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Morre aos 100 anos o jornalista Hélio Fernandes

Crítico do regime militar faleceu de causas naturais e seu corpo será cremado nesta quinta-feira (11), no Rio de Janeiro

Conhecido por comandar durante mais de 40 anos o jornal Tribuna da Imprensa, criado por Carlos Lacerda, Hélio Fernandes morreu na madrugada desta quarta-feira enquanto dormia. Segundo a família, ele faleceu por causas naturais. Ainda não há motivo exato para o óbito. De acordo com uma de suas filhas, Ana Carolina Fernandes, era assim que ele desejava partir. Além de Ana, Hélio deixa mais dois filhos, Isabela e Bruno. O jornalista será cremado nesta quinta-feira, 13h, no Cemitério do Caju, na região central do Rio, cidade onde nasceu.

Crítico ao regime militar, Hélio foi preso diversas vezes durante a ditadura no Brasil. Antes, chegou a apoiá-la em 1964, assim como Lacerda. Dentre as prisões, Fernandes passou por presídios em Fernando de Noronha e no interior de São Paulo. Dois anos depois, após realizar duras críticas aos  militares e ao presidente Humberto Castelo Branco, ele tentou lançar uma candidatura à deputado federal pelo MDB, porém, teve os direitos políticos cassados por dez anos, sendo preso após um debate na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). 

Lúcido ainda aos 100 anos, o jornalista mantinha uma conta no Facebook onde publicava opinião sobre o cenário político e social brasileiro. Em fevereiro, ele havia sido vacinado contra a Covid-19 quando escreveu: “Eu, em meus 100 anos, fui dos primeiros, mas espero que toda a população brasileira tenha a possibilidade, a oportunidade de ser vacinada, o que é seu direito, e que isso não seja um privilégio para alguns. Que o SUS seja valorizado!”

Ele também protagonizou o documentário “Confinado”, onde conta sua experiência nas prisões durante a ditadura. Hélio Fernandes era irmão do cartunista, poeta e escritor Millôr Fernandes, falecido em 2002.

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