A diretora de Cultura da Associação Bahiana de Imprensa, Yara Vasku, participou na manhã dessa quinta-feira (29) do evento Perspectivas Econômicas & Reforma Tributária, realizado pela Fecomércio BA e CNC.
Um dos pontos de maior otimismo apresentados pela Fecomércio BA foi o impacto do Carnaval na economia baiana. Segundo a entidade, os setores de comércio e turismo devem movimentar R$ 12,4 bilhões em fevereiro, o que representa um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O encontro reuniu empresários, imprensa, representantes do setor público e especialistas para discutir o cenário econômico e os efeitos da Reforma Tributária.
Presentes no cotidiano moderno de maneira global, os mapas figuram como um recurso de organização para dados que são pouco legíveis quando apresentados apenas em listas, percentuais ou tabelas. Mapas contêm informações e imagens que, juntas, servem para tornar visíveis comparações, hierarquias, conexões, concentrações e dispersões, conforme a geografia dos acontecimentos.
No jornalismo, essa linguagem amplia a capacidade de compreensão ao integrar espaço e tempo em um mesmo tipo de informação, a geoinformação. Essa capacidade se evidencia de forma particular em coberturas relacionadas à infraestrutura urbana e ao meio ambiente, temas recorrentes na agenda pública baiana.
Mas quando foi a última vez que um mapa apareceu de forma consistente no jornalismo produzido na Bahia?
A dificuldade em responder a essa pergunta é reveladora. A presença de mapas nas notícias é esporádica e, na maioria dos casos, limitada a peças gráficas genéricas, raramente concebidas como parte do processo de apuração. Mapas entram como ilustração, não como método. A partir dessa constatação, vale observar dois exemplos recentes que ajudam a dimensionar o que se perde quando o território deixa de ser tratado como informação.
A construção da Ponte Salvador-Itaparica constitui um acontecimento de longa duração acompanhado pela imprensa ao longo de diferentes fases. A cobertura concentrou-se em anúncios oficiais, custos, prazos e impasses institucionais. O território vivido dos dois lados da ponte aparece de forma fragmentada, generalizada ou subestimada nas notícias e nos materiais institucionais.
A incorporação de mapas ao jornalismo permite situar o traçado da ponte, identificar áreas diretamente afetadas e compreender a reorganização dos fluxos de mobilidade e circulação regional. A produção do Observatório da Mobilidade Urbana de Salvador (ObMob Salvador) exemplifica essa abordagem ao reunir, em um mapa narrativo, quinze anos de memória da imprensa da Bahia, entre o impresso e o digital.
Vista dessa forma, a cartografia contribui para a leitura pública da obra ao evidenciar sua inserção na malha urbana e metropolitana. O mapa torna visível a relação entre a infraestrutura planejada, o sistema viário existente e as áreas ambientalmente sensíveis, além de explicitar a dimensão internacional do empreendimento e sua articulação entre Brasil e China.
Mapa produzido pelo ObMob Salvador na ferramenta StoryMapJS do Knight Lab
Ao articular espaço e tempo, o Mapa da Ponte Salvador-Itaparica permite acompanhar cronologicamente o projeto, suas modificações e a distribuição territorial dos discursos em torno da megaobra.
Os dados de balneabilidade variam conforme fatores ambientais e urbanos, como regime de chuvas, drenagem e saneamento, e afetam diretamente o uso da orla pela população.
A visualização cartográfica da poluição costeira favorece a compreensão de padrões territoriais associados à infraestrutura urbana.
O mapa conecta a qualidade da água do mar às condições dos bairros adjacentes e às dinâmicas de ocupação do solo, ampliando a leitura espacial do problema em uma cidade marcada por desigualdades urbanas persistentes.
Para jornalistas de toda a Bahia, a ausência de mapas limita a compreensão dos territórios. O uso ético e estratégico da cartografia amplia a capacidade de leitura, comparação e acompanhamento dos acontecimentos noticiados, oferecendo às audiências referências espaciais que fortalecem o debate público e a avaliação da qualidade da imprensa neste canto do mundo.
*Antônio Laranjeira é jornalista pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), mestre em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e doutorando em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
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Jornalistas e estudantes de jornalismo têm até a próxima sexta-feira (30) para se inscrever no Edital Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo, iniciativa da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), em parceria com a Associação Bahiana de Imprensa (ABI).
O prêmio reconhece reportagens e produções jornalísticas que contribuem para a popularização da ciência, tecnologia e inovação produzidas no estado. Podem participar profissionais com registro no Ministério do Trabalho e Emprego, além de estudantes de jornalismo a partir do 4º semestre, matriculados em instituições de ensino superior reconhecidas pelo MEC e sediadas na Bahia.
O edital contempla cinco categorias: Texto (impresso ou digital), Vídeo, Áudio, Fotojornalismo e Jornalismo Universitário. Os trabalhos serão avaliados a partir de critérios como relevância, criatividade, originalidade, apuração, noticiabilidade e impacto dos temas abordados para a ciência, tecnologia e inovação na Bahia.
Na categoria profissional, os valores da premiação são de R$ 10 mil para o primeiro lugar, R$ 7 mil para o segundo e R$ 5 mil para o terceiro. Já no Jornalismo Universitário, os vencedores receberão R$ 4 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente. O edital completo, com cronograma e regras de participação, está disponível no site da Fapesb: www.fapesb.ba.gov.br.
A presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Suely Temporal, recebeu na manhã desta segunda-feira (26) a doação de seis exemplares de jornais históricos de Vitória da Conquista. O pesquisador Alan Barbosa entregou três edições dos periódicos A Conquista e outras três de A Palavra, que circularam entre 1911 e 1918 na então “Cidade da Conquista”, no sudoeste da Bahia.
Entre os exemplares doados está a edição inaugural do A Conquista, cujo artigo de capa apresentava o periódico: “Eis pois o nosso principal intento. Difundir notícias, alargar na esphera de nossas atribuições conhecimentos uteis, tornar conhecido, não só no Estado mas também no paiz todos os elementos que dispõe o municipio de Conquista” (sic).
Esses serão os primeiros exemplares do jornal A Palavra a integrar o acervo da ABI, que possui apenas uma edição do A Conquista. Os jornais foram recebidos pela museóloga Renata Ramos, responsável pelo acervo da associação. Segundo Renata, os exemplares passarão por um período de quarentena com produtos específicos para eliminação de fungos e, posteriormente, serão submetidos a processos de restauro e tombamento.
Pesquisador tem foco na imprensa do interior Alan Barbosa encontrou os jornais durante a elaboração de seu Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), concluído em 2016. A pesquisa foi publicada no mês passado sob o título “A imprensa como ferramenta de poder: coronelismo e disputa política em Vitória da Conquista (1911-1917)“, no periódico Vozes e Diálogo (Univali).
De acordo com os estudos de Alan, o jornal A Conquista, fundado em 1911, foi o primeiro periódico produzido na cidade. Já o jornal A Palavra foi fundado em 1917. Ambos surgiram em um período marcado por disputas políticas na região.
O pesquisador, interessado na história da imprensa regional, é mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e doutorando em Comunicação e Cultura Contemporâneas na Universidade Federal da Bahia (UFBA), sob orientação da professora Lia Seixas. Alan tem contado com o apoio da ABI em sua pesquisa atual, que investiga violências sofridas por jornalistas no interior da Bahia.