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Cinegrafista palestino morre durante ataque à Faixa de Gaza

DEU NA ABI – Associação Brasileira de Imprensa

Por Igor Waltz*

Um repórter cinematográfico palestino morreu neste domingo, 20 de julho, junto ao motorista de uma ambulância, em um bombardeio israelense contra o bairro de Shahiya, um dos mais populosos da Faixa de Gaza. Khaled Hamad é o primeiro jornalista morto desde o início da ofensiva à região, no dia 8 de julho. De acordo com um oficial de saúde palestino, Hamad, de 25 anos, morreu enquanto cobria as operações do Exército israelense. Ele trabalhava como freelancer para a Continue TV Production, segundo informações do Sindicato Palestino de Jornalistas (PJS, na sigla em inglês), e vestia um colete claramente identificado como “Press”. O PJS também informou que outro jornalista, Kareem Tartouhi, foi ferido em outro ataque, e que a casa de terceiro jornalista, Mahmoud al-louh, que trabalha para a estação de rádio Al-Ashab, foi bombardeada.

Khaled Hamad vestia um colete claramente identificado como “Press” - Foto Reprodução/islamic invitation
Khaled Hamad vestia um colete claramente identificado como “Press” – Foto: Reprodução/islamic invitation

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) condenou a morte do cinegrafista. “Enviamos nossas condolências aos familiares, amigos e colegas de Khaled Hamad, que foi morto enquanto fazia o seu trabalho para garantir que a verdade é dita”, disse o presidente da entidade, Jim Boumelha, por meio de nota. “O que estamos vendo em Gaza é chocante e horrível. Jornalistas devem ser autorizados a informar o que está acontecendo e não serem alvejados pelos militares por fazerem seu trabalho. Apelamos a Israel para parar os ataques imediatamente”, completou.

Ofensiva

A morte de Hamad aconteceu poucas horas depois que o governo israelense enviou uma mensagem aos jornalistas nos quais lhes advertia que não se responsabiliza da segurança dos comunicadores estrangeiros que estejam no interior de Gaza. O aviso chegou ao mesmo tempo que o Exército israelense decidiu ampliar sua incursão terrestre na região, onde intensificou seus bombardeios por terra, mar e ar. “Gaza e as áreas próximas são um campo de batalha. Cobrir as hostilidades põe os jornalistas em risco para suas vidas”, explicou uma nota. “Em nenhum caso, Israel é responsável por ferimentos e pelos danos que possa acontecer como resultado de informar no terreno”, acrescentou.

Mais de 500 palestinos, a maioria, civis, e 20 israelenses, sendo 13 soldados, morreram desde o começo do conflito. Um veículo identificado como sendo de imprensa já havia sido atingido por um projétil israelense, o que resultou na morte do motorista. Oito pessoas ficaram feridas.

O direito internacional humanitário estipula que, além da população civil, as partes em conflito em uma guerra são obrigadas a proteger o pessoal médico, humanitário e a imprensa que trabalha. Além disso, os jornalistas estrangeiros que estão em Gaza desde o início das hostilidades entraram na Faixa com a credenciamento dado pelo governo israelense e com autorização prévia do Exército israelense, para quem se devia enviar um e-mail com todos os dados do profissional.

*Com informações da agência EFE e do jornal The Guardian.