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Das múltiplas faces de um intelectual: o jornalista Luis Henrique Dias Tavares

Em artigo inédito, o historiador Wendel Miranda Santos conta como a imprensa foi a porta de entrada para a formação intelectual de Luis Henrique Dias Tavares, que faria 100 anos neste domingo (25)

Por Wendel Miranda Santos*

Falar do professor Luis Henrique Dias Tavares (1926 – 2020) não é tarefa simples. Intelectual renomado, deixou por volta de 27 livros de diversos gêneros, tanto ficcionais quanto acadêmicos, além de vários textos em periódicos. É o membro da Academia de Letras da Bahia (ALB) com o maior número de correspondências preservadas, uma marca que ultrapassa mil cartas enviadas a ele. Esses detalhes já chamam atenção por si só, e em meio a muitas missivas sobre ficção e história, uma delas discute um assunto que foi interesse do escritor e se fez presente ao longo de toda sua vida.

Em 1977, foi enviada ao apartamento 104, na rua Esperanto, nº 70, na capital soteropolitana, uma correspondência direto de Brasília com o seguinte aviso: “custei muito a aparecer, não? Debite isso à falta de tempo”. Este não era o único elemento que criava obstáculos para trocas de correspondências nessa década. Ao falar da Universidade de Brasília (UnB), o remetente revela que “hoje, o reitor determinou a reabertura das aulas, e houve mais 100 prisões no campus”. O contexto nacional era o de repressão, violência e censura, clima criado após o golpe militar de 1964. “Em suma, a coisa está difícil”, confessou o jornalista cearense José Carlos Bardawil, para quem ele pede “aceite a amizade do Bardawil e escreva logo”1, ao professor Luis Henrique Dias Tavares.

Essa foi a única carta localizada que indica que os dois conversavam. Não se sabe o grau de amizade entre eles, contudo, eles tinham um ponto em comum: a atividade de jornalista. O remetente trabalhou nas revistas IstoÉ e Veja, ocupando-se exclusivamente do jornalismo. Dele não se falará muito aqui, porque essa correspondência é só mais uma das centenas que estão preservadas na Academia de Letras da Bahia (ALB), e a maioria delas possibilitam falar dos temas de interesse do imortal e o seu legado para a produção intelectual brasileira. Essa missiva, porém, tem como assunto principal “ser jornalista”. O destinatário, referenciado por muitos de seus alunos e orientandos como “mestre Luis Henrique”,foi um intelectual com uma extensa bibliografia em diversas áreas, atuando na docência, na literatura, na História e no jornalismo, sem deixar de dar atenção a nenhuma delas. Foi um intelectual polígrafo, indivíduo pertencente ao grupo dos “homens de letras”, figuras que materializam o seu trabalho através da escrita, contribuindo na formação da educação e da historiografia brasileira ao longo do século XX e XXI, sobretudo com sua obra mais conhecida e revisitada, o livro História da Bahia, que se encontra na sua 12ª edição2.     

Nascido no dia 25 de janeiro de 1926, em Nazaré das Farinhas, no Recôncavo Baiano, o escritor baiano era filho de Luiz Dias Tavares (1901-1981), comerciante e provedor da Santa Casa de Nazaré, que cuidou de dar as melhores e mais confortáveis condições que poderia oferecer à família, e Elza Dias Tavares (1905-1985), dona de casa que investiu em saúde e educação do filho. Consuelo Novais Sampaio (1936-2013), historiadora que também o chamava de “mestre”, afirma que Luiz e Elza investiram na formação intelectual para que ele não percorre a carreira tradicional dos jovens Tavares, no final do século XIX e início do XX, evitando o destino de trabalhar no comércio3

Estudou na Bahia, fazendo graduação em Geografia e História na atual Universidade Federal da Bahia (UFBA), entre 1948 e 1951. Exerceu diversos cargos públicos, como professor do ensino básico, no popular Colégio Estadual da Bahia, e universitário, na UFBA, de 1961 até 1991, lourado como professor emérito após sua aposentadoria; tornou-se diretor do Arquivo Público do Estado da Bahia – APEB (1959-1969), com uma administração amplamente reconhecida, sendo considerado um gestor pioneiro da governança arquivística no estado. É o que aponta Maria Teresa Navarro de Britto Matos, ao afirmar que mesmo com o descaso que o APEB sofreu durante a década de 1960, pelo governo, a gestão do professor buscou outros caminhos que contribuíram para valorizar e modernizar a instituição, criando uma “cultura de governança pública arquivística na Bahia e no Brasil”, embora não tenha recebido tanto apoio político e social para implementação de políticas públicas derivadas dessa cultura4, sobretudo pelo contexto repressivo em que foi desenvolvida. Tornou-se membro da ALB, um imortal, ocupando a cadeira número 1, em junho de 1968, declarando, em seu discurso de posse, “meu pai não gritava; minha mãe cuidava para que o seu filho homem chegasse a doutor e fosse por todos respeitado”5. O investimento de seus pais foi devidamente aproveitado. Promessa feita, promessa cumprida. 

Muito já foi escrito sobre as conquistas, qualidades e contribuições do professor Luis Henrique, mas, nos estudos sobre intelectuais, François Sirinelli nos lembra que os obstáculos para estudar a trajetória de um membro desse grupo se encontram na abundância de documentação6. Afinal, se o trabalho intelectual é materializado no texto escrito, o professor Luis Henrique sempre dará pano para manga. Para resumir e voltar ao ponto da carta de Bardawil, convém destacar, dentre os inúmeros trabalhos, alguns textos importantes que foram publicados em homenagem ao célebre autor de História da Bahia

A começar pelo texto publicado por seu amigo de sempre, o escritor baiano James Amado (1922-2013), que sempre apoiou a carreira literária do professor, desde o primeiro livro A noite do homem (1960), escrevendo nas orelhas dos livros e estando presente nos agradecimentos do autor. Na obra Almoço posto na mesa, publicada pela Empresa Gráfica da Bahia, em 1990, James escreveu um prefácio falando da qualidade de ficcionista de seu amigo, intitulado História e Ficção, no qual fala de que forma as experiências como historiador “influem no ritmo da exposição e da literatura e lhes conferem um caráter histórico”7. Em 2007, Edivaldo Boaventura (1933-2018), um dos fundadores da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), professor universitário e presidente da ALB, escreveu para a revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), em comemoração aos 80 anos de seu amigo, sobre o mesmo tema de James Amado, “vamos tomar história e literatura como balizas da obra realizada. Boa parte dessas oito décadas que hoje festejamos está enriquecidas de pesquisa histórica, de crônicas e de ficções. Frutos de um trabalho sério e inspirado do nosso homenageado”8. Os dois textos são de amigos que o acompanharam no início de sua carreira, valendo, agora, a menção dos textos de suas alunas. Um outro ângulo sobre o professor. Em 2006, as historiadoras Maria José de Souza Andrade e Marli Geralda Teixeira, publicaram “Luis Henrique Dias Tavares: trabalho, dedicação, precisão e crítica”, abordando suas experiências e qualidades de pesquisador, historiador e professor, justificando o título de “mestre” com vários exemplos, em especial quando destacam que “apesar de todo esse zelo pela informação correta, o Professor sempre se revelou acessível e compreensivo diante das interpretações apressadas ou mesmo imaturas de estudantes envolvidos no ativismo político e no uso anacrônico de modelos históricos”9. Por último, mas não menos importante, o depoimento de Consuelo Novais Sampaio, historiadora que também foi sua orientanda, escrito num posfácio do último livro de ficção do autor, Nas margens, no leito seco (2013), intitulado “O mestre Luis Henrique”. Fruto de entrevistas que ela realizou, conta detalhes da trajetória daquele “quem, nos amargos anos da Ditadura Militar, concordou em orientar a dissertação do meu primeiro mestrado, depois de haver recebido a recusa de outros professores pelo simples fato de tratar do tema político – ainda que da Primeira República!!!”10. A autora comenta sobre as primeiras atividades intelectuais do professor, revelando as empreitadas sobre essas experiências, a começar pelo jornalismo. 

Convido a todos a leitura dos textos citados para os que desejam conhecer o historiador e o ficcionista Luis Henrique Dias Tavares. Essas duas funções foram destacadas por seus contemporâneos nesses trabalhos, mas chamo atenção para a atividade de jornalista que ele exerceu, um pouco ofuscada nessas narrativas devido à admiração que os seus pares tinham pelo literato e pesquisador. Contudo, foi através do jornalismo que o autor começou a dar seus primeiros passos no “universo das letras”. 

Segundo Paulo Silva, para aqueles que desejavam ser intelectuais, na primeira metade do século XX, período em que as influências das editoras e universidades ainda eram fracas, o meio por excelência de escrita e divulgação, por causa da sua acessibilidade, era a imprensa11. Ciente disso, Luis Henrique começou sua primeira empreitada, criando, em 1941, o jornal O Parlapatão, ao lado de Clóvis Neiva Naya, com seus primeiros textos a respeito da sua cidade natal, quando estudava no colégio Clemente Caldas. No ano seguinte, foi para Salvador morar com seus avós da parte materna, Joaquim Dias Tavares (1874-1960) e Amélia Rodrigues da Costa Tavares (1881-1972). Teve uma breve passagem pelo Colégio Nossa Senhora da Vitória e foi estudar no Colégio Central da Bahia, por onde conheceu diversos estudantes universitários da Faculdade de Medicina, fazendo parte do Teatro de Estudantes da Bahia (TEB), fazendo amizade com o diretor, Heron de Alencar (1921-1972), conhecido militante do PCB. Em 1944, criou a revista Evolução, com amigos engajados na militância, como Ariovaldo Matos (1926-1988), Boris Tabacof (1929-2021) e Darwin Brandão. Esse novo projeto teve um tempo de vida curto, devido às ordens do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) de encerrar as atividades da revista. Contando com 19 anos, com rusgas contra o órgão repressor getulista, passa a fazer parte do jornal O Momento, criado por João Falcão, em 1945, periódico conhecido pela postura abertamente comunista12, postura que o jovem aspirante a escritor adota também. Não foi sozinho. Os amigos fizeram parte dessa caminhada composta por uma juventude de esquerda, convocados como focas, além de Darwin Brandão, estavam Carlos Anibal Correia, Nilo Pinto e outros estudantes. Com o passar dos anos, Luis Henrique passou a ocupar diversos postos no jornal.

Acervo: Associação Bahiana de Imprensa

Trabalhou em O Momento até 1952, mas a imprensa foi sua porta de entrada para as oportunidades que a carreira intelectual poderia oferecer. Escrevia diversas crônicas e contos no suplemento literário do jornal, mas também publicava matérias em defesa do socialismo, sobretudo no contexto de Guerra Fria, com o terror diário e incerto das bombas atômicas. Um dos exemplos de sua dedicação ao jornal se encontra no episódio de 22 de fevereiro, em 1948. Em razão do centenário do Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx, O Momento decidiu fazer um comício na praça da Sé, aproveitando o palanque para criticar o governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), convidado os “candidatos de Prestes”, os deputados estaduais Giocondo Dias (1913-1987) e Jaime Maciel (1913-1986), os mais votados do PCB pela Assembleia Constituinte de 1946. José Maria Rodrigues, Almir Matos, Henrique Lima e Luis Henrique foram escalados para cobrir o evento, contudo, a polícia apareceu e fechou o comício, numa resposta violenta à sua realização. Os jovens foram presos, de forma que Alberto Vita e Aristeu Nogueira (1915-2006), publicaram uma nota à Associação Bahiana de Imprensa, pedindo que se posicionasse em defesa dos seus funcionários. Foram soltos no dia seguinte, e Luis Henrique foi fazer o vestibular da Faculdade de Filosofia da Bahia. Mas não abandonou o jornalismo.

O Momento, 25/02/1948. Acervo: Biblioteca Central do Estado da Bahia

Apesar dessa experiência, O Momento proporcionou amizades longevas para Luis Henrique. Além de James Amado, publicava junto com Jorge Amado (1912-2001), Clóvis Moura (1925-2003), Vasconcelos Maia (1923-1988), Wilson Rocha e outros intelectuais da Bahia. Participou da segunda edição da revista Seiva, em 1950, colaborando com as revistas Para Todos e Fundamentos, em correspondência com Clóvis Moura. Em 1951, participou da criação de Cadernos da Bahia, junto com os seus companheiros. Mesmo com a verve militante, em todas as revistas escrevia ficção e sobre ficção, atitude que o ajudou a publicar alguns de seus livros, como A noite do Homem (1960) e Moça Sozinha na Sala (1961), reunindo e editando os textos que escrevia.

Depois que casou com Laurita Pontes Tavares, em 1951, saiu do diário comunista e foi focar na vida docente, pois já tinha o diploma de professor quando se formou no ano anterior. Em 1952 e 1953 tiveram dois filhos, respectivamente, Luis Guilherme Pontes Tavares e Sérgio Alexandre Pontes Tavares (1953-2011). Precisava sustentar sua família e trabalhar apenas nos periódicos não pagava tão bem. Contudo, retornou a atividade jornalística em 1958, no Jornal da Bahia, também de João Falcão, publicando crônicas, três vezes por semana na coluna “Cidade, homens e bichos”, passando a se preocupar apenas em escrever textos de ficção no periódico, enquanto estudava para fazer suas pesquisas de história e dar aulas na UFBA, a partir da década de 196013. O trabalho com o APEB também o preocupava. Passou as décadas seguintes se especializando em pesquisa histórica que lhe rendeu uma vasta produção bibliográfica, além da titulação de Doutor, em 1961, e pós-doutorado, em Londres (1977-1986). Entretanto, o jornalismo ainda estava em seu horizonte.

Sobre esse aspecto, Bardawil nos revela que, em plena ditadura, uma mensagem que o professor tinha enviado para ele, uma recomendação: “quanto aos livros que você me sugere fazer, vou fazê-los, ou melhor, já estou começando a fazê-los”, e completa que “este livro, acredito, seria uma boa contribuição para os estudantes de jornalismo”14. Mesmo com suas novas obrigações, Luis Henrique Dias Tavares buscava melhores condições para o meio jornalístico, em um momento da história brasileira marcado por dura censura. A imprensa foi a porta de entrada da sua formação e de muitos outros amigos, conhecia bem a importância de ser jornalista. Como disse Jorge Amado, “no peite desse Luis Henrique de franzina compleição, pulsa um coração grande como o mundo”, a admiração que intelectuais de diversas áreas têm pelo professor, em suas qualidades de escritor, pesquisador e pessoa humana, imortaliza essa verdade proferida por seu amigo.

No dia 25 de janeiro de 2026 completam-se cem anos de seu nascimento. O seu centenário é importante para nos lembrar de muitos aspectos que contam a história da Bahia. Ler as obras e a trajetória do professor Luis Henrique Dias Tavares serve de guia para estudar a formação intelectual brasileira interessada em conhecer esse estado. Não só sua atividade como historiador e professor, mas também pela sua atuação como jornalista. Convém, sempre que necessário, visitar seus trabalhos para conhecer melhor um dos mestres imortais da ALB.

* Wendel Miranda Santos é graduado em História pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e mestrando em História, Cultura e Práticas Sociais pelo Programa de Pós-graduação em História da UNEB, campus II – Alagoinhas.

Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI).
  1. BARDAWIL, José Carlos. [Correspondência]. Destinatário: Luis Henrique Dias Tavares. Brasília, 25 jul. 1969. Disponível na Academia de Letras da Bahia. ↩︎
  2. Bibliografia obrigatória para quem deseja fazer a seleção na especialização de História da Bahia, na Linha de Pesquisa História e Historiografia da Bahia, na Universidade Estadual de Feira de Santana (embora a edição que consta no último edital, de 2026, seja a 10ª). ↩︎
  3. SAMPAIO, Consuelo Novais. O mestre Luis Henrique. Posfácio In: TAVARES, Luis Henrique Dias. Nas margens, no leito seco. Salvador: EDUFBA. p. 89. ↩︎
  4. MATOS, Maria Teresa Navarro de Britto. Governança e arquivos: a gestão Luis Henrique Dias Tavares no Arquivo Público do Estado da Bahia (1959-1969). Revista Brasileira de História, v. 38, n. 78, p. 147-166, 2018. p. 161-162. ↩︎
  5. TAVARES, Luis Henrique Dias. Discurso de Posse. Revista da Academia de Letras da Bahia– RALB, v. XXII, n.49, 1971-1972. p. 47. ↩︎
  6. SIRINELLI, Jean-François. “Os intelectuais” in: RÉMOND, René (org.). Por uma história política. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ/Ed. FGV, 1996. p. 244. ↩︎
  7. AMADO, James. História e ficção. In: TAVARES, Luis Henrique Dias. Almoço posto na mesa. Salvador: EGBA, 1990. p. 8. ↩︎
  8. BOAVENTURA, Edivaldo. Luis Henrique Dias Tavares, historiador e ficcionista. Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, v. 102, p.195-208, 2007. p. 195. ↩︎
  9. ANDRADE, Maria José de; TEIXEIRA, Marli Geralda. Luis Henrique Dias Tavares: Trabalho, dedicação, precisão e escrita. Revista de Cultura da Bahia, n. 23, p. 169-187, 2006. p. 176. ↩︎
  10. SAMPAIO, Consuelo Novais. O mestre Luis Henrique. Posfácio In: TAVARES, Luis Henrique Dias. Nas margens, no leito seco. Salvador: EDUFBA. p. 87. ↩︎
  11. SILVA, Paulo Santos. Âncoras de tradição: luta política, intelectuais e construção do discurso histórico na Bahia (1930 – 1949), Bahia: EDUFBA, 2011. p. 13-14. ↩︎
  12. FALCÃO, João. O partido comunista que eu conheci (20 anos de clandestinidade). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1988. p. 267. ↩︎
  13. TAVARES, Luis Henrique Dias. 3 histórias. Salvador: P555 Edições, 2006. p. 3-4. ↩︎
  14. BARDAWIL, José Carlos. [Correspondência]. Destinatário: Luis Henrique Dias Tavares. Brasília, 25 jul. 1969. Disponível na Academia de Letras da Bahia. ↩︎

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