ABI BAHIANA

Livro que resgata os 90 anos da ABI será lançado no Dia Nacional da Cultura

“ABI – 90 Anos”, de autoria do jornalista e pesquisador Nelson Varón Cadena, acaba de chegar à sede da Associação Bahiana de Imprensa. O Dia Nacional da Cultura, 5 de novembro, foi a data escolhida para o lançamento do livro que comemora as nove décadas da instituição e do DVD em homenagem ao jornalista e professor Florisvaldo Mattos, como parte do projeto Memória da Imprensa. No dia em que nasceu o jurista baiano Ruy Barbosa, às 10h, a Associação apresentará o material comemorativo.

O vasto acervo documental da ABI foi a principal fonte de pesquisa da publicação de 166 páginas. O autor recorreu a atas, livros de funcionários, livros de contagem de dados, recortes de jornais, entrevistas. “Foi um projeto muito interessante e ao mesmo tempo dificultoso, porque o ideal seria ampliar as informações a partir de pesquisas nos jornais, nos centros históricos, nos jornais da Biblioteca Pública, e outras fontes, como os arquivos municipais, mas não foi possível porque a pandemia fechou todos os estabelecimentos culturais”, explica o atual diretor do Departamento de Cultura da ABI, Nelson Cadena.

O jornalista Nelson Cadena, a frente de um mural de fotos da Associação Bahiana de Impresa (ABI), segurando o livro "ABI 90 Anos"
Foto: Joseanne Guedes

“O livro narra a saga da instituição que conviveu 35 anos dos seu noventa de existência (1930-1945 e 1964-1984) com períodos de exceção e forte repressão a empresas e profissionais, o que exigiu da entidade uma constante atuação em defesa da liberdade de expressão”, afirma Cadena, escritor com 12 livros publicados e autor do livro de 50 anos da ABI. Para ele, a entidade chega aos 90 sem comprometer o seu legado e princípios, com uma intensa atividade em prol dos valores da cidadania e da preservação da memória. “O principal ganho com essa publicação foi reconstituir a história de uma entidade que é muito importante e representativa dentro da sociedade baiana. Conseguimos mostrar o que é a ABI, principalmente para gerações jovens, que não conhecem a instituição”, destaca.


Realização

O ex-presidente da ABI e atual presidente da Assembleia Geral da entidade, Walter Pinheiro, elogiou a “bela pesquisa” realizada por Cadena. “Estamos todos realizados”, declarou. Segundo ele, a publicação traduz os esforços de todos aqueles que se doaram ao fortalecimento da ABI. Pinheiro assina a apresentação do livro e é um dos sete perfilados, ao lado de figuras como Thales de Freitas, Altamirando Requião, Ranulfo Oliveira, Jorge Calmon, Afonso Maciel Neto e Samuel Celestino. “Padre Antônio Vieira já dizia que ‘O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive’. Neste caso, eu diria que o livro dos 90 anos da ABI é um relicário de uma bela história, reunindo nove décadas de atos e fatos de uma Instituição que se fez forte na sociedade baiana, sempre se posicionando pela defesa da liberdade de expressão, buscando a verdade através da prática do jornalismo sério”, disse.

“Como será o livro do centenário da Associação Bahiana de Imprensa?” Penso nisso enquanto folheio o exemplar de ‘ABI – 90 anos’, de autoria do jornalista Nelson Varón Cadena, a quem a instituição encarregara, 40 anos antes, em 1980, a pesquisa e redação do livro do cinquentenário. Há diferenças entre as duas publicações, tanto na forma como no conteúdo”, analisa o jornalista e produtor editorial Luís Guilherme Pontes Tavares, vice-presidente da ABI empossado no início de setembro.

Com projeto gráfico de Mauro YBarros e reprodução das fotos pelas mãos de Nilton Souza, os 600 exemplares do livro do 90º aniversário da ABI foram impressos pela Empresa Gráfica da Bahia (Egba), com miolo em papel Offset 120g e a capa em papel DuoDesign 300g. O livro foi composto utilizando a família tipográfica Absara, desenhada por Xavier Dupré, em 2004.

“Tem tantas novidades que não me surpreenderá se a leitura inspirar novos textos a respeito da instituição”, destaca Luís Guilherme. “A leitura das primeiras páginas nos adverte que o segundo presidente da ABI, o jornalista Ranulpho Oliveira, que a presidiu entre 1931 e 1970, enfrentava, quando faleceu, o desafio de construir, em terreno doado no município de Mata de São João, o Retiro do Jornalista. Pretendia concretizar aspiração nutrida há anos no seio da ABI. Quiçá, no livro do centenário, em 2030, a obra exiba em suas páginas a foto do sonho que não desaparece da mente e do coração dos associados”, observa o jornalista.

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No prelo! Acervo doado à ABI pela família de Walter da Silveira gera primeiro livro

Por Joseanne Guedes e Rayssa Pio

“Walter da Silveira e o cinema moderno no Brasil” é o título do primeiro produto desenvolvido a partir de acervo de Walter da Silveira em posse da Associação Bahiana de Imprensa (ABI). O livro-arquivo, em fase final de editoração, é derivado de uma pesquisa coordenada por Cyntia Nogueira, professora do curso de Cinema e Audiovisual da UFRB – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. O projeto que deu origem à obra teve início no ano do centenário de Walter da Silveira, 2015, mesmo período em que grande parte do seu acervo foi doada pela família à ABI. O material se juntou a 330 títulos da biblioteca pessoal do crítico e cineasta, comprados pela Associação em 1972, dois anos depois do seu falecimento. 

Cerimônia de doação do acervo de Walter da Silveira, em 2015 | Foto: Luiz Hermano Abbehusen

A doação, formalizada em uma cerimônia que reuniu na ABI importantes figuras da cena audiovisual – como Guido Araújo e Bertrand Duarte -, foi possível graças à cineasta Márcia Nunes. Amiga da família, ela conheceu a ABI na inauguração da Sala Roberto Pires e apresentou à instituição a filha de Walter, Kátia da Silveira.  Na época, Cyntia Nogueira estava fazendo doutorado e se mostrou entusiasmada com a possibilidade de explorar acervo inédito de um dos maiores pensadores sobre cinema no Brasil.

O objetivo da construção de um produto da pesquisa “Pensamento Crítico de Walter da Silveira”, de acordo com segundo Cyntia Nogueira, foi “apresentar e contextualizar a ação e pensamento de Walter para a emergência de um cinema independente em Salvador e na Bahia nos anos 50”. O livro é dividido em cinco partes: Artigos do autor, Correspondências, Dossiê, Documentos e Fortuna Crítica. Em ‘Correspondência’, são trazidas cartas que Walter trocou com Alex Viany, Paulo Emílio e Glauber Rocha. O ‘Dossiê’ reúne seis artigos e resenhas inéditos sobre a ação e pensamento do crítico. Em ‘Documentos’, são mostradas algumas imagens do acervo fotográfico presente no Museu de Imprensa da ABI. ‘Fortuna Crítica’ apresenta artigos sobre Walter da Silveira escritos por importantes críticos brasileiros como Paulo Emílio Sales Gomes, Alex Viany, B. J. Duarte e Octávio de Farias. 

Hoje, a ABI detém a maior parcela do acervo total original de Walter da Silveira, acondicionados no Museu de Imprensa e na Biblioteca Jorge Calmon. São cerca de 2000 livros na biblioteca e 13 caixas de documentos e fotografias no museu. 

Ernesto Marques destaca a necessidade de valorização da memória | Foto: Joseanne Guedes

Ernesto Marques, vice-presidente da ABI, destaca a importância do acervo e da contribuição da ABI na preservação desse material, e demonstra a sua preocupação com a memória da imprensa baiana. “A gente valoriza o gesto da família que doou e o trabalho – lento e caro – de restauração e conservação que tem sido feito pela ABI. Mostrar o livro que está no forno é mostrar o valor da nossa instituição, que cuida bem da memória. Não é para que [os documentos] fiquem apenas bem conservados. É para que estes estejam acessíveis, numa condição de conforto e de segurança, para quem nos procura para realizar pesquisa histórica/ documental”, ressalta. 

Além do acervo disponível na ABI, a pesquisa financiada pelo Fundo de Cultura da Bahia contou com diversos arquivos de outras bibliotecas de Salvador e do Recôncavo, da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) e da Cinemateca Brasileira. A historiadora Manuela Muniz participou da pesquisa de acervo junto com Cyntia e o designer Gil Maciel foi responsável pelo projeto gráfico e editorial. O projeto teve parceria da Editora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da diretora Flávia Rosa e das revisoras Mariana Rios e Sandra Batista. 

Acervo

O acervo de Walter da Silveira passou por processos de restauração e higienização quando foi recebido pela Associação, em 2015. Segundo a museóloga da ABI, Renata Ramos, cerca da metade da documentação que seria destinada ao Museu de Imprensa  estava em bom estado de conservação. Entre os arquivos, estão fotos pessoais, de filmes nacionais e internacionais, alguns cartões postais, fotogramas, fotos de atores, manuscritos, cartas, agendas, recorte de jornais, e outros. De acordo com Ramos, a documentação foi analisada, verificada e acondicionada. “A memória de Walter agora está sendo preservada através do livro e não só através da documentação original”, pontuou.

Valésia Vitória examina obras do acervo de Walter da Silveira | Foto: Joseanne Guedes

Já a documentação que foi destinada à Biblioteca Jorge Calmon, estava bastante degradada, depois de décadas guardada no escritório montado num dos cômodos do amplo apartamento da família, no bairro da Graça, em Salvador. Grande parte do material composto por livros, revistas, catálogos, periódicos e enciclopédias apresentava desgastes do tempo, acidez, rasuras, insetos e fungos.

Os documentos doados passaram inicialmente por uma quarentena, com fungicidas e inseticidas. “O processo de quarentena evita que técnicos e pesquisadores adquiriram doenças de pele e outras alergias”, explica Valésia Vitória, bibliotecária da ABI. Em seguida, o material passou por uma higienização e, por último, foi registrado, catalogado, classificado e acondicionado. “Para a preservação da documentação é muito importante o tratamento de restauro e acondicionamento adequado. É um processo diário de análise, investigação, estudo, pesquisa”, acrescenta a bibliotecária. 

Todo o material danificado foi separado e enviado para Marilene Oliveira, técnica do Laboratório de Restauro e Conservação da ABI. A higienização geral é feita a cada três meses, quando é realizada a limpeza do espaço, das estantes, dos livros, tanto no museu e quanto na biblioteca.

Sobre Walter

Walter da Silveira (1915-1970) foi um dos mais importantes críticos e historiadores do cinema brasileiro, soteropolitano fomentador da cultura audiovisual baiana. Diplomado pela Faculdade de Direito da Bahia em 1935, foi advogado das causas populares, professor, crítico, ensaísta, historiador, pesquisador, cineclubista, ativo teórico do cinema e político.  Ele fundou o Clube de Cinema da Bahia (1950), além de ter organizado festivais de cinema e um curso de cinema em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA). 

Cyntia Nogueira destaca que “ele defendeu de forma precursora um projeto de emancipação político-econômica e artística para o cinema brasileiro”. Ela acrescenta que “suas reflexões sobre o papel e a função da crítica cinematográfica foram fundamentais para estimular a articulação entre crítica, teoria e realização de filmes”, avalia a professora.

Segundo o artigo “Walter da Silveira e o Clube de Cinema da Bahia”, de Thiago Barboza de Oliveira Coelho, as críticas de Silveira tendiam a ser interpretações das obras, e não julgamentos. Walter  produziu seu primeiro artigo sobre cinema aos vinte anos de idade, no jornal da Associação Universitária da Bahia, sob o título “O Novo Sentido da Arte de Chaplin”, uma reflexão crítica a respeito do filme “Tempos Modernos”. No final de sua vida, já havia escrito para mais de 30 jornais. Seu primeiro artigo de caráter historiográfico sobre o Clube de Cinema da Bahia publicado na Revista Recôncavo, em edição única de janeiro de 1953, está entre as publicações raras restauradas pela ABI.

*Rayssa Pio é estagiária da ABI, sob a supervisão de Joseanne Guedes.

 

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Livros “raros” furtados da Biblioteca Jorge Calmon são devolvidos

Por Ernesto Marques*

Entre aficionados por livros, diz-se que livro raro é todo aquele que, uma vez emprestado, é devolvido. O que dizer, então, de livros furtados, devolvidos a uma biblioteca? É o caso de três títulos da coleção do pai da crítica cinematográfica brasileira, Walter da Silveira, cuja biblioteca pessoal integra o acervo da Biblioteca Jorge Calmon, da Associação Bahiana de Imprensa. “Plano 2-3” título de uma edição dos Cadernos Antológicos de Cinema e Teatro, “A aventura do Cinema” e “Menaces – sur le cinema” foram deixados como encomenda anônima na recepção do Ed. Ranulfo Oliveira alguns meses atrás. Devolvidos assim, quase tão furtivamente quanto foram subtraídos do acervo da Biblioteca, quase 20 anos atrás.

O larápio arrependido não precisou a data exata do furto, mas a “confissão” se deu numa noite de abril ou maio de 2003. No meio de uma maratona para editar um documentário sobre o Vale do Pati, lugar especialmente encantado da Chapada Diamantina, pausa para uma pizza, depois de longas horas em frente aos monitores da ilha de edição.

O produtor e aspirante a assistente de direção providenciou pizza e refrigerantes para todos. Extasiados com as imagens capturadas em seis dias de caminhada pelo diretor de fotografia, Fábio Marconi, e a singeleza do depoimento de Seu Massú, patizeiro sábio e resiliente, discutíamos os rumos do meu roteiro para o filme dirigido por Péricles Palmeira. Referências de documentários, filmes e diretores. A câmera na mão de Dib Lutfi elevou a conversa para as técnicas de fotografia em cinema e aos livros sobre o assunto.

Eis que o aspirante a assistente de direção, querendo fazer bonito na cena, resolve se gabar, narrando visita à biblioteca da ABI – como se referia à Biblioteca Jorge Calmon. Lá estavam cerca de 500 títulos sobre cinema, comprados junto à família de Walter da Silveira alguns anos após sua morte. Discorreu sobre o acervo com empolgação e destacou o que considerava o melhor do melhor: não era possível pegar livros por empréstimo, mas era fácil roubar, porque não havia câmeras. Bastava um instante de desatenção dos funcionários para destacar páginas ou esconder livros na mochila.

Ouvia um testemunho precioso, que não ouviria se aquele larápio soubesse da minha relação com a entidade e com a própria Biblioteca Jorge Calmon. Até que veio a confissão do crime: tinha levado alguns livros e vandalizado outros.
Aliviei no tom, mas não nas palavras. “Você se acha muito esperto por ter abusado da confiança da bibliotecária, mas, como malandro demais se atrapalha, você confessou o roubo para um diretor da ABI”. Os demais rolavam de rir com a cara do sujeito.

E avisei: se não devolvesse os volumes roubados, era melhor nunca mais aparecer por lá, ou eu o constrangeria, pedindo aos funcionários para não tirar os olhos dele. “A ABI faz um esforço para manter o acervo em boas condições e acessível a pessoas como você, para ter aquele comportamento como retribuição? Não tem vergonha de contar um ato covarde e desonesto como se fosse um grande feito, diante de pessoas que poderiam se interessar por pesquisas na área?”

Passei quase mais de 15 anos encontrando o sujeito em eventos ou via redes sociais e sempre cobrava a devolução, mas nunca o expus. Quando, em 16 de setembro de 2015, a família Walter da Silveira nos doou todo o acervo, mandei mensagem para o dito cujo e reforcei a cobrança. Prometeu devolver algumas dezenas de vezes, sempre com desculpas criativas. A última: após mais uma separação, os livros estavam em alguma caixa, mas sabia onde.

Um belo dia nos “encontramos” numa rede social, comentando uma postagem do jornalista e editor de livros, Gonçalo Jr. O assunto era corrupção e o ladrão de livros fez um comentário falso-moralista. Respondi duramente com indiretas compreensíveis somente ao meliante. Gonçalo não entendeu a minha virulência e eu expliquei em mensagem privada. Talvez isso tenha ajudado o sujeito a refletir sobre seus mal feitos. Talvez Gonçalo o tenha repreendido, por serem amigos. Ou foi aquela velha história de água mole em pedra dura – neste caso, em cara dura.
O importante, descontada a demora, é que o ladrão arrependido, ainda que tardiamente, devolveu três livros. Não estou seguro de serem todo o produto do furto e não há como sabê-lo.

E o acervo de Walter da Silveira está lá, sendo restaurado página por página, livro por livro. Já chegamos a investir R$ 3 mil no restauro de um único livro. Sem apoios ou patrocínios. Dele se serviram o jornalista Cláudio Leal, em sua pesquisa para o mestrado na USP; a professora da Uneb, Isabel Melo, no seu doutorado; a jornalista e professora da UFRB, Cyntia Nogueira. Coordenando uma equipe de pesquisa, ela finaliza um trabalho de fôlego sobre o pai da crítica cinematográfica brasileira e marejava os olhos, emocionada a cada foto, carta ou rabisco do mestre, guardados em caixas há décadas. Um tesouro redescoberto aos poucos. Porque formar acervos bibliográficos, documentais ou de qualquer natureza, só faz sentido se for para isso: compartilhar e produzir conhecimento.

*Jornalista e vice-presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI). Texto originalmente publicado no Facebook do autor, no dia 7 de outubro de 2019.

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Biblioteca da ABI incorpora acervo pessoal do jornalista e professor Sérgio Mattos

A Biblioteca de Comunicação Jorge Calmon, da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), recebeu uma coletânea especializada de 2.436 livros. A doação foi feita nesta quarta-feira (13) pelo jornalista, pesquisador, educador e autor Sérgio Mattos, que integra a diretoria da instituição. Assim como o site que reúne sua obra, a seleta abrange preciosidades e uma das maiores concentrações de periódicos acadêmicos na Bahia. Entre os títulos, há também livros de literatura escritos por biógrafos, contistas, cronistas, poetas, romancistas e jornalistas de várias gerações, em uma importante iniciativa rumo à preservação da memória da comunicação no estado.

A maioria dos livros está autografada pelos autores, o que eleva a estima e o valor individual do acervo. “É impossível quantificar o sentimento que devotei a cada um desses livros, que me acompanharam na vida, como verdadeiros filhos, em minhas conquistas e em meus fracassos. São livros dos quais sinto ciúme, pois fazem parte de minha vida”. Mattos conta que se envolveu sentimentalmente na seleção. “Peguei cada um desses livros, recordando os bons momentos desfrutados em diferentes épocas de minha vida”, confessou. O restante de seu acervo será fracionado entre bibliotecas municipais ou universitárias da Bahia.

Emocionado, Sérgio Mattos recordou um dos principais teóricos da Comunicação no Brasil, o amigo José Marques de Melo, falecido em junho de 2018. Entre as publicações doadas por Mattos está grande parte dos livros escritos e organizados por José Marques, a exemplo da Revista de Comunicação da Intercom, a única revista brasileira de comunicação a ter o reconhecimento do Qualis A e indexação internacional. “Foi o primeiro doutor em Jornalismo do país, um líder da área da comunicação a quem devemos tudo o que conseguimos no que diz respeito ao reconhecimento da importância de nossa área no Brasil”, destacou.

  • Leia aqui a íntegra do pronunciamento de Sérgio Mattos

 “Minha expectativa é que, aqui na ABI, meus livros serão bem tratados e terão condições de melhor  servir à comunidade e aos pesquisadores do que se permanecessem trancados  em meu gabinete”, ponderou. “Sinto-me renascer com esta doação, pois estou compartilhando pedaços de minha vida com vocês”. O professor manifestou ainda o desejo de que seu gesto acelere as obras do Museu de Imprensa e a expansão da Biblioteca Jorge Calmon, onde também se encontram acervos doados pelas famílias de João Falcão, Walter da Silveira e José Augusto Berbert de Castro.

Na primeira reunião de diretoria em 2019, o presidente da ABI, Walter Pinheiro, registrou os agradecimentos pela doação. “Esse acervo que ele encaminhou para a nossa guarda é uma parte da sua alma, uma parte da sua vida muito bem registrada”, afirmou. O dirigente ressaltou o privilégio de conviver com Mattos. “Sempre tivemos a convicção daquilo que Sérgio Mattos, um cearense que veio emprestado e que aqui ficou baiano, é para a nossa cultura e para a imprensa baiana. A ABI tem a obrigação de zelar por esse patrimônio”, disse.

“Sérgio nos doa um tesouro. Mas o maior tesouro que essa doação traz é esse imenso sentimento dele, é muito coração”, comentou o diretor de Patrimônio da ABI, Luís Guilherme Pontes Tavares. Para Valber Carvalho, diretor de Comunicação da ABI e ex-aluno de Sérgio, o acervo vai atrair cada vez mais estudantes para a Biblioteca Jorge Calmon, pois a seleta é composta por documentos que não são facilmente encontrados. “Dá para ver que ele está emocionado. Ter livros guardados, escolhê-los, demanda tempo e carinho. A gente agradece, fica feliz por esse compartilhamento”, concluiu o jornalista.

O advogado Antônio Luiz Calmon Teixeira doou à ABI um DVD que registra traslado dos restos mortais de Ruy Barbosa para Salvador – Foto: Joseanne Guedes/ABI

Quem também fez uma importante doação à ABI foi o advogado Antonio Luiz Calmon Teixeira. Ele se associou às comemorações dos 170 anos do nascimento de Ruy Barbosa, que ocorrerá em novembro, e ofertou à Associação um DVD da filmagem “Volta de Ruy à terra natal”. Segundo ele, o vídeo registra o traslado dos restos mortais do jurista para cripta no Fórum Ruy Barbosa, em 1949, ano em que se comemorou os 400 anos de fundação da cidade do Salvador.