Artigos

Major Cosme de Farias, o orador do povo

*por Clarindo Silva

Ao longo de minha vida são vários os desafios que tenho enfrentado, e escrever sobre o Major Cosme de Farias é algo que me alegra e me emociona ao mesmo tempo. O fato de ter conhecido esse grandioso homem, cujo meu primeiro encontro foi há exatos 70 anos, quando dos meus primeiros passos aqui no Pelourinho, é algo inenarrável. 

Eu andava aqui, no Terreiro de Jesus, quando avistei aquele senhor de altura mediana, carregando debaixo dos braços um monte de cartas de ABC, aritmética, lápis e borracha, um kit com o qual fui presenteado. Confesso que foi o que despertou em mim o gosto que tenho por ler e escrever. Entre tantas qualidades do Major Cosme de Farias, o que mais me encantava era seu dom de oratória. Em qualquer que fosse a circunstância, ouvir o Major Cosme de Farias não só emocionava, mas deixava todos encantados. Ele tinha sempre uma frase de efeito que encantava a quem o escutava. 

Isso acontecia no tribunal do júri, na Assembleia Legislativa, na Câmara de Vereadores, nas praças públicas, como  um momento que ficou eternamente na memória dos baianos e dos brasileiros, quando do encerramento da campanha presidencial, nos idos do ano de 1955. 

Como uma pessoa próxima ao Major, nas suas andanças aqui pelas ruas do nosso Centro Histórico, e especialmente nos desfiles de 2 de julho, quando ele fazia várias paradas e vários discursos, além de distribuir cartas de ABC em todo o trajeto — o que tenho tentado repetir ao longo dos anos, distribuindo um fac-simile da carta autografada por ele —, não posso deixar de parabenizar a ABI pela oportunidade de me expressar sobre tão importante figura da história dessa nação chamada Brasil. 

Viva o sesquicentenário do nosso imorredouro Major Cosme de Farias! Viva nossa ABI! Preservar para perpetuar!

Foto: Sérgio Pedreira

*Clarindo Silva é jornalista, escritor, poeta, compositor e agitador cultural. Atuou como repórter policial nos jornais A Tarde, Jornal da Bahia e Tribuna da Bahia, então migrou da reportagem para a literatura, não deixando de usar a pena para a defesa intransigente do Centro Histórico de Salvador, região que tem em sua Cantina da Lua um bastião de resistência.

Nossas colunas contam com diferentes autores e colaboradores. As opiniões expostas nos textos não necessariamente refletem o posicionamento da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)
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Notícias

“Encontros Agridoces” discute o futuro da comunicação no Dia do Jornalista

Organizado pela Umbu Comunicação & Cultura, o evento “Encontros Agridoces” vai marcar o Dia do Jornalista, comemorado na próxima segunda-feira (7), com debates sobre os desafios do jornalismo na era digital. O evento, que tem presença confirmada do presidente da ABI, Ernesto Marques, e dos especialistas Midiã Noelle e André Santana, será transmitido pelo canal do YouTube do Portal Umbu a partir das 19h. 

Para Mirtes Santa Rosa, publicitária e sócia diretora da Umbu Cultura & Comunicação, a situação atual é propícia para esse debate por conta de transformações relacionadas às big techs. “Estamos em um momento crucial para repensar a prática jornalística. É essencial entender que as questões enfrentadas pelos publishers atualmente estão interligadas às big techs. A democratização do acesso à comunicação, por meio de novos portais de notícias, trouxe desafios significativos para a sustentabilidade do jornalismo”, afirma ela.

Debatedores

Além do presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), radialista e jornalista Ernesto Marques, o evento traz nomes de peso do jornalismo baiano.

Midiã Noelle, escritora e mestre em Cultura e Sociedade pela UFBA, é também diretora-geral da COMMBNE e diretora de políticas do PerifaConnection. Com experiência no jornal Correio, Midiã contribuiu para a elaboração do Plano de Comunicação pela Igualdade Racial do Governo Federal e lançou, em março, o livro “Comunicação Antirracista: Um guia para se comunicar com todas as pessoas, em todos os lugares.”

Já André Santana é jornalista, mestre e doutorando pela Universidade do Estado da Bahia. Com mais de 20 anos de experiência em comunicação, ele é um dos fundadores do Instituto Mídia Étnica e do portal Correio Nagô, além de atuar como colunista no portal UOL e membro do Conselho da ÉNois.

A mediação do debate ficará a cargo de Camilla França, jornalista e mestre em Cultura e Sociedade pela UFBA. Camilla é sócia diretora da Umbu Cultura & Comunicação e gestora de projetos do Instituto Cultural Alvorada Bahia, além de ser editora-chefe do Portal Umbu, com experiência em projetos culturais como Salvador Capital Afro, AFROPUNK Bahia, Mercado Iaô e Fábrica Cultural.

A transmissão pode ser acessada através do link: 

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ABI BAHIANA

Nota de adiamento do lançamento da 7ª Edição da Revista Memória da Imprensa

A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) informa que, devido ao falecimento das jornalistas Kardé Mourão e Wanda Chase, será adiado o lançamento da 7ª edição da Revista Memória da Imprensa, que estava agendado para o próximo sábado, 05 de abril.

Este evento, que tem como tema a violência na comunicação, será remarcado em respeito a essas duas importantes figuras do jornalismo baiano, cujas contribuições ao setor são imensuráveis. Cogitamos, no primeiro momento, homenagear nossa querida Kardé durante o evento. No entanto, fomos surpreendidos por mais uma perda às vésperas do lançamento.

A ABI expressa – mais uma vez – a sua solidariedade com os familiares, amigos e colegas de profissão dessas duas gigantes da nossa imprensa e decide respeitar este momento de luto.

Em breve, divulgaremos a nova data para o lançamento da revista. Agradecemos a compreensão de todos.

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ABI BAHIANA Blog das vidas

ABI lamenta a morte da jornalista Wanda Chase

A Associação Bahiana de Imprensa expressa seu pesar pelo falecimento da estimada jornalista Wanda Chase, aos 74 anos, ocorrido na madrugada desta quinta-feira, 3 de abril de 2025. De acordo com a família, Wanda foi submetida a uma cirurgia de emergência no coração, no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador, após ser diagnosticada com aneurisma dissecante da aorta.

“Sua partida deixa um vazio irreparável, mas seu legado de luta, perseverança e paixão pela vida e pela justiça social continuará a inspirar gerações futuras. Para nós, seus familiares, Wanda é referência de alegria, determinação, sensatez, honestidade e competência”, diz nota divulgada pela família de Chase no início da manhã.

Trajetória – Nascida em Manaus, Amazonas, Wanda construiu uma carreira brilhante e tornou-se um ícone do jornalismo baiano. Sua paixão e dedicação à cultura afro-brasileira foram evidentes em seu trabalho como jornalista, apresentadora e militante do Movimento Negro.

Em reconhecimento à sua contribuição inestimável, Wanda foi agraciada com o Título de Cidadã Soteropolitana pela Câmara Municipal de Salvador em 2002 e, recentemente, receberia o Título de Cidadã Baiana pela Assembleia Legislativa da Bahia, cerimônia que foi adiada devido ao seu estado de saúde. A jornalista chegou a publicar em seu instagram aviso sobre o adiamento, explicando que se recuperava da “virose do Carnaval”.

Com uma trajetória de 47 anos na comunicação e mais de 45 prêmios recebidos, Wanda iniciou sua carreira no Jornal A Crítica, em Manaus, e passou por diversas emissoras, incluindo TV Amazonas, TV Aratu, TVE e TV Bahia, onde trabalhou por 27 anos. Sua atuação destacada na cobertura do Carnaval de Salvador e seu compromisso com a valorização da cultura negra deixaram uma marca indelével no jornalismo brasileiro.

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