o sentimento de intolerância presente na sociedade. “Ninguém analisa o fato, o comentário já vem pronto. Defendo a volta das grandes reportagens, matéria que tem suíte. Toda matéria tem repercussão e gera fato novo”.

Rose Nogueira chegou à TV Cultura em 1973 e foi colega de Vladimir Herzog, o Vlado – jornalista morto depois de sofrer tortura na dependência do II Exército/SP (Doi-Codi), em 1975. “Já tinha quase 10 anos de imprensa, mas não entendia nada sobre movimento, quem me ensinou tudo foi o Vlado”, lembra. Na época, era ele quem fechava o jornal. “Ele salvava a matéria e com ele aprendi a cortar, respeitar a respiração do entrevistado. Foi um grande amigo que perdi, como tanto outros”, lamenta a profissional, que foi presa e levada ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em 4 de novembro de 1969, mesmo dia da morte de Carlos Marighella. Transferida para o Presídio Tiradentes, Rose passou nove meses afastada de seu filho de um mês, enquanto era torturada pelo regime militar.

A jornalista, cujo depoimento à Comissão da Verdade ajudou a apontar e esclarecer crimes cometidos durante a ditadura militar, destaca o fato de que, na época do regime, as redações não tinham as ferramentas que têm hoje. “Existe muito mais acesso para escrever uma matéria, o jornalista está mais bem preparado”. Ela acredita que os profissionais não estão aproveitando essas vantagens. Apesar de compreender as dificuldades que atingiram as redações, Rose reforça sua crítica ao modo como se tem feito jornalismo. “É ano de crise, redações reduzidas, salários achatados, demissões de companheiros de alta qualidade e a gente sofre com isso, é claro. Mas daí, vem o cara do Ministério Público, fala alguma coisa e ninguém questiona. Espera apenas um release ou vazamento”, observou.

O prêmio – Em outubro, durante a 39.ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, Rose Nogueira vai compartilhar os louros de uma vida de trabalho com os saudosos Dom Paulo Evaristo Arns e Tim Lopes. A premiação tem o objetivo de estimular, reconhecer e homenagear jornalistas que, por meio de seu trabalho, contribuem para a promoção dos Direitos Humanos e da Democracia, e se destacam na defesa desses valores fundamentais. Dom Paulo, morto em 2016, foi figura de grande importância na época da ditadura, enfrentando os militares a favor dos jornalistas e outros cidadãos. Já Tim Lopes, foi assassinado em 2002 durante a realização de uma reportagem sobre o tráfico de drogas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

*Informações do Portal IMPRENSA

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Série documental “Travessias Negras” retrata história de cotistas da UFBA

O sonho de cursar uma universidade era algo considerado distante por Daiane Rosário. A jovem de 25 anos, filha de ex-empregada doméstica, foi a primeira de sua família a ingressar em uma instituição pública de ensino superior. Moradora de uma comunidade desprestigiada de Salvador, ela está no 5º semestre de Jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA). Essa trajetória vai ficar conhecida nacionalmente com o lançamento da série documental “Travessias Negras”, que estreia nesta quinta (24), às 18h30, no Teatro ISBA (Ondina), com entrada franca. Com cinco episódios, o projeto dirigido pelo cineasta Antonio Olavo (Paixão e Guerra no Sertão de Canudos, 1993) apresenta histórias de vida de estudantes negros que entraram na UFBA pela Política de Cotas, adotada pela instituição desde 2005.

Na série, os jovens narram suas próprias histórias, estimulados a compartilhar suas experiências de vida. Daiane Rosário foi convidada inicialmente para trabalhar na produção e montagem da obra, mas logo o diretor enxergou o potencial de sua história. “Eu fiquei receosa pela dificuldade de me distanciar para conseguir editar o meu próprio episódio. Foi um grande desafio”, disse em entrevista à ABI. A cotista chegou à UFBA em 2011 para cursar o Bacharelado Interdisciplinar (BI) de Artes com ênfase em Cinema e Audiovisual. Depois, seguiu para o Jornalismo.

Daiane Rosário“Fiz Cinema à noite, era outro público. Não que não seja um curso elitista, porque também tinha o baque de constatar que a maioria de seus colegas era branca. Mas Jornalismo é bem pior. O curso diurno segrega, o estudante que trabalha não pode estar lá. A universidade te coloca para fora o tempo todo”. Segundo a estudante, o ambiente universitário pode ser hostil. “São muitas dificuldades lá dentro. Existe um racismo velado, que está presente nos discursos de alguns professores, de colegas, ou na presença ainda tímida de alunos negros”.

Tomada por um misto de ansiedade e felicidade, ao ver sua história retratada pelo projeto, Daiane revela o seu combustível para continuar sua jornada na academia. “Uma travessia negra também representa amor. É o ingrediente que faz com que a gente resista a esse processo que abala emocionalmente. Amor porque o nosso acesso à universidade pública não vem apenas como um objetivo individual. Eu sei o que representa para minha família eu estar nesse espaço”, ressalta. Em busca de identificação e novas narrativas de raça e gênero nas produções cinematográficas, ela já trabalhou em TV, séries e filmes – como o documentário “Revolta dos Búzios” – e integra grupos que pautam uma nova perspectiva das demandas sociais nas grandes telas.

Equipe TravessiasAlém de Daiane Rosário, na Comunicação, a série traz as histórias de Andre Luís Melo (Medicina), Hilmara Bitencurt (Letras) e Vitor Marques (Direito), que também tiveram o futuro transformado ao ingressarem na UFBA através de critérios sociorraciais.

Afirmação

O diretor Antonio Olavo afirma que o objetivo é aprofundar a discussão sobre as relações raciais no Brasil, através da abordagem sobre a inserção da população negra no ensino superior. “A série é a afirmação da juventude negra na universidade, conquistando o que lhe é de direito”. De acordo com ele, a intenção é fazer valer a voz e a identidade desse público formado por negros e negras, para ajudar a construir um entendimento sobre as trajetórias educacionais no Brasil e os bloqueios impostos para o não acesso à educação. Para ele, o sistema de cotas é uma política ainda questionada, mas que resiste e amplia essa participação. “Buscamos com o filme trazer um pouco dos anseios, tensões, preocupações dessa turma. Sem dúvida, um projeto prazeroso e muito intenso”.

Ele destacou que a série só foi possível por causa de um edital promovido em 2015 pela Agencia Nacional de Cinema – ANCINE. “Seu lançamento ocorre em um momento político muito peculiar onde efetivamente nos deparamos com um cenário nacional de extinção e questionamentos de conquistas sociais. Travessias Negras faz parte de um processo mais geral de posicionamento”, explicou em entrevista ao Portal Soteropreta. Para tomar partido, ele aposta em criar obras cujos conteúdos se colocam “em prol de uma sociedade democrática justa e diversa e isso somente será possível sem preconceito, sem racismo”, defendeu ele, que está há 25 anos a frente de projetos que contribuem com a valorização da memória negra. “Quero que adolescentes e jovens negras e negros se identifiquem, se reconheçam nas histórias narradas”, completa.

Serviço:

Data: 24/08/17

Local: Teatro ISBA (Av. Oceânica, 2717 – Ondina)

Horario: 18h30

Entrada Franca

Confira o trailer da série “Travessias Negras”