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Livro sobre convergência entre esquerda e direita é lançado pela ABI

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) lançou na tarde de ontem (26) o livro “Esquerda X Direita e a sua convergência”. A obra é fruto do debate realizado pela entidade, em maio deste ano, com o jornalista e advogado Joaci Góes; do professor, engenheiro e escritor Fernando Alcoforado; do professor de Ciência Política, Paulo Fábio Dantas; e do jornalista e doutor em Filosofia, Francisco Viana, em comemoração ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. O lançamento reuniu profissionais ligados à atividade jornalística e terminou com uma sessão de autógrafos com dois dos autores.

Foto: Joseanne Guedes/ABI

O presidente da ABI, Antonio Walter Pinheiro, destacou que a publicação propõe uma reflexão sobre o papel da imprensa no contexto da democracia, apontando o respeito à pluralidade de opiniões e posicionamentos ideológicos como valores centrais da atividade jornalística e da liberdade de imprensa. “Este livro chega num momento muito apropriado. Hoje, há uma confusão grande sobre o que é de esquerda e de direita. Queremos que o livro possa contribuir para questionar, aprimorar o exercício da política e fortalecimento da democracia”, afirmou o dirigente.

Foto: Joseanne Guedes/ABI

O professor Fernando Alcoforado agradeceu o convite e se referiu a ABI como a “casa da democracia”. Ele falou sobre o clima de polarização política no país, a escalada da violência, principalmente contra os profissionais de imprensa. “As questões que eu coloquei parecem estar se materializando. Na época em que escrevi, dia 3 de maio, a situação não era tão grave, o confronto entre esquerda e direita não havia assumido tais contornos”. Para ele, “qualquer que seja o vencedor da eleição, seja Bolsonaro ou Haddad, há riscos relacionados à governabilidade”.

Alcoforado citou “três aspectos fundamentais” para que a governabilidade aconteça. “O primeiro é que o presidente da república precisa ter o apoio das elites econômicas e financeiras, o segundo, ele tem que ter maioria parlamentar”. Por último, o professor mencionou o apoio da sociedade civil. “Minha preocupação é que nenhum dos candidatos corresponda a esses elementos. A única forma de uma sociedade fraturada convergir é convocando uma assembleia constituinte exclusiva para debater o futuro do país”, opinou.

Foto: Joseanne Guedes/ABI

“Nossa sociedade está fraturada desde 64, quando a direita tomou o poder. E mais: essa fratura tinha acontecido dez anos antes, com o suicídio de Getúlio Vargas. E essa fratura só tem uma causa: a exclusão social”, defendeu Francisco Viana. Para ele, nunca houve governo de esquerda no Brasil. “A esquerda brasileira nunca oprimiu ninguém, muito pelo contrário, ela foi vítima de uma opressão radical. A extrema direita, por sua vez, sempre foi, além de opressora, ilusória”.

De acordo com o jornalista, não há risco para a democracia no Brasil de hoje. “Isso é uma fantasia inventada pela direita, que pela primeira vez na nossa história teve a coragem de mostrar a sua cara, com o seu candidato. Isso só enaltece a democracia, que garante que todas as correntes políticas se expressem”. Viana classificou o momento atual como um acirramento. “É preciso se debruçar sobre a história. Aí eu vejo o valor deste livro. Um dia, em algum lugar do futuro, ele vai ser lembrado como um documento que tentou espelhar a questão brasileira, com suas lutas de classe, com suas diferentes correntes, mas com uma visão humanística”.

O vice-presidente da ABI, Ernesto Marques, discordou de Francisco Viana sobre a ausência de risco para a democracia. “Um dos candidatos não pode estar nas ruas porque foi alvo de um atentado que poderia ter tirado sua vida. E por mais que eu seja contrário ao seu discurso, que agride cotidianamente segmentos minoritários, não se pode admitir atos violentos”, justificou. No entanto, ele concorda com a tese de que nunca houve governo de esquerda no Brasil. “Acredito que a melhor defesa entre esquerda e direita seja a defesa da democracia. Tanto na direita quanto na esquerda há tentações autoritárias e pouca disposição, em alguns segmentos dessas correntes de pensamento, com o contrário”.

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Lançamento de “Ingresia”, do jornalista Franciel Cruz, terá inédito cortejo literário

O jornalista Franciel Cruz escolheu uma forma inusitada para lançar o seu primeiro livro. A chegada do aguardado “Ingresia” será festejada com um inédito cortejo literário, que sairá “às 15h59” dos pés das estátuas dos caboclos, no Campo Grande, rumo ao Instituto Cultural Brasil Alemanha (ICBA), no Corredor da Vitória, neste sábado (9). Aos 48 anos, Franciel é um dos jornalistas que buscaram nas ferramentas digitais a liberdade nem sempre possível nas redações tradicionais e editoras comerciais. A chamada “vaquinha digital” foi a alternativa encontrada por ele para tornar realidade o projeto. E a impressão só foi possível graças ao sucesso da pré-venda de quase 500 exemplares – antes mesmo de mandar o material editado para a gráfica.

O cortejo de lançamento promete “abalar a Bahia e uma banda de Sergipe”, segundo o autor, e contará com shows do DJ Barata e do cantor e compositor Mario Mu keka Cortizo. Na ocasião, será também lançado o infanto-juvenil “Sítio Caipora”, da escritora e antropóloga Núbia Bento Rodrigues. “A chibança vai ser punk rock. Todo mundo chorando, caminhando, cantando e comprando livro”, antecipa Franciel, em sua participação no programa Roda Baiana, nesta terça (5).

Ingresia – O baiano de Irecê contou a ABI que “Ingresia” surgiu por insistência dos amigos que acompanhavam seus escritos. As noventa crônicas produzidas desde o início dos anos 2000 estavam registradas em blogs e nas redes sociais. “Nunca tive ideia de fazer livro, nunca tive pretensão no campo literário, livro está sendo uma surpresa”, afirma.

“Ingresia” é uma coletânea de contos sobre a Bahia, com histórias do cotidiano, inventadas ou não. “Tem textos sobre política, alguns pretensiosamente culturais e futebol. Selecionei de acordo com os temas, para costurar o livro, para um texto dialogar com outro. Não dividi por capítulos, mas o fluxo divide bem”.

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  • Confira a entrevista concedida por Franciel a André Simões, no “Roda Baiana“, da Rádio Metrópole:

*Com informações do Notícia Livre.

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Jornalista Sérgio Mattos comemora seu 50º livro com ação solidária

Para comemorar o quinquagésimo livro de sua carreira, o jornalista e professor Sérgio Mattos, diretor da ABI, resolveu fazer do lançamento da obra um evento beneficente. Nesta quinta-feira (8), das 17 às 20h, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), o exemplar de “Leitura em primeira mão – Prefácios e orelhas” (Salvador: Quarteto, 2017) será trocado por pacotes de fraldas geriátricas que serão doadas ao Lar Irmã Maria Luiza, localizado nos Mares, na Cidade Baixa.

“Estamos vivendo uma época de muita angústia, de muito ódio, de violência e de sofrimento. Precisamos nos reencontrar com a solidariedade para podermos construir um mundo melhor”. Foi assim que o professor justificou a sua ideia de unir o lançamento do seu 50º livro à arrecadação que irá ajudar idosos em situação de vulnerabilidade. “É uma pequena ajuda, mas esta proposta pode servir de exemplo para que outras ações como esta sejam realizadas em vários outros setores culturais, aproximando cada vez mais as pessoas no sentido de que possamos exercer a cidadania e contribuir para que os necessitados sejam mais bem assistidos”, defende.

O livro reúne 37 textos, alguns dos prefácios e orelhas produzidos por Sérgio Mattos, que começou a escrever artigos em jornais aos 16 anos e teve o primeiro livro lançado em 1973. Os prefácios estão divididos em dois grupos: Literários e Comunicacionais. No primeiro, encontram-se os de livros de poemas, contos, romances etc. No segundo grupo, estão as apresentações de livros técnicos sobre televisão, jornalismo entre outros. “Destaco deste novo livro o mérito de nos alertar para certos livros que saíram de catálogo e que não tivemos oportunidade de ler. É o caso de ‘O adeus do Velho Capitão: a última viagem do São Francisco’, do jornalista [já falecido] Josemário Freire Luna”, avalia o historiador e jornalista Luís Guilherme Pontes Tavares, que também é diretor da ABI.

Inspiração

Sérgio Mattos conta que se inspirou numa publicação que fez um estudo sobre as contribuições do jornalista Câmara Cascudo (1898-1986) à teoria da literatura a partir dos prefácios que ele escreveu. Segundo Mattos, escrever prefácio “é uma tarefa árdua, que exige conhecimento e que leva tempo para ser escrito, pois você tem que ler os originais mais de uma vez e depois elaborar o texto que deve orientar os leitores sobre o conteúdo do livro”.

Os prefácios escritos por ele estão espalhados em vários livros, alguns nem chegaram a ser publicados. “Achei que seria interessante reunir os prefácios, uma produção intelectual, em um volume, pois assim o leitor terá uma ideia também sobre o que penso, sobre o que eu li, sobre o que eu acho que é referência em cada área”.

Para ele, quando um autor procura um prefaciador, na verdade, ele está em busca de legitimação. “O prefaciador é solicitado porque ele é, de certa forma, uma referência para o autor e seus respectivos leitores na área. Muitas vezes, no entanto, o prefaciador é que passa a ter a honra de ter sido escolhido para escrever sobre obras de autores consagrados”, ressalta.

SERVIÇO
8 de junho de 2017, das 17h às 20h
IGHB – Avenida Joana Angélica, 43 – Piedade
71 3329 4463 – www.ighb.org.br

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Albenísio Fonseca lança livro sobre jornalismo cultural em Salvador

“Um livro para resgatar todo um decurso histórico e proporcionar reflexões sobre cenas de épocas, que envolvem quase quatro décadas, em narrativas que permanecem contemporaneamente atuais”. É o que o jornalista Albenísio Fonseca oferece com o lançamento de “Jornalismo Cultural em Transe”, no próximo dia 10 de fevereiro, das 17h às 20h, no MAB-Museu de Arte da Bahia.

Albenísio ressalta todo um “vínculo afetivo e crítico com as mil e uma faces da cultura em Salvador”, que importam, sobretudo, para a história colonial e recente da cidade, ainda que as abordagens tenham amplitude global, em artigos, reportagens, textos e entrevistas. O autor entende que “todo jornalismo é cultural”, como assinala na introdução do livro. A publicação de 152 páginas é o terceiro título lançado em um ano pela Editora Boa Ideia, fundada por ele.

O livro reúne textos publicados em diversos veículos da mídia impressa baiana, desde a década de 1980 até 2016, mas sem seguir um caráter cronológico. Como em um caleidoscópio cultural, o leitor passeia por uma diversidade temática que vai do teatro à literatura, da música à antropologia, da história à fotografia, do esporte ao design, passando pelo marketing e publicidade. “Há reportagens e entrevistas que ganharam capas de cadernos culturais e artigos nas páginas de Opinião das publicações, além dos editados diretamente em meu blog – albenísio.wordpress.com e mesmo em sites como o Zonacurva.com, produzido em São Paulo”, destaca.

Segundo Sérgio Mattos, mestre e doutor em Comunicação pela Universidade do Texas (Estados unidos), que assina o prefácio do livro, “com texto primoroso de cronista nato e espírito jornalístico aguçado, Albenísio Fonseca reúne em Jornalismo Cultural em transe, uma coletânea de suas produções publicadas na imprensa baiana, ao longo dos últimos 35 anos, como fruto de uma atuação marcante, como repórter, editor e empresário na área de comunicação, pois foi, ainda, responsável pelo lançamento de publicações como o Jornal do RecôncavoJornal da OrlaJornal da Península, A Era da QualidadeJornal do São João, Itapuã na Frente e a Revista do Carnaval – com que obteve o Prêmio Colunistas Brasil em 1992”.

Nos textos selecionados para o livro, conforme Sérgio Mattos, “Albenísio revela ângulos e perspectivas distintas do olhar comum, nos levando a transitar por suas memórias e sensibilidade jornalística. Ele nos conduz a admirar aspectos que foram objeto de seu olhar clínico e crítico. Com seu estilo de relatar, de se entranhar na realidade, de ir além da superficialidade jornalística, apresenta o âmago do que, e sobre o que, está escrevendo, descrevendo o corpo físico e o espírito cultural impregnado do cheiro e da cor do ambiente”.