O renomado violonista Mario Ulloa vai inovar no encerramento da Série Lunar 2025. Com passagens bem-sucedidas pelo projeto educativo-cultural, ele vai apresentar pela primeira vez um recital com o seu violão de sete cordas. A apresentação, na última lua cheia do ano, será às 19h de quarta-feira (3/12), no Auditório Samuel Celestino, no 8º andar da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), na Praça da Sé.
Fruto da parceria entre a ABI e a Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (Emus/UFBA), a Série Lunar une música, cultura e memória no Centro Histórico de Salvador. Desde 2019, a iniciativa gratuita e aberta ao público proporciona concertos com professores, servidores técnico-administrativos e alunos vinculados à Escola. Em 2024, por dificuldades financeiras da Associação, cada edição mensal passou a contar com o apoio de empresas comprometidas com a cultura e a educação na Bahia.
Nova fase
Professor da Emus e referência nacional e internacional, Mario Ulloa retorna ao palco da ABI em um momento marcante de sua trajetória. Após ter dedicado a vida ao violão de seis cordas, o músico se aprofundou neste ano no estudo do violão de sete cordas, estendendo as possibilidades melódicas de seu repertório. Para esta edição ele preparou um programa com composições autorais e arranjos criados para o instrumento, além de obras brasileiras.
“Toquei a vida inteira com violão de seis cordas, mas neste ano decidi me dedicar ao estudo das sete cordas e isso abriu um mundo novo de possibilidades.”
Mario Ulloa
Este momento especial se deve principalmente ao próprio instrumento: o violão de sete cordas usado por Ulloa foi construído exclusivamente para ele pelo luthier Hamilton Almeida, no bairro de Pernambués. Ex-aluno do músico, Hamilton se dedica há anos à luteria, arte que imprime singularidade e caráter a cada violão que produz.
A apresentação promete encerrar a temporada 2025 da Série Lunar com um recital intimista e vibrante, reunindo técnica, expressividade e a poesia musical que marca o caminho de Ulloa.
SERVIÇO
Série Lunar – “Mario Ulloa e o seu violão de 7 Cordas” 📅 03 de dezembro (quarta-feira) 🕖 19h 📍 Auditório Samuel Celestino – 8º andar do Edifício Ranulfo Oliveira, Rua Guedes de Brito, 1 – Praça da Sé, Centro Histórico de Salvador 🎟 Entrada gratuita
Na noite desta quarta-feira, 26 de novembro, o auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), no bairro Stiep, em Salvador, foi palco da cerimônia de entrega do Prêmio Abapa de Jornalismo. Promovido pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), o evento distribuiu prêmios em dinheiro às melhores reportagens sobre a cotonicultura baiana, nas categorias Profissional e Jovem Talento.
Foto: Manuela Cavadas
Com o auditório repleto de jornalistas, estudantes, representantes de instituições e produtores, o clima era de entusiasmo e reconhecimento. O diretor de Finanças da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Henrique Trindade Filho, que reforçou o compromisso da entidade com o fortalecimento do jornalismo no estado. Ele também expressou o sentimento de valorização da imprensa e dos novos talentos, destacando a importância de fortalecer a comunicação sobre agronegócio e cotonicultura na Bahia.
“É realmente uma satisfação ver o auditório repleto. Queria cumprimentar todos os envolvidos na premiação e exaltar o material exibido aqui. A ABI está de portas abertas, queremos sempre estar em contato com os jornalistas profissionais e também com os estudantes.”
Henrique Trindade Filho
A edição 2025 do Prêmio Abapa manteve sua estrutura de premiar tanto jornalistas profissionais quanto estudantes. A categoria Profissional contempla modalidades como impresso, internet, TV, rádio e regional, valorizando matérias jornalísticas que abordam a cotonicultura baiana.
Vencedores
O repórter Marcos Vinicius Freitas, do A Tarde, levou o troféu na categoria Profissional, modalidade “Jornal ou Revista” com a matéria intitulada “Tarifaço de Trump não atinge algodão sustentável da Bahia”. Ele destacou a liberdade que o veículo deu para o desenvolvimento da pauta, lembrando que a transição de estagiário para repórter neste ano já havia sido um marco em sua trajetória.
Os jornalistas João Souza e Malu Vieira, do g1, levaram na modalidade “Internet”, com uma reportagem que explica como a tecnologia permite que clientes façam “raio-x” de roupas e descubram em quais peças o algodão da Bahia foi transformado.
A modalidade “Rádio” ficou com as jornalistas Verena Nascimento e Ana Paula Lima, da Bandnews FM, com o trabalho Fios da Bahia: tecnologia, cultura e futuro do algodão; no recorte “Regional”, o 1º lugar ficou com Gabriel Pires e Antônio Carlos, da TV Oeste, com Bahia deve ter a maior safra de algodão da história; e na modalidade “TV”, os vencedores foram Gabriela Oliveira, Thaís Travassos, Giuliana Marabello, Raquel Cavalvante e Pedro Lopes, da Record TV, com O ciclo do algodão: a fibra brasileira que conquista o mundo.
Diretora da ABI, a jornalista Mariana Alcântara foi a orientadora do trabalho de Matheus Rocha (Unijorge), vencedor em 2º lugar da categoria Jovem Talento, na modalidade Escrita | Foto: Manuela Cavadas
Cotonicultura e comunicação
A presidente da Abapa, Alessandra Zanotto, que também é produtora de algodão, ressaltou a importância simbólica da premiação e o compromisso que envolve presidir a entidade. Ela afirmou que viver o prêmio de perto, desde sua criação, dá ainda mais sentido ao momento atual. “Esse prêmio tem um posto especial para mim, pela oportunidade de estar aqui hoje, à frente. Este também é um ano especial, porque é um ano de comemoração para a Abapa, onde a gente está completando 25 anos.”
Zanotto destacou que o reconhecimento ao jornalismo profissional é parte essencial do trabalho da associação, que busca dialogar cada vez mais com a sociedade e mostrar a relevância do algodão baiano para o desenvolvimento do estado.
Desde sua criação, em 2019, o Prêmio Abapa de Jornalismo tem como missão dar visibilidade à cotonicultura baiana, um setor com impacto econômico, social e ambiental no estado. A Abapa já firmou parcerias com instituições de ensino e apoio de órgãos como a Secretaria de Comunicação do Estado da Bahia (Secom-BA) e a ABI.
Para os estudantes, a premiação inclusive exige participação em ciclo de palestras e visitas técnicas às regiões produtoras, permitindo um contato direto com a realidade da produção de algodão e enriquecendo a apuração e a reportagem.
A cerimônia teve a participação da presidente do Sinjorba, Fernanda Gama. “Através de matérias e reportagens responsáveis feitas por jornalistas profissionais, éticos, especializados, é possível levar informações sobre o algodão, que está presente nas nossas vidas todos os dias. Através do jornalismo, a nossa sociedade pode entender um pouco mais sobre isso.”
A homenagem à Record pelos seus 65 anos de história foi realizada nesta segunda-feira (24), na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). A cerimônia, proposta pelo deputado Jurailton Santos, destacou a importância da emissora e seu compromisso com o jornalismo baiano. Durante o evento, também foi entregue a Comenda 2 de Julho a Jéssica Smetak, jornalista da emissora, em reconhecimento ao seu trabalho na comunicação do estado. Fundada em 1960 como TV Itapoan, a emissora realizou a primeira transmissão televisiva da Bahia e se consolidou como referência, revelando grandes nomes da comunicação, entre eles Raimundo Varela, criador do Balanço Geral, telejornal que nasceu na Bahia e se tornou um fenômeno nacional. Esteve presente no evento a presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Suely Temporal, que destacou o papel social da emissora. “A Record Bahia vem fazendo, há mais de seis décadas, um jornalismo comunitário atento aos problemas cotidianos da população, em especial aquela mais desassistida”. Ela também parabenizou a colega Jéssica Smetak. A comemoração reforçou a importância histórica da Record Bahia e o compromisso da emissora com a informação, a credibilidade e a conexão com o cotidiano da população baiana.
Foi como se as páginas voltassem para casa. Em meio a lembranças e vozes que atravessam gerações, o jornalista e escritor Wilson Midlej retornou à cidade de Ipiaú (BA), na região do Cacau, para lançar sua obra diante de amigos, pesquisadores, leitores e personagens que também fazem parte da história que conta. O lançamento de “A saga dos sírios e libaneses no sudeste da Bahia” foi realizado no Centro de Estudos Euclides Neto, no Campus XXI da Universidade do Estado da Bahia (CEEN/UNEB), nesta segunda, 24.
O evento coordenado pelas professoras Izabel Cristina Alves, do Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias (DCHT), e Adilma Nunes Rocha (CEEN) foi mediado pelo professor Fagner Alves. A mesa trouxe Sérgio Mattos, prefaciador do livro, e Jussara Midlej, revisora técnica, para uma conversa que misturou percurso acadêmico, afeto familiar e lembranças. A abertura foi com clipes sobre o Rio de Contas e sobre a Fazenda Babilônia, lugar simbólico onde parte da saga começou.
Assim como em Salvador, o lançamento teve sabor de comida árabe e memórias familiares. O aroma da culinária sírio-libanesa, preparada pela professora Jussara Midlej, esposa do autor, chegava suave entre as cadeiras. Teve destaque o muhammara assinado pelo chef Nelmaron. Era como se aquela mistura do interior da Bahia e da cozinha árabe sintetizasse a própria obra, um livro que trata de encontros culturais, deslocamentos, raízes, afeto e pertencimento. A atmosfera em Ipiaú era de reencontro com o chão que sustenta as histórias que ele tece na obra.
Durante sua fala, Midlej explicou por que voltar a Ipiaú era mais do que lançar um livro. “A importância maior de Ipiaú nesse processo é que ela foi o palco onde aportou a maioria dos imigrantes do Oriente Médio. Tudo começou aqui. A mascateação, as pequenas lojas, o comércio que acompanhava os tropeiros, o cacau, o desenvolvimento. Voltar a Ipiaú é voltar à nascente da própria narrativa.”
Um retorno às raízes
Midlej conduziu a plateia a um passeio histórico, desde a chegada dos primeiros sírios e libaneses à região, a mascateação nas fazendas, as viagens de trem até Maracás, os tropeiros que cruzavam a rota. “Eles chegaram como mascates, quase todos. Mas prosperaram, compraram fazendas, plantaram cacau e ajudaram a construir essa região. Por isso era tão importante que este livro fosse lançado também aqui.”
A fila no auditório acumulava leitores decididos a saírem com as dedicatórias carinhosas de Midlej, enquanto ele conversava com cada um. O encontro recebeu os professores e agitadores culturais Marcelo Batista; Veronica Pestana e Liz Midlej, filha do escritor; Salomão Matheus, amigo de 60 anos; o agrônomo Renildo Peixoto; o professor e advogado Paulo Magalhães. Zé Américo, poeta, jornalista, compositor, marcou presença, assim como prof. Otávio Assis, a professora Hallie Costa, o veterinário-pecuarista-cacauicultor Espártaco Teixeira, e a diretora do campus, professora Izabel Lima; o casal Fátima e Sérgio Gondim, que preside o Sindicato Rural de Ipiaú; O casal Isabela (esperando Maria Rita para breve) e o professor Etienne Paulo, ele diretor do Colégio Aprovado; o casal Zarry Midlej e Ticiane Maron Midlej, entre outros amigos e familiares que prestigiaram a noite.
O evento, realizado a 6 km do centro da cidade, teve um caráter especial. “Não foi massificado, mas foi muito qualificado. A universidade acolheu o rigor acadêmico do livro, e o público que veio estava profundamente interessado na história da região. Para mim, isso preencheu a expectativa.” Ao final, quando o público se dispersava devagar, alguém comentou que “o livro precisava ser lançado aqui”. E era verdade. Em Ipiaú, a obra de Wilson Midlej encontrou seu território de origem.
Vida e obra
De repórter esportivo em 1969 a chefe de sucursal e editor, a trajetória profissional de Midlej é longa e diversa. Nascido na Ponta do Humaitá, em Salvador (4 de dezembro de 1945), estudou em escolas públicas e concluiu bacharelado em Direito em Jequié (BA). Ele integra a Assembleia Geral da Associação Bahiana de Imprensa e já trabalhou em veículos como A Tarde e Correio da Bahia, dirigiu a extinta revista Bahia em Foco. Entre suas obras já publicadas estão “Crônicas da Bahia sob o sol de Jequié” (2014), “Gatilhos de lembranças – A eternidade do tempo” (2015) e “Anésia Cauaçu – Lendas e histórias do sertão de Jequié” (2017).
O livro recupera histórias de famílias que, vindas do Oriente Médio no início do século XX, ajudaram a construir a identidade social e econômica de municípios da microrregião. Fruto de pesquisas iniciadas em 2019 e revisado com rigor técnico, a publicação percorre a trajetória de famílias como Hagge, Maron, Midlej, Salomão e Thiara, imigrantes do fim do século XIX e início do XX que se instalaram em municípios da microrregião do sudeste baiano, entre sertões, rios e pequenas cidades.