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Mostra em Salvador celebra o audiovisual negro e homenageia Mahomed Bamba

Entre os dias 11 e 15 de abril de 2018, acontece em Salvador a I Mostra Itinerante de Cinema Negro – Mahomed Bamba, com o objetivo de visibilizar, difundir e debater a produção audiovisual realizada por cineastas negras(o)s de África e de sua diáspora. A mostra homenageia o ex-professor e pesquisador de cinema da Faculdade de Comunicação (FACOM/UFBA), Mahomed Bamba, falecido em 2015, depois de lutar contra um câncer no fígado. O evento contará com mesas de debates, oficinas para crianças, Oficina de Elaboração e Desenvolvimento de Projetos e o Minicurso de Cinema Africano. A abertura da mostra, no dia 11, no SESC Pelourinho, prevê um show da cantora baiana Luedji Luna.

Natural de Costa do Marfim, Bamba propunha em seus ensaios uma nova leitura sobre as narrativas fílmicas produzidas nas periferias globais, sobretudo as realizadas no continente africano. Ele era doutor em Cinema, Estética do Audiovisual e Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), e integrava o corpo de professores da FACOM desde 2009, onde atuava na área de Cinema e Audiovisual, além de ser professor e pesquisador do Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas.

O festival terá exibições regulares na Sala Walter da Silveira (DIMAS), no bairro dos Barris, e itinerantes nos bairros do Cabula, Uruguai e Garcia, reunirá mais de 35 obras de longas e curtas metragens realizados entre 2015 e 2017, produzidos por cineastas negra(o)s do Brasil e de países africanos de língua portuguesa, como Guiné-Bissau, Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial e de países da diáspora.

A I Mostra Itinerante de Cinema Negro – Mahomed Bamba é realizada por cineastas e produtoras audiovisuais, tendo como idealizadora, coordenadora geral e de produção Daiane Rosário; na coordenação de curadoria de filmes nacionais e produção, Julia Morais e Tais Amor Divino; na coordenação de curadoria de filmes africanos e produção, Kinda Rodrigues; coordenação de produção, Loiá Fernandes; e na coordenação de comunicação e produção, Inajara Diz.

O festival tem como parceiros, a Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), a Diretoria de Audiovisual da Bahia (DIMAS), a Diretoria de Espaços Culturais, o Espaço Cultural de Alagados, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador, o Centro Cultural Casa de Angola na Bahia, o Ponto de Cultura Boiada Multicor (UNIRAAM), a Aliança Francesa e Centro de Comunicação Democracia e Cidadania (CCDC), Instituto Mídia Étnica e Correio Nagô.

Acesse a página do evento e confira a programação.

ABI BAHIANA

Filme sobre liberdade de expressão marca o Dia do Jornalista na ABI

As mais de cinco décadas de atuação do jornalista João Carlos Teixeira Gomes (82 anos) foram reverenciadas na manhã desta sexta-feira (6), com o lançamento do documentário “A luta pela liberdade de expressão”. O evento foi idealizado pela Associação Bahiana de Imprensa (ABI) como parte das comemorações ao Dia do Jornalista, celebrado em todo o país em 7 de abril. O filme é o segundo volume da série “Memória da Imprensa Baiana” e registra o depoimento de Joca, também poeta e professor, sobre a luta em favor da liberdade, o combate à ditadura civil-militar e a defesa do Jornal da Bahia.

O presidente da ABI, Antonio Walter Pinheiro, abriu a sessão relembrando a origem do Dia do Jornalista – uma data em homenagem ao médico e jornalista Libero Badaró – e saudou a todos os profissionais. “Muitos colegas podem perguntar ‘e tem o que comemorar?’. Eu não tenho a menor dúvida. Temos o que comemorar. Sem uma imprensa livre, sem o jornalismo, não existe um sistema democrático. O transcurso desta data deve orgulhar a todos os jornalistas”, defendeu.

“O jornalista está na ponta de lança. É uma profissão perigosa”, constatou o dirigente, ressaltando que o Brasil chegou a figurar como o quarto país com maior número de mortes de profissionais da imprensa. “Ultimamente esse quadro está mais arrefecido, mas não se pode abaixar a guarda”. Ele falou sobre as funções da ABI e justificou a escolha de João Carlos Teixeira Gomes como a personagem do filme realizado pela ABI, ressaltando a contribuição do “pena de aço” para o jornalismo baiano. “É papel da ABI a defesa da liberdade e é por isso que estamos aqui. É nosso dever a defesa do bom jornalismo e da liberdade de expressão e do pensamento”. O dirigente refletiu sobre os novos meios de comunicação e reafirmou o papel das plataformas digitais. “Estamos conscientes das novas técnicas”.

Em seu discurso de agradecimento, Joca, lembrou sua trajetória no jornalismo e se posicionou contra a corrupção no Brasil, destacando os últimos escândalos no cenário político. “Eu digo com muito orgulho que o que sempre distinguiu a minha carreira jornalística foi a coragem de defender a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a liberdade de pensamento – três bens essenciais da vida humana na sociedade. Para ele, não existe coisa pior do que a tirania”.

Com grande excitação, ele agradeceu o gesto da ABI. “Essa homenagem que me presta hoje a ABI significa um momento culminante na minha carreira profissional. É uma alegria estar aqui recebendo homenagem tão expressiva, tão marcante, que poucos jornalistas do Brasil podem merecer”.

Série – A série Memória da Imprensa Baiana, idealizada pelo jornalista Agostinho Muniz, foi lançada em 2007 e o volume 1 exibe o depoimento do jornalista Jorge Calmon (1915-2006), saudoso e lendário baiano que dirigiu A Tarde em toda a metade do século XX e nos primeiros anos do século XXI. Assim como esse volume, o volume dois que estreia na véspera do Dia do Jornalista contou com o apoio técnico do IRDEB.

De acordo com Walter Pinheiro, a entidade já planeja o volume três da série. “São muitas figuras relevantes e que merecem ter sua trajetória registrada. Os estudantes e os profissionais de comunicação devem assistir ao filme”, recomendou.

DIA DO JORNALISTA

O Dia do Jornalista “foi criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) como uma homenagem a Giovanni Battista Libero Badaró, importante personalidade na luta pelo fim da monarquia portuguesa e Independência do Brasil”, segundo informações do site Calendarr. De acordo com o sítio eletrônico, Libero Badaró “foi médico e jornalista, e foi assassinado no dia 22 de novembro de 1830, em São Paulo, por alguns dos seus inimigos políticos. O movimento popular que se gerou por causa do seu assassinato levou D. Pedro I a abdicar do trono em 1831, no dia 7 de abril, deixando o lugar para seu D. Pedro II, seu filho, com apenas 14 anos de idade”.

O site acrescenta que “foi só em 1931, cem anos depois do acontecimento, que surgiu a homenagem e o dia 7 de abril passou a ser Dia do Jornalista”. Sobre a data, o site informa também que “foi também no dia 7 de Abril que a Associação Brasileira de Imprensa foi fundada, em 1908, com o objetivo de assegurar aos jornalistas todos os seus direitos”.

ABI BAHIANA

ABI festeja Dia do Jornalista com estreia de filme sobre liberdade

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) festejará o Dia do Jornalista (celebrado em 07 de Abril) lançando na próxima sexta-feira (6), o volume 2 da série “Memória da Imprensa Baiana”. Sob o título “A luta pela liberdade de expressão”, o vídeo registra o depoimento do poeta, jornalista e professor João Carlos Teixeira Gomes, “Joca” (82 anos) – reconhecido paladino em favor da Liberdade, cuja luta contra o arbítrio da Ditadura Civil-militar e em favor da sobrevivência do Jornal da Bahia o distingue entre os seus pares.

A exibição do filme será a partir das 9h30, no auditório da ABI (8º andar do Edifício Ranulpho Oliveira, na Praça da Sé). A sessão é aberta ao público e contará com a presença de Joca. O filme, dirigido pelo documentarista Roberto Gaguinho, tem duração de 50 minutos.

A série Memória da Imprensa Baiana, idealizada pelo jornalista Agostinho Muniz, foi lançada em 2007 e o volume 1 exibe o depoimento do jornalista Jorge Calmon (1915-2006), saudoso e lendário baiano que dirigiu A Tarde em toda a metade do século XX e nos primeiros anos do século XXI. Assim como esse volume, o volume dois que estreia na véspera do Dia do Jornalista contou com o apoio técnico do IRDEB. 

DIA DO JORNALISTA

O Dia do Jornalista “foi criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) como uma homenagem a Giovanni Battista Libero Badaró, importante personalidade na luta pelo fim da monarquia portuguesa e Independência do Brasil”, segundo informações do site Calendarr. De acordo com o sítio eletrônico, Libero Badaró “foi médico e jornalista, e foi assassinado no dia 22 de novembro de 1830, em São Paulo, por alguns dos seus inimigos políticos. O movimento popular que se gerou por causa do seu assassinato levou D. Pedro I a abdicar do trono em 1831, no dia 7 de abril, deixando o lugar para seu D. Pedro II, seu filho, com apenas 14 anos de idade”.

O site acrescenta que “foi só em 1931, cem anos depois do acontecimento, que surgiu a homenagem e o dia 7 de abril passou a ser Dia do Jornalista”. Sobre a data, o site informa também que “foi também no dia 7 de Abril que a Associação Brasileira de Imprensa foi fundada, em 1908, com o objetivo de assegurar aos jornalistas todos os seus direitos”.

Luis Guilherme Pontes Tavares

RDRT 660

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Série documental “Travessias Negras” retrata história de cotistas da UFBA

O sonho de cursar uma universidade era algo considerado distante por Daiane Rosário. A jovem de 25 anos, filha de ex-empregada doméstica, foi a primeira de sua família a ingressar em uma instituição pública de ensino superior. Moradora de uma comunidade desprestigiada de Salvador, ela está no 5º semestre de Jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA). Essa trajetória vai ficar conhecida nacionalmente com o lançamento da série documental “Travessias Negras”, que estreia nesta quinta (24), às 18h30, no Teatro ISBA (Ondina), com entrada franca. Com cinco episódios, o projeto dirigido pelo cineasta Antonio Olavo (Paixão e Guerra no Sertão de Canudos, 1993) apresenta histórias de vida de estudantes negros que entraram na UFBA pela Política de Cotas, adotada pela instituição desde 2005.

Na série, os jovens narram suas próprias histórias, estimulados a compartilhar suas experiências de vida. Daiane Rosário foi convidada inicialmente para trabalhar na produção e montagem da obra, mas logo o diretor enxergou o potencial de sua história. “Eu fiquei receosa pela dificuldade de me distanciar para conseguir editar o meu próprio episódio. Foi um grande desafio”, disse em entrevista à ABI. A cotista chegou à UFBA em 2011 para cursar o Bacharelado Interdisciplinar (BI) de Artes com ênfase em Cinema e Audiovisual. Depois, seguiu para o Jornalismo.

Daiane Rosário“Fiz Cinema à noite, era outro público. Não que não seja um curso elitista, porque também tinha o baque de constatar que a maioria de seus colegas era branca. Mas Jornalismo é bem pior. O curso diurno segrega, o estudante que trabalha não pode estar lá. A universidade te coloca para fora o tempo todo”. Segundo a estudante, o ambiente universitário pode ser hostil. “São muitas dificuldades lá dentro. Existe um racismo velado, que está presente nos discursos de alguns professores, de colegas, ou na presença ainda tímida de alunos negros”.

Tomada por um misto de ansiedade e felicidade, ao ver sua história retratada pelo projeto, Daiane revela o seu combustível para continuar sua jornada na academia. “Uma travessia negra também representa amor. É o ingrediente que faz com que a gente resista a esse processo que abala emocionalmente. Amor porque o nosso acesso à universidade pública não vem apenas como um objetivo individual. Eu sei o que representa para minha família eu estar nesse espaço”, ressalta. Em busca de identificação e novas narrativas de raça e gênero nas produções cinematográficas, ela já trabalhou em TV, séries e filmes – como o documentário “Revolta dos Búzios” – e integra grupos que pautam uma nova perspectiva das demandas sociais nas grandes telas.

Equipe TravessiasAlém de Daiane Rosário, na Comunicação, a série traz as histórias de Andre Luís Melo (Medicina), Hilmara Bitencurt (Letras) e Vitor Marques (Direito), que também tiveram o futuro transformado ao ingressarem na UFBA através de critérios sociorraciais.

Afirmação

O diretor Antonio Olavo afirma que o objetivo é aprofundar a discussão sobre as relações raciais no Brasil, através da abordagem sobre a inserção da população negra no ensino superior. “A série é a afirmação da juventude negra na universidade, conquistando o que lhe é de direito”. De acordo com ele, a intenção é fazer valer a voz e a identidade desse público formado por negros e negras, para ajudar a construir um entendimento sobre as trajetórias educacionais no Brasil e os bloqueios impostos para o não acesso à educação. Para ele, o sistema de cotas é uma política ainda questionada, mas que resiste e amplia essa participação. “Buscamos com o filme trazer um pouco dos anseios, tensões, preocupações dessa turma. Sem dúvida, um projeto prazeroso e muito intenso”.

Ele destacou que a série só foi possível por causa de um edital promovido em 2015 pela Agencia Nacional de Cinema – ANCINE. “Seu lançamento ocorre em um momento político muito peculiar onde efetivamente nos deparamos com um cenário nacional de extinção e questionamentos de conquistas sociais. Travessias Negras faz parte de um processo mais geral de posicionamento”, explicou em entrevista ao Portal Soteropreta. Para tomar partido, ele aposta em criar obras cujos conteúdos se colocam “em prol de uma sociedade democrática justa e diversa e isso somente será possível sem preconceito, sem racismo”, defendeu ele, que está há 25 anos a frente de projetos que contribuem com a valorização da memória negra. “Quero que adolescentes e jovens negras e negros se identifiquem, se reconheçam nas histórias narradas”, completa.

Serviço:

Data: 24/08/17

Local: Teatro ISBA (Av. Oceânica, 2717 – Ondina)

Horario: 18h30

Entrada Franca

Confira o trailer da série “Travessias Negras”