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Congresso da UFBA aborda comunicação da ciência e jornalismo científico na pandemia

A Universidade Federal da Bahia (UFBA) realiza, de 22 a 26 de fevereiro, a segunda edição de seu Congresso Virtual. O ato de abertura começará às 10h, com discurso do reitor João Carlos Salles, seguido da conferência inaugural “O exercício e a dignidade do pensamento: o lugar da universidade brasileira”, às 10h30, com a filósofa e professora Marilena Chauí. A edição de 2021 traz na programação mais de mil atividades ao vivo, distribuídas em 27 salas simultâneas. Entre elas, mesas que abordam teoria e prática na área da comunicação, com debates sobre as bases da pesquisa contemporânea em comunicação da ciência e jornalismo científico, divulgação científica na pandemia e práticas profissionais do telejornalismo.

A cerimônia de abertura contará com o toque dos alabês do projeto Rum Alagbê, regidos por Iuri Passos, o berimbau do mestre Nenel e os violoncelos da Orquestra Sinfônica da UFBA, regidos pelo maestro José Maurício Brandão, com a participação das solistas Vanda Otero e Flávia Albano. A programação do evento prossegue à tarde, Para assistir, o público deve consultar a grade de programação em http://www.congresso2021.ufba.br/e clicar na atividade desejada.

“A UFBA mostra a sua pesquisa, a sua extensão, como lugar de excelência em todas as áreas do saber, lugar de ciência, cultura e arte. A UFBA também é lugar de reflexão. Não pode se furtar, portanto, ao debate dos temas mais candentes: a pandemia, a violência, o racismo, a crise econômica, a crise mundial. Venha participar conosco desse momento de encontro, de exercício da autonomia universitária. A UFBA é, assim, o lugar natural, como toda universidade pública, de conhecimento, espaço de combate aos preconceitos. É o lugar natural de resistência a toda forma de obscurantismo e autoritarismo. Esteja conosco. Estamos juntos”, convida o reitor João Carlos Salles.

Com mais de 16 mil participantes já inscritos até o momento, o Congresso Virtual 2021 será o maior já realizado pela UFBA. Além de convidados de destaque nacional e internacional da ciência, da cultura e da arte, a programação traz mais de 900 mesas de discussão sobre temas importantes na atualidade, 143 atividades artísticas gravadas e mais de 3 mil vídeo-pôsteres de estudantes da UFBA apresentando suas atividades de pesquisa. Embora não seja necessário estar inscrito para assistir às atividades, os inscritos terão direito a certificado de participação, já que o evento integra a carga horária do semestre letivo 2021.1 da UFBA.

Pioneirismo

Idealizado pela Administração Central da UFBA, em tempos de necessário isolamento social por conta do coronavírus, o objetivo do Congresso Virtual é proporcionar à comunidade universitária um espaço de encontro e demonstração da vitalidade de sua pesquisa, ensino e extensão, contemplando também a livre expressão artística e a reflexão crítica sobre a atual conjuntura.  O evento, seguindo os quatro grandes congressos anuais que a UFBA realiza desde 2016, foi uma iniciativa pioneira, cujo sucesso estimulou a realização de atividades em formato semelhante por outras instituições em todo o país.

A primeira edição do Congresso Virtual, realizada em maio de 2020, registrou mais de 38 mil inscritos (dos quais 15 mil integrantes da UFBA) e mais de 126 mil espectadores pelo Youtube, gerando um total de 638 mil visualizações. Ao todo, foram realizadas 440 atividades ao vivo e outras 191 gravadas, além de 256 intervenções artísticas e mais de mil vídeo-pôsteres de 5 minutos enviados por estudantes.

Destaques da programação 2021, na área da comunicação:

24/02

Sala J | 10h30-12h: “Bases teóricas da pesquisa contemporânea em comunicação da ciência e jornalismo científico”.

Com Luisa Massarani, Isaltina Mello Gomes, Natália Flores, Yuri Castelfranchi, Mariluce Moura

Dia 26/02

Sala F | 13h30-15h00: “Comunicação científica em tempos de pandemia: o caso da Rede Covida”

Com Suzana Barbosa, Raíza Tourinho, Adalton dos Anjos Fonseca, Luciellen Lima, Karina Costa

Sala G |19h30-21h00: “O telejornalismo no tempo da Covid-19. O ensino de práticas profissionais”

Alfredo Eurico Pereira Vizeu Junior, Iluska M S Coutinho, Vítor Curvelo Fontes Belém, Washington José Souza Filho

Confira a programação completa.

ABI BAHIANA

Jornalistas discutem enfrentamento a big techs pela remuneração de conteúdos

Quantas vezes você recorreu ao Google por notícias sobre determinado assunto apenas este mês? O ciclo de debates Temas Diversos, promovido a cada reunião mensal da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), recebeu nesta quarta-feira (9/12) o jornalista Luiz Queiroz para um debate sobre a remuneração do conteúdo jornalístico por gigantes da tecnologia, as chamadas “big techs”, e outras pautas relacionadas à valorização do jornalismo e da publicidade. Em razão da pandemia, o evento que marcou o último encontro da Diretoria em 2020 foi on-line, transmitido via Zoom, e contou com a participação de diretores da instituição e profissionais da comunicação.

De acordo com Luiz Queiroz, que é especializado área de tecnologia, a migração da publicidade para as gigantes digitais é um dos fatores que levam a esvaziamentos de redações ou fechamentos, com consequências na qualidade da produção jornalística. “Temos cada vez mais anunciantes na internet e menos investimento em jornais e TV, por exemplo. A venda de banners era a maior fonte de renda dos sites quando o Google surgiu”. Segundo dados da eMarketer, em 2018, 60% dos anúncios digitais nos EUA foram abocanhados pelo Google e Facebook, que atuam como intermediários entre o leitor e o veículo noticioso. A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) estima que esse percentual esteja entre 60% e 80% no Brasil.

O tema está entre as propostas feitas pela coalizão “Liberdade com Responsabilidade”, formada por 27 entidades ligadas à comunicação social no Brasil. O documento (ver aqui) endereçado em agosto à Câmara dos Deputados reúne sugestões de mudanças no texto do Projeto de Lei 2.630, conhecido como PL das Fake News. O PL 2.630 foi aprovado no Senado em uma votação polêmica, dada a urgência com que aquela Casa tratou o tema, e agora tramita na Câmara dos Deputados. Até houve uma tentativa de inserir essa reivindicação no texto, mas a pressão das “big techs” conseguiu evitar a aprovação pelos senadores.

União Europeia, França, Alemanha, Espanha e Austrália já fizeram movimentos para forçar o pagamento de royalties aos veículos de comunicação, mas as “big techs” resistem e mostram poder. Por aqui, a imposição da remuneração chegou a entrar na versão do Projeto de Lei 2.630/20, conhecido como PL das Fake News, que passou no Senado, mas foi tirada do texto porque os senadores entenderam que o tema está mais relacionado a direitos autorais do que a notícias falsas. Sobre isso, Luiz Queiroz mencionou projeto de lei n° 4255, de autoria do senador Angelo Coronel (PSD/BA), como uma “tentativa de esvaziar a campanha iniciada pela coalizão.

Migalhas

Para Luiz Queiroz, enquanto as big techs drenam o dinheiro do jornalismo, ao não remunerar nem o veículo nem os jornalistas pelo uso dos conteúdos –, o Google oferece “migalhas”. Em documento enviado recentemente ao Congresso Nacional, a empresa abordou o PL das Fake News. O Google argumentou que está “investindo milhões de reais para apoiar o jornalismo e os veículos brasileiros”. Segundo a gigante, R$ 17 milhões já foram destinados a um fundo emergencial para manter mais de 400 veículos brasileiros afetados pela pandemia do novo coronavírus. O detalhe é que as receitas publicitárias do Google equivaleram a mais da metade de todo o gasto publicitário nos EUA (Google arrecadou US$ 116,3 bi, e os gastos no país foram US$ 229,7 bi), de acordo com uma reportagem do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

Luiz Queiroz critica a falta de engajamentos dos jornalistas brasileiros com a questão e faz um alerta. “Até agora eu só vi empresas interessadas nesse debate e botar a mão no dinheiro. Se nós, jornalistas, não entrarmos na discussão, seremos ainda mais prejudicados”, afirma. Queiroz é jornalista há 38 anos, sendo 25 dedicados à cobertura da área de tecnologia em Brasília, através do Blog <www.capitaldigital.com.br>. Em 2013, ele esteve na ABI para discutir o Marco Civil da Internet e as limitações no conteúdo, em um evento com a participação do jornalista Bob Fernandes (confira aqui).

O que diz a Fenaj

No esforço de buscar uma reparação justa ao fato de que as grandes plataformas têm receita bilionária e quase não são tri­butadas, a Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas propõe a criação de uma Contribuição de In­tervenção no Domínio Econômico (Cide), por meio de Projeto de Lei no Congresso Nacional. Pela proposta da Fenaj, os recursos provenientes da Cide teriam um destino certo: um Fundo de Apoio e Fomento ao Jornalismo e aos Jornalistas, com gestão pública e autonomia para financiar a produção jornalística de organizações/empresas públicas e/ ou privadas. Com informações do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

Notícias

Coalizão de comunicação social pede remuneração de conteúdos jornalísticos pelas big techs

Pauta integra documento assinado por 27 instituições com sugestões de mudanças no PL das Fake News

Além do compartilhamento de dados pessoais de consumidores e as invasivas mailing lists – de notório valor financeiro -, as grandes empresas de tecnologia, as chamadas “big techs” como Google e Facebook, impactam na salubridade do trabalho de jornalistas na rede. A remuneração do conteúdo jornalístico e outras pautas relacionadas à valorização do jornalismo e da publicidade estão entre as propostas feitas pela coalizão “Liberdade com Responsabilidade”, formada por 27 entidades ligadas à comunicação social no Brasil. O documento (ver aqui) endereçado na última terça-feira à Câmara dos Deputados reúne sugestões de mudanças no texto do Projeto de Lei 2.630, conhecido como PL das Fake News.

A nova coalizão formalizou uma campanha amplamente divulgada em diversos veículos de comunicação, inclusive no Jornal Nacional, da TV Globo. A ideia é simples: estabelecer nesta lei um princípio legal de que os provedores de aplicação serão obrigados a remunerar todo e qualquer conteúdo jornalístico trafegado em suas redes, sempre que elas auferirem receitas com publicidade através deles. O PL 2.630 já foi aprovado no Senado em uma votação polêmica, dada a urgência com que aquela Casa tratou o tema, e agora tramita na Câmara dos Deputados. Até houve uma tentativa de inserir essa reivindicação no texto, mas a pressão das “big techs” conseguiu evitar a aprovação pelos senadores.

Com base nos poucos dados fornecidos por essas gigantes da tecnologia, especialistas do setor publicitário estimam que as receitas alcançam R$ 13 bilhões. De acordo com a coalizão, uma pequena parte disso seria canalizado por elas para a “monetização” de algumas páginas de influenciadores digitais na Internet, notadamente nas redes sociais, ou para as empresas de conteúdo jornalístico. Para o grupo, o combate à a desinformação na Internet precisa ser feito com conteúdo jornalístico.

E os jornalistas profissionais que produzem conteúdo na Internet?

No que diz respeito à distribuição de conteúdo jornalístico profissional brasileiro, a coalizão defende que todo material utilizado pelos provedores de aplicação de internet seja remunerado às empresas e aos profissionais, se por eles autorizado, ressalvados o compartilhamento de links diretamente pelos usuários. “A remuneração dos conteúdos jornalísticos se justifica não apenas pelo uso e monetização dos conteúdos sem a devida contrapartida, mas pela relevância desta atividade para o combate à desinformação e para a democracia”, destaca a correspondência.

Desde o ano passado, países como Austrália, Espanha, França e mais recentemente a Irlanda, iniciaram suas campanhas para obrigar essas plataformas a remunerarem o conteúdo jornalístico. Sob o argumento de que esse mercado foi abalado por elas mesmas nos últimos anos, levando o setor a uma retração no número de empresas em atividade e na oferta de empregos.

No Brasil, essa discussão entre os jornalistas até agora não decolou. E mesmo após o lançamento da campanha das empresas, o tema continua fora dos debates na categoria. Um pequeno grupo de jornalistas tem se reunido nas últimas semanas para debater a questão. Até o momento há o consenso de que algo precisa ser feito.

Desinformação on-line

Para as entidades, as melhores soluções de combate à desinformação passam pelos modelos de contratação de serviços de internet e não pela vigilância dos usuários, o que fere os princípios das liberdades de expressão e de imprensa. O grupo levanta a necessidade de aplicação da legislação para que as operações on-line sejam contratualmente realizadas no país e, portanto, identificados os patrocinadores, inclusive de propaganda política e partidária.

A publicidade em meios digitais, segundo o documento endereçado a Maia, deve observar as regras de proteção à livre concorrência, em especial as estabelecidas na Lei 12.529 e na Lei nº 13.709 (LGPD) em relação à utilização de tecnologias de processamento e análise de dados de usuários alcançados por publicidade direcionada. As instituições assinalam ainda a necessidade de obrigação de transparência na  distinção de conteúdo noticioso, de conteúdo impulsionado e de publicidade, inclusive político-partidária.

Geral

O curso de Comunicação com habilitação em Produção e Cultura da FACOM mudou!

A Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA) se movimenta em torno da atualização das matrizes curriculares dos cursos de graduação desde 2017. No início de 2019, a Faculdade conseguiu aprovar, através das instâncias deliberativas, o novo Projeto Político-Pedagógico do curso de Comunicação com habilitação em Produção e Cultura. O antigo projeto estava em vigência há mais de 20 anos.

Segundo a instituição, para os estudantes que ingressaram até 2019.2, o currículo vigente não muda, mas algumas matérias poderão deixar de ser ofertadas pelo departamento. Durante a matrícula web que ocorreu entre os dias 15/01 e 19/01, o estudante veterano, ou seja, aquele que já faz parte do corpo discente de Produção da Facom, precisou “observar as equivalências entre as disciplinas previstas na sua grade curricular de origem e as disciplinas ofertadas durante a matrícula em 2020.1”,  alertou o guia de matrícula divulgado no  site da Faculdade. As aulas do semestre 2020.1 da UFBA começam no dia 02 de março.

A Habilitação em Produção em Comunicação e Cultura obteve nota máxima (conceito 5) em avaliação do Ministério da Educação (MEC) em 2019. O curso também possui posição de referência no cenário nacional, com uma importante inserção dos alunos em diversas instituições e empresas do setor.

Segundo a diretora da Facom, Suzana Barbosa, a alteração do Projeto Pedagógico do curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo ainda está em tramitação. “Com as novas diretrizes do MEC, que já estão em vigência, a habilitação em Jornalismo passa ser curso. A Facom ainda está finalizando este processo para tramitar e passar a valer”. A instituição calcula que em 2020.2 ou 2021.1 a alteração entrará em vigor.

Com informações do site da Faculdade de Comunicação da UFBA

*I’sis Almeida é estagiária de jornalismo sob supervisão de Joseanne Guedes.