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Jornais baianos investem em transmissões ao vivo através de plataformas digitais

Em tempos de pandemia, mais da metade da população baiana permanece em casa, como única forma de evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), o isolamento social no estado já chegou a ser de 53,33%, em 22 de março. Para aproveitar essa nova realidade, veículos baianos marcados pela circulação de seus jornais impressos têm se mostrado perspicazes no uso das plataformas digitais, em especial do Instagram e das transmissões ao vivo, as famosas “lives”. Os três maiores jornais impressos da Bahia, Correio*, A Tarde e Tribuna da Bahia, intensificaram a presença online neste período, apostando em projetos que vão desde programas de entrevistas até boletins e newsletters com as principais matérias publicadas.

O Correio*, jornal de maior circulação no estado, antes mesmo da pandemia já havia adotado a estratégia, não apenas no Instagram, mas também no Facebook. “Junto com a Rede Nordeste, que é um grupo formado pelos três maiores jornais da região, já tínhamos uma grade de transmissões”, relata Wladmir Pinheiro, jornalista e mestre em cibercultura pelo programa de pós-graduação da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Ele atua como  coordenador de mídia digital e colaborador do veículo da Rede Bahia há mais de dez anos.

Leia também: Atividade jornalística no ambiente digital: O marketing tem a ver com isso?

De acordo com Wladmir, a emergência da pandemia fez o Correio* mudar o recorte e obter maior engajamento com os leitores. Com transmissões ao vivo que pontuam entre seis e 30 mil visualizações, o Correio* tem apostado em debates emergentes como saúde e bem-estar. “A audiência é importante, mas se não estiver bem alinhada às estratégias de assinatura são números quase vazios”, pondera o jornalista.

A Tribuna da Bahia, com 50 anos de história, tem sua primeira live no Instagram registrada no dia 26 de maio. A mediadora de todas as transmissões realizadas até então é Fan Teixeira, jornalista, colunista do jornal e apresentadora do programa Balaio de Gato, exibido pela TVE. De acordo com a colaboradora da Tribuna, “o projeto visa abrir o diálogo entre o jornal e a sociedade de forma objetiva e direta, trazendo à luz e ao debate temas mais comentados da atualidade, através de entrevistas com personalidades do cenário nacional”.

A Tribuna conta com as estratégias da Loft Comunicação, agência responsável pelo setor de marketing digital do veículo. De acordo com Fan, “a ideia das transmissões é estar conectado durante esse período de pandemia com o maior número possível de seguidores que, leitores ou não do jornal impresso, cheguem às redes em busca de uma conversa inteligente, acessível e com conteúdo atual e de qualidade”, explica a jornalista.

O Correio* ressalta ter crescido cinco vezes em visitas no Instagram, e aumentado em mais de 20% o número de seguidores. No digital, tem tido recorde de acessos. “Cada canal tem sua estratégia, que é definida de acordo com um plano maior de engajamento, relevância e assinatura. O desempenho é avaliado de acordo com essa estratégia maior”, ressalta Wladmir Pinheiro.

Com a Covid-19, o Instagram viu o uso das transmissões ao vivo crescerem em 70% somente durante o mês de março. Há cerca de um mês, em maio, as lives passaram a poder ser salvas no IGTV, aplicativo de vídeo secundário ao Instagram e pertencente ao Facebook. Antes as publicações só podiam ser salvas durante 24 horas. 

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) procurou o A Tarde para tratar dos resultados da investida do Projeto A Tarde Conecta, divulgado no site da Associação, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O jornal tem feito também transmissões a partir da fanpage no Facebook. 

Encontre as transmissões ao vivo dos veículos citados nesta matéria em: 

A Tarde 

Correio* 

Tribuna da Bahia

 

*I’sis Almeida é estagiária de Jornalismo da ABI
Supervisão: Joseanne Guedes

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Imprensa baiana repercute nota da ABI em apoio ao A Tarde

O gesto de solidariedade da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) em divulgar apoio público ao jornal A Tarde foi bem recebido pelos profissionais da imprensa baiana, que reconhecem a importância de um dos mais tradicionais veículos de comunicação do estado. Nas redes sociais, leitores replicaram o documento e se juntaram pela manutenção do centenário jornal, cuja crise ameaça postos de trabalho e fragiliza a missão da imprensa. Segundo a diretoria da ABI, o objetivo da nota é conclamar outras instituições – instâncias governamentais, culturais, organizações sociais e lideranças em geral – para que, com o seu apoio, contribuam para normalizar a situação.

Problemas de atrasos de salários e falta de receita para bancar o passivo estimado em quase R$ 150 milhões motivaram a venda do jornal para uma holding paulista, em janeiro deste ano. No entanto, a família do fundador Ernesto Simões Filho, que havia sido afastada do controle societário, retomou a direção do jornal no último dia 5 de março e mantém o funcionamento da empresa. Herdeiro de Ernesto Simões Filho, Renato Simões Filho agradeceu a nota de apoio emitida pela ABI. Em nome da família Simões, classificou de “muito equilibrada, confortadora, porque solidária, e geradora de estímulos na busca das soluções de que A TARDE necessita”.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba), Marjorie Moura, também se manifestou a respeito. “Agradeço imensamente o inestimável apoio da ABI e tenho certeza, do seu apoio pessoal, em nome dos colegas e de todos que entendem a importância de A Tarde para nosso estado e para a imprensa em geral”, ressaltou em correspondência ao presidente da ABI, Walter Pinheiro. Ela destaca que o Sinjorba tem acompanhado a situação do jornal e segue na luta para assegurar os direitos dos profissionais.

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NOTA OFICIAL: A Tarde é patrimônio da Bahia

A ASSOCIAÇÃO BAHIANA DE IMPRENSA (ABI), por decisão de sua diretoria em reunião realizada nesta quarta-feira (9), vem manifestar publicamente sua solidariedade e apoio ao jornal A Tarde, diante do momento de dificuldades que a instituição enfrenta.

É com intensa preocupação que a ABI acompanha seus atuais problemas, envolvendo até uma disputa societária, o que em nada contribui para a superação dos entraves necessária à normalização de suas atividades.

Este tradicional Grupo de Comunicação, que há mais de 103 anos mantém o jornal com circulação ininterrupta, tornou-se Patrimônio da Bahia, o que merece atenção especial.

 O jornal A Tarde é parte da cultura e da tradição do povo baiano. A exemplo de outros veículos da imprensa brasileira, tem a sua situação agravada pela forte crise econômica que abala o nosso País, fragilizando a missão da Imprensa, o que poderá, de algum modo, interferir no fortalecimento da democracia.

Por isso, esta manifestação da ABI, que visa também conclamar outras instituições da nossa sociedade – instâncias governamentais, culturais, organizações sociais e lideranças em geral – para que, com o seu apoio, contribuam para preservar sem solução de continuidade a missão de A Tarde em defender legítimos interesses da Bahia, também incumbindo-se de guarnecer uma memória que nos possibilita reconstituir grande parte da nossa história.

Salvador, 09 de março de 2016

Walter Pinheiro

Presidente da ABI

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Sinjorba afirma que grave crise financeira motivou demissões do Grupo A Tarde

A atual conjuntura econômica, que é um desafio com grande impacto em diversos setores, atingiu em cheio as empresas de comunicação. Desde o ano passado, notícias relacionadas a demissões em massa ou até fechamento de portas se tornaram rotina. Na Bahia, o grupo A Tarde vem enfrentando os mesmos problemas financeiros que atingem os veículos impressos no Brasil e demitiu, na última terça (1º), trinta e cinco jornalistas entre as redações do centenário jornal A Tarde e do Massa!. No total, cerca de 150 funcionários teriam sido desligados. Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) afirma ter participado de todo o processo de desligamento, de acordo com negociação entre o Sindicato e a Empresa, mediado pelo Ministério Público do Trabalho.

A entidade assegura que as demissões aconteceram “de forma respeitosa, com informações concretas sobre direitos e oferta de assessoria jurídica para dirimir dúvidas”. Segundo a presidente do Sinjorba, Marjorie Moura, as dispensas decorrem da crise econômico-financeira que alcança o país. “Parte dos colegas aderiu ao processo de demissão de forma voluntária, por possuírem projetos próprios”, diz trecho do documento.

O Sinjorba se prontificou a contribuir com os profissionais demitidos. “[Eles] serão auxiliados pelo Sinjorba, que manteve contatos com instituições ligadas ao empreendedorismo para fornecimento de cursos que estimulem os jornalistas a buscar reciclagem, noções de administração e outros conhecimentos que lhes forneçam instrumentos para que se insiram no mercado jornalístico, usando a expertise adquirida ao longo dos anos de exercício profissional”. O órgão classificou o momento como grave e fez pediu à imprensa que “evite noticiar especulações, em respeito ao grupo de jornalistas dispensados”.