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Prêmio em homenagem a Anízio de Carvalho abre financiamento coletivo

A comunidade do Alto do Saldanha, em Brotas, está prestes a homenagear um ilustre morador: Anízio de Carvalho (95), ícone do fotojornalismo baiano. Para isso, a Associação Acelera Brotas (ACEB) acaba de abrir uma campanha de financiamento coletivo que vai viabilizar a realização do “Prêmio Guardião da Cultura do Alto”. A iniciativa tem o apoio da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), instituição que já fez diversas homenagens a Anízio, a exemplo da Exposição Ginga Nagô e seu catálogo, e nas páginas da Revista Memória da Imprensa. As doações podem ser feitas por meio da plataforma Apoia.se, no link https://apoia.se/guardiaodacultura.

De acordo com o produtor cultural Tiago Neves, o projeto visa fomentar a cultura desse bairro, através de uma premiação que vai destacar talentos locais. “Esse prêmio é uma forma de reconhecer e valorizar aqueles que se dedicam a preservar a cultura e a história local, e de inspirar as futuras gerações a continuar o legado”, explica o idealizador.

“Resgatar o passado para construir um futuro” é o tema da primeira edição do evento, cujo projeto também prevê a realização de uma exposição com fotografias marcantes da carreira de Anízio de Carvalho, conhecido no bairro como “Sr. Zico”, além de apresentações de artistas da comunidade.

Tiago Neves destaca a potência que é fortalecer o senso de pertencimento do Alto do Saldanha, resgatando sua memória afetiva através do fotojornalista. “A homenagem ao Sr. Anízio é um ato de reconhecimento da importância da cultura do Alto do Saldanha, um local que abriga uma diversidade de manifestações culturais e religiosas. Ao celebrar a sua obra, celebramos a nossa própria identidade”, reflete. 

A meta de arrecadação do projeto é de R$ 17.160,00, valor que será utilizado para o aluguel de espaço e equipamentos, ações de marketing, confecção de troféu e outras despesas do evento. A campanha de arrecadação espera atingir não apenas moradores do Alto do Saldanha, seus familiares e amigos, mas também instituições e profissionais da comunicação, artistas, educadores, estudantes e todo cidadão comprometido com a preservação da cultura baiana.

Sr. Zico

Nascido em 23 de fevereiro de 1930, em Conceição da Feira, interior da Bahia, Anízio de Carvalho é considerado o fotojornalista que exerceu a atividade por mais tempo no Brasil. As lentes de sua prezada máquina fotográfica Rolleiflex eternizaram acontecimentos marcantes da história da Bahia e do Brasil, sejam coberturas do período da ditadura militar e campanhas políticas, manifestações culturais e religiosas, além da cena artística e o cotidiano da vida baiana.

Segundo Neves, a importância de Anízio para a sua comunidade e para a Bahia está no registro sensível da cultura popular do estado. “Suas fotografias não são meros registros; são narrativas visuais que revelam a alma do povo baiano, a expressividade das grandes iyalorixás e babalorixás, a fé que pulsa nos terreiros e igrejas, a força e a resiliência de uma comunidade que, apesar das adversidades, mantém viva sua rica herança cultural”, observa.

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ABI BAHIANA

Museu de Imprensa da ABI inaugura exposição de Anízio Carvalho

As imagens desfilam aleatoriamente. Lado a lado com o senador Teotônio Vilela (1917-1983), a Mãe Nicinha do Bogum (1911-1994) e a lendária Mulher de Roxo (data de nascimento imprecisa, falecida em abril de 1997) contemplam o primeiro incêndio do atual prédio do Mercado Modelo, em 1994. Claro que esta cena hipotética é um mero exercício de imaginação. Afinal, por uma questão cronológica, os personagens mencionados não poderiam estar no local do sinistro que destruiu o histórico prédio do cartão-postal de Salvador.

Mas há, sim, um espaço em que essa diversidade de registros pode se encontrar: a exposição “Ginga Nagô”, mostra fotográfica do mestre Anízio Carvalho, 93 anos, referência de várias gerações de jornalistas. Promovida pela Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e sob a curadoria do premiado fotógrafo Manu Dias, a exposição será aberta na próxima quarta-feira (19), às 10h, no Museu de Imprensa, no Centro Histórico de Salvador. A entrada é gratuita.

Aos 93 anos, Anízio Carvalho lembra em detalhes as histórias das fotografias que compõem o seu acervo

Às vésperas de completar um centenário de vida – nasceu em 23 de fevereiro de 1930, em Conceição da Feira, interior da Bahia – Anízio enfrenta alguns problemas de saúde associados à idade, mas se mantém lúcido e com uma memória invejável. Melhor do que muito novinho e muita novinha por aí. Ele identifica cada um dos momentos eternizados com suas máquinas preferidas – a Rolleiflex, equipamento doado pelo mestre Leão Rosenberg, e a Speed Graphic, adquirida com muita dificuldade em suaves prestações. Identifica personagem retratado, local e circunstâncias da foto. E é cada história!

O tempo, no entanto, é inclemente. E as condições de acondicionamento do acervo não são exatamente as ideais. Para  evitar que esse material se perca, a ABI e a família do decano estudam formas de garantir a preservação das imagens por meio de uma curadoria de conteúdo. A exposição é apenas o primeiro passo desse projeto.

Empenhado pessoalmente na construção da “Ginga Nagô”, o presidente da ABI, Ernesto Marques, traduz a importância da mostra como um incentivo para que instituições culturais atuem na preservação do acervo reunido pelo fotojornalista em quase seis décadas de atuação plena como repórter fotográfico. “Ele teve a oportunidade de testemunhar fatos que entraram para a história e foram registrados por suas lentes. Foi um dos poucos que tiveram a sabedoria de guardar os negativos, que são verdadeiras relíquias para a memória do estado”, salienta o dirigente.

Valber Carvalho entrevista o fotojornalista baiano Anízio Carvalho, para a Revista Memória da Imprensa | Foto: Daiane Rosário

O curador Manu Dias vê em Anízio “um exemplo da garra que o jornalista de imagem tem que ter para superar as adversidades e, com criatividade, sempre conseguir levar a foto para a redação”. E destaca as contribuições do colega para o fotojornalismo: “Testemunha viva da Bahia  boêmia, atravessou a ditadura e as rusgas políticas, com muita ginga, malemolência e a astúcia dos grandes jornalistas que sabem chegar”, elogia. 

Manu Dias leva para a mostra imagens de grandes artistas de uma época áurea da Bahia, o encontro de Anízio com o candomblé, flagras da vida política, manifestações culturais e o drama do incêndio da Feira de Água de Meninos, entre outras. Bastante animado com a exposição, Anízio se diz “feliz e orgulhoso” e não contém a ansiedade. A família confirma: ele conta os dias para a abertura da mostra, que vai chancelar seus quase 60 anos de vida profissional.

SERVIÇO

Data: 19 de abril
Hora: 10h
Local: Museu de Imprensa da ABI (Térreo do Edifício Ranulfo Oliveira – Rua Guedes de Brito, 1 – Praça da Sé, Salvador)
Entrada gratuita

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ABI BAHIANA

Museu de Imprensa abre espaço à genialidade de Anízio Carvalho

Uma tarde regada por muitas histórias e os deliciosos sequilhos de Dona Terezinha, a companheira de vida do mestre Anízio Circuncisão de Carvalho. Ela abriu sua casa para a equipe da Associação Bahiana de Imprensa mergulhar nas aventuras contadas pelo rico acervo do marido. É que as obras emblemáticas do fotojornalista baiano vão compor uma exposição especial no Museu de Imprensa. A mostra está prevista para o mês de abril, quando é comemorado o Dia do Jornalista, e terá curadoria do premiado fotógrafo Manu Dias.

Aos 93 anos, Anízio de Carvalho lembra em detalhes as histórias das fotografias que compõem o seu acervo

A visita foi conduzida pela diretora de Comunicação da ABI, Jaciara Santos, amiga de Anízio. “Essa exposição é uma iniciativa importante para reconhecer a grandiosidade do trabalho de Anízio”, destaca a jornalista.

“Isso para mim é um presente. Estou muito feliz e orgulhoso”, confessou Anízio, sem conter a animação. Esse orgulho é compartilhado por sua família. Durante a visita, seus filhos Iguatemi e Juarez Circuncisão assinaram o documento de cessão das fotos à ABI, em regime de empréstimo.

Renata Santos, museóloga da ABI e responsável pelo Museu de Imprensa, separou o material com a ajuda do assistente Pablo Sousa, graduando em História e estagiário da instituição. As obras receberão os cuidados da equipe do Laboratório de Restauro e Conservação da entidade, para a adequada higienização antes de seguirem para a curadoria. Em breve, a ABI divulgará a data de lançamento da exposição.

Como chegar?

O Museu de Imprensa está lozalizado no térreo do Edifício Ranulfo Oliveira (sede da ABI), na Rua Guedes de Brito, 1 – Praça da Sé, Centro Histórico de Salvador

As visitas são gratuitas e devem ser preferencialmente agendadas pelo e-mail [email protected] ou WhatsApp 71 98425-8038.

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Notícias

Ícone do fotojornalismo, Anízio Carvalho completa 93 anos

Ele encontrou na fotografia sua profissão e seu hobby. Em 60 anos de atividade, as lentes de Anízio Circuncisão de Carvalho eternizaram acontecimentos marcantes da história da Bahia e do Brasil, com destaque para as coberturas do período da ditadura militar e campanhas políticas. Nesta quinta-feira, dia 23 de fevereiro, o baiano natural de Conceição da Feira completa 93 anos e segue à espera da valorização e preservação do seu valioso acervo, que reúne equipamentos históricos e mais de seis mil negativos.

É de sua autoria uma das fotografias mais inusitadas da visita da rainha Elizabeth II ao Brasil, em novembro de 1968. O célebre registro do “joelho imperial” é sempre lembrado por um Anízio saudoso e orgulhoso de sua trajetória no fotojornalismo.

O governador Luís Viana Filho desfilava em carro aberto ao lado da monarca inglesa pelas ruas de Salvador. Umas das paradas do conversível Lincoln 1935 projetaria Anízio Carvalho como um dos mais respeitados nomes da fotografia brasileira.

“Liguei o automático, botei a Rolleiflex de cabeça para baixo. Quando ela colocou a perna para fora do carro, eu tossi para disfarçar o disparo e esperei. Tinha minha foto”, se diverte Anízio, ao narrar como conseguiu a foto que estampou diversas publicações mundo afora.

Anízio nasceu em uma família humilde que trabalhava no ramo da construção civil. Quando decidiu tentar a sorte longe de casa, seu pai, Manuel, lhe impôs uma condição. “Ele me disse que eu só viria para Salvador se tivesse como me sustentar e ser alguém”, lembra.

Assim que chegou à capital baiana, aos 14 anos, ele foi trabalhar na casa da família do fotógrafo Leão Rosemberg. Não demorou e Anízio estava no “foto” [como eram chamados os estúdios e laboratórios], aprendendo os segredos da profissão.

De lá, foi para o extinto Jornal da Bahia, em 1957, permanecendo por mais de 30 anos, até o fechamento do diário. “Trabalhei com Valter Lessa, Domingos Cavalcanti, Aristides Baptista [filho de Gervásio Baptista, o ‘fotógrafo dos presidentes’] e outros grandes da área”, recorda.

A postura profissional inseriu Anízio nas pautas mais importantes. E ele não descansava enquanto não conseguia a foto que tinha na cabeça, sem preocupações com o horário de acabar o trabalho. Às vezes, colocava a própria vida em perigo.

“Eu arriscava minha vida por uma foto”

– Anízio Carvalho, fotojornalista

“Eu arriscava minha vida por uma foto”, confessou em entrevista ao jornalista Valber Carvalho para primeira edição da Revista Memória da Imprensa, da Associação Bahiana de Imprensa (leia aqui). Nas páginas da publicação, Anízio relembra aventuras de uma vida dedicada à fotografia.

Ele ainda tem equipamentos fotográficos, como ampliadores, banheiras de aço, tanques, cortadeiras, refletores e câmeras, entre as quais está a famosa Rollei 6×6 e a Pentax. Nos últimos anos, Anízio foi alvo de muitas homenagens. Mas, encontrar uma instituição que assuma a curadoria de seu acervo é o maior desejo do fotógrafo. “Já tive várias promessas e propostas que não foram adiante. Meu sonho é achar um destino seguro para meu arquivo pessoal”, reivindica o decano.

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