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Jornal publica páginas sem fotos como protesto à crítica por imagem de criança síria

O jornal Bild, da Alemanha, não publicou imagens em sua versão impressa desta terça-feira (8/9), numa medida de confronto em torno das recentes críticas que recebeu após a publicação da imagem de Aylan Kurdi, garoto sírio encontrado morto em Bodrum, na Turquia. De acordo com o The Drum, o jornal justificou sua ação defendendo a importância da fotografia como ferramenta de ilustração do jornalismo. A foto da criança foi registrada no último dia 2/9 e divulgada pela agência de notícias turca DHA. Em poucos minutos, a imagem viralizou nas mídias sociais e ganhou repercussão, no momento em que a Europa discute como lidar com o que considera o maior fluxo de refugiados desde a Segunda Guerra.

“Queremos mostrar a importância das fotos dentro do jornalismo e que vale a pena lutar todos os dias para fazê-las da melhor forma possível”, diz a manchete de capa do periódico. O Bild também ressaltou a importância das imagens como forma de “sensibilizar as pessoas sobre o que acontece ao redor do mundo, em especial a situação dos refugiados sírios na Europa”.

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No Brasil, um dos alvos de críticas foi o UOL, que defendeu em um editorial a publicação da imagem na primeira página do site. O texto pondera sobre a decisão de estampar as fotos chocantes e mostra que a discussão sobre os critérios de publicação de fotos sensíveis não é simples. “Nossos usuários deveriam, sem qualquer aviso prévio, ser impactados pela foto? Nós entendemos que sim”.

O site de notícias argumenta que “imagens influenciam o curso da história e cita o exemplo da foto da menina vietnamita correndo nua, em 1972 -após o lançamento de bombas incendiárias perto de Trang Bàng – que fortaleceu o movimento antiguerra. “Provavelmente seremos acusados de sensacionalismo e de busca por audiência fácil. Mas o jornalismo existe para informar. E palavras não descreveriam com a força necessária a dimensão da tragédia em curso na Europa e Oriente Médio”.

“Infeliz coincidência”

le mondeOKO jornal francês Le Monde publicou nesta sexta-feira (4/9), em seu site, uma ratificação oficial a respeito de um erro na diagramação de sua versão impressa que fez a imagem do menino sírio morto na região de Bodrum, na Turquia, ficar em contraste com uma publicidade alocada na página cinco. No texto, o jornal pediu desculpas pela “imagem ter soado involuntariamente como o drama” vivido por Aylan Kurdi, de três anos. “Nós não percebemos esta infeliz coincidência. Lamentamos a impressão ruim que ela possa ter causado e pedimos desculpas a todos os nossos leitores”.

Na redes sociais, usuários manifestaram descontentamento com a falha cometida pelo Le Monde. “Esta coincidência incrível e indesejada representa a dicotomia entre a Europa e os refugiados”, disse um deles. “Coincidência ou alegria discreta?”, questionou outro internauta.

Em um texto publicado ontem (8) pelo Observatório da Imprensa, o jornalista Luiz Felipe dos Santos afirma que o exemplo de Aylan Kurdi “mostra que, definitivamente, estamos longe do fim do jornalismo; estamos, porém, bem perto do fim de uma ideia sobre o jornalismo. A ideia do jornalismo como agente neutro que cumpre a função de informar a sociedade se degrada; a ideia do jornalismo como agente público que orienta a sociedade sobre dinâmicas políticas e de comunicação se reforça”.

*Informações do Portal IMPRENSA, Uol e Observatório da Imprensa

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